Negra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileiras
| Ano de defesa: | 2015 |
|---|---|
| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
|
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
| Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
| País: |
Não Informado pela instituição
|
| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/11449/154712 |
Resumo: | Numa sociedade que associa a beleza feminina aos atributos físicos (e culturais) brancos e personifica a fealdade num corpo negro, afirmar-se mulher negra, valorizando as próprias características corporais, constitui vigoroso processo de ressignificação dos conceitos e juízos negativos. Isso porque, o sentir-se bem com contornos naturais pressupõe a existência de uma beleza capaz de tornar falsa a necessidade da adequação às regras do padrão hegemônico, presumindo, para esse tipo de enfrentamento, um discurso hábil o suficiente para subverter as formas representativas da literatura assentadas nas cenas racistas de inferioridade e objetificação, desestabilizando a exigência do embelezamento como condição para a felicidade nas experiências quotidianas. O corpo desenhado a partir dessa perspectiva esquiva-se do binarismo do eurocentrismo e reforma, ao modo negro de ser, a ideia do feminino, assumido como principal forma de atuação, sem a imprescindibilidade de se comparar aos modelos idealizados nos parâmetros do branqueamento. Para algumas mulheres negras, a literatura é o campo privilegiado para forjar as interpretações corporais destituídas dos aspectos da submissão natural e combater os lugares (in)apropriados aos corpos que se apresentam contrariando às normas. Como escritoras, colocam-se em local privilegiado da sua própria escrita e, na condição de locutoras, tecem uma poética decolonial do corpo. É deste fazer literário que se ocupa este trabalho, tendo por objetivo refletir sobre a poetização da corporeidade na poesia das escritoras afro-brasileiras Alzira Rufino, Conceição Evaristo, Geni Guimarães e Miriam Alves, em convergência/divergência com o padrão eurocêntrico de beleza no paradigma da colonialidade do poder. De forma especifica, realiza-se a leitura do corpo como elemento de emancipação política da mulher negra, circunscrevendo a rejeição da subserviência... |
| id |
UNSP_ca488f4239df0d9a99cdf70c82a7f581 |
|---|---|
| oai_identifier_str |
oai:repositorio.unesp.br:11449/154712 |
| network_acronym_str |
UNSP |
| network_name_str |
Repositório Institucional da UNESP |
| repository_id_str |
|
| spelling |
Paula, Claudemir da Silva [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Wimmer, NormaFernandes, Giséle ManganelliRodrigues, Raquel TerezinhaRocha, Júlio César BarretoNigro, Cláudia Maria Ceneviva [UNESP]2018-07-27T18:26:10Z2018-07-27T18:26:10Z2015-12-03PAULA, Claudemir da Silva. Negra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileiras. 2015. 186 f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, 2015.http://hdl.handle.net/11449/154712000869203000869203.pdf33004153015P259808414951632050000-0002-8297-0419Numa sociedade que associa a beleza feminina aos atributos físicos (e culturais) brancos e personifica a fealdade num corpo negro, afirmar-se mulher negra, valorizando as próprias características corporais, constitui vigoroso processo de ressignificação dos conceitos e juízos negativos. Isso porque, o sentir-se bem com contornos naturais pressupõe a existência de uma beleza capaz de tornar falsa a necessidade da adequação às regras do padrão hegemônico, presumindo, para esse tipo de enfrentamento, um discurso hábil o suficiente para subverter as formas representativas da literatura assentadas nas cenas racistas de inferioridade e objetificação, desestabilizando a exigência do embelezamento como condição para a felicidade nas experiências quotidianas. O corpo desenhado a partir dessa perspectiva esquiva-se do binarismo do eurocentrismo e reforma, ao modo negro de ser, a ideia do feminino, assumido como principal forma de atuação, sem a imprescindibilidade de se comparar aos modelos idealizados nos parâmetros do branqueamento. Para algumas mulheres negras, a literatura é o campo privilegiado para forjar as interpretações corporais destituídas dos aspectos da submissão natural e combater os lugares (in)apropriados aos corpos que se apresentam contrariando às normas. Como escritoras, colocam-se em local privilegiado da sua própria escrita e, na condição de locutoras, tecem uma poética decolonial do corpo. É deste fazer literário que se ocupa este trabalho, tendo por objetivo refletir sobre a poetização da corporeidade na poesia das escritoras afro-brasileiras Alzira Rufino, Conceição Evaristo, Geni Guimarães e Miriam Alves, em convergência/divergência com o padrão eurocêntrico de beleza no paradigma da colonialidade do poder. De forma especifica, realiza-se a leitura do corpo como elemento de emancipação política da mulher negra, circunscrevendo a rejeição da subserviência...In a society that associates feminine beauty to physical (and cultural) white attributes and embodies ugliness in a black body it is easy to affirm that black women, who values their own body features, constitutes a vigorous process of negative concept and judgment resignification. This may happen due to a positive feeling towards their natural contours, which may presuppose a beauty able to make the need for compliance with the rules of hegemonic power fake, assuming, in that kind of confrontation, a skillful speech, enough to subvert representative forms of literature based on racist scenes of inferiority and objectification. This may destabilize the requirement of beautification as a condition for happiness in everyday experience. The body drawn from that perspective is beating Eurocentric binarism and reform. It is a black mode of being. The feminine idea assumed as a main form of activity, without essentialism, compares models devised in whitening parameters. For some black women, literature is the privileged field to forge the body deprived by interpretations of natural submission and combat places aspects (in) appropriated to those bodies that are contrary to the rules. As writers, placed in a privileged place of their own writing and, as announcers of the black condition, weave a 'de-colonial' poetics of the body. It is about the literary performance that we deal in this work. We intended to reflect on the corporality poetic of some Afro-Brazilian writers Alzira Rufino, Conceição Evaristo, Geni Guimarães and Miriam Alves, in convergence/divergence with the Eurocentric standard of beauty in the colonial paradigm of power. Specifically, it is the body - read as an element of black woman political emancipation, focusing solely on the rejection of subservience to the dictates of whiteness - the creation of their own standard of beauty and autonomy ideal conducted by disobedient choices and unsubmissive figurative typesCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)186 f.porUniversidade Estadual Paulista (Unesp)Alephreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESPLiteratura brasileira - História e críticaPoesia brasileira - Escritores negrosNegros na literaturaEscritoras brasileirasNegras - BrasilCorpo humano - Aspectos sociaisBrazilian literature History and criticismNegra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileirasBlack without ellipsis: body and corporeity in afro-brazilian writers poetryinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisinfo:eu-repo/semantics/openAccessLetras - IBILCETeoria e estudos literáriosUniversidade Estadual Paulista (UNESP), Instituto de Biociências Letras e Ciências Exatas, São José do Rio Preto59808414951632050000-0002-8297-0419Publication43c38943-bd6f-4fb6-a9a5-8482a1f632c0virtual::298263-143c38943-bd6f-4fb6-a9a5-8482a1f632c0virtual::298263-1e62ec8aa-5eb4-431a-9ba3-272326679bcfvirtual::275014-1e62ec8aa-5eb4-431a-9ba3-272326679bcfvirtual::275014-1ORIGINAL000869203.pdfapplication/pdf1716518https://repositorio.unesp.br/bitstreams/e23ad771-6056-4554-ba91-cd1d4658ca95/download8a52dd99c38d19e4aaf161ec9a42f5d1MD51trueAnonymousREADTEXT000869203.pdf.txtWritten by FormatFilter org.dspace.app.mediafilter.TikaTextExtractionFilter on 2024-01-26T06:32:24Z (GMT).Extracted texttext/plain103531https://repositorio.unesp.br/bitstreams/ba94ff96-d912-4f80-b6b3-17e6b23653c4/download4387873aefc254d604a1aad0f93f065dMD54falseAnonymousREADTHUMBNAIL000869203.pdf.jpgWritten by FormatFilter org.dspace.app.mediafilter.ImageMagickPdfThumbnailFilter on 2018-12-04T05:03:44Z (GMT).IM Thumbnailimage/jpeg3967https://repositorio.unesp.br/bitstreams/9192a76f-5674-4439-a6ce-673afc61c8d3/downloadb5b5e96c1e8bf97471a5babf2639c66fMD53falseAnonymousREAD11449/1547122026-07-25T06:46:23.347525Zopen.accessoai:repositorio.unesp.br:11449/154712https://repositorio.unesp.brRepositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462026-07-25T06:46:23Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false |
| dc.title.pt.fl_str_mv |
Negra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileiras |
| dc.title.alternative.en.fl_str_mv |
Black without ellipsis: body and corporeity in afro-brazilian writers poetry |
| title |
Negra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileiras |
| spellingShingle |
Negra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileiras Paula, Claudemir da Silva [UNESP] Literatura brasileira - História e crítica Poesia brasileira - Escritores negros Negros na literatura Escritoras brasileiras Negras - Brasil Corpo humano - Aspectos sociais Brazilian literature History and criticism |
| title_short |
Negra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileiras |
| title_full |
Negra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileiras |
| title_fullStr |
Negra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileiras |
| title_full_unstemmed |
Negra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileiras |
| title_sort |
Negra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileiras |
| author |
Paula, Claudemir da Silva [UNESP] |
| author_facet |
Paula, Claudemir da Silva [UNESP] |
| author_role |
author |
| dc.contributor.institution.none.fl_str_mv |
Universidade Estadual Paulista (Unesp) |
| dc.contributor.committeeMember.none.fl_str_mv |
Wimmer, Norma Fernandes, Giséle Manganelli Rodrigues, Raquel Terezinha Rocha, Júlio César Barreto |
| dc.contributor.author.fl_str_mv |
Paula, Claudemir da Silva [UNESP] |
| dc.contributor.advisor1.fl_str_mv |
Nigro, Cláudia Maria Ceneviva [UNESP] |
| contributor_str_mv |
Nigro, Cláudia Maria Ceneviva [UNESP] |
| dc.subject.por.fl_str_mv |
Literatura brasileira - História e crítica Poesia brasileira - Escritores negros Negros na literatura Escritoras brasileiras Negras - Brasil Corpo humano - Aspectos sociais |
| topic |
Literatura brasileira - História e crítica Poesia brasileira - Escritores negros Negros na literatura Escritoras brasileiras Negras - Brasil Corpo humano - Aspectos sociais Brazilian literature History and criticism |
| dc.subject.eng.fl_str_mv |
Brazilian literature History and criticism |
| description |
Numa sociedade que associa a beleza feminina aos atributos físicos (e culturais) brancos e personifica a fealdade num corpo negro, afirmar-se mulher negra, valorizando as próprias características corporais, constitui vigoroso processo de ressignificação dos conceitos e juízos negativos. Isso porque, o sentir-se bem com contornos naturais pressupõe a existência de uma beleza capaz de tornar falsa a necessidade da adequação às regras do padrão hegemônico, presumindo, para esse tipo de enfrentamento, um discurso hábil o suficiente para subverter as formas representativas da literatura assentadas nas cenas racistas de inferioridade e objetificação, desestabilizando a exigência do embelezamento como condição para a felicidade nas experiências quotidianas. O corpo desenhado a partir dessa perspectiva esquiva-se do binarismo do eurocentrismo e reforma, ao modo negro de ser, a ideia do feminino, assumido como principal forma de atuação, sem a imprescindibilidade de se comparar aos modelos idealizados nos parâmetros do branqueamento. Para algumas mulheres negras, a literatura é o campo privilegiado para forjar as interpretações corporais destituídas dos aspectos da submissão natural e combater os lugares (in)apropriados aos corpos que se apresentam contrariando às normas. Como escritoras, colocam-se em local privilegiado da sua própria escrita e, na condição de locutoras, tecem uma poética decolonial do corpo. É deste fazer literário que se ocupa este trabalho, tendo por objetivo refletir sobre a poetização da corporeidade na poesia das escritoras afro-brasileiras Alzira Rufino, Conceição Evaristo, Geni Guimarães e Miriam Alves, em convergência/divergência com o padrão eurocêntrico de beleza no paradigma da colonialidade do poder. De forma especifica, realiza-se a leitura do corpo como elemento de emancipação política da mulher negra, circunscrevendo a rejeição da subserviência... |
| publishDate |
2015 |
| dc.date.issued.fl_str_mv |
2015-12-03 |
| dc.date.accessioned.fl_str_mv |
2018-07-27T18:26:10Z |
| dc.date.available.fl_str_mv |
2018-07-27T18:26:10Z |
| dc.type.status.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/publishedVersion |
| dc.type.driver.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/doctoralThesis |
| format |
doctoralThesis |
| status_str |
publishedVersion |
| dc.identifier.citation.fl_str_mv |
PAULA, Claudemir da Silva. Negra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileiras. 2015. 186 f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, 2015. |
| dc.identifier.uri.fl_str_mv |
http://hdl.handle.net/11449/154712 |
| dc.identifier.aleph.none.fl_str_mv |
000869203 |
| dc.identifier.file.none.fl_str_mv |
000869203.pdf |
| dc.identifier.capes.none.fl_str_mv |
33004153015P2 |
| dc.identifier.lattes.none.fl_str_mv |
5980841495163205 |
| dc.identifier.orcid.none.fl_str_mv |
0000-0002-8297-0419 |
| identifier_str_mv |
PAULA, Claudemir da Silva. Negra sem reticências: corpo e corporeidade na poesia de escritoras afro-brasileiras. 2015. 186 f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, 2015. 000869203 000869203.pdf 33004153015P2 5980841495163205 0000-0002-8297-0419 |
| url |
http://hdl.handle.net/11449/154712 |
| dc.language.iso.fl_str_mv |
por |
| language |
por |
| dc.rights.driver.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/openAccess |
| eu_rights_str_mv |
openAccess |
| dc.format.none.fl_str_mv |
186 f. |
| dc.publisher.none.fl_str_mv |
Universidade Estadual Paulista (Unesp) |
| publisher.none.fl_str_mv |
Universidade Estadual Paulista (Unesp) |
| dc.source.none.fl_str_mv |
Aleph reponame:Repositório Institucional da UNESP instname:Universidade Estadual Paulista (UNESP) instacron:UNESP |
| instname_str |
Universidade Estadual Paulista (UNESP) |
| instacron_str |
UNESP |
| institution |
UNESP |
| reponame_str |
Repositório Institucional da UNESP |
| collection |
Repositório Institucional da UNESP |
| bitstream.url.fl_str_mv |
https://repositorio.unesp.br/bitstreams/e23ad771-6056-4554-ba91-cd1d4658ca95/download https://repositorio.unesp.br/bitstreams/ba94ff96-d912-4f80-b6b3-17e6b23653c4/download https://repositorio.unesp.br/bitstreams/9192a76f-5674-4439-a6ce-673afc61c8d3/download |
| bitstream.checksum.fl_str_mv |
8a52dd99c38d19e4aaf161ec9a42f5d1 4387873aefc254d604a1aad0f93f065d b5b5e96c1e8bf97471a5babf2639c66f |
| bitstream.checksumAlgorithm.fl_str_mv |
MD5 MD5 MD5 |
| repository.name.fl_str_mv |
Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP) |
| repository.mail.fl_str_mv |
repositoriounesp@unesp.br |
| _version_ |
1878344242810585088 |