Análise do perfil epidemiológico, características clínicas e principais fatores associados às crises febris em hospital pediátrico do município de São Paulo
| Ano de defesa: | 2023 |
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| Link de acesso: | http://dspace.unisa.br/handle/123456789/2879 |
Resumo: | Introdução: As Crises Febris representam o distúrbio neurológico mais comum da infância e frequentemente conduzem a consultas em emergências pediátricas. São classificadas em Simples e Complexas. Sua apresentação pode manifestar-se como Estado de Mal Epiléptico Febril. Estas crises despertam ansiedade nos pais, principalmente devido às possíveis implicações futuras. Apesar de haver certo grau de consenso quanto às formas Simples, quanto à benignidade, ótimo prognóstico e ausência de relação com alterações neurológicas, a presença de Crises Complexas tem sido ultimamente associada a um maior risco de lesões intracranianas subjacentes, atraso do desenvolvimento ou subsequente epilepsia, porém, e extremamente difícil prever quando e se sequelas ou ocorrências surgirão, e ainda não há um preditor definitivo para determinar quais pacientes desenvolverão problemas neurológicos. Objetivos: Este estudo objetiva descrever as características clínicas e epidemiológicas, além dos principais fatores associados às Crises Febris, sua relação com recorrências e Estado de Mal Epiléptico Febril, e avaliar o manejo clínico dos pacientes internados. Métodos: Realizou-se um estudo transversal, retrospectivo e analítico no Hospital Infantil Sabará, abrangendo o período de janeiro de 2017 a janeiro de 2023. Foram incluídas crianças de até 5 anos internadas por Crises Febris, que possuíam prontuários adequadamente preenchidos. Os dados coletados foram: eletroencefalograma, exame de imagem, dosagem de hemoglobina e sódio sérico. Resultados: Do total de 322 pacientes, 59% eram do sexo masculino. Em 72%, tratava-se do primeiro evento de Crise Febril. A mediana de idade do primeiro episódio foi de 16 meses. Cerca de 28% já haviam apresentado Crise Febril anteriormente. A etiologia mais comum foi a Infecção de Vias Aéreas, acometendo 240 pacientes. Em 92,9% dos casos, a crise epiléptica surgiu nas primeiras 24 horas. Dos 322, 53,4% eram Crises Febris Simples e 46,6% eram Complexas. Estado de Mal Epiléptico Febril foi identificado em 14,9% dos casos. O exame de imagem do SNC revelou alterações em 2,5% dos casos, enquanto o eletroencefalograma evidenciou alterações em 17,4% das Crises Febris. Não foi evidenciada relação estatisticamente significativa entre a presença de prematuridade, intensidade da febre, história familiar, exame neurológico prévio, cor/etnia, e sexo com a recorrência de Crises Febris. A frequência em escolas e creches, um eletroencefalograma alterado e a presença de uma crise Complexa mostraram relação estatisticamente significativa com recorrências. Nenhuma correlação estatística significativa foi observada entre prematuridade, história familiar, intensidade da febre, pré-existência de alteração no exame neurológico e Estado de Mal Epiléptico. Um eletroencefalograma alterado e a presença de anemia foram estatisticamente mais frequentes nos casos de Estado de Mal Epiléptico Febril. Conclusão: Os resultados dos estudos acerca do prognóstico de Crises Febris, considerando recorrências, risco de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e progressão para epilepsia, divergem. Felizmente, a maioria das Crises Febris mostra-se inofensiva e breve. O único desfecho adverso relevante a curto prazo das Crises Febris é a recorrência. A morte causada pela própria crise ou por tratamento é virtualmente inexistente. A função médica primordial é tranquilizar as famílias a respeito do bom prognóstico destas crises. |
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