Estigma, Preconceito e Escolarização da Criança com Deficiência: Percepções e Expectativas Familiares

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Silva, José
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/31471/0013000002knx
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/3115
Resumo: Registros históricos apontam diferentes percepções familiares sobre deficiência e suas implicações na escolarização do indivíduo, esboço educacional instalado a partir da fase institucional da deficiência (na ascensão da Idade Média), embora na prática despojado de sentido escolar, aspecto progressivamente notado no período moderno em instituições especiais (século XVIII). Na segunda metade do século XX, a criança com deficiência passou por vários paradigmas escolares, entre os quais a integração em classe regular, condicionada a testes avaliativos das suas condições fisiopsíquicas, postura recorrente de exclusão influenciada em estigmas históricos de incapacidade, visão contraposta com a emergência do movimento de inclusão social e escolar (meados dos anos 1980 e início dos 1990), que constituiu discurso pedagógico hegemônico de universalização do ensino regular. Contudo, passadas quase três décadas, estatísticas nacionais e internacionais apontam baixos índices de frequência e de aprendizagem do aluno com deficiência, indicando amplas interferências familiares nesse quadro educacional. A partir dessas considerações, este trabalho dissertativo analisou as percepções de familiares sobre deficiência e o efeito produzido por essas percepções nas expectativas de escolarização dos seus filhos com deficiência, estudantes do ensino fundamental I de escola do município de Mata de São João, Bahia (BA), Brasil. A pesquisa teve abordagem qualitativa com dados coletados por técnica de entrevista semiestruturada – gravada – com familiares de alunos do referido ciclo escolar. O trabalho analítico e interpretativo dos dados teve como referência teórica a Análise de Conteúdo por sugerir tratamento temático e inferencial de dados qualitativos obtidos das respostas dos sujeitos da pesquisa. Com suporte teórico pertinente, a pesquisa foi desenvolvida a partir das narrativas de quatro mães de filhos com deficiência, matriculados no ensino fundamental I da rede municipal, apresentando defasagem entre idade, série escolar e baixa aprendizagem. A meta inicial buscou identificar emoções, dificuldades e pontos de vista que possibilitassem respostas ao objeto da pesquisa para, em fase posterior, abordar aspectos causais das categorias subjetivas emergentes das respostas das mães entrevistadas como influentes na escolarização do filho com deficiência. Nas narrativas das entrevistadas identificou-se o estigma histórico de incapacidade dirigido à pessoa com deficiência, especialmente, tratando-se de aprendizagem, crença encontrada na visão de duas mães em relação aos filhos, conforme o enfoque de ambas sobre deficiência como defeito, ou patologia (percepção de deficiência também das outras mães), associados à incapacidade de aprender. Também ficaram patentes pelas vozes das mães, outros influentes restritivos à escolarização dos filhos, como a presença de preconceito nas relações escolares e sociais dos filhos, barreiras econômicas, informações e conhecimentos insuficientes à percepção acolhedora e a intervenções familiares nas demandas da criança com deficiência, em especial a escolar. Pelos achados teórico-metodológicos da investigação, o estudo considerou, então, que um evento de deficiência mobiliza dicotomias emocionais, reestruturação familiar, orçamentária e cotidiana, como também estigmas e preconceitos, aspectos geradores de recorrentes descrenças na família e na sociedade em relação à escolarização da criança com deficiência.
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