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O MST e a agroecologia: uma reconexão metabólica?

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Basconi, Tatiane Cristina Fernandes [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
MST
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/310703
Resumo: À luz da teoria do valor-trabalho de Karl Marx e da teoria marxista da dependência de Ruy Mauro Marini, esta pesquisa teve como chave de interpretação o movimento social e histórico de separação do trabalhador da terra e dos meios de produção que geram as condições objetivas de produção e de reprodução da vida material e sensível. Essa separação se materializa em dominação, alienação e na subjugação desses sujeitos sociais. Esses dois fatores, quando analisados na particularidade do capitalismo dependente latino-americano e caribenho, revelam os mecanismos da contínua acumulação originária de capital e da superexploração da força de trabalho. Diante da atualidade da questão agrária e da questão ambiental em que o avanço do agronegócio e do extrativismo predatório produzem miséria, fome, opressão, exploração no campo e emergência climática, esta pesquisa investigou a atualidade da luta de classes a partir dos caminhos da agroecologia como síntese de um movimento de resistência, e da sua incorporação no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) através da defesa de transição agroecológica em assentamentos sob sua influência. Partimos do pressuposto de que as práticas e referências teóricas vinculadas ao processo contemporâneo da agroecologia se colocam em oposição e resistência às lógicas de mercantilização da terra e da vida presentes no avanço do capital financeiro no campo, na forma social de agronegócio. Assim, apontamos que a concentração de terras e a agricultura capitalista, como fundamentos da questão agrária e da questão ambiental, exigem como resposta da luta de classes a construção do movimento de luta do campesinato latino-americano por terra, em defesa da agroecologia e da vida, na figura da Via Campesina (LVC) em geral, como matriz que agrega outros movimentos sociais do campo, em particular, o MST no Brasil, como também o movimento de mulheres camponesas, como a Marcha das Margaridas. Este processo de luta e enfrentamento nos coloca a questão: Que sentido e significado tem a agroecologia para esses movimentos? Desse modo, a pesquisa percorreu dois percursos que se complementam, o primeiro foi compreender quais os caminhos que a Teoria Agroecológica, estando dentro dos marcos da lógica produtivista mercantil que é hegemônica, tem apresentado na sua processualidade para responder a outro metabolismo social? O segundo foi apreender, a partir das histórias, memórias e práxis agroecológicas das sujeitas e sujeitos nos Assentamentos Dandara, Reunidas e Sepé Tiaraju/SP, quais formas organizativas de produção, de reprodução social, e de vivência se configuram como novas práticas com a natureza e com as pessoas, no sentido de representarem mediações em contraposição à alienação, negando a ruptura metabólica? Para isso, realizamos uma pesquisa social qualitativa a partir do método da observação participante e da aplicação de entrevistas semiestruturadas. Esperamos que esta pesquisa contribua para subsidiar reflexões acerca da realidade a qual nos encontramos, de profunda ruptura metabólica em contexto de emergência climática, e suscite debates e ações coletivas concretas, junto aos movimentos sociais populares, no sentido de provocar mais experiências autogestionadas de transição agroecológica capazes de uma reconexão metabólica ser-natureza, mas tendo como horizonte a utopia de uma reconexão em nível societário, pondo fim à ordem sociometabólica do capital.
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Diante da atualidade da questão agrária e da questão ambiental em que o avanço do agronegócio e do extrativismo predatório produzem miséria, fome, opressão, exploração no campo e emergência climática, esta pesquisa investigou a atualidade da luta de classes a partir dos caminhos da agroecologia como síntese de um movimento de resistência, e da sua incorporação no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) através da defesa de transição agroecológica em assentamentos sob sua influência. Partimos do pressuposto de que as práticas e referências teóricas vinculadas ao processo contemporâneo da agroecologia se colocam em oposição e resistência às lógicas de mercantilização da terra e da vida presentes no avanço do capital financeiro no campo, na forma social de agronegócio. Assim, apontamos que a concentração de terras e a agricultura capitalista, como fundamentos da questão agrária e da questão ambiental, exigem como resposta da luta de classes a construção do movimento de luta do campesinato latino-americano por terra, em defesa da agroecologia e da vida, na figura da Via Campesina (LVC) em geral, como matriz que agrega outros movimentos sociais do campo, em particular, o MST no Brasil, como também o movimento de mulheres camponesas, como a Marcha das Margaridas. Este processo de luta e enfrentamento nos coloca a questão: Que sentido e significado tem a agroecologia para esses movimentos? Desse modo, a pesquisa percorreu dois percursos que se complementam, o primeiro foi compreender quais os caminhos que a Teoria Agroecológica, estando dentro dos marcos da lógica produtivista mercantil que é hegemônica, tem apresentado na sua processualidade para responder a outro metabolismo social? O segundo foi apreender, a partir das histórias, memórias e práxis agroecológicas das sujeitas e sujeitos nos Assentamentos Dandara, Reunidas e Sepé Tiaraju/SP, quais formas organizativas de produção, de reprodução social, e de vivência se configuram como novas práticas com a natureza e com as pessoas, no sentido de representarem mediações em contraposição à alienação, negando a ruptura metabólica? Para isso, realizamos uma pesquisa social qualitativa a partir do método da observação participante e da aplicação de entrevistas semiestruturadas. Esperamos que esta pesquisa contribua para subsidiar reflexões acerca da realidade a qual nos encontramos, de profunda ruptura metabólica em contexto de emergência climática, e suscite debates e ações coletivas concretas, junto aos movimentos sociais populares, no sentido de provocar mais experiências autogestionadas de transição agroecológica capazes de uma reconexão metabólica ser-natureza, mas tendo como horizonte a utopia de uma reconexão em nível societário, pondo fim à ordem sociometabólica do capital.In the light of Karl Marx's labor theory of value and Ruy Mauro Marini's Marxist theory of dependency, this research focused on the social and historical movement of separating workers from the land and the means of production that generate the objective conditions for the production and reproduction of material and sensible life. This separation materializes in the domination, alienation and subjugation of these social subjects. These two factors, when analyzed in the context of Latin American and Caribbean dependent capitalism, reveal the mechanisms of the continuous accumulation of capital and the super-exploitation of the workforce. Faced with the current agrarian and environmental issues, in which the advance of agribusiness and predatory extractivism produce misery, hunger, oppression, exploitation in the countryside and climate emergency, this research investigated the current class struggle from the perspective of agroecology as the synthesis of a resistance movement, and its incorporation into the Landless Rural Workers' Movement (MST) through the defense of agroecological transition in settlements under its influence. We start from the assumption that the practices and theoretical references linked to the contemporary process of agroecology stand in opposition and resistance to the logic of the commodification of land and life based on the advance of financial capital in the countryside, in the social form of agribusiness. This reveals that the concentration of land and capitalist agriculture, as the foundations of the agrarian question and the environmental question, demand as a response to the class struggle, the construction of the Latin American peasant movement's struggle for land, in defense of agroecology and life, in the form of La Via Campesina (LVC) in general, as a matrix that brings together other social movements in the countryside, in particular the MST in Brazil, as well as the peasant women's movement, such as the March of the Daisies. This process of struggle and confrontation raises the question: What sense and meaning does agroecology have for these movements? To do this, we carried out qualitative social research using participant observation and semi-structured interviews. We hope that this research will contribute to supporting reflections on the reality we find ourselves in, of profound metabolic disruption in the context of the climate emergency, and will spark concrete collective debates and actions, together with popular social movements, in order to provoke more self-managed experiences of agroecological transition capable of a metabolic reconnection between being and nature, but with the utopia of a reconnection at the societal level as a horizon, putting an end to the sociometabolic order of capital.Universidade Estadual Paulista (Unesp)Souza, José Gilberto de [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Basconi, Tatiane Cristina Fernandes [UNESP]2025-05-27T11:13:44Z2025-03-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://hdl.handle.net/11449/31070333004137004P024209113364838770009-0009-4321-4870porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-06-02T18:42:33Zoai:repositorio.unesp.br:11449/310703Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-06-02T18:42:33Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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