Caminhos e descaminhos da abolição: escravos, senhores e direitos nas últimas décadas da escravidão (Bahia, 1850-1888)
| Ano de defesa: | 2007 |
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| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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UNEB
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/7724 |
Resumo: | Este trabalho tem por objetivo analisar o declínio da escravidão na província da Bahia na segunda metade do século XIX. Tomando como ponto de partida o impacto que o fechamento do tráfico de escravos africanos para o Brasil (1850) provocou no fornecimento de mão-de-obra bem como na política de alforrias, busca-se discutir como as autoridades provinciais, os senhores e os escravos baianos vivenciaram as transformações em curso. Analisam-se os efeitos que o incremento do tráfico interno e a aprovação da legislação emancipacionista (1871 e 1885) provocaram no cotidiano de senhores e escravos, especialmente no tocante às negociações pela liberdade. A hipótese central é a de que a luta pela preservação da antiga política de alforrias e não somente o tráfico interprovincial de escravos, como reitera a historiografia teve um papel fundamental no desgaste da escravidão na Bahia. Ao reivindicarem a continuação da política de manumissões tal como esta era praticada durante a vigência do tráfico atlântico, os cativos deram uma importante contribuição para o processo da abolição. Com o enfraquecimento progressivo da autoridade senhorial, e contando com o auxílio de advogados dispostos a defender-lhes na justiça, os escravos passaram a fazer uso da legislação para se libertarem mesmo que contra a vontade de seus senhores. Entre as décadas de 1850 e 1870, as ações de liberdade perpetradas por eles e seus procuradores eram formuladas em moldes conservadores, isto é, previam indenizações custosas a serem pagas aos senhores. A partir da segunda metade da década de 1880, contudo, com o apoio do movimento abolicionista, os escravos puderam fazer uso das redes de libertação organizadas em vários pontos da província para reivindicar sua liberdade a partir princípios legais radicais, que não previam o pagamento de qualquer tipo de indenização aos senhores. Somadas às fugas e a insubordinação escrava no mundo do trabalho, estas iniciativas contribuíram enormemente para que a abolição estivesse consumada nas ruas antes da assinatura do decreto da princesa Isabel, em 13 de maio de 1888. |
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A hipótese central é a de que a luta pela preservação da antiga política de alforrias e não somente o tráfico interprovincial de escravos, como reitera a historiografia teve um papel fundamental no desgaste da escravidão na Bahia. Ao reivindicarem a continuação da política de manumissões tal como esta era praticada durante a vigência do tráfico atlântico, os cativos deram uma importante contribuição para o processo da abolição. Com o enfraquecimento progressivo da autoridade senhorial, e contando com o auxílio de advogados dispostos a defender-lhes na justiça, os escravos passaram a fazer uso da legislação para se libertarem mesmo que contra a vontade de seus senhores. Entre as décadas de 1850 e 1870, as ações de liberdade perpetradas por eles e seus procuradores eram formuladas em moldes conservadores, isto é, previam indenizações custosas a serem pagas aos senhores. A partir da segunda metade da década de 1880, contudo, com o apoio do movimento abolicionista, os escravos puderam fazer uso das redes de libertação organizadas em vários pontos da província para reivindicar sua liberdade a partir princípios legais radicais, que não previam o pagamento de qualquer tipo de indenização aos senhores. Somadas às fugas e a insubordinação escrava no mundo do trabalho, estas iniciativas contribuíram enormemente para que a abolição estivesse consumada nas ruas antes da assinatura do decreto da princesa Isabel, em 13 de maio de 1888.The present paper has as main objective to analyze the decline of slavery in the province of Bahia, during the second half of 19th century. Starting the investigation from the impact, regarding both, the lack of labor force and the politics pro-slavery enfranchisement, caused by the closing of African slaves' trafficking to Brazil (1850), the study tries to discuss how the provincial authorities, the slave owners and the slaves from Bahia have experienced the current transformations in that historical period. Thus, the study focus on the effects that, the increment of the traffic inter-provinces and the approval of the legislation for emancipation (1871 and 1885) provoked in the daily routine of slave owners and slaves, especially concerning the negotiations pro slavery-freedom. The central hypothesis is that, the discussions and fights for the preservation of the old enfranchisement politics rather than the inter-province slave trafficking, as reiterated by historiography - was fundamental in the weakness of slavery in Bahia. In fact, when struggling for maintaining the same manumissions measurement practiced during law force in the Atlantic Trafficking, the captive slaves gave a relevant contribution to the abolition process. With the progressive weakness of the manorial's authority, and counting on lawyers' aid, who were ready to defend them in tribunals and courts, the slaves started to make use of legislations to get freedom, even against their owner's will. Between 1850's and 1870's, their actions pro- abolitionist movement, as well as the actions and prosecutions performed by their representatives, were formulated in a traditional way, once pro-abolitionist legal justice predicted a high indemnification to be paid to manors when releasing slaves from captivity. However, after the second half of 1880's, and counting on pro-abolitionist movement, which gradually consumed the strength of slavery, the slaves could make use of organized liberation networks, set in several points of the province, to demand their freedom, based on legal radical principles, which did not work in favor of any payment or compensation to slave owners. Moreover, besides the frequent slave escapes and slave insubordination at work, those attitudes contributed significantly to consummate the abolition in the streets even before the signature of the ordinance document, by Isabel, the princess, on May 13th, 1888.UNEBSilva , Luiz GeraldoReis, João JoséWissenbach, Maria Cristina CortezFonseca, Ricardo MarceloPena, Eduardo SpillerBurmester, Ana Maria de OliveiraSilva, Ricardo Tadeu Caires2025-03-12T18:50:06Z2025-03-12T18:50:06Z2007info:eu-repo/semantics/doctoralThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionapplication/pdfapplication/pdfSILVA, Ricardo Tadeu Caires. 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