Características do fraseamento prosódico de aposto no PB

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2026
Autor(a) principal: Paiva, Nayra Cristina [UNESP]
Orientador(a): Tenani, Luciani Ester [UNESP]
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/320792
Resumo: Esta tese investiga o fraseamento prosódico, a partir de análise do aposto, uma estrutura encaixada em posição interior às sentenças do Português Brasileiro (PB). A motivação para essa investigação se encontra em resultados de trabalho anterior que mostrou instabilidade no emprego das vírgulas em esquema duplo em fronteiras sintáticas de estruturas anexadas em textos do ensino fundamental. Nesse trabalho, para além das estruturas sintáticas, a estrutura prosódica também se mostrou relevante para descrever os usos da vírgula em esquema duplo, evidenciando o papel desempenhado pela fronteira da frase ou sintagma entoacional (I) e pela extensão dos constituintes. Nesta tese, o objetivo central consiste em investigar o fraseamento prosódico do aposto, por meio de uma metodologia experimental, a partir da qual analisa-se um corpus de fala controlada obtido por meio de leitura de falantes da variedade do PB do noroeste paulista. Adotamos o arcabouço teórico da Fonologia Prosódica segundo o modelo relation-based (Nespor; Vogel, 2007), que concebe a prosódia como um subsistema do componente fonológico e que se constitui a partir da interface da fonologia com os demais componentes da gramática, especialmente a interface sintaxe-fonologia. Nesse quadro teórico, o constituinte prosódico I é especialmente importante para esta tese, porque é um domínio relevante para descrever as modulações de f0 que manifestam o fraseamento prosódico. Essas modulações no nível frasal se configuram em uma interrelação complexa de estrutura métrica e fraseamento prosódico que serão analisadas segundo o modelo da Fonologia Autossegmental e Métrica (Pierrehumbert e Beckman, 1988; Ladd, 2008). Esse quadro teórico-metodológico embasa a proposta dos seguintes objetivos específicos: (i) descrever quais pistas fonéticas (pausa, variação de f0 e duração) caracterizam a produção das fronteiras de I que delimitam a estrutura de aposto no PB e (ii) investigar se fatores linguísticos (extensão e ramificação) controlados afetam a produção das fronteiras de I de estruturas anexadas do tipo aposto no PB. Em consonância aos objetivos, as seguintes perguntas de pesquisa são: 1) como se manifestam os correlatos pausa, variação de f0 e duração nos limites da estruturas anexadas em posição interna às sentenças no PB? 2) de que forma os fatores linguísticos extensão e ramificação sintática/prosódica afetam o fraseamento prosódico e, consequentemente, os correlatos acústicos desse fraseamento de estruturas anexadas em posição interna às sentenças no PB? As hipóteses desta tese são as de que: (i) há uma hierarquia entre as pistas fonéticas que caracterizam as fronteiras prosódicas das estruturas anexadas do tipo aposto e (ii) a extensão e a ramificação sintática são fatores linguísticos que afetam a prosodização dessas estruturas em uma I ou como parte de uma I. A descrição e análise dos dados são feitas a partir das pistas fonéticas pausa, variação de f0 e duração, em contextos com fatores linguísticos controlados. Os resultados alcançados indicam que essas construções apresentam quatro diferentes tipos de fraseamento: 1) [S] I [aposto] I [VO] I; 2) [S] I [aposto, VO] I; 3) [S, aposto, VO] I e 4) [S, aposto,] I [VO] I, sendo esses afetados pela extensão e ramificação sintática/prosódica. Estruturas curtas não ramificadas, tanto em Front1 quanto Front2, tendem a formar Is dependentes. Já estruturas longas em Front2 e posição de predicado proporcionam maior ocorrência de pausa, assim, tendem a ser prosodizadas como I independentes. Essas tendências corroboram a interpretação de Paiva (2021) para as ausências de vírgulas em estruturas anexadas, confirmando a hipótese de que a extensão dos Is é fator relevante para o fraseamento prosódico desse tipo de estrutura. Quanto às pistas fonéticas, observamos haver uma correlação entre o tipo de pista e a fronteira do aposto. A variação de f0 é o correlato acústico que delimita, mais frequentemente, a primeira fronteira (Front1) do aposto quando não há ocorrência de pausa nessa fronteira. Já a pausa é o correlato acústico mais frequente na segunda fronteira (Front2) do I do aposto. Quando há ocorrência de pausa em Front1, a duração da sílaba tônica de palavra prosódica aumenta enquanto diminui a duração da sílaba tônica da palavra prosódica na fronteira de Front2.
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A motivação para essa investigação se encontra em resultados de trabalho anterior que mostrou instabilidade no emprego das vírgulas em esquema duplo em fronteiras sintáticas de estruturas anexadas em textos do ensino fundamental. Nesse trabalho, para além das estruturas sintáticas, a estrutura prosódica também se mostrou relevante para descrever os usos da vírgula em esquema duplo, evidenciando o papel desempenhado pela fronteira da frase ou sintagma entoacional (I) e pela extensão dos constituintes. Nesta tese, o objetivo central consiste em investigar o fraseamento prosódico do aposto, por meio de uma metodologia experimental, a partir da qual analisa-se um corpus de fala controlada obtido por meio de leitura de falantes da variedade do PB do noroeste paulista. Adotamos o arcabouço teórico da Fonologia Prosódica segundo o modelo relation-based (Nespor; Vogel, 2007), que concebe a prosódia como um subsistema do componente fonológico e que se constitui a partir da interface da fonologia com os demais componentes da gramática, especialmente a interface sintaxe-fonologia. Nesse quadro teórico, o constituinte prosódico I é especialmente importante para esta tese, porque é um domínio relevante para descrever as modulações de f0 que manifestam o fraseamento prosódico. Essas modulações no nível frasal se configuram em uma interrelação complexa de estrutura métrica e fraseamento prosódico que serão analisadas segundo o modelo da Fonologia Autossegmental e Métrica (Pierrehumbert e Beckman, 1988; Ladd, 2008). Esse quadro teórico-metodológico embasa a proposta dos seguintes objetivos específicos: (i) descrever quais pistas fonéticas (pausa, variação de f0 e duração) caracterizam a produção das fronteiras de I que delimitam a estrutura de aposto no PB e (ii) investigar se fatores linguísticos (extensão e ramificação) controlados afetam a produção das fronteiras de I de estruturas anexadas do tipo aposto no PB. Em consonância aos objetivos, as seguintes perguntas de pesquisa são: 1) como se manifestam os correlatos pausa, variação de f0 e duração nos limites da estruturas anexadas em posição interna às sentenças no PB? 2) de que forma os fatores linguísticos extensão e ramificação sintática/prosódica afetam o fraseamento prosódico e, consequentemente, os correlatos acústicos desse fraseamento de estruturas anexadas em posição interna às sentenças no PB? As hipóteses desta tese são as de que: (i) há uma hierarquia entre as pistas fonéticas que caracterizam as fronteiras prosódicas das estruturas anexadas do tipo aposto e (ii) a extensão e a ramificação sintática são fatores linguísticos que afetam a prosodização dessas estruturas em uma I ou como parte de uma I. A descrição e análise dos dados são feitas a partir das pistas fonéticas pausa, variação de f0 e duração, em contextos com fatores linguísticos controlados. Os resultados alcançados indicam que essas construções apresentam quatro diferentes tipos de fraseamento: 1) [S] I [aposto] I [VO] I; 2) [S] I [aposto, VO] I; 3) [S, aposto, VO] I e 4) [S, aposto,] I [VO] I, sendo esses afetados pela extensão e ramificação sintática/prosódica. Estruturas curtas não ramificadas, tanto em Front1 quanto Front2, tendem a formar Is dependentes. Já estruturas longas em Front2 e posição de predicado proporcionam maior ocorrência de pausa, assim, tendem a ser prosodizadas como I independentes. Essas tendências corroboram a interpretação de Paiva (2021) para as ausências de vírgulas em estruturas anexadas, confirmando a hipótese de que a extensão dos Is é fator relevante para o fraseamento prosódico desse tipo de estrutura. Quanto às pistas fonéticas, observamos haver uma correlação entre o tipo de pista e a fronteira do aposto. A variação de f0 é o correlato acústico que delimita, mais frequentemente, a primeira fronteira (Front1) do aposto quando não há ocorrência de pausa nessa fronteira. Já a pausa é o correlato acústico mais frequente na segunda fronteira (Front2) do I do aposto. Quando há ocorrência de pausa em Front1, a duração da sílaba tônica de palavra prosódica aumenta enquanto diminui a duração da sílaba tônica da palavra prosódica na fronteira de Front2.This thesis investigates the phenomenon of prosodic phrasing, as of analysis focused on inserted structures in internal position of the sentence of Brazilian Portuguese, restricting the appositive these structures. The analysis of this type of structure is privileged in this thesis, as far as previous works, from a prosodic view of punctuation, indicate that there is instability in the uses of commas in double scheme in syntactic boundaries of inserted structures. In these works, apart from syntactic structure, the prosodic structure is also relevant to the uses of comma in double scheme on these structures, demonstrating the role played by intonational phrase boundary (I) and the constituent’s extension. The main objective consists of investigate the prosodic phrasing of these structures, by means of experimental methodology, from which analyses a controlled spoken corpus achieved from reading of speakers from a variety of the paulista northwest (São Paulo). This proposal is based on the Prosodic Phonology theorical framework, theory in which the prosody is designed as part of the linguistic structure, considering a syntax and phonology interface (Nespor e Vogel; 2007). In accord to this theorical framework, we also consider that intonation has a phonological organization, based on the auto segmental-metrical theory (Pierrehumbert e Beckman, 1988; Ladd, 2008). This theoretical-methodological framework supports the proposal of the following specific objectives: (i) describe which phonetics cues (pause, fundamental frequency variation and duration) characterize the I’s boundaries that delimit the structure of appositive in Brazilian Portuguese and (ii) investigate if linguistic factors (extension and branching) affect the production of inserted structures of the type of appositive in Brazilian Portuguese. In accord to the presented objectives are the following research’s questions: 1) how it manifests the phonetics cues of pause, fundamental frequency variation and duration on the limits of inserted structures in internal position of the sentence in Brazilian Portuguese? 2) in which way the linguistic factors extension and syntactic/prosodic branching affect the prosodic phrasing and, as a consequence, the acoustic correlates of inserted structures in internal position of the sentence in Brazilian Portuguese? The hypothesis of this thesis are: (i) there is a hierarchy between the phonetics cues that describe the prosodic boundaries of inserted structures of the type appositive and (ii) the extension and syntactic/prosodic branching are controlled linguistic factors that affect the prosodization of these kind of structures in an I or as part of an I. The description and data analysis are done considering the phonetics cues pause, fundamental frequency variation and duration in contexts with controlled linguistic factors from which catch the prosodization of structures of the type appositive. The achieved results indicate that these constructions presents four different types of phrasing: 1) [S] I [aposto] I [VO] I; 2) [S] I [aposto, VO] I; 3) [S, aposto, VO] I e 4) [S, aposto,] I [VO], being these affected by extension and syntactic/prosodic branching. Non-branching short structures, in Front1 and Front2 positions, tend to form dependents Is. While Long structures provide a higher pause incidence, thus, tend to form an independent I. These tendencies support Paiva (2021)’s interpretation to absences of commas in inserted structures, validating the hypothesis that Is’ extension is a relevant factor to the prosodic phrasing of these kind of structures. Furthermore, these constructions are not necessarily limited by pause, being more frequent it happens at the end of the appositive structure. The fundamental frequency variation is the more frequent acoustic correlate to delimit Is in Frontr1 of appositive, when there is no pause. The pause is the more frequent acoustic correlate to delimit Is in Front2 of appositive. When there is no pause in Front1, the duration of the stressed syllable of prosodic word increase while decrease the duration of the stressed syllable of PW in Front2.não recebi financiamentoporUniversidade Estadual Paulista (Unesp)Fraseamento prosódicoApostoEntoaçãoFonologiaLíngua portuguesaProsodic phrasingAppositive structuresIntonationPhonologyPortugueseCaracterísticas do fraseamento prosódico de aposto no PBCharacteristics of appositive prosodic phrasing in brazilian portugueseinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESPEstudos Linguísticos - IBILCEAnálise linguísticaOralidade e LetramentoUniversidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, São José do Rio PretoOnlineBanca públicaPublication43c38943-bd6f-4fb6-a9a5-8482a1f632c0virtual::257613-143c38943-bd6f-4fb6-a9a5-8482a1f632c0virtual::257613-121b957cd-459c-4448-b520-fa07623aceacvirtual::271650-121b957cd-459c-4448-b520-fa07623aceacvirtual::271650-1LICENSElicense.txtWritten by org.dspace.content.LicenseUtilstext/plain; 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dc.identifier.citation.fl_str_mv PAIVA, Nayra Cristina. Características do fraseamento prosódico de aposto no PB. 2026 (Doutorado em Estudos Linguísticos). - Universidade Estadual Paulista (Unesp), Instituto de Biociências Letras e Ciências Exatas (Ibilce), São José do Rio Preto, 2026.
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