A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália Fernandes

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Santos, Margarete de Carvalho
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado da Bahia
Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/5104
Resumo: Esta pesquisa analisa a produção literária contemporânea de horror de autoria negra feminina na Bahia com o objetivo de investigar quais saberes emergem e seus possíveis efeitos psíquicos em um corpo negro, a partir da leitura crítica dos seguintes textos: o conto “Relicário”, da escritora Hildália Fernandes (2015), e o conto “A tumba n. 03”, da poeta Jovina Souza (no prelo). Oriento-me metodologicamente a partir da teoria da epistemologia do romance, idealizada pelo teórico brasileiro Wilton Barroso Filho, e tomo como ponto de partida a pesquisa da teórica afro-americana Kinitra Brooks (2018) sobre a produção de horror de autoria negra feminina na diáspora, para me questionar sobre como as produções baianas se comportam ao trazerem temas sobrenaturais e sombrios aliados à violência racial. Coloco-me aqui enquanto pesquisadora encarnada, nos termos descritos pela antropóloga baiana Suely Messeder (2020), uma vez que meu corpo move e é movido por esta pesquisa, bem como intercruzo as análises das produções com o meu processo de escrita criativa com temática afro-brasileira. Fundamento as análises a partir do conceito de dispositivo de racialidade pensado por Sueli Carneiro (2005) para que possamos entender como o gênero literário do horror, que possui como principal característica provocar medo, pode nos inscrever no signo de morte ou nos retirar dele a fim de nos proporcionar caminhos de cura através da narrativa. Como resultados, apresento quais as possibilidades que as autoras baianas nos apontam para lidarmos com a dor e o medo de forma resiliente a fim de construir um processo de cura: Jovina Souza nos orienta a fazer o letramento racial para pensarmos estratégias de sobrevivência e nos chama a atenção para nossa capacidade cognitiva para lidar com o trauma racial; e Hildália Fernandes nos apresenta o Abèbè enquanto instrumento para resgatarmos aspectos importantes da nossa identidade que podem reverberar na nossa psique. Utilizo o termo cura dentro da abordagem pensada por bell hooks (2023), para se referir a nossa capacidade de construir mapas a fim de lidarmos com as dores oriundas dos traumas raciais. Me aproximo também dos estudos psicanalíticos que articulam racismo e condição mental, a citar a pesquisa de Neusa Santos Souza (1983). Para refletir como o medo e a dor são manipulados enquanto signo, ancoro-me nos estudos de Byung-Chul Han (2021) e para entender a influência da narrativa literária no processo de cura, trago estudos do Walter Clyde W. Ford (1999), e principalmente me apoio no mito de Ananse Ntontan que me oferece a ideia de cura pela contação de história.
id UNEB-8_fa0b2c20306654a2ebdd11531986dac8
oai_identifier_str oai:saberaberto.uneb.br:20.500.11896/5104
network_acronym_str UNEB-8
network_name_str Saber Aberto – Repositório Institucional da UNEB
repository_id_str
spelling A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália FernandesThe fear path, the healing path: the black women's horror literature in Bahia, an analysys of Jovina Souza and Hildália FernandesHorrorAutoras negras baianasSankofanarração especulativaCuraJovina SouzaHildália FernandesEsta pesquisa analisa a produção literária contemporânea de horror de autoria negra feminina na Bahia com o objetivo de investigar quais saberes emergem e seus possíveis efeitos psíquicos em um corpo negro, a partir da leitura crítica dos seguintes textos: o conto “Relicário”, da escritora Hildália Fernandes (2015), e o conto “A tumba n. 03”, da poeta Jovina Souza (no prelo). Oriento-me metodologicamente a partir da teoria da epistemologia do romance, idealizada pelo teórico brasileiro Wilton Barroso Filho, e tomo como ponto de partida a pesquisa da teórica afro-americana Kinitra Brooks (2018) sobre a produção de horror de autoria negra feminina na diáspora, para me questionar sobre como as produções baianas se comportam ao trazerem temas sobrenaturais e sombrios aliados à violência racial. Coloco-me aqui enquanto pesquisadora encarnada, nos termos descritos pela antropóloga baiana Suely Messeder (2020), uma vez que meu corpo move e é movido por esta pesquisa, bem como intercruzo as análises das produções com o meu processo de escrita criativa com temática afro-brasileira. Fundamento as análises a partir do conceito de dispositivo de racialidade pensado por Sueli Carneiro (2005) para que possamos entender como o gênero literário do horror, que possui como principal característica provocar medo, pode nos inscrever no signo de morte ou nos retirar dele a fim de nos proporcionar caminhos de cura através da narrativa. Como resultados, apresento quais as possibilidades que as autoras baianas nos apontam para lidarmos com a dor e o medo de forma resiliente a fim de construir um processo de cura: Jovina Souza nos orienta a fazer o letramento racial para pensarmos estratégias de sobrevivência e nos chama a atenção para nossa capacidade cognitiva para lidar com o trauma racial; e Hildália Fernandes nos apresenta o Abèbè enquanto instrumento para resgatarmos aspectos importantes da nossa identidade que podem reverberar na nossa psique. Utilizo o termo cura dentro da abordagem pensada por bell hooks (2023), para se referir a nossa capacidade de construir mapas a fim de lidarmos com as dores oriundas dos traumas raciais. Me aproximo também dos estudos psicanalíticos que articulam racismo e condição mental, a citar a pesquisa de Neusa Santos Souza (1983). Para refletir como o medo e a dor são manipulados enquanto signo, ancoro-me nos estudos de Byung-Chul Han (2021) e para entender a influência da narrativa literária no processo de cura, trago estudos do Walter Clyde W. Ford (1999), e principalmente me apoio no mito de Ananse Ntontan que me oferece a ideia de cura pela contação de história.This research aims to investigate which knowledges and psychic effects on a black body emerge from our critical reading of contemporary horror literature written by black women from Bahia. The analyses are based on the following short stories: “Relicário” by Hildália Fernandes (2015) and “A tumba n. 03” by Jovina Souza (in press). I use the epistemology of the novel, idealized by the Brazilian theorist Wilton Barroso Filho, to guide the methodology and I a start this study from the research of the African-American theorist Kinitra Brooks (2018) on the horror literature by black women in the diaspora, to question myself about how black women from Bahia direct their text when they bring supernatural and malignant themes associated with racial violence. I consider myself as an incarnated researcher, in the terms described by the Bahian anthropologist Suely Messeder (2020), because my body moves and it is also moved by this research, as well as I intersect the analyzes of the texts with my own process of creative writing using Afro-Brazilian themes. I support the analyzes using the concept of racial device developed by Sueli Carneiro (2005) to understand how the horror literature genre, which has the main characteristic of provoking fear, can inscribe us in the sign of death or remove us from it. As a result, I address the possibilities that the black Bahian writers guide us to deal with pain and fear: Jovina Souza guides us to do racial literacy to think about survival strategies and draws attention to our cognitive ability to deal with racial trauma; while Hildália Fernandes presents us with the Abèbè as an instrument to rescue important aspects of our identity that can reverberate in our psyche. We use the term healing within the approach thought by bell hooks (2023), to refer to our ability to build maps in order to deal with the pain arising from racial trauma. I also associate the analysis with the psychoanalytic studies that articulate race and mental condition, citing the research of Neusa Santos Souza (1983). To reflect on how fear and pain are manipulated as a sign, I follow Byung-Chul Han (2021) ideas about pain. And to understand the influence of literary narrative in the healing process, I bring studies by Walter Clyde W. Ford (1999), and mainly I base myself on the myth of Ananse Ntontan, who offers me an idea of healing through storytelling. Keywords: horror; black women writers from Bahia; speculative sankofarration; healing; Jovina Souza; Hildália Fernandes.Universidade do Estado da BahiaPrograma de Pós-Graduação em Estudos de LinguagensFreitas , Ricardo Oliveira deSamyn, Henrique MarquesGonçalves, Luciana Sacramento MorenoSantos, Margarete de Carvalho2024-02-22T18:58:24Z2024-02-22T18:58:24Z2023-05-09info:eu-repo/semantics/masterThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionapplication/pdfapplication/pdfSANTOS, Margarete de Carvalho. A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália Fernandes. Orientador: Ricardo Oliveira de Freitas. 152 fs. Dissertação (Mestrado em Estudos de Linguagens). Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Ciências Humanas (DCH), Campus I, Salvador, 2023https://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/5104porinfo:eu-repo/semantics/openAccesshttp://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/reponame:Saber Aberto – Repositório Institucional da UNEBinstname:Universidade do Estado da Bahia (UNEB)instacron:UNEB2024-02-23T03:00:36Zoai:saberaberto.uneb.br:20.500.11896/5104Repositório InstitucionalPUBhttps://saberaberto.uneb.br/server/oai/requestrepositorio@uneb.br || sisb@uneb.bropendoar:2024-02-23T03:00:36Saber Aberto – Repositório Institucional da UNEB - Universidade do Estado da Bahia (UNEB)false
dc.title.none.fl_str_mv A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália Fernandes
The fear path, the healing path: the black women's horror literature in Bahia, an analysys of Jovina Souza and Hildália Fernandes
title A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália Fernandes
spellingShingle A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália Fernandes
Santos, Margarete de Carvalho
Horror
Autoras negras baianas
Sankofanarração especulativa
Cura
Jovina Souza
Hildália Fernandes
title_short A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália Fernandes
title_full A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália Fernandes
title_fullStr A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália Fernandes
title_full_unstemmed A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália Fernandes
title_sort A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália Fernandes
author Santos, Margarete de Carvalho
author_facet Santos, Margarete de Carvalho
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Freitas , Ricardo Oliveira de
Samyn, Henrique Marques
Gonçalves, Luciana Sacramento Moreno
dc.contributor.author.fl_str_mv Santos, Margarete de Carvalho
dc.subject.por.fl_str_mv Horror
Autoras negras baianas
Sankofanarração especulativa
Cura
Jovina Souza
Hildália Fernandes
topic Horror
Autoras negras baianas
Sankofanarração especulativa
Cura
Jovina Souza
Hildália Fernandes
description Esta pesquisa analisa a produção literária contemporânea de horror de autoria negra feminina na Bahia com o objetivo de investigar quais saberes emergem e seus possíveis efeitos psíquicos em um corpo negro, a partir da leitura crítica dos seguintes textos: o conto “Relicário”, da escritora Hildália Fernandes (2015), e o conto “A tumba n. 03”, da poeta Jovina Souza (no prelo). Oriento-me metodologicamente a partir da teoria da epistemologia do romance, idealizada pelo teórico brasileiro Wilton Barroso Filho, e tomo como ponto de partida a pesquisa da teórica afro-americana Kinitra Brooks (2018) sobre a produção de horror de autoria negra feminina na diáspora, para me questionar sobre como as produções baianas se comportam ao trazerem temas sobrenaturais e sombrios aliados à violência racial. Coloco-me aqui enquanto pesquisadora encarnada, nos termos descritos pela antropóloga baiana Suely Messeder (2020), uma vez que meu corpo move e é movido por esta pesquisa, bem como intercruzo as análises das produções com o meu processo de escrita criativa com temática afro-brasileira. Fundamento as análises a partir do conceito de dispositivo de racialidade pensado por Sueli Carneiro (2005) para que possamos entender como o gênero literário do horror, que possui como principal característica provocar medo, pode nos inscrever no signo de morte ou nos retirar dele a fim de nos proporcionar caminhos de cura através da narrativa. Como resultados, apresento quais as possibilidades que as autoras baianas nos apontam para lidarmos com a dor e o medo de forma resiliente a fim de construir um processo de cura: Jovina Souza nos orienta a fazer o letramento racial para pensarmos estratégias de sobrevivência e nos chama a atenção para nossa capacidade cognitiva para lidar com o trauma racial; e Hildália Fernandes nos apresenta o Abèbè enquanto instrumento para resgatarmos aspectos importantes da nossa identidade que podem reverberar na nossa psique. Utilizo o termo cura dentro da abordagem pensada por bell hooks (2023), para se referir a nossa capacidade de construir mapas a fim de lidarmos com as dores oriundas dos traumas raciais. Me aproximo também dos estudos psicanalíticos que articulam racismo e condição mental, a citar a pesquisa de Neusa Santos Souza (1983). Para refletir como o medo e a dor são manipulados enquanto signo, ancoro-me nos estudos de Byung-Chul Han (2021) e para entender a influência da narrativa literária no processo de cura, trago estudos do Walter Clyde W. Ford (1999), e principalmente me apoio no mito de Ananse Ntontan que me oferece a ideia de cura pela contação de história.
publishDate 2023
dc.date.none.fl_str_mv 2023-05-09
2024-02-22T18:58:24Z
2024-02-22T18:58:24Z
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv SANTOS, Margarete de Carvalho. A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália Fernandes. Orientador: Ricardo Oliveira de Freitas. 152 fs. Dissertação (Mestrado em Estudos de Linguagens). Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Ciências Humanas (DCH), Campus I, Salvador, 2023
https://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/5104
identifier_str_mv SANTOS, Margarete de Carvalho. A trilha do medo, a trilha da cura: a literatura de horror de autoria negra feminina na Bahia, uma leitura de Jovina Souza e Hildália Fernandes. Orientador: Ricardo Oliveira de Freitas. 152 fs. Dissertação (Mestrado em Estudos de Linguagens). Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Ciências Humanas (DCH), Campus I, Salvador, 2023
url https://saberaberto.uneb.br/handle/20.500.11896/5104
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/
eu_rights_str_mv openAccess
rights_invalid_str_mv http://creativecommons.org/licenses/by-nd/3.0/br/
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
application/pdf
dc.publisher.none.fl_str_mv Universidade do Estado da Bahia
Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens
publisher.none.fl_str_mv Universidade do Estado da Bahia
Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Saber Aberto – Repositório Institucional da UNEB
instname:Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
instacron:UNEB
instname_str Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
instacron_str UNEB
institution UNEB
reponame_str Saber Aberto – Repositório Institucional da UNEB
collection Saber Aberto – Repositório Institucional da UNEB
repository.name.fl_str_mv Saber Aberto – Repositório Institucional da UNEB - Universidade do Estado da Bahia (UNEB)
repository.mail.fl_str_mv repositorio@uneb.br || sisb@uneb.br
_version_ 1860695948955484160