Habitar o inóspito: a condição humana de desabrigo a partir de Martin Heidegger e Sigmund Freud

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Barbosa, Caroline Garpelli [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/192685
Resumo: Esta pesquisa, de natureza teórica e conceitual, parte da hipótese de que tanto nos textos de Heidegger, quanto nos de Freud, há uma concepção de angústia que se assenta em um lugar fundante da existência humana, o qual poderia ser articulado sob um vértice comum que denominamos como condição de desabrigo. Entendemos que, seja na perda de familiaridade revelada pela angústia ontológica descrita por Heidegger em Ser e Tempo (1927), seja no desamparo fundamental anunciado pela angústia enquanto expressão privilegiada da pulsão descrito por Freud em Inibição, Sintoma e Angústia (1926), é a condição de desabrigo que vem à tona. Para tanto, em Freud analisamos em que medida o conceito de angústia originária em articulação com a concepção de pulsão de morte e de desamparo, aponta para uma dimensão sobre a qual a experiência subjetiva se sustenta e que é da ordem do irrepresentável e do indeterminado. Já em Heidegger, analisamos em que medida o afeto fundamental da angústia revela o estatuto ontológico da existência caracterizado pelo estranhamento, indeterminação e pela falta de familiaridade. Ao propor este ponto de articulação entre dois autores de matrizes teóricas distintas, não defendemos que entre eles exista um lugar epistemológico comum, mas sim procuramos conduzir um diálogo no sentido de destacar os pontos de convergência e divergência entre suas concepções de angústia, bem como as implicações ontológicas e éticas dessa classe paradigmática de afetos para a compreensão dos fundamentos do desenvolvimento humano. Nesse sentido, esta tese promove um espaço para que o encontro entre as tradições psicanalítica e daseinsanalítica, além de ser resgatado, aconteça por outra via que não a da crítica epistemológica, mas sim em direção a uma ética do cuidado, que é o caminho pelo qual autores contemporâneos têm percorrido para retomar essa forma de aproximação.
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Entendemos que, seja na perda de familiaridade revelada pela angústia ontológica descrita por Heidegger em Ser e Tempo (1927), seja no desamparo fundamental anunciado pela angústia enquanto expressão privilegiada da pulsão descrito por Freud em Inibição, Sintoma e Angústia (1926), é a condição de desabrigo que vem à tona. Para tanto, em Freud analisamos em que medida o conceito de angústia originária em articulação com a concepção de pulsão de morte e de desamparo, aponta para uma dimensão sobre a qual a experiência subjetiva se sustenta e que é da ordem do irrepresentável e do indeterminado. Já em Heidegger, analisamos em que medida o afeto fundamental da angústia revela o estatuto ontológico da existência caracterizado pelo estranhamento, indeterminação e pela falta de familiaridade. Ao propor este ponto de articulação entre dois autores de matrizes teóricas distintas, não defendemos que entre eles exista um lugar epistemológico comum, mas sim procuramos conduzir um diálogo no sentido de destacar os pontos de convergência e divergência entre suas concepções de angústia, bem como as implicações ontológicas e éticas dessa classe paradigmática de afetos para a compreensão dos fundamentos do desenvolvimento humano. Nesse sentido, esta tese promove um espaço para que o encontro entre as tradições psicanalítica e daseinsanalítica, além de ser resgatado, aconteça por outra via que não a da crítica epistemológica, mas sim em direção a uma ética do cuidado, que é o caminho pelo qual autores contemporâneos têm percorrido para retomar essa forma de aproximação.This research, of theoretical and conceptual nature, starts from the hypothesis that either in Heidegger´s works, as in Freud's, there is a conception of anguish that relies as a foundation place of human existence, which could be associated under a common vertex that we define as a condition of homelessness. We understand that, either in the loss of familiarity revealed by the ontological anguish described by Heidegger in Being and Time (1927), or in the fundamental helplessness announced by anguish as a privileged expression of the drive described by Freud in Inhibition, Symptom and Anxiety (1926), it is the homelessness condition that raises up. Therefore, in Freud we analyze to what extent the concept of original anguish in conjunction with the conception of death drive and helplessness, points to a dimension on which subjective experience is sustained and which is of unrepresentable and undetermined order. In Heidegger, on the other hand, we analyze to which extent fundamental anguish reveals the ontological status of existence characterized by strangeness, indeterminacy and lack of familiarity. By suggesting this point of confluence between two authors of different theoretical matrices, we do not defend that among them there is a common epistemological place, but rather we seek to conduct a dialogue in order to highlight the points of convergence and divergence between their conceptions of anguish, as well as the ontological and ethical implications of this paradigmatic class of affects for the understanding of human development fundamentals. In this sense, this thesis promotes a space so that the meeting between psychoanalytic and daseinsanalytic traditions, besides being rescued, happens in other way than not of epistemological criticism, but towards an ethics of care, that is the path by which contemporary authors have taken to resume this approach.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)CAPES – Código de financiamento 001Universidade Estadual Paulista (Unesp)Neme, Carmen Maria Bueno [UNESP]Campos, Erico Bruno Viana [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Barbosa, Caroline Garpelli [UNESP]2020-06-01T14:39:07Z2020-06-01T14:39:07Z2020-04-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/11449/19268500093155533004056085P088635936492578760000-0002-4716-4163porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-06-24T05:28:14Zoai:repositorio.unesp.br:11449/192685Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-06-24T05:28:14Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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