Influência de fatores históricos e contemporâneos na regionalização biogeográfica de aves da Mata Atlântica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Oliveira-Silva, Anna Elizabeth de [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://hdl.handle.net/11449/296184
Resumo: Compreender a estrutura biogeográfica das espécies é fundamental para a conservação da biodiversidade, especialmente em paisagens altamente diversas e fragmentadas. Neste estudo, integramos dados de distribuição e filogenia por meio de uma abordagem baseada em redes para delimitar biorregiões para aves na Mata Atlântica, um dos principais hotspots de biodiversidade globais. Nossa análise foi baseada em uma matriz de grades de 50x50 km, construída a partir de mapas de distribuição e dados filogenéticos de 867 espécies de aves não marinhas registradas no domínio. Ao aumentar o parâmetro de força da raridade (RSt), avaliamos a influência das espécies de distribuição restrita na formação das biorregiões. Além disso, identificamos zonas de transição entre biorregiões e aplicamos modelos espaciais autorregressivos (SAR) para investigar como heterogeneidade climática, topografia e barreiras fluviais moldaram os limites biogeográficos. Identificamos cinco principais regiões biorregiões (BRs) congruentes com áreas de endemismo previamente descritas para aves e outros táxons: BR1 (Florestas de Araucária), BR2 (Litoral da Bahia e Serra do Mar), BR3 (Alto Paraná), BR4 (Centro de Endemismo de Pernambuco) e BR5 (Diamantina). As fronteiras biogeográficas foram influenciadas principalmente por heterogeneidade climática, gradientes de precipitação e variação altitudinal. Zonas de transição entre as biorregiões evidenciaram conexões históricas. A incorporação de dados filogenéticos revelou novos padrões, especialmente sob altos valores de RSt, nos quais espécies de distribuição restrita reforçaram os limites das biorregiões. Embora as variáveis ambientais tenham influenciado a formação das biorregiões, apenas uma pequena fração da variação pôde ser explicada por estes correlatos (1 – 9%), sugerindo o papel de outros processos ecológicos e evolutivos. Nossos resultados reforçam, portanto, a importância de integrar dados taxonômicos e filogenéticos para capturar com maior precisão os processos históricos e contemporâneos da regionalização biogeográfica. Biorregiões com alta concentração de espécies microendêmicas devem ser priorizadas para conservação, pois abrigam linhagens evolutivas insubstituíveis, mas permanecem altamente vulneráveis à perda de hábitat. O número atual de áreas protegidas na Mata Atlântica é claramente insuficiente para garantir a manutenção da diversidade de aves, especialmente em zonas de transição, que desempenham um papel essencial na conectividade da paisagem e na persistência das espécies diante de mudanças ambientais. Estudos futuros devem adotar abordagens multi-táxon e multi-escala, integrando dados ecológicos, geográficos e genômicos para aprimorar estratégias de conservação em hotspots de biodiversidade.
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Ao aumentar o parâmetro de força da raridade (RSt), avaliamos a influência das espécies de distribuição restrita na formação das biorregiões. Além disso, identificamos zonas de transição entre biorregiões e aplicamos modelos espaciais autorregressivos (SAR) para investigar como heterogeneidade climática, topografia e barreiras fluviais moldaram os limites biogeográficos. Identificamos cinco principais regiões biorregiões (BRs) congruentes com áreas de endemismo previamente descritas para aves e outros táxons: BR1 (Florestas de Araucária), BR2 (Litoral da Bahia e Serra do Mar), BR3 (Alto Paraná), BR4 (Centro de Endemismo de Pernambuco) e BR5 (Diamantina). As fronteiras biogeográficas foram influenciadas principalmente por heterogeneidade climática, gradientes de precipitação e variação altitudinal. Zonas de transição entre as biorregiões evidenciaram conexões históricas. A incorporação de dados filogenéticos revelou novos padrões, especialmente sob altos valores de RSt, nos quais espécies de distribuição restrita reforçaram os limites das biorregiões. Embora as variáveis ambientais tenham influenciado a formação das biorregiões, apenas uma pequena fração da variação pôde ser explicada por estes correlatos (1 – 9%), sugerindo o papel de outros processos ecológicos e evolutivos. Nossos resultados reforçam, portanto, a importância de integrar dados taxonômicos e filogenéticos para capturar com maior precisão os processos históricos e contemporâneos da regionalização biogeográfica. Biorregiões com alta concentração de espécies microendêmicas devem ser priorizadas para conservação, pois abrigam linhagens evolutivas insubstituíveis, mas permanecem altamente vulneráveis à perda de hábitat. O número atual de áreas protegidas na Mata Atlântica é claramente insuficiente para garantir a manutenção da diversidade de aves, especialmente em zonas de transição, que desempenham um papel essencial na conectividade da paisagem e na persistência das espécies diante de mudanças ambientais. Estudos futuros devem adotar abordagens multi-táxon e multi-escala, integrando dados ecológicos, geográficos e genômicos para aprimorar estratégias de conservação em hotspots de biodiversidade.Understanding species biogeographic structure is crucial for biodiversity conservation, particularly in highly diverse and fragmented landscapes. Here, we integrate species distribution and phylogenetic data using a network-based approach to delineate biogeographic regions for birds in the Atlantic Forest, an important global biodiversity hotspot. Our analysis is based on a 50x50km grid matrix built on occurrence range maps and phylogenetic data of 867 non-marine avian species occurring within the domain. By increasing the rarity strength parameter (RSt), we assessed the influence of range-restricted species in shaping biogeographical regions. Therefore, we highlighted transition zones between bioregions and applied spatial autoregressive (SAR) models to evaluate how climatic heterogeneity, topography and riverine barriers shaped biogeographic boundaries. We identified five main biogeographic regions (BRs) aligned with areas of endemism reported for birds and other taxa: BR1 (Araucaria Forests), BR2 (Coastal Bahia and Serra do Mar), BR3 (Alto Paraná), BR4 (Pernambuco Centre of Endemism) and BR5 (Diamantina). The boundaries between bioregions were primarily shaped by climatic heterogeneity, precipitation gradients and altitude variation. Transition zones between bioregions highlighted deep historical connections. Incorporating phylogenetic data revealed novel patterns, particularly under high RSt values, where range-restricted species strengthened biogeographic boundaries. While influencing bioregion delineation, environmental variables explained only a small portion of variation (1 – 9%), suggesting the role of additional evolutionary and ecological processes. Our findings highlight the importance of integrating phylogenetic and taxonomic data to capture both historical and contemporary drivers of bioregionalization. Bioregions with a high number of microendemic species should be prioritized for conservation, as they harbour irreplaceable evolutionary lineages yet remain highly vulnerable to habitat loss. The current number of protected areas in the Atlantic Forest is insufficient to maintain bird diversity, particularly in transition zones, which play a crucial role in maintaining connectivity and species persistence in response to environmental change. Future research should adopt multi-taxon and multi-scale approaches, integrating ecological, geographic and genomic data to refine conservation planning in biodiversity hotspots.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)CAPES - PROEX: 88887.713492/2022-00CAPES - DS: 88887.817885/2023-00FAPESP - MS regular: 2023/01803-1FAPESP - MS-BEPE: 2023/18104-9Universidade Estadual Paulista (Unesp)Silva, Fernando Rodrigues da [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Oliveira-Silva, Anna Elizabeth de [UNESP]2025-04-07T18:59:05Z2025-02-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfapplication/pdfOLIVEIRA-SILVA, A. E. Influência de fatores históricos e contemporâneos na regionalização biogeográfica de aves da Mata Atlântica. Dissertação (Mestrado em Biodiversidade) – Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp). São José do Rio Preto, p. 58. 2025.https://hdl.handle.net/11449/29618433004153072P623866894146424980000-0002-0616-102Xporinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2025-06-02T18:42:08Zoai:repositorio.unesp.br:11449/296184Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462025-06-02T18:42:08Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
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