Liberdade de imprensa no Brasil : entre o livre mercado de ideias e o livre desenvolvimento da personalidade
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/301389 |
Resumo: | A partir da comparação jurídica entre os aspectos normativos formais e as jurisprudências da Suprema Corte dos Estados Unidos da América, do Tribunal Constitucional Federal da Alemanha e do Supremo Tribunal Federal, esta dissertação de mestrado busca investigar a interlocução entre esses sistemas de direito na conformação da liberdade de imprensa no Brasil. O objetivo principal da pesquisa é esclarecer qual o âmbito de proteção da liberdade de imprensa no Brasil e quem são os titulares deste direito fundamental. Como objetivo secundário, pretende verificar em que medida a elevação da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão à categoria de sobredireito pelo Supremo Tribunal Federal é conciliada com a proteção constitucional dos direitos fundamentais que decorrem do livre desenvolvimento da personalidade, especialmente os relacionados à proteção da esfera privada dos indivíduos. Analisa a evolução histórica do direito à liberdade de imprensa desde sua concepção como um direito individual de defesa do indivíduo em face do Estado no surgimento do Estado constitucional democrático nos Estados Unidos do século XVIII, até a mudança de paradigma introduzida pela propagação do princípio da dignidade da pessoa humana a partir do constitucionalismo alemão do Pós-guerra. Situa os fundamentos da concepção da liberdade de imprensa sob a ótica do livre mercado de ideias norte-americano e sua recepção pelo sistema jurídico-constitucional brasileiro ainda na primeira fase do constitucionalismo pátrio, formatado pela concepção liberal clássica de Estado e pela tradição jurídica europeia recebida de Portugal. Observa a inserção da liberdade de imprensa nas sucessivas Constituições do Brasil até sua consolidação na Constituição de 1988, indagando sua confluência com os direitos de personalidade recepcionados do sistema constitucional alemão. Conclui que a jurisprudência brasileira adota o modelo alemão de interpretação constitucional reconhecendo a existência de uma dupla dimensão – subjetiva e objetiva – no direito fundamental à liberdade de imprensa. Embora do ponto de vista normativo formal tenha recepcionado a tradição liberal clássica norte americana de liberdade de imprensa enquanto direito de defesa do indivíduo frente ao Estado, o Brasil adere simultaneamente à influência alemã ao reconhecer formalmente na ordem constitucional direitos de proteção da personalidade que entram em conflito com a liberdade de imprensa. Diferentemente dos Estados Unidos, em que a jurisprudência da Suprema Corte insere a liberdade de imprensa no amplo rol abarcado pela liberdade de expressão, o Brasil se alinha à concepção alemã, reconhecendo que a liberdade de imprensa é um direito específico situado nos direitos de liberdades, distinguindo-a da liberdade de expressão pela delimitação de um âmbito próprio de proteção. Os titulares do direito fundamental à liberdade de imprensa no Brasil são os jornalistas que atuam no exercício profissional do jornalismo e as instituições de comunicação social formalmente estabelecidas conforme pressupostos constitucionais. |
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Como objetivo secundário, pretende verificar em que medida a elevação da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão à categoria de sobredireito pelo Supremo Tribunal Federal é conciliada com a proteção constitucional dos direitos fundamentais que decorrem do livre desenvolvimento da personalidade, especialmente os relacionados à proteção da esfera privada dos indivíduos. Analisa a evolução histórica do direito à liberdade de imprensa desde sua concepção como um direito individual de defesa do indivíduo em face do Estado no surgimento do Estado constitucional democrático nos Estados Unidos do século XVIII, até a mudança de paradigma introduzida pela propagação do princípio da dignidade da pessoa humana a partir do constitucionalismo alemão do Pós-guerra. 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Embora do ponto de vista normativo formal tenha recepcionado a tradição liberal clássica norte americana de liberdade de imprensa enquanto direito de defesa do indivíduo frente ao Estado, o Brasil adere simultaneamente à influência alemã ao reconhecer formalmente na ordem constitucional direitos de proteção da personalidade que entram em conflito com a liberdade de imprensa. Diferentemente dos Estados Unidos, em que a jurisprudência da Suprema Corte insere a liberdade de imprensa no amplo rol abarcado pela liberdade de expressão, o Brasil se alinha à concepção alemã, reconhecendo que a liberdade de imprensa é um direito específico situado nos direitos de liberdades, distinguindo-a da liberdade de expressão pela delimitação de um âmbito próprio de proteção. Os titulares do direito fundamental à liberdade de imprensa no Brasil são os jornalistas que atuam no exercício profissional do jornalismo e as instituições de comunicação social formalmente estabelecidas conforme pressupostos constitucionais.Based on comparative law between the formal normative aspects and the jurisprudence of the Supreme Court of the Unites States of America, the Federal Constitutional Court of Germany, and the Brazilian Supreme Federal Court, this master’s dissertation seeks to investigate the dialogue among these legal systems in shaping freedom of the press in Brazil. The main objective of the research is to clarify the scope of protection of freedom of the press in Brazil and to identify the holders of this fundamental right. As a secondary objective, it aims to verify to what extent the elevation of freedom of the press and freedom of expression to the category of “super-rights” by the Brazilian Supreme Federal Court is reconciled with the constitutional protection of fundamental rights derived from the free development of personality, especially those related to the protection of individuals’ private spheres. The study analyzes the historical evolution of the right to press freedom, from its conception as an individual right to defend oneself against the State during the emergence of the democratic constitutional State in the United States in the 18th century, to the paradigm shift introduced by the spread of the principle of human dignity stemming from post-war German constitutionalism. It situates the foundations of the concept of press freedom under the perspective of the North American “market in ideas” and its reception by the Brazilian legal-constitutional system during the first phase of Brazilian constitutionalism—framed by the classical liberal conception of the State and the European legal tradition inherited from Portugal. The dissertation examines the inclusion of press freedom in Brazil’s successive Constitutions up to its consolidation in the 1988 Constitution, questioning its convergence with the personality rights incorporated from the German constitutional system. It concludes that Brazilian jurisprudence adopts the German model of constitutional interpretation, recognizing the existence of a dual dimension—subjective and objective—in the fundamental right to freedom of the press. Although, from a formal normative perspective, Brazil has received the North American classical liberal tradition of press freedom as a defensive right of the individual against the State, it simultaneously adheres to the German influence by formally recognizing, within its constitutional order, personality protection rights that may conflict with press freedom. Unlike the United States, where the Supreme Court jurisprudence encompasses freedom of the press within the broader framework of freedom of expression, Brazil aligns with the German conception by recognizing press freedom as a specific right situated within the category of liberty rights, distinguishing it from freedom of expression through the delimitation of its own scope of protection. 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