O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Santos, Maria José [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/295430
Resumo: Este é um estudo sobre a práxis emancipatória na construção da reforma agrária popular e tem como fio condutor a questão étnico-racial enquanto um elemento fundamental nesta práxis. Focamos nas experiências de lutas e resistências a partir da práxis da ocupação do MST no Vale do Jequitinhonha e Mucuri, estado de Minas Gerais, estabelecendo um diálogo com a luta antirracista, anticolonialista, antipatriarcal sem as quais não se constrói uma luta anticapitalista. Articulamos uma reflexão sobre a importância do feminismo popular e camponês, ressaltando a importância das mulheres negras, e o necessário diálogo com o feminismo negro. Refletimos sobre as experiências de aquilombamentos em assentamentos rurais analisando a sua dinâmica produtiva como formas de resistência da produção e reprodução social, analisando como estas existências se contrapõem a partir da forma de reprodução material desses sujeitos à lógica eurocêntrica, colonizadora, do patriarcado, do racismo estrutural e do capitalismo dependente. Ao longo do percurso deste estudo estabelecemos uma vinculação entre a luta pela terra e a luta antirracista e refletimos como estas duas dimensões caminharam dialogicamente juntas, ou não, na história do Brasil. Contudo, apontamos elementos da luta antirracista presentes na construção da Reforma Agrária Popular demarcando uma relação dialógica entre a práxis da ocupação do MST e a práxis histórica da luta negra, indígena e popular. Intencionamos destacar a importância da construção permanente do caráter emancipatório do MST levando em consideração seus objetivos de lutar pela terra, por reforma agrária popular e pela transformação social. Apontamos experiências grávidas de futuro, germes de um amanhã sem racismo e sem formas de dominação, para então, refletirmos sobre qual deve ser a compreensão dialética da luta antirracista na construção da reforma agrária popular. A compreensão possível até aqui, é muito óbvia, se trata da necessidade de reafirmar a luta antirracista, assim como todas as demais lutas, pois, o enfrentamento ao racismo estrutural em suas raízes profundas deve intencionar de forma constante, dentro de uma práxis emancipatória, a luta pela terra e território com as questões de gênero, raça e classe.
id UNSP_1c81ad92caa4c2a869aaa9a4aacda2e6
oai_identifier_str oai:repositorio.unesp.br:11449/295430
network_acronym_str UNSP
network_name_str Repositório Institucional da UNESP
repository_id_str
spelling O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercasEl MST y las mujeres tejiendo resistencia: la lucha antirracista y la ruptura de los cercosThe MST and women weaving resistance: the anti-racist struggle and breaking down the fencesEmancipaçãoRacismo estruturalReforma agrária popularReforma agraria popularEmancipationStructural racismPopular agrarian reformEmancipaciónRacismo estructuralEste é um estudo sobre a práxis emancipatória na construção da reforma agrária popular e tem como fio condutor a questão étnico-racial enquanto um elemento fundamental nesta práxis. Focamos nas experiências de lutas e resistências a partir da práxis da ocupação do MST no Vale do Jequitinhonha e Mucuri, estado de Minas Gerais, estabelecendo um diálogo com a luta antirracista, anticolonialista, antipatriarcal sem as quais não se constrói uma luta anticapitalista. Articulamos uma reflexão sobre a importância do feminismo popular e camponês, ressaltando a importância das mulheres negras, e o necessário diálogo com o feminismo negro. Refletimos sobre as experiências de aquilombamentos em assentamentos rurais analisando a sua dinâmica produtiva como formas de resistência da produção e reprodução social, analisando como estas existências se contrapõem a partir da forma de reprodução material desses sujeitos à lógica eurocêntrica, colonizadora, do patriarcado, do racismo estrutural e do capitalismo dependente. Ao longo do percurso deste estudo estabelecemos uma vinculação entre a luta pela terra e a luta antirracista e refletimos como estas duas dimensões caminharam dialogicamente juntas, ou não, na história do Brasil. Contudo, apontamos elementos da luta antirracista presentes na construção da Reforma Agrária Popular demarcando uma relação dialógica entre a práxis da ocupação do MST e a práxis histórica da luta negra, indígena e popular. Intencionamos destacar a importância da construção permanente do caráter emancipatório do MST levando em consideração seus objetivos de lutar pela terra, por reforma agrária popular e pela transformação social. Apontamos experiências grávidas de futuro, germes de um amanhã sem racismo e sem formas de dominação, para então, refletirmos sobre qual deve ser a compreensão dialética da luta antirracista na construção da reforma agrária popular. A compreensão possível até aqui, é muito óbvia, se trata da necessidade de reafirmar a luta antirracista, assim como todas as demais lutas, pois, o enfrentamento ao racismo estrutural em suas raízes profundas deve intencionar de forma constante, dentro de uma práxis emancipatória, a luta pela terra e território com as questões de gênero, raça e classe.This study explores emancipatory praxis in the construction of popular agrarian reform, with the ethnic-racial issue as a fundamental element of this praxis. We focus on the experiences of struggle and resistance through the MST's occupation praxis in the Vale do Jequitinhonha e Mucuri, in the state of Minas Gerais, establishing a dialogue with anti-racist, anti-colonial, and anti-patriarchal struggles — without which an anti-capitalist struggle cannot be built. We articulate a reflection on the significance of popular and peasant feminism, emphasizing the role of Black women and the necessary dialogue with Black feminism. Additionally, we analyze quilombamento experiences in rural settlements, examining their productive dynamics as forms of resistance in both production and social reproduction. We assess how these existences, through their modes of material reproduction, counteract the Eurocentric, colonial, patriarchal, structurally racist, and dependent capitalist logic. Throughout this study, we establish a link between the struggle for land and the anti-racist struggle, reflecting on how these two dimensions have historically walked together—or not—in Brazil. Nevertheless, we highlight elements of the anti-racist struggle present in the construction of Popular Agrarian Reform, marking a dialogical relationship between the MST's occupation praxis and the historical praxis of Black, Indigenous, and popular struggles. Our aim is to emphasize the ongoing construction of the emancipatory character of the MST, considering its objectives of fighting for land, for popular agrarian reform, and for social transformation. We point to experiences pregnant with the future — seeds of a tomorrow without racism and domination — so that we may then reflect on the necessary dialectical understanding of the anti-racist struggle in the construction of popular agrarian reform. The understanding reached thus far is evident: it is essential to reaffirm the anti-racist struggle, alongside all other struggles. Confronting structural racism at its deep roots must continuously integrate, within an emancipatory praxis, the struggle for land and territory with the issues of gender, race, and class.Este estudio analiza la praxis emancipadora en la construcción de la reforma agraria popular, considerando la cuestión étnico-racial como un elemento fundamental en esta praxis. Nos centramos en las experiencias de lucha y resistencia a partir de la praxis de ocupación del MST en los Vale de Jequitinhonha y Mucuri, en el estado de Minas Gerais, estableciendo un diálogo con las luchas antirracista, anticolonial y antipatriarcal, sin las cuales no es posible construir una lucha anticapitalista. Articulamos una reflexión sobre la importancia del feminismo popular y campesino, destacando el papel fundamental de las mujeres negras y el necesario diálogo con el feminismo negro. Asimismo, analizamos experiencias de aquilombamiento en asentamientos rurales, examinando su dinámica productiva como formas de resistencia en la producción y reproducción social. Observamos cómo estas formas de existencia, a través de sus modos de reproducción material, se oponen a la lógica eurocéntrica, colonial, patriarcal, del racismo estructural y del capitalismo dependiente. A lo largo de este estudio, establecemos una relación entre la lucha por la tierra y la lucha antirracista, reflexionando sobre cómo estas dos dimensiones han caminado juntas — o no — a lo largo de la historia de Brasil. Sin embargo, señalamos elementos de la lucha antirracista presentes en la construcción de la Reforma Agraria Popular, marcando una relación dialógica entre la praxis de ocupación del MST y la praxis histórica de las luchas negras, indígenas y populares. Nuestro objetivo es destacar la construcción permanente del carácter emancipador del MST, considerando sus objetivos de luchar por la tierra, por la reforma agraria popular y por la transformación social. Apuntamos a experiencias cargadas de futuro, semillas de un mañana sin racismo y sin formas de dominación, para luego reflexionar sobre la comprensión dialéctica necesaria de la lucha antirracista en la construcción de la reforma agraria popular. La comprensión alcanzada hasta ahora es clara: es fundamental reafirmar la lucha antirracista, al igual que todas las demás luchas. El enfrentamiento al racismo estructural en sus raíces profundas debe integrar de manera constante, dentro de una praxis emancipadora, la lucha por la tierra y el territorio con las cuestiones de género, raza y clase.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)CAPES: 001Universidade Estadual Paulista (Unesp)Souza, José Gilberto de [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Traspadini, Roberta SperandioSantos, Maria José [UNESP]2025-03-13T12:57:26Z2025-03-13T12:57:26Z2024-09-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfSANTOS, Maria José. O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercas. Orientador: José Gilberto de Souza. Coorientadora: Roberta Sperandio Traspadini. 2024. 136 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe) – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais, Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe, São Paulo, 2024.https://hdl.handle.net/11449/29543033004013068P6porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-06-02T18:37:00Zoai:repositorio.unesp.br:11449/295430Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-06-02T18:37Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
dc.title.none.fl_str_mv O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercas
El MST y las mujeres tejiendo resistencia: la lucha antirracista y la ruptura de los cercos
The MST and women weaving resistance: the anti-racist struggle and breaking down the fences
title O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercas
spellingShingle O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercas
Santos, Maria José [UNESP]
Emancipação
Racismo estrutural
Reforma agrária popular
Reforma agraria popular
Emancipation
Structural racism
Popular agrarian reform
Emancipación
Racismo estructural
title_short O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercas
title_full O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercas
title_fullStr O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercas
title_full_unstemmed O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercas
title_sort O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercas
author Santos, Maria José [UNESP]
author_facet Santos, Maria José [UNESP]
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Souza, José Gilberto de [UNESP]
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Traspadini, Roberta Sperandio
dc.contributor.author.fl_str_mv Santos, Maria José [UNESP]
dc.subject.por.fl_str_mv Emancipação
Racismo estrutural
Reforma agrária popular
Reforma agraria popular
Emancipation
Structural racism
Popular agrarian reform
Emancipación
Racismo estructural
topic Emancipação
Racismo estrutural
Reforma agrária popular
Reforma agraria popular
Emancipation
Structural racism
Popular agrarian reform
Emancipación
Racismo estructural
description Este é um estudo sobre a práxis emancipatória na construção da reforma agrária popular e tem como fio condutor a questão étnico-racial enquanto um elemento fundamental nesta práxis. Focamos nas experiências de lutas e resistências a partir da práxis da ocupação do MST no Vale do Jequitinhonha e Mucuri, estado de Minas Gerais, estabelecendo um diálogo com a luta antirracista, anticolonialista, antipatriarcal sem as quais não se constrói uma luta anticapitalista. Articulamos uma reflexão sobre a importância do feminismo popular e camponês, ressaltando a importância das mulheres negras, e o necessário diálogo com o feminismo negro. Refletimos sobre as experiências de aquilombamentos em assentamentos rurais analisando a sua dinâmica produtiva como formas de resistência da produção e reprodução social, analisando como estas existências se contrapõem a partir da forma de reprodução material desses sujeitos à lógica eurocêntrica, colonizadora, do patriarcado, do racismo estrutural e do capitalismo dependente. Ao longo do percurso deste estudo estabelecemos uma vinculação entre a luta pela terra e a luta antirracista e refletimos como estas duas dimensões caminharam dialogicamente juntas, ou não, na história do Brasil. Contudo, apontamos elementos da luta antirracista presentes na construção da Reforma Agrária Popular demarcando uma relação dialógica entre a práxis da ocupação do MST e a práxis histórica da luta negra, indígena e popular. Intencionamos destacar a importância da construção permanente do caráter emancipatório do MST levando em consideração seus objetivos de lutar pela terra, por reforma agrária popular e pela transformação social. Apontamos experiências grávidas de futuro, germes de um amanhã sem racismo e sem formas de dominação, para então, refletirmos sobre qual deve ser a compreensão dialética da luta antirracista na construção da reforma agrária popular. A compreensão possível até aqui, é muito óbvia, se trata da necessidade de reafirmar a luta antirracista, assim como todas as demais lutas, pois, o enfrentamento ao racismo estrutural em suas raízes profundas deve intencionar de forma constante, dentro de uma práxis emancipatória, a luta pela terra e território com as questões de gênero, raça e classe.
publishDate 2024
dc.date.none.fl_str_mv 2024-09-30
2025-03-13T12:57:26Z
2025-03-13T12:57:26Z
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/masterThesis
format masterThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv SANTOS, Maria José. O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercas. Orientador: José Gilberto de Souza. Coorientadora: Roberta Sperandio Traspadini. 2024. 136 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe) – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais, Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe, São Paulo, 2024.
https://hdl.handle.net/11449/295430
33004013068P6
identifier_str_mv SANTOS, Maria José. O MST e as mulheres tecendo as resistências: a luta antirracista e o romper das cercas. Orientador: José Gilberto de Souza. Coorientadora: Roberta Sperandio Traspadini. 2024. 136 f. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe) – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais, Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe, São Paulo, 2024.
33004013068P6
url https://hdl.handle.net/11449/295430
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.publisher.none.fl_str_mv Universidade Estadual Paulista (Unesp)
publisher.none.fl_str_mv Universidade Estadual Paulista (Unesp)
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Institucional da UNESP
instname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
instacron:UNESP
instname_str Universidade Estadual Paulista (UNESP)
instacron_str UNESP
institution UNESP
reponame_str Repositório Institucional da UNESP
collection Repositório Institucional da UNESP
repository.name.fl_str_mv Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)
repository.mail.fl_str_mv repositoriounesp@unesp.br
_version_ 1854954603839225856