Diálogos: a construção da femme fatale e seus reflexos em Ismael Nery e Murilo Mendes

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Brandão Júnior, Geraldo Gomes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
dARK ID: ark:/30103/00130000015zx
Idioma: por
Instituição de defesa: UNISA
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://dspace.unisa.br/handle/123456789/279
Resumo: Este trabalho discute a influência da imagem de uma mulher fatal em um momento específico da obra de Ismael Nery e Murilo Mendes. Partindo da análise de poemas de Murilo em seu livro Poesia em Pânico, especialmente os que se referem à Berenice, e de pinturas e poemas de Ismael, constatamos haver uma ligação entre estes autores e uma imagem feminina sedutora, identificada com Adalgisa Nery, mulher de Ismael. Para analisarmos sua influência na obra dos dois artistas, resgatamos o exemplo feminino de Inana/Ishtar na construção e desconstrução ocorrida em Lílite, importante modelo judaico-cristã, o que nos permite observar como a importância social da mulher torna-se secundária enquanto se intensifica sua representação idealizada e sedutora na sociedade. Estes modelos femininos míticos servem de referência para diversas obras literárias e pictóricas entre os séculos XVIII a XX, algumas delas presentes neste trabalho. Em nossa análise, notamos que o modelo feminino, sedutor, no relacionamento e nas obras de Ismael Nery, Murilo Mendes e Adalgisa Nery, reflete algo bem mais profundo, associado aos arquétipos, motivo pelo qual recorremos aos pensamentos de Carl Gustav Jung e de alguns de seus seguidores para compreendermos como este processo de sedução ocorre. Após discutirmos a mulher fatal na Antiguidade, a ligação com os arquétipos e sua presença nas artes, além de uma contraposição histórica, e na História, nosso trabalho converge para a análise da femme fatale unificando a obra dos artistas estudados, especialmente ao verificarmos que Berenice, nosso modelo de mulher atraente, é uma presença comum aos três artistas. O relacionamento entre eles lembra o jogo amoroso ocorrido entre as personagens da Commedia dell'arte, Colombina, a sedutora, o amante Arlequim e o triste Pierrô, porém, em alguns momentos, Colombina e Arlequim competem pelo papel da sedução tal como Ismael e Adalgisa. Nos poemas e pinturas de Ismael Nery e textos de Adalgisa, verificamos que ela assume ser uma espécie de tela na qual seu marido faz sua pintura para procurar-se, ou também se assemelha a um espelho no qual Ismael vê sua própria imagem fundida com a de sua mulher. Este modelo sedutor, atraente e andrógino, serve de inspiração a Murilo Mendes, cuja poesia, atraída pela femme fatale, entrará em pânico.
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