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O distúrbio psicossomático em Winnicott

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Lanfranchi, Ariela Cursino [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/310201
Resumo: O distúrbio psicossomático representa um desafio na clínica psicanalítica por situar-se numa área de intersecção entre saberes e devido às características dos pacientes que dificultam o manejo clínico do caso, como a incapacidade de simbolização, o distanciamento afetivo e a negação da relação entre estados emocionais e doenças biológicas. Winnicott diferencia o verdadeiro distúrbio psicossomático dos fenômenos psicossomáticos, ao defini-lo como um sistema defensivo, decorrente da não conquista da integração psicossomática, formado por cisões e dissociações. O objetivo geral deste trabalho foi investigar a etiologia do distúrbio psicossomático em Winnicott e suas manifestações clínicas. De modo específico, objetivou-se compreender a diferença entre existência psicossomática e integração psicossomática para o distúrbio psicossomático, além de discutir as noções de cisão e dissociação presentes nesse quadro. Tratou-se de uma pesquisa teórica de cunho conceitual, guiada pela hermenêutica psicanalítica. Através de vinhetas clínicas e de uma análise interpretativa dos textos de Winnicott e dos seus comentadores, os resultados apontaram que a etiologia do distúrbio psicossomático está relacionada ao cuidado insuficiente na fase de dependência absoluta. Falhas recorrentes nas funções maternas de holding e handling comprometem a boa fruição da existência psicossomática, dificultando a transição entre os estados tranquilos e excitados e impedindo a passagem da não-integração para a integração psicossomática. Diante dessas falhas ambientais, o bebê é confrontado com ansiedades inimagináveis e o medo da aniquilação, não conseguindo alcançar a integração psicossomática. Nesse contexto, a desintegração emerge como uma defesa, acompanhada pelos mecanismos da cisão e da dissociação. A cisão atua como um mecanismo de defesa primitivo que segrega o conteúdo traumático sem representação psíquica, podendo gerar uma ruptura entre psique e soma ou entre a mente e o psicossoma. Já a dissociação resulta da manutenção da cisão em um ambiente continuamente falho, favorecendo: a construção do falso self, os estados de despersonalização em que a pessoa sente não habitar o próprio corpo, o distanciamento entre a percepção do corpo anatômico e os estados emocionais, a formação da psique-mente e a disseminação dos agentes responsáveis. Concluiu-se que é possível derivar do estudo da etiologia do distúrbio psicossomático, em Winnicott, contribuições para o manejo clínico desses casos, evidenciando o aspecto positivo da patologia, aprimorando a técnica psicanalítica e ampliando o diálogo entre a psicossomática e a teoria winnicottiana.
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De modo específico, objetivou-se compreender a diferença entre existência psicossomática e integração psicossomática para o distúrbio psicossomático, além de discutir as noções de cisão e dissociação presentes nesse quadro. Tratou-se de uma pesquisa teórica de cunho conceitual, guiada pela hermenêutica psicanalítica. Através de vinhetas clínicas e de uma análise interpretativa dos textos de Winnicott e dos seus comentadores, os resultados apontaram que a etiologia do distúrbio psicossomático está relacionada ao cuidado insuficiente na fase de dependência absoluta. Falhas recorrentes nas funções maternas de holding e handling comprometem a boa fruição da existência psicossomática, dificultando a transição entre os estados tranquilos e excitados e impedindo a passagem da não-integração para a integração psicossomática. Diante dessas falhas ambientais, o bebê é confrontado com ansiedades inimagináveis e o medo da aniquilação, não conseguindo alcançar a integração psicossomática. Nesse contexto, a desintegração emerge como uma defesa, acompanhada pelos mecanismos da cisão e da dissociação. A cisão atua como um mecanismo de defesa primitivo que segrega o conteúdo traumático sem representação psíquica, podendo gerar uma ruptura entre psique e soma ou entre a mente e o psicossoma. Já a dissociação resulta da manutenção da cisão em um ambiente continuamente falho, favorecendo: a construção do falso self, os estados de despersonalização em que a pessoa sente não habitar o próprio corpo, o distanciamento entre a percepção do corpo anatômico e os estados emocionais, a formação da psique-mente e a disseminação dos agentes responsáveis. Concluiu-se que é possível derivar do estudo da etiologia do distúrbio psicossomático, em Winnicott, contribuições para o manejo clínico desses casos, evidenciando o aspecto positivo da patologia, aprimorando a técnica psicanalítica e ampliando o diálogo entre a psicossomática e a teoria winnicottiana.The psychosomatic disorder presents a challenge in psychoanalytic practice due to its position at the intersection of different fields of knowledge and because of the characteristics of the patients, which complicate clinical management, such as the inability to symbolize, emotional detachment, and the denial of the relationship between emotional states and biological illnesses. Winnicott differentiates true psychosomatic disorder from psychosomatic phenomena by defining it as a defensive system, resulting from the failure to achieve psychosomatic integration, formed by splits and dissociations. The general objective of this study was to investigate the etiology of psychosomatic disorder in Winnicott and its clinical manifestations. Specifically, it aimed to understand the difference between psychosomatic existence and psychosomatic integration regarding psychosomatic disorder, as well as to discuss the notions of splitting and dissociation present in this condition. This was a theoretical, conceptual research guided by psychoanalytic hermeneutics. Through clinical vignettes and an interpretative analysis of Winnicott's texts and those of his commentators, the results indicated that the etiology of psychosomatic disorder is related to insufficient care during the stage of absolute dependence. Recurrent failures in the maternal functions of holding and handling compromise the healthy unfolding of psychosomatic existence, making it difficult for the infant to transition between calm and excited states and preventing the shift from non-integration to psychosomatic integration. In the face of these environmental failures, the baby is confronted with unthinkable anxieties and the fear of annihilation, thus failing to achieve psychosomatic integration. In this context, disintegration emerges as a defense, accompanied by the mechanisms of splitting and dissociation. Splitting acts as a primitive defense mechanism that segregates traumatic content without psychic representation, potentially generating a rupture between psyche and soma or between the mind and the psychosoma. Dissociation, in turn, results from the maintenance of splitting in a continuously failing environment, leading to: the construction of the false self, states of depersonalization in which the person feels detached from their own body, the distancing between the perception of the anatomical body and emotional states, the formation of the psyche-mind, and the dispersion of responsible agents. It was concluded that the study of the etiology of psychosomatic disorder in Winnicott offers contributions to the clinical management of these cases, highlighting the positive aspect of the pathology, enhancing psychoanalytic technique, and expanding the dialogue between psychosomatics and Winnicottian theory.Universidade Estadual Paulista (Unesp)Knudsen, Patrícia Porchat Pereira da Silva [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Bocchi, Josiane Cristina [UNESP]Lanfranchi, Ariela Cursino [UNESP]2025-05-07T16:46:41Z2025-04-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfLANFRANCHI, Ariela Cursino. O distúrbio psicossomático em Winnicott. Orientadora: Patrícia Porchat Pereira da Silva Knudsen. 2025. 108 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem) - Faculdade de Ciências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Bauru, 2025.https://hdl.handle.net/11449/31020133004056085P031150805245735270000-0002-4683-4348porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-06-24T05:32:44Zoai:repositorio.unesp.br:11449/310201Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-06-24T05:32:44Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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