E. E. Cummings entre críticos: uma leitura da recepção à obra cummingsiana nos Estados Unidos Moderno e no Brasil Concreto

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Teixeira, Laura Moreira [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/235787
Resumo: A presente pesquisa de Mestrado tem como objetivo principal o estudo da obra do poeta moderno estadunidense E.E. Cummings (1894-1962). Intenciona-se analisar a obra cummingsiana a partir de suas leituras críticas inseridas em dois contextos distintos: o Movimento Moderno de língua inglesa e o Movimento de Poesia Concreta Brasileira. Para tanto, a pesquisa se divide em três partes centrais: 1. observação da vida e obra do poeta, 2. investigação da obra frente ao Modernismo e 3. leitura da obra através do Concretismo brasileiro, especialmente a partir de Augusto de Campos. Durante o período que Cummings publicou, suas obras foram recebidas duramente no seio crítico estadunidense. Aparentemente tal recepção negativa se deve ao fato de existir no período certas normas poéticas frente às quais os trabalhos deveriam ser julgados. O poeta e crítico T.S. Eliot (1888-1965) foi um dos que mais influenciaram nas prescrições de como a poesia deveria ser escrita nesse período, especialmente a partir de seu influente ensaio “Tradition and the individual talent” (1921). A partir de tal argumento, objetiva-se analisar a vida e a obra do poeta de maneira a compará-la à produzida por Eliot, por exemplo, e, assim, notar pontos em comum e também distintos que separaram Cummings das produções de seu período. O que foi possível perceber, de fato, foi uma diferença não tanto temática, mas sim de contexto da tradição literária. Por outras palavras, o poeta se voltou mais para os avanços do campo das artes plásticas e não propriamente da poesia do momento, o que fez com que a crítica estranhasse sua produção e, mais ainda, não encontrasse um nicho no qual o artista se encaixasse e pudesse ser lido à luz de conceitos adequados a sua produção. No que toca ao Movimento Concretista brasileiro, diferentemente, vemos um outro comportamento frente à obra cummingsiana. Augusto de Campos (2015) chegou a afirmar terem sido os concretos os primeiros a ler corretamente a obra do americano. Com efeito, Cummings adentra o território brasileiro positivamente. Suas técnicas inovadoras, encontradas em sua poesia experimental, surge em poemas de Augusto de Campos até mesmo na fase pré-concreta. Isto é, os concretistas absorvem de Cummings inovações poéticas como a pulverização fonética, atomização de palavras, tipografia fisionômica e valorização expressionista. Ademais, outro ponto relevante para a leitura de Cummings no Brasil foi a seleção de poemas para tradução levado a cabo, também, por Augusto de Campos. Nesse campo, notou-se um certo recorte da obra do americano que implicou, também, em uma invenção, ou seja, de certa maneira, o Brasil tem um Cummings “concretista”. Deste modo, ao final, foi possível perceber, claramente, uma distinção entre a recepção estadunidense e a brasileira. Todavia, em ambos os casos, o que se percebe é uma espécie de recorte da obra cummingsiana: a obra lírica é mais conhecida nos Estados Unidos, enquanto a experimental é a mais querida no Brasil.
id UNSP_0c36f153c0c2f76b39917eca745b30f9
oai_identifier_str oai:repositorio.unesp.br:11449/235787
network_acronym_str UNSP
network_name_str Repositório Institucional da UNESP
repository_id_str
spelling E. E. Cummings entre críticos: uma leitura da recepção à obra cummingsiana nos Estados Unidos Moderno e no Brasil ConcretoE. E. Cummings among critics: a study of the reception of the cummingsian work in the Modern United States and Concrete BrazilLiteraturaPoesia americanaCríticaPoesia concretaE. E. CummingsAmerican PoetryModern MovementBrazilian Concrete PoetryCriticismA presente pesquisa de Mestrado tem como objetivo principal o estudo da obra do poeta moderno estadunidense E.E. Cummings (1894-1962). Intenciona-se analisar a obra cummingsiana a partir de suas leituras críticas inseridas em dois contextos distintos: o Movimento Moderno de língua inglesa e o Movimento de Poesia Concreta Brasileira. Para tanto, a pesquisa se divide em três partes centrais: 1. observação da vida e obra do poeta, 2. investigação da obra frente ao Modernismo e 3. leitura da obra através do Concretismo brasileiro, especialmente a partir de Augusto de Campos. Durante o período que Cummings publicou, suas obras foram recebidas duramente no seio crítico estadunidense. Aparentemente tal recepção negativa se deve ao fato de existir no período certas normas poéticas frente às quais os trabalhos deveriam ser julgados. O poeta e crítico T.S. Eliot (1888-1965) foi um dos que mais influenciaram nas prescrições de como a poesia deveria ser escrita nesse período, especialmente a partir de seu influente ensaio “Tradition and the individual talent” (1921). A partir de tal argumento, objetiva-se analisar a vida e a obra do poeta de maneira a compará-la à produzida por Eliot, por exemplo, e, assim, notar pontos em comum e também distintos que separaram Cummings das produções de seu período. O que foi possível perceber, de fato, foi uma diferença não tanto temática, mas sim de contexto da tradição literária. Por outras palavras, o poeta se voltou mais para os avanços do campo das artes plásticas e não propriamente da poesia do momento, o que fez com que a crítica estranhasse sua produção e, mais ainda, não encontrasse um nicho no qual o artista se encaixasse e pudesse ser lido à luz de conceitos adequados a sua produção. No que toca ao Movimento Concretista brasileiro, diferentemente, vemos um outro comportamento frente à obra cummingsiana. Augusto de Campos (2015) chegou a afirmar terem sido os concretos os primeiros a ler corretamente a obra do americano. Com efeito, Cummings adentra o território brasileiro positivamente. Suas técnicas inovadoras, encontradas em sua poesia experimental, surge em poemas de Augusto de Campos até mesmo na fase pré-concreta. Isto é, os concretistas absorvem de Cummings inovações poéticas como a pulverização fonética, atomização de palavras, tipografia fisionômica e valorização expressionista. Ademais, outro ponto relevante para a leitura de Cummings no Brasil foi a seleção de poemas para tradução levado a cabo, também, por Augusto de Campos. Nesse campo, notou-se um certo recorte da obra do americano que implicou, também, em uma invenção, ou seja, de certa maneira, o Brasil tem um Cummings “concretista”. Deste modo, ao final, foi possível perceber, claramente, uma distinção entre a recepção estadunidense e a brasileira. Todavia, em ambos os casos, o que se percebe é uma espécie de recorte da obra cummingsiana: a obra lírica é mais conhecida nos Estados Unidos, enquanto a experimental é a mais querida no Brasil.The present research has as main objective the study of the American modern poet E.E. Cummings' oeuvre. It is intended to analyze the Cummingsian work from two different contexts: the Modern Movement and the Brazilian Concrete Movement. Therefore, the research is divided into three central parts: 1. observation of the poet's life and work; 2. comparison of the Cummingsian work with Modernism, and 3. analyses of the work through the lens of the Brazilian Concrete Movement, especially through Augusto de Campos writings. During the period that Cummings published, his works were harshly received by American critics. The poet and literary critic T.S. Eliot (1888-1965) was one of those who influenced the most, and he has set some of the prescriptions of how poetry should be written in this period, especially with the publication of his influential essay “Tradition and the individual talent” (1921). Bearing the above argument in mind, it is aimed to analyze the poet's life and work in order to compare them to the poetic works produced by Eliotic poets and, thus, note common and also distinct aspects that separate Cummings from the literary productions of his time. What has been possible to perceive, in fact, was a difference not only thematic, but also of the context of the literary tradition worked by Cummings. In other words, the poet turned his poetic to the advances of the visual arts and not exactly to the poetry that was being written. Cummings' behaviour made the critics thought his poems were strange and, even more, they were not able to find a niche in which the artist could fit more properly, nor the critics could read his oeuvres in the light of appropriate concepts. Regarding the Brazilian Concrete Movement, in opposition, it is observed a different attitude towards the Cummingsian work. Augusto de Campos (2015) has affirmed that it was the Brazilian concrete poets the first ones to read correctly the American poet work. Indeed, Cummings enters the Brazilian territory positively. Cummings' innovative techniques, encountered in his experimental poetry, can be found in Augusto de Campos poems even in the pre-concrete phase. That is, the concrete poets have absorbed Cummings’ poetic innovations, such as phonetic pulverization, word atomization, physiognomic typography and expressionist valorization. Furthermore, another relevant point in the reading of Cummings work in Brazil, is the selection of poems translated by Augusto de Campos. In this case, it was observed a certain cutting in the American's work, which also implied in a certain kind of invention of Cummings by the concretes. It means that, in a certain way, Brazil has a “concrete” Cummings. Thus, in the end, it was possible to clearly perceive a distinction between the American and Brazilian reception of the Cummingsian oeuvres. However, in both cases, what can be seen is a kind of clipping of Cummings's work: the lyrical work is best known in American territory, while, on the other hand, the experimental work is the most cherished in Brazil.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)CAPES/PROEX Código de financiamento 001Universidade Estadual Paulista (Unesp)Pires, Antônio Donizeti [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Teixeira, Laura Moreira [UNESP]2022-07-27T13:30:29Z2022-07-27T13:30:29Z2022-05-31info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/11449/23578733004030016P0porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-04-16T06:04:01Zoai:repositorio.unesp.br:11449/235787Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-04-16T06:04:01Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
dc.title.none.fl_str_mv E. E. Cummings entre críticos: uma leitura da recepção à obra cummingsiana nos Estados Unidos Moderno e no Brasil Concreto
E. E. Cummings among critics: a study of the reception of the cummingsian work in the Modern United States and Concrete Brazil
title E. E. Cummings entre críticos: uma leitura da recepção à obra cummingsiana nos Estados Unidos Moderno e no Brasil Concreto
spellingShingle E. E. Cummings entre críticos: uma leitura da recepção à obra cummingsiana nos Estados Unidos Moderno e no Brasil Concreto
Teixeira, Laura Moreira [UNESP]
Literatura
Poesia americana
Crítica
Poesia concreta
E. E. Cummings
American Poetry
Modern Movement
Brazilian Concrete Poetry
Criticism
title_short E. E. Cummings entre críticos: uma leitura da recepção à obra cummingsiana nos Estados Unidos Moderno e no Brasil Concreto
title_full E. E. Cummings entre críticos: uma leitura da recepção à obra cummingsiana nos Estados Unidos Moderno e no Brasil Concreto
title_fullStr E. E. Cummings entre críticos: uma leitura da recepção à obra cummingsiana nos Estados Unidos Moderno e no Brasil Concreto
title_full_unstemmed E. E. Cummings entre críticos: uma leitura da recepção à obra cummingsiana nos Estados Unidos Moderno e no Brasil Concreto
title_sort E. E. Cummings entre críticos: uma leitura da recepção à obra cummingsiana nos Estados Unidos Moderno e no Brasil Concreto
author Teixeira, Laura Moreira [UNESP]
author_facet Teixeira, Laura Moreira [UNESP]
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Pires, Antônio Donizeti [UNESP]
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
dc.contributor.author.fl_str_mv Teixeira, Laura Moreira [UNESP]
dc.subject.por.fl_str_mv Literatura
Poesia americana
Crítica
Poesia concreta
E. E. Cummings
American Poetry
Modern Movement
Brazilian Concrete Poetry
Criticism
topic Literatura
Poesia americana
Crítica
Poesia concreta
E. E. Cummings
American Poetry
Modern Movement
Brazilian Concrete Poetry
Criticism
description A presente pesquisa de Mestrado tem como objetivo principal o estudo da obra do poeta moderno estadunidense E.E. Cummings (1894-1962). Intenciona-se analisar a obra cummingsiana a partir de suas leituras críticas inseridas em dois contextos distintos: o Movimento Moderno de língua inglesa e o Movimento de Poesia Concreta Brasileira. Para tanto, a pesquisa se divide em três partes centrais: 1. observação da vida e obra do poeta, 2. investigação da obra frente ao Modernismo e 3. leitura da obra através do Concretismo brasileiro, especialmente a partir de Augusto de Campos. Durante o período que Cummings publicou, suas obras foram recebidas duramente no seio crítico estadunidense. Aparentemente tal recepção negativa se deve ao fato de existir no período certas normas poéticas frente às quais os trabalhos deveriam ser julgados. O poeta e crítico T.S. Eliot (1888-1965) foi um dos que mais influenciaram nas prescrições de como a poesia deveria ser escrita nesse período, especialmente a partir de seu influente ensaio “Tradition and the individual talent” (1921). A partir de tal argumento, objetiva-se analisar a vida e a obra do poeta de maneira a compará-la à produzida por Eliot, por exemplo, e, assim, notar pontos em comum e também distintos que separaram Cummings das produções de seu período. O que foi possível perceber, de fato, foi uma diferença não tanto temática, mas sim de contexto da tradição literária. Por outras palavras, o poeta se voltou mais para os avanços do campo das artes plásticas e não propriamente da poesia do momento, o que fez com que a crítica estranhasse sua produção e, mais ainda, não encontrasse um nicho no qual o artista se encaixasse e pudesse ser lido à luz de conceitos adequados a sua produção. No que toca ao Movimento Concretista brasileiro, diferentemente, vemos um outro comportamento frente à obra cummingsiana. Augusto de Campos (2015) chegou a afirmar terem sido os concretos os primeiros a ler corretamente a obra do americano. Com efeito, Cummings adentra o território brasileiro positivamente. Suas técnicas inovadoras, encontradas em sua poesia experimental, surge em poemas de Augusto de Campos até mesmo na fase pré-concreta. Isto é, os concretistas absorvem de Cummings inovações poéticas como a pulverização fonética, atomização de palavras, tipografia fisionômica e valorização expressionista. Ademais, outro ponto relevante para a leitura de Cummings no Brasil foi a seleção de poemas para tradução levado a cabo, também, por Augusto de Campos. Nesse campo, notou-se um certo recorte da obra do americano que implicou, também, em uma invenção, ou seja, de certa maneira, o Brasil tem um Cummings “concretista”. Deste modo, ao final, foi possível perceber, claramente, uma distinção entre a recepção estadunidense e a brasileira. Todavia, em ambos os casos, o que se percebe é uma espécie de recorte da obra cummingsiana: a obra lírica é mais conhecida nos Estados Unidos, enquanto a experimental é a mais querida no Brasil.
publishDate 2022
dc.date.none.fl_str_mv 2022-07-27T13:30:29Z
2022-07-27T13:30:29Z
2022-05-31
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv http://hdl.handle.net/11449/235787
33004030016P0
url http://hdl.handle.net/11449/235787
identifier_str_mv 33004030016P0
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
application/pdf
dc.publisher.none.fl_str_mv Universidade Estadual Paulista (Unesp)
publisher.none.fl_str_mv Universidade Estadual Paulista (Unesp)
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Institucional da UNESP
instname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
instacron:UNESP
instname_str Universidade Estadual Paulista (UNESP)
instacron_str UNESP
institution UNESP
reponame_str Repositório Institucional da UNESP
collection Repositório Institucional da UNESP
repository.name.fl_str_mv Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)
repository.mail.fl_str_mv repositoriounesp@unesp.br
_version_ 1854955066451034112