O público e o privado em políticas de subvenção estatal: Programa Bolsa Creche e “Escuelas Autogestionadas”

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Oliveira, Jaqueline dos Santos [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/166394
Resumo: Esta pesquisa, financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (CAPES), analisa as configurações do público e do privado em políticas de subvenção estatal às instituições educacionais privadas no Brasil (Programa Bolsa Creche) e na Argentina (Projeto Escuelas Autogestionadas). O Programa Bolsa Creche se assenta no subsídio do Estado às instituições educacionais privadas com e sem fins lucrativos para o atendimento da educação infantil. No caso específico desta pesquisa, analisamos o programa do município paulista de Limeira, Lei Municipal n° 3.649 de 2003 e regulamentado pelo Decreto Municipal nº 318, de 18 de outubro de 2007, nele fica estabelecido um valor per capita mensal por aluno matriculado, repassado à instituição privada concessionária. A justificativa para o desenvolvimento do mesmo é a necessidade de atendimento à demanda na educação infantil, principalmente na creche. O projeto Escuelas Autogestionadas ou Escolas Experimentais foi instituído na Província argentina de San Luis pela Lei nº 4.914 de 1991 e regulamentado pelo Decreto Executivo nº 2.562 de 1999, consiste em um projeto de escolas geridas por associações civis (caracterizadas como organizações públicas não estatais), financiado pelo Estado por meio de um sistema de alocação por aluno. O argumento para a implementação do projeto é a necessidade de inovação (didática e pedagógica) e a melhoria da educação. Ambos os programas/ projetos apresentam características peculiares e comuns. Para compreendê-las, bem como as configurações do público e do privado nessas políticas, esta pesquisa se caracteriza como qualitativa, realizada por meio da revisão bibliográfica e pesquisa documental em fontes primárias (legislações, documentos e publicações oficiais e dados relativos aos programas/ projetos), além de coleta, sistematização e análise de dados oficiais dos dois países. Os resultados do estudo demonstraram que as legislações gerais e educacionais dos dois países tratam da questão da subvenção estatal às instituições privadas. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 e Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996 garantem a destinação de recursos públicos a instituições privadas comunitárias, filantrópicas e confessionais, ressalta-se, no entanto, a legislação brasileira não faz referência à destinação de recursos a instituições particulares em sentido estrito. Na Argentina, a Lei de Educação Nacional de 2006 garante a destinação de recursos públicos a instituições privadas para o pagamento de salário dos docentes. No que diz respeito às configurações do público e do privado, destaca-se que a distinção entre educação pública e privada na Constituição brasileira é pautada no tipo de estabelecimento/instituição, isto é, na propriedade e na LDB a diferença se dá a partir da propriedade, do financiamento e da gestão educacional. A Constituição argentina não fala em educação privada, mas faz referência à educação pública estatal e a Lei de Educação Nacional de 2006 estabelece que a educação seja um serviço público, assim toda educação é entendida como pública, sendo que a diferença seria o tipo de gestão: estatal, privada, cooperativa e social. Conclui-se que o público e o privado em educação assumem perspectivas diferentes nos dois países, assim como as políticas educacionais adotadas.
id UNSP_dff2d7d93f8ec0f384504f9732c3859e
oai_identifier_str oai:repositorio.unesp.br:11449/166394
network_acronym_str UNSP
network_name_str Repositório Institucional da UNESP
repository_id_str
spelling O público e o privado em políticas de subvenção estatal: Programa Bolsa Creche e “Escuelas Autogestionadas”The public and the private in state subsidy policies: Bolsa Creche Program and "Escuelas Autogestionadas"EducaçãoConfiguraçõesPúblicoPrivadoSubvençãoEducationSettingsPublicPrivateSubsidyEsta pesquisa, financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (CAPES), analisa as configurações do público e do privado em políticas de subvenção estatal às instituições educacionais privadas no Brasil (Programa Bolsa Creche) e na Argentina (Projeto Escuelas Autogestionadas). O Programa Bolsa Creche se assenta no subsídio do Estado às instituições educacionais privadas com e sem fins lucrativos para o atendimento da educação infantil. No caso específico desta pesquisa, analisamos o programa do município paulista de Limeira, Lei Municipal n° 3.649 de 2003 e regulamentado pelo Decreto Municipal nº 318, de 18 de outubro de 2007, nele fica estabelecido um valor per capita mensal por aluno matriculado, repassado à instituição privada concessionária. A justificativa para o desenvolvimento do mesmo é a necessidade de atendimento à demanda na educação infantil, principalmente na creche. O projeto Escuelas Autogestionadas ou Escolas Experimentais foi instituído na Província argentina de San Luis pela Lei nº 4.914 de 1991 e regulamentado pelo Decreto Executivo nº 2.562 de 1999, consiste em um projeto de escolas geridas por associações civis (caracterizadas como organizações públicas não estatais), financiado pelo Estado por meio de um sistema de alocação por aluno. O argumento para a implementação do projeto é a necessidade de inovação (didática e pedagógica) e a melhoria da educação. Ambos os programas/ projetos apresentam características peculiares e comuns. Para compreendê-las, bem como as configurações do público e do privado nessas políticas, esta pesquisa se caracteriza como qualitativa, realizada por meio da revisão bibliográfica e pesquisa documental em fontes primárias (legislações, documentos e publicações oficiais e dados relativos aos programas/ projetos), além de coleta, sistematização e análise de dados oficiais dos dois países. Os resultados do estudo demonstraram que as legislações gerais e educacionais dos dois países tratam da questão da subvenção estatal às instituições privadas. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 e Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996 garantem a destinação de recursos públicos a instituições privadas comunitárias, filantrópicas e confessionais, ressalta-se, no entanto, a legislação brasileira não faz referência à destinação de recursos a instituições particulares em sentido estrito. Na Argentina, a Lei de Educação Nacional de 2006 garante a destinação de recursos públicos a instituições privadas para o pagamento de salário dos docentes. No que diz respeito às configurações do público e do privado, destaca-se que a distinção entre educação pública e privada na Constituição brasileira é pautada no tipo de estabelecimento/instituição, isto é, na propriedade e na LDB a diferença se dá a partir da propriedade, do financiamento e da gestão educacional. A Constituição argentina não fala em educação privada, mas faz referência à educação pública estatal e a Lei de Educação Nacional de 2006 estabelece que a educação seja um serviço público, assim toda educação é entendida como pública, sendo que a diferença seria o tipo de gestão: estatal, privada, cooperativa e social. Conclui-se que o público e o privado em educação assumem perspectivas diferentes nos dois países, assim como as políticas educacionais adotadas.This research, funded by the Coordination for the Improvement of Higher Education (CAPES), analyzes public and private settings in state subsidy policies for private educational institutions in Brazil (Programa Bolsa Creche/ Day Care Scholarship Program) and in Argentina (Projeto Escuelas Autogestionadas/ Self-Managed Schools’ Project). The Bolsa Creche Program is based on state subsidies to private educational institutions, both profitable and non-profitable, for the provision of early childhood education. In the specific case of this research, we analyzed the program of the municipality of São Paulo in Limeira, Municipal Law No. 3,649 of 2003 and regulated by Municipal Decree No. 318, of October 18, 2007, in which a monthly per capita value is established per student enrolled, to the private concessionaire. The justification for its development is the need to meet the demand in early childhood education, especially in day care. The Projeto Escuelas Autogestionadas ou Escolas Experimentais (Self-managed Schools’ Project or Experimental Schools) was established in the Argentine Province of San Luis by the Law No. 4,914 of 1991 and regulated by Executive Decree No. 2,562 of 1999, consisting of schools’ project run by civil associations (characterized as non-state public organizations) financed by the State through an allocation system per student. The argument for project implementation is the need for innovation (didactic and pedagogical) and for the education improvement. Both programs / projects have peculiar and common characteristics. In order to understand them, as well as the public and private settings in these policies, this research is characterized as qualitative, carried out through bibliographic review and documentary research in primary sources (legislation, official documents and publications and data on programs/ projects), besides the gathering, systematization and analysis of official data of the two countries. The results of this study showed that general and educational laws of both countries address the issue of state subsidies to private institutions. In Brazil, the Federal Constitution of 1988 and the Law of Guidelines and Bases of Education (LDB) of 1996 guarantee the destination of public resources to private community, philanthropic and denominational institutions, it is pointed out, however, that Brazilian legislation does not refer to resources to private institutions in the strict sense. In Argentina, the National Education Law of 2006 guarantees the destination of public resources to private institutions for the payment of teachers' salaries. Regarding the public and private settings, it is important to note that the distinction between public and private education in the Brazilian Constitution is based on the type of establishment/ institution, that is, on property and in LDB the difference is from the ownership, financing and educational management. The Argentine Constitution does not speak of private education, but refers to state public education and the National Education Law of 2006 establish that education is a public service, so all education is understood as public, and the difference would be the type of management: state, private, cooperative and social. We conclude that the public and private in education assume different perspectives in both countries, as well as the educational policies adopted.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)Universidade Estadual Paulista (Unesp)Borghi, Raquel Fontes [UNESP]Universidade Estadual Paulista (Unesp)Oliveira, Jaqueline dos Santos [UNESP]2018-12-05T18:26:54Z2018-12-05T18:26:54Z2018-08-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/11449/16639400091068333004137064P268830755646002770000-0003-1486-7396porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UNESPinstname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)instacron:UNESP2024-10-23T18:37:50Zoai:repositorio.unesp.br:11449/166394Repositório InstitucionalPUBhttp://repositorio.unesp.br/oai/requestrepositoriounesp@unesp.bropendoar:29462024-10-23T18:37:50Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)false
dc.title.none.fl_str_mv O público e o privado em políticas de subvenção estatal: Programa Bolsa Creche e “Escuelas Autogestionadas”
The public and the private in state subsidy policies: Bolsa Creche Program and "Escuelas Autogestionadas"
title O público e o privado em políticas de subvenção estatal: Programa Bolsa Creche e “Escuelas Autogestionadas”
spellingShingle O público e o privado em políticas de subvenção estatal: Programa Bolsa Creche e “Escuelas Autogestionadas”
Oliveira, Jaqueline dos Santos [UNESP]
Educação
Configurações
Público
Privado
Subvenção
Education
Settings
Public
Private
Subsidy
title_short O público e o privado em políticas de subvenção estatal: Programa Bolsa Creche e “Escuelas Autogestionadas”
title_full O público e o privado em políticas de subvenção estatal: Programa Bolsa Creche e “Escuelas Autogestionadas”
title_fullStr O público e o privado em políticas de subvenção estatal: Programa Bolsa Creche e “Escuelas Autogestionadas”
title_full_unstemmed O público e o privado em políticas de subvenção estatal: Programa Bolsa Creche e “Escuelas Autogestionadas”
title_sort O público e o privado em políticas de subvenção estatal: Programa Bolsa Creche e “Escuelas Autogestionadas”
author Oliveira, Jaqueline dos Santos [UNESP]
author_facet Oliveira, Jaqueline dos Santos [UNESP]
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Borghi, Raquel Fontes [UNESP]
Universidade Estadual Paulista (Unesp)
dc.contributor.author.fl_str_mv Oliveira, Jaqueline dos Santos [UNESP]
dc.subject.por.fl_str_mv Educação
Configurações
Público
Privado
Subvenção
Education
Settings
Public
Private
Subsidy
topic Educação
Configurações
Público
Privado
Subvenção
Education
Settings
Public
Private
Subsidy
description Esta pesquisa, financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (CAPES), analisa as configurações do público e do privado em políticas de subvenção estatal às instituições educacionais privadas no Brasil (Programa Bolsa Creche) e na Argentina (Projeto Escuelas Autogestionadas). O Programa Bolsa Creche se assenta no subsídio do Estado às instituições educacionais privadas com e sem fins lucrativos para o atendimento da educação infantil. No caso específico desta pesquisa, analisamos o programa do município paulista de Limeira, Lei Municipal n° 3.649 de 2003 e regulamentado pelo Decreto Municipal nº 318, de 18 de outubro de 2007, nele fica estabelecido um valor per capita mensal por aluno matriculado, repassado à instituição privada concessionária. A justificativa para o desenvolvimento do mesmo é a necessidade de atendimento à demanda na educação infantil, principalmente na creche. O projeto Escuelas Autogestionadas ou Escolas Experimentais foi instituído na Província argentina de San Luis pela Lei nº 4.914 de 1991 e regulamentado pelo Decreto Executivo nº 2.562 de 1999, consiste em um projeto de escolas geridas por associações civis (caracterizadas como organizações públicas não estatais), financiado pelo Estado por meio de um sistema de alocação por aluno. O argumento para a implementação do projeto é a necessidade de inovação (didática e pedagógica) e a melhoria da educação. Ambos os programas/ projetos apresentam características peculiares e comuns. Para compreendê-las, bem como as configurações do público e do privado nessas políticas, esta pesquisa se caracteriza como qualitativa, realizada por meio da revisão bibliográfica e pesquisa documental em fontes primárias (legislações, documentos e publicações oficiais e dados relativos aos programas/ projetos), além de coleta, sistematização e análise de dados oficiais dos dois países. Os resultados do estudo demonstraram que as legislações gerais e educacionais dos dois países tratam da questão da subvenção estatal às instituições privadas. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 e Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996 garantem a destinação de recursos públicos a instituições privadas comunitárias, filantrópicas e confessionais, ressalta-se, no entanto, a legislação brasileira não faz referência à destinação de recursos a instituições particulares em sentido estrito. Na Argentina, a Lei de Educação Nacional de 2006 garante a destinação de recursos públicos a instituições privadas para o pagamento de salário dos docentes. No que diz respeito às configurações do público e do privado, destaca-se que a distinção entre educação pública e privada na Constituição brasileira é pautada no tipo de estabelecimento/instituição, isto é, na propriedade e na LDB a diferença se dá a partir da propriedade, do financiamento e da gestão educacional. A Constituição argentina não fala em educação privada, mas faz referência à educação pública estatal e a Lei de Educação Nacional de 2006 estabelece que a educação seja um serviço público, assim toda educação é entendida como pública, sendo que a diferença seria o tipo de gestão: estatal, privada, cooperativa e social. Conclui-se que o público e o privado em educação assumem perspectivas diferentes nos dois países, assim como as políticas educacionais adotadas.
publishDate 2018
dc.date.none.fl_str_mv 2018-12-05T18:26:54Z
2018-12-05T18:26:54Z
2018-08-01
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/doctoralThesis
format doctoralThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv http://hdl.handle.net/11449/166394
000910683
33004137064P2
6883075564600277
0000-0003-1486-7396
url http://hdl.handle.net/11449/166394
identifier_str_mv 000910683
33004137064P2
6883075564600277
0000-0003-1486-7396
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.rights.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/openAccess
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.publisher.none.fl_str_mv Universidade Estadual Paulista (Unesp)
publisher.none.fl_str_mv Universidade Estadual Paulista (Unesp)
dc.source.none.fl_str_mv reponame:Repositório Institucional da UNESP
instname:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
instacron:UNESP
instname_str Universidade Estadual Paulista (UNESP)
instacron_str UNESP
institution UNESP
reponame_str Repositório Institucional da UNESP
collection Repositório Institucional da UNESP
repository.name.fl_str_mv Repositório Institucional da UNESP - Universidade Estadual Paulista (UNESP)
repository.mail.fl_str_mv repositoriounesp@unesp.br
_version_ 1854954664618885120