Assimilação e resistência na exportação/tradução de quadrinhos brasileiros para o mercado estadunidense: o caso de Valente e Daytripper

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Mouro, Pedro Viana [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/296006
Resumo: Esta pesquisa tem por objetivo fazer uma análise comparativa entre duas histórias em quadrinhos escritas por autores brasileiros que tomaram duas vias diferentes para serem publicadas em inglês nos Estados Unidos: a primeira, Valente (2013), de Vitor Cafaggi, foi publicada originalmente no Brasil em português e depois traduzida para o inglês por Jeff Whitman e lançada nos Estados Unidos em 2019; contrariamente ao habitual, a segunda, Daytripper (2011), de Gabriel Bá e Fábio Moon, foi publicada diretamente em inglês nos Estados Unidos e, mais tarde no mesmo ano, publicada no Brasil com tradução de Érico Assis. A partir da leitura espelhada dessas obras, busca-se compreender como ambas se complementam como visões a respeito da abertura à cultura do Outro estrangeiro e da tendência etnocêntrica domesticadora no texto traduzido, quando isso se dá de uma produção de cultura não-hegemônica (no caso, a brasileira) para uma hegemônica (a estadunidense), em que há uma troca assimétrica na tradução, conforme Casanova (2002). A partir de análises de aspectos imagéticos e textuais presentes nas duas histórias em quadrinhos, pautadas nas definições de Venuti (2019), Braga (2014), Eisner (2008), Kukkonen (2013) e Berman (2012), sempre levando em consideração as especificidades das HQs e de sua tradução, pôde-se observar um espaço de maior liberdade e concessões à cultura brasileira na obra escrita em inglês do que na traduzida para o inglês, que foi mais domesticadora à receita estadunidense, o que a uma primeira percepção pareceria contra-intuitivo. Isso nos leva a questionar até que ponto ter traduzido Valente gerou uma maior domesticação do que o caso de Daytripper, que, escrita diretamente em inglês, apresentou maior liberdade para escrever uma história mais marcadamente brasileira. Pôde-se ver uma tradução com maiores alterações e acréscimos em Valente e um original com maior liberdade ao representar a cultura brasileira em Daytripper. Como resultado das análises, foram encontradas referências à cultura brasileira nas imagens e no léxico (por meio de marcas de oralidade e idiomatismos) de ambas as obras, com Daytripper apresentando maior abertura ao estrangeiro, enquanto Valente passou por mais interferências domesticadoras por parte do tradutor, o que pode sinalizar uma atitude de criatividade, um projeto tradutório específico ou a necessidade de atender a demandas comerciais para que a tradução obtenha sucesso.
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A partir da leitura espelhada dessas obras, busca-se compreender como ambas se complementam como visões a respeito da abertura à cultura do Outro estrangeiro e da tendência etnocêntrica domesticadora no texto traduzido, quando isso se dá de uma produção de cultura não-hegemônica (no caso, a brasileira) para uma hegemônica (a estadunidense), em que há uma troca assimétrica na tradução, conforme Casanova (2002). A partir de análises de aspectos imagéticos e textuais presentes nas duas histórias em quadrinhos, pautadas nas definições de Venuti (2019), Braga (2014), Eisner (2008), Kukkonen (2013) e Berman (2012), sempre levando em consideração as especificidades das HQs e de sua tradução, pôde-se observar um espaço de maior liberdade e concessões à cultura brasileira na obra escrita em inglês do que na traduzida para o inglês, que foi mais domesticadora à receita estadunidense, o que a uma primeira percepção pareceria contra-intuitivo. Isso nos leva a questionar até que ponto ter traduzido Valente gerou uma maior domesticação do que o caso de Daytripper, que, escrita diretamente em inglês, apresentou maior liberdade para escrever uma história mais marcadamente brasileira. Pôde-se ver uma tradução com maiores alterações e acréscimos em Valente e um original com maior liberdade ao representar a cultura brasileira em Daytripper. Como resultado das análises, foram encontradas referências à cultura brasileira nas imagens e no léxico (por meio de marcas de oralidade e idiomatismos) de ambas as obras, com Daytripper apresentando maior abertura ao estrangeiro, enquanto Valente passou por mais interferências domesticadoras por parte do tradutor, o que pode sinalizar uma atitude de criatividade, um projeto tradutório específico ou a necessidade de atender a demandas comerciais para que a tradução obtenha sucesso.This research aims to make a comparative analysis between two comic books written by Brazilian authors that took two different routes to be published in English in the United States: the first one, Valente (2013), by Vitor Cafaggi, was originally published in Brazil in Portuguese and afterward translated into English by Jeff Whitman and published in the United States in 2019; unlike the usual, the second one, Daytripper (2011), by Gabriel Bá and Fábio Moon, was published directly in English in the US, only being published in Brazil afterwards in the same year, translated by Érico Assis. From a mirrored reading of these works, we seek to understand how both complement each other regarding the openness to the culture of the foreign Other and the ethnocentric tendency of domesticating the translated text, when this occurs through the production of a non-hegemonic culture (in this case, the Brazilian one) to a hegemonic culture (the North American one), in which there is an asymmetric translation exchange, as Casanova (2002) discusses. Based on analyses of imagery and textual aspects present in the two comic books, guided by the definitions of Venuti (2019), Braga (2014), Eisner (2008), Kukkonen (2013), and Berman (2012), always taking into account the specificities of comics and their translation, it was possible to observe a space of greater freedom and concessions to the Brazilian culture in the work written in English than in the one translated into English, in which was applied more domestication to the North American recipe – which at first would seem counter-intuitive. This leads us to question to what extent having translatedValente has generated greater domestication than the case of Daytripper, which was written directly in English and presented greater freedom to write a more distinctly Brazilian story. We could see a translation with greater adaptations and additions in Valente and an original with greater freedom in representing Brazilian culture in Daytripper. As a result of the analyses, we found references to the Brazilian culture in the images and lexicon (through orality markers and idioms) of both works; while Daytripper presented greater openness to the foreign Other, Valente underwent more domesticating interference on the part of the translator, which may signal an attitude of creativity, a specific translation project or the need to meet commercial demands so that the translation be successful.Universidade Estadual Paulista (Unesp)Amorim, Lauro Maia [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Mouro, Pedro Viana [UNESP]2025-03-31T21:24:35Z2025-03-31T21:24:35Z2025-03-13info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfMOURO, Pedro Viana. Assimilação e resistência na exportação/tradução de quadrinhos brasileiros para o mercado estadunidense: o caso de Valente e Daytripper. 2025. 130 p. Dissertação (Mestrado em Estudos Linguísticos) - Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista (UNESP), São José do Rio Preto, 2025.https://hdl.handle.net/11449/29600633004153069P580999037106747000000-0002-6396-0688porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-06-02T18:32:08Zoai:repositorio.unesp.br:11449/296006Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-06-02T18:32:08Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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