História da educação no MST (1979-2022) : da ocupação da terra à ocupação da escola

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Mariano, Alessandro Santos, 1984-
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: [s.n.]
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/20.500.12733/16946
Resumo: Orientador: José Claudinei Lombardi
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spelling História da educação no MST (1979-2022) : da ocupação da terra à ocupação da escolaA history of education in the Brazilian Landless Workers Movement (MST) (1979-2022) : From the occupation of land to the occupation of schoolsMovimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (Brasil)EducaçãoEducação no campoReforma agráriaBrazilian Landless Workers Movement(MST)EducationEducation of the countrysideAgrarian reformOrientador: José Claudinei LombardiTese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de EducaçãoResumo: Neste trabalho defendemos a tese que o Projeto Educativo do MST é um projeto de classe, forjado na luta pela Reforma Agrária, guiado pelas estratégias definidas pelo Movimento em cada momento conjuntural, tendo como horizonte o projeto histórico de luta e construção da sociedade socialista, tendo como bases teóricas as ideias pedagógicas contra-hegemônicas: a Pedagogia Socialista, a Pedagogia Freireana e a Pedagogia do Movimento. Está fundamentada na pesquisa em que analisamos o processo histórico de construção do Projeto Educativo do MST (1979-2022), mapeando a trajetória histórica da educação nacional no Movimento, tomando como referência os documentos, cadernos e cartilhas elaborados pelo Setor de Educação do Movimento (1985-2022), buscando localizar as contribuições em cada período histórico e os processos que deram origem e impulsionaram a proposta educacional do Movimento. Essa história tem início em 1979, final da ditadura militar, quando emergem ocupações de terras em várias partes do Brasil, inicialmente em confronto com latifundiário e o Estado, que levou à constituição do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (1984), nestes acampamentos e ocupações, organizados na década de 1980, por necessidade de garantir o acesso à educação às crianças e jovens filhos e filhas dos Sem Terra, estes acampamentos passaram a fazer a luta pelo direito à escola, à medida que foi sendo conquistada, o Movimento cria o Setor de Educação (1987), que passa a formular ideias e orientações pedagógicas aliadas às estratégias de luta pela Reforma Agrária e à formação de militantes. As inspirações para essas diretrizes educacionais foram a Pedagogia Freireana (FREIRE, 1987), a Pedagogia Socialista (KRUPSKAYA, 2017) e a Pedagogia do MST (CALDART, 2004). Na década de 1990, o Movimento expande sua organização a 24 estados e passa a conquistar centenas de assentamentos, tendo o desafio de construir novas formas de relações produtivas, por meio da cooperação e da produção de alimentos saudáveis. Neste período, também conquista centenas de escolas públicas em assentamentos e formula uma proposta de educação para escolas de assentamentos e acampamentos (1991), de Educação de Jovens e Adultos (1993) e a partir destas experiências pedagógicas e da organização do Setor de Educação, em 1996, sistematiza o Projeto Educativo do MST, com princípios filosóficos e pedagógicos e a teoria da Pedagogia do MST (1999), como fundamento teórico deste projeto. A partir dos anos 2000, a luta pela terra passa a enfrentar o agronegócio implantado como modelo do capital para agricultura, associando as grandes extensões de terra com as empresas transnacionais e os proprietários de terras/latifundiários com os capitalistas internacionais. O MST, no âmbito da educação, passa a contribuir na construção da política de Educação do Campo (2004), afirmando o direito a uma educação aliada com projeto de agricultura familiar e camponesa, e na última década avança no sentido de pensar a educação em agroecologia (2016) e a formação de lutadores e construtores da Reforma Agrária Popular, tendo como cerne a matriz do trabalho, a auto-organização e relação da escola com a vida. A partir deste estudo podemos concluir que a teoria educacional do MST é fruto da materialidade em que os Sem Terra foram fazendo a luta pela terra e pela educação, que produz desde suas práticas um projeto de educação determinado, em última instância, pelo confronto da luta de classes, sendo guiado pelas estratégias de luta do MST por Reforma Agrária em cada período histórico; tendo como elementos impulsionadores a luta e a organização das trabalhadoras e trabalhadores Sem Terra em confronto com a burguesia, nas relações implicadas com as políticas sociais de educação. Porém, a atualidade histórica da luta pela Reforma Agrária impõe o enfrentamento às medidas persecutórias do Governo nefasto de Bolsonaro, e as forças do capital na agricultura num contexto de crise do sistema capitalistaAbstract: In this text, I defend the thesis that the educational project of the Brazilian Landless Workers Movement (MST) is a class project, forged in the struggle for agrarian reform. This educational project is guided by the strategies defined by the MST at each conjunctural moment. The overall vision or horizon of this educational project is the struggle for and construction of a socialist society having as its foundation counter-hegemonic pedagogical ideas. These ideas include socialist pedagogies, Freirean pedagogy, and the pedagogy of the MST itself. This dissertation is based on an analysis of the history of the MST’s educational project (1979-2022), mapping the trajectory of education in the national movement. The research is based on documents, notebooks, and booklets written by the MST education sector (1985-2022). I seek to identify the contributions of each historical period that gave rise and supported the movement’s educational proposal. The story begins in 1979, at the end of the military dictatorship, when land occupations emerged in various parts of Brazil initially in confrontation with landowners and the State. These land occupations eventually led to the founding of the Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) in 1984. During the 1980s, the families living in these occupied encampments began to fight for access to schools, due to the presence of children and youth in the camps. As the movement won access to schools in their camp and settlements, the MST decided to create an Education Sector in 1987, which began to formulate pedagogical guidelines for the camp and settlement schools that aligned with the struggle for agrarian reform and formation of movement militants. The inspiration for the movement’s educational approach included Freirean pedagogy (FREIRE, 1987), socialist pedagogy (KRUPSKAIA, 2017), and the MST’s own pedagogy (CALDART, 2004). In the 1990s, the movement expanded its organization to 24 states and started to conquer hundreds of more settlements, consequently facing the challenge of building new forms of relationships of production through the establishment of cooperatives and the cultivation of healthy foods. During this period, the movement also won access to hundreds of public schools in MST settlements and formulated an education proposal for these schools (1991) as well as for adult education (1993). These proposals were based on the Education Sector’s previous pedagogical experiences and organization. In 1996, the MST Education Sector systematized these experiences as the MST’s Educational Project, which included both philosophical and pedagogical principles. Since the 2000s, the MST’s land struggle has begun to face new challenges as agribusiness implements a capitalist model of agricultural production characterized by large tracts of land controlled by transnational companies and landowners linked to international capitalists. In the area of education, the MST during this period contributed to the construction of policies for an Education of the Countryside (2004), affirming the right to an education linked to family and peasant agriculture. Over the last decade, this project advanced in the sense of thinking about education and agroecology (2016) and the formation of fighters and builders of a popular agrarian reform. Popular agrarian reform has at its core the interlinking of work, self-organization, and the relationship between the school and life. This research concludes that the educational theory of the MST is the result of the materiality in which the landless movement has been carrying out its struggle for land and education. This has produced an education project determined, in the last instance, by class struggle and the MST’s fight for agrarian reform in each historical period. The driving element of this struggle is the organization of the landless people in confrontation with the bourgeoisie and how this influences the relationships involved in the social policies of education. Currently, the agrarian reform struggle requires a confrontation with the persecutory measures of the nefarious Bolsonaro Government and the forces of capital in agriculture within the context of a crisis in the capitalist systemAbertoDoutoradoEducaçãoDoutor em EducaçãoCAPES88882.434804/2019-01[s.n.]Lombardi, José Claudinei, 1953-Saviani, DermevalLeher, RobertoDalmagro, Sandra LucianoTarlau, RebeccaUniversidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Faculdade de EducaçãoPrograma de Pós-Graduação em EducaçãoUNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINASMariano, Alessandro Santos, 1984-20232023-08-22T00:00:00Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdf1 recurso online (361 p.) : il., digital, arquivo PDF.https://hdl.handle.net/20.500.12733/16946MARIANO, Alessandro Santos. História da educação no MST (1979-2022): da ocupação da terra à ocupação da escola. 2023. 1 recurso online (361 p.) Tese (doutorado) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação, Campinas, SP. Disponível em: 20.500.12733/16946. Acesso em: 29 set. 2025.https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/1379395https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/1379395porreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)instname:Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)instacron:UNICAMPinfo:eu-repo/semantics/openAccess2025-08-25T17:13:59Zoai::1379395Biblioteca Digital de Teses e DissertaçõesPUBhttp://repositorio.unicamp.br/oai/tese/oai.aspsbubd@unicamp.bropendoar:2025-08-25T17:13:59Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)false
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