Influência da obesidade materna e do consumo de dieta hiperlipidica sobre a próstata de ratos senis

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Scarpelli, Tatiane Pereira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/239574
Resumo: A dieta materna rica em lipídios (HFD) compromete a próstata da prole adulta, causando diversas alterações patológicas, mas não se tem conhecimento dos efeitos sobre a histofisiologia principalmente somado à dieta hiperlipídicas (HFD) até o envelhecimento. É necessário compreender se os efeitos já reconhecidos da exposição aos lipídios nas diferentes fases ontogenéticas permanecem, e se eles se agravam quando analisados na velhice da prole. Assim, o presente estudo investigou os efeitos prolongados e tardios do ambiente nutricional rico em lipídios (ANRL) nos diferentes períodos do desenvolvimento da próstata ventral e dorsolateral. Para isso, foram utilizados seis grupos de ratos Wistar (56 sem de idade; n=12 por grupo): alimentados com dieta balanceada (controle – C2, 3% de lipídeos) ou que foram expostos ao ANRL por meio de dieta hiperlipídica (20% de lipídeos) durante a gestação (G e G2), gestação e lactação (G e GL2), a partir do desmame (W e D), a partir da lactação (L e L2) e gestação por toda a vida (AL e GT). O ANRL na gestação e lactação foi garantido por meio da indução da obesidade materna através da alimentação HFD por 15 semanas. O ANRL aumentou o colesterol total e os níveis de triglicerídeos em todos os grupos e levou à resistência à insulina em GL/GL2, AL/GT e obesidade em L/L2. Os níveis séricos de testosterona diminuíram ~67% em GL/Gl2, ~146% em L/L2 e W/D e ~233% em AL/GT. A análise histológica e estereológica revelou um incremento do compartimento estromal e das fibras colágenas nas próstatas ventrais (PV) de todos os grupos ANRL, bem como as lesões degenerativas - vacuolização celular e concreções prostáticas. Na PV, o ANRL agravou a atrofia acinar em G, GL e L e em AL atingiu mais de 50% da área da próstata para a maioria dos animais. Os focos de neoplasia intraepitelial prostática (PIN) aumentaram na AL. Ainda na PV, a expressão tecidual do AR teve maior expressão no estroma para G e GL, mas não mudou no epitélio. Já a próstata dorsolateral, apresentou aumento do peso somente em GT, além de um aumento na densidade de células proliferativas. A histopatologia indicou aumento de NIPs e focos de infiltrados inflamatórios. Também houve aumento de células em descolamento em GT e a partir da lactação. A contagem de mastócitos mostrou aumento na próstata dorsolateral do grupo GT. A frequência de AR não se alterou no epitélio de nenhum grupo, contudo aumentou no compartimento estromal a partir do desmame. Nossos dados mostram que a exposição prolongada dos lipídios desde a gestação e por toda a vida pós-natal até a velhice, leva a modificações no metabolismo lipídico e de glicose, e potencializa as alterações comuns da idade na próstata diferentemente entre os lobos ventral e dorsolateral. De modo geral, a ANRL agrava as lesões degenerativas da idade, e aumenta os focos de NIPs, além do aumento da expressão de AR no estroma prostático. A presença de focos inflamatórios também ocorre mais acentuadamente na dorsolateral. Por fim, concluímos que, quando analisada mais tardiamente, a exposição prolongada ao ANRL promove um estado permanente de alterações metabólicas, hormonais e morfológicas, além do acúmulo de lesões histopatológicas que são associadas ao potencial desenvolvimento de câncer de próstata.
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Assim, o presente estudo investigou os efeitos prolongados e tardios do ambiente nutricional rico em lipídios (ANRL) nos diferentes períodos do desenvolvimento da próstata ventral e dorsolateral. Para isso, foram utilizados seis grupos de ratos Wistar (56 sem de idade; n=12 por grupo): alimentados com dieta balanceada (controle – C2, 3% de lipídeos) ou que foram expostos ao ANRL por meio de dieta hiperlipídica (20% de lipídeos) durante a gestação (G e G2), gestação e lactação (G e GL2), a partir do desmame (W e D), a partir da lactação (L e L2) e gestação por toda a vida (AL e GT). O ANRL na gestação e lactação foi garantido por meio da indução da obesidade materna através da alimentação HFD por 15 semanas. O ANRL aumentou o colesterol total e os níveis de triglicerídeos em todos os grupos e levou à resistência à insulina em GL/GL2, AL/GT e obesidade em L/L2. Os níveis séricos de testosterona diminuíram ~67% em GL/Gl2, ~146% em L/L2 e W/D e ~233% em AL/GT. A análise histológica e estereológica revelou um incremento do compartimento estromal e das fibras colágenas nas próstatas ventrais (PV) de todos os grupos ANRL, bem como as lesões degenerativas - vacuolização celular e concreções prostáticas. Na PV, o ANRL agravou a atrofia acinar em G, GL e L e em AL atingiu mais de 50% da área da próstata para a maioria dos animais. Os focos de neoplasia intraepitelial prostática (PIN) aumentaram na AL. Ainda na PV, a expressão tecidual do AR teve maior expressão no estroma para G e GL, mas não mudou no epitélio. Já a próstata dorsolateral, apresentou aumento do peso somente em GT, além de um aumento na densidade de células proliferativas. A histopatologia indicou aumento de NIPs e focos de infiltrados inflamatórios. Também houve aumento de células em descolamento em GT e a partir da lactação. A contagem de mastócitos mostrou aumento na próstata dorsolateral do grupo GT. A frequência de AR não se alterou no epitélio de nenhum grupo, contudo aumentou no compartimento estromal a partir do desmame. Nossos dados mostram que a exposição prolongada dos lipídios desde a gestação e por toda a vida pós-natal até a velhice, leva a modificações no metabolismo lipídico e de glicose, e potencializa as alterações comuns da idade na próstata diferentemente entre os lobos ventral e dorsolateral. De modo geral, a ANRL agrava as lesões degenerativas da idade, e aumenta os focos de NIPs, além do aumento da expressão de AR no estroma prostático. A presença de focos inflamatórios também ocorre mais acentuadamente na dorsolateral. Por fim, concluímos que, quando analisada mais tardiamente, a exposição prolongada ao ANRL promove um estado permanente de alterações metabólicas, hormonais e morfológicas, além do acúmulo de lesões histopatológicas que são associadas ao potencial desenvolvimento de câncer de próstata.The maternal diet rich in lipids (DRL) compromises the prostate of the adult offspring, causing several pathological changes, but the effects on histophysiology are not known, mainly added to the high-fat diet until aging. It is necessary to understand if the already recognized effects of exposure to lipids in the different ontogenetic phases remain and if they worsen when analyzed in the old age of the offspring. Thus, the present study studied the prolonged and late effects of the high-lipid nutritional environment (HLE) in different periods of development. For this, six groups of Wistar rats (56 weeks old; n=12 per group) were used: rats fed a balanced diet (control - C2, 3% lipids) or that were exposed to HLE through a high-fat diet ( 20% lipids) during pregnancy (G and G2), pregnancy and lactation (G and GL2), from weaning (W and D), from lactation (L and L2) and lifelong pregnancy (AL and GT) ANL increased total cholesterol and triglyceride levels in all groups and led to insulin resistance in GL/GL2 and AL/GT and obesity in L/L2. Serum testosterone levels decreased ~67% in GL/GL2, ~146% in L/L2 and W/D and ~233% in AL/GT. Histological and stereological analysis revealed an increase in the stromal compartment and collagen fibers in the prostates of all HLE groups, as well as degenerative lesions, such as cellular vacuolization and prostatic concretions. HLE aggravated acinar atrophy in G, GL and L and in AL it reached more than 50% of the prostate area for most animals. The foci of prostatic intraepithelial neoplasia (PIN) increased in LA. Tissue androgen receptor expression did not vary between groups, except for higher stromal expression for G and GL. In the dorsolateral prostate, the GT group showed an increase in the weight of the dorsolateral prostate, as well as an increase in the density of proliferating cells. Histopathology indicated an increase in NIPs and foci of inflammatory infiltrates, as well as detachment cells in animals exposed to HLE for life. The number of mast cells was increased in the prostate of the GT group. The HLE from lactation also led to an increase in foci of cell detachment in the dorsolateral prostate. The frequency of AR did not change in the epithelium of any group, however it increased in the stromal compartment after weaning. The blood glucose level was altered in D and L2, while the GL2 and GT groups became insulin resistant. All groups showed drops in testosterone levels, except for G2. Our data show that prolonged lipid exposure from pregnancy and throughout postnatal life into old age leads to changes in lipid and glucose metabolism, and potentiates common age changes in the prostate differently between the ventral and dorsolateral lobes. In general, HLE aggravates the degenerative lesions of age, and increases the foci of NIPs, in addition to increasing AR expression in the prostatic stroma. The presence of inflammatory foci also occurs more markedly in the dorsolateral area. Finally, we understand that when analyzed later, prolonged exposure to HLE promotes a permanent state of metabolic, hormonal and morphological changes, in addition to the accumulation of histopathological lesions that are associated with the potential development of prostate cancer.Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)163.297/2018-5Universidade Estadual Paulista (Unesp)Góes, Rejane Maira [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Scarpelli, Tatiane Pereira2023-02-16T18:26:56Z2023-02-16T18:26:56Z2022-08-15info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/11449/23957433004153023P5porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2024-11-01T18:52:20Zoai:repositorio.unesp.br:11449/239574Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462024-11-01T18:52:20Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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