Efeito do enriquecimento ambiental no bem-estar e parâmetros zootécnicos de tilápias (Oreochromis niloticus) cultivadas em diferentes densidades

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Favero-Neto, João [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/244506
Resumo: A produção de organismos aquáticos cresceu em ritmo acelerado nos últimos anos e estima-se crescimento ainda maior no setor. A aquicultura tem como destaque a produção de peixes, em especial a tilápia do Nilo, que apresenta números significativos de produção no Brasil e no mundo. Em relação à produção aquícola, conceitos de bem-estar animal se fazem presentes nas discussões e agendas mundiais, porém, na prática, a aplicação de ferramentas que melhorem o bem-estar ainda é bastante incipiente. Enriquecimento ambiental como forma de promover o bem-estar animal em sistemas produtivos está no foco das discussões, com destaque para o enriquecimento físico. Na produção aquícola, a densidade de estocagem é um dos fatores que afeta tanto o bem-estar e saúde dos peixes, como também afeta a economia da produção. Assim, associar o enriquecimento ambiental (EA) com a melhor densidade de estocagem, pode potencializar a produção e o bem-estar dos animais. Para tanto, aqui avaliamos se o enriquecimento ambiental estrutural (EAE) afeta os parâmetros zootécnicos e o bem-estar de tilápias, investigando se tal efeito é influenciado pela densidade de estocagem. O delineamento experimental consistiu de 6 tratamentos: aguapé artificial (enriquecimento ambiental estrutural) e controle (sem enriquecimento ambiental), ambos em três densidades (600, 800 e 1000 peixes/m³). Não houve mortalidade e o estado de saúde se manteve ótimo para todos os grupos experimentais. No grupo com EAE, não houve diferenças para ganho de peso, ganho de peso diário e conversão alimentar entre as densidades, no entanto, foram observadas diferenças significativas nos peixes cultivados sem enriquecimento ambiental, onde o grupo com densidade de 600 peixes/m³ apresentou pior resultado. Na comparação entre ambiente enriquecido e controle, houve diferença significativa para a menor densidade, com melhor resultado para o tratamento com aguapé artificial. Com relação a biomassa, os grupos experimentais diferem estatisticamente entre as três densidades, com os maiores valores diretamente proporcionais às densidades. Entre ambiente enriquecido e controle, houve diferença para a menor densidade, onde maior valor da biomassa foi encontrado para o tratamento enriquecido. A preferência pelo EAE foi evidente para as três densidades, onde a frequência dos peixes foi maior perto do recurso. Houve menor frequência de confrontos na condição de enriquecimento com as duas menores densidades (600 e 800 peixes/m³) comparadas ao grupo controle. As frequências de forrageamento e de estereotipias apresentaram melhores resultados para o tratamento aguapé artificial independente da densidade avaliada. Além disso, o enriquecimento parece não ter efeito sobre as concentrações de cortisol nos peixes, no entanto, encontramos melhores resultados em tilápias cultivadas nas duas maiores densidades (800 e 1000 peixes/m³). O enriquecimento ambiental pode ser uma alternativa eficiente para melhorar o bem-estar de tilápias em sistema de cultivo e associado a densidade de 800 peixes/m³, pode proporcionar ganhos ainda maiores para o bem-estar animal e para a produção.
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Enriquecimento ambiental como forma de promover o bem-estar animal em sistemas produtivos está no foco das discussões, com destaque para o enriquecimento físico. Na produção aquícola, a densidade de estocagem é um dos fatores que afeta tanto o bem-estar e saúde dos peixes, como também afeta a economia da produção. Assim, associar o enriquecimento ambiental (EA) com a melhor densidade de estocagem, pode potencializar a produção e o bem-estar dos animais. Para tanto, aqui avaliamos se o enriquecimento ambiental estrutural (EAE) afeta os parâmetros zootécnicos e o bem-estar de tilápias, investigando se tal efeito é influenciado pela densidade de estocagem. O delineamento experimental consistiu de 6 tratamentos: aguapé artificial (enriquecimento ambiental estrutural) e controle (sem enriquecimento ambiental), ambos em três densidades (600, 800 e 1000 peixes/m³). Não houve mortalidade e o estado de saúde se manteve ótimo para todos os grupos experimentais. No grupo com EAE, não houve diferenças para ganho de peso, ganho de peso diário e conversão alimentar entre as densidades, no entanto, foram observadas diferenças significativas nos peixes cultivados sem enriquecimento ambiental, onde o grupo com densidade de 600 peixes/m³ apresentou pior resultado. Na comparação entre ambiente enriquecido e controle, houve diferença significativa para a menor densidade, com melhor resultado para o tratamento com aguapé artificial. Com relação a biomassa, os grupos experimentais diferem estatisticamente entre as três densidades, com os maiores valores diretamente proporcionais às densidades. Entre ambiente enriquecido e controle, houve diferença para a menor densidade, onde maior valor da biomassa foi encontrado para o tratamento enriquecido. A preferência pelo EAE foi evidente para as três densidades, onde a frequência dos peixes foi maior perto do recurso. Houve menor frequência de confrontos na condição de enriquecimento com as duas menores densidades (600 e 800 peixes/m³) comparadas ao grupo controle. As frequências de forrageamento e de estereotipias apresentaram melhores resultados para o tratamento aguapé artificial independente da densidade avaliada. Além disso, o enriquecimento parece não ter efeito sobre as concentrações de cortisol nos peixes, no entanto, encontramos melhores resultados em tilápias cultivadas nas duas maiores densidades (800 e 1000 peixes/m³). O enriquecimento ambiental pode ser uma alternativa eficiente para melhorar o bem-estar de tilápias em sistema de cultivo e associado a densidade de 800 peixes/m³, pode proporcionar ganhos ainda maiores para o bem-estar animal e para a produção.The production of aquatic organisms has grown at an accelerated pace in recent years and even greater growth is expected in the sector. Aquaculture stands out in the production of fish, especially Nile tilapia, which has significant production numbers in Brazil and around the world. Regarding aquaculture production, animal welfare concepts are present in global discussions and agendas, however, in practice, the application of tools that improve welfare is still incipient. Environmental enrichment as a way to promote animal welfare in production systems is the focus of discussions, with an emphasis on physical enrichment. In aquaculture production, stocking density is one of the factors that affect both the well-being and health of the fish and the economics of production. Thus, associating environmental enrichment (EE) with the best stocking density can enhance production and animal welfare. Therefore, here we evaluate whether structural environmental enrichment (SEE) affects the zootechnical parameters and the well-being of tilapia and investigate whether this effect is influenced by stocking density. The experimental design consisted of 6 treatments: artificial water hyacinth (structural environmental enrichment) and control (without environmental enrichment), both at three densities (600, 800, and 1000 fish/m³). There was no mortality, and health status remained excellent for all experimental groups. In the SEE group, there were no differences in weight gain, daily weight gain, and feed conversion between densities, however, significant differences were observed in fish reared without environmental enrichment, where the group with a density of 600 fish/m³ presented worse results. Comparing the enriched environment with the control, there was a significant difference for the lowest density, with better results for the treatment with artificial water hyacinth. With regard to biomass, the experimental groups differ statistically between the three densities, with the highest values directly proportional to the densities. Between the enriched environment and the control, there was a difference for the lowest density, where higher biomass value was found for the enriched treatment. The preference for SEE was evident for the three densities, where the fish frequency was higher near the resource. There was a lower frequency of confrontations in the enrichment condition with the two lowest densities (600 and 800 fish/m³) compared to the control group. Foraging and stereotypy frequencies showed better results for the artificial water hyacinth treatment regardless of the evaluated density. Furthermore, enrichment seems not to have an effect on cortisol concentrations in fish, however, we found better results in tilapia grown at the two highest densities (800 and 1000 fish/m³). Environmental enrichment can be an efficient alternative to improve the welfare of tilapia in a culture system and associated with a density of 800 fish/m³, can provide even greater gains for animal welfare and production.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)CAPES: 88882.433860/2019-01FAPESP: 2019/19952-8Universidade Estadual Paulista (Unesp)Giaquinto, Percilia Cardoso [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Favero-Neto, João [UNESP]2023-07-11T12:06:19Z2023-07-11T12:06:19Z2023-05-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/11449/24450633004102049P7porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-10-22T11:05:21Zoai:repositorio.unesp.br:11449/244506Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-10-22T11:05:21Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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