Análise econômica das terapias compressivas bandagem de alta compressão e bota de Unna no tratamento de úlceras venosas em usuários da atenção primária à saúde

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Fuhrmann, Ana Cláudia
Orientador(a): Paskulin, Lisiane Manganelli Girardi
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/296417
Resumo: Introdução: A terapia compressiva (TC) é o tratamento mais indicado para úlcera venosa (UV), mas não é uma prática sistematizada na Atenção Primária à Saúde (APS) e não há evidências suficientes sobre qual TC apresenta melhor relação custo-efetividade. Estudos de avaliação econômica (AE) de TCs podem contribuir no direcionamento de políticas públicas, na tomada de decisão quanto à alocação de recursos, na assistência prestada por enfermeiros, e na melhora da qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) dos indivíduos portadores de UV. Objetivos: Realizar revisão sistemática (RS) sobre estudos de AE de TCs para o tratamento de UV; Avaliar as razões custo-efetividade e custo-utilidade incremental (RCEI, RCUI) das TCs bandagem de alta compressão (BAC) e bota de Unna (BU) para UV na APS, na perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS) em um horizonte temporal de 26 semanas; avaliar o efeito desses tratamentos na QVRS dos participantes. Métodos: A elaboração da tese envolveu duas etapas: RS e estudo de AE. A RS foi conduzida em oito bases de dados, a seleção dos estudos foi realizada por dois revisores, com avaliação da qualidade metodológica e da AE. A AE, com dados de um ensaio clínico randomizado (ECR), com usuários de 22 unidades de saúde de Porto Alegre/RS com UV, desenvolvido entre 2020 e 2023. 52 UVs foram randomizadas para tratamento com BAC e 49 com BU. Enfermeiras aplicaram a TC semanalmente até a cicatrização da UV ou, no máximo, 26 semanas, contabilizando os recursos utilizados. Avaliadores cegos às TCs mensuraram a planimetria das UVs no 1o dia e quinzenalmente, e aplicaram o questionário Short-Form 6 Dimension (SF-6D) na primeira e na última avaliação. Realizou-se análise descritiva e de sensibilidade probabilística. Resultados: A RS incluiu 16 estudos, desenvolvidos predominantemente no Reino Unido, com bandagem de quatro camadas. Apenas um estudo foi avaliado com baixo risco de viés e dois com mais de 75% dos itens na AE. Na AE, houve maior prevalência de homens, caucasianos com média de idade 64,6 (±12), baixa escolaridade e renda e alto índice de massa muscular. O grupo BAC teve custo médio de R$ 1.118,74/UV, redução média de 64,82% da área da UV e quality-adjusted life year (QALY) médio de 0,187, enquanto o grupo BU incorreu em R$ 1.078,74/UV, redução média de 27,56% e QALY médio de 0,164. A RCEI foi de 1,07 e a RCUI foi de 1.739,13. Quanto ao índice SF-6D, o grupo BAC teve aumento médio de 0,093 (±0,090) e tamanho do efeito 0,9, enquanto o grupo BU teve aumento médio de 0,060 (±0,100) e tamanho do efeito 0,8. Os participantes com UV cicatrizada tiveram um aumento de 0,109 (±0,084) no grupo BAC (tamanho do efeito= 1,1) e 0,113 (±0,115) no grupo BU (tamanho do efeito= 1,2). Aqueles com melhora da UV tiveram aumento médio de 0,072 (±0,114) no grupo BAC (tamanho do efeito= 0,6) e 0,073 (±0,065) no grupo BU (tamanho do efeito= 1,2). Aqueles com piora da UV tiveram um aumento de 0,024 (±0,042) no grupo BAC (tamanho do efeito= 0,9), enquanto uma diminuição de 0,038 (±0,038) no grupo BU (tamanho do efeito= 0,7). No início do estudo, todos os participantes relataram problemas com sua QVRS, enquanto no final do estudo diminuiu para 78,1% no grupo BAC e 95,8% no grupo BU. A dor afetou 93,7% (grupo BAC) e 95,8% (grupo BU) dos participantes no início do estudo e 50% (grupo BAC) e 62,5% (grupo BU) no final. Conclusão: A RS identificou baixa qualidade dos estudos, sendo necessário estudos de AE com outras TC, em diversos contextos, com rigor e transparência nos relatórios. A AE identificou melhor relação custo-efetividade da BAC, com um adicional de R$ 1,07 para cada percentual de redução na área da UV ou R$ 1.739,13 por QALY ganho. Ambos os tratamentos tiveram impacto positivo comparável na QVRS dos participantes, com melhorias que atingiram a diferença minimamente importante e um grande tamanho de efeito. Inicialmente, a dor foi o domínio mais afetado, mas melhorou nos participantes com UV cicatrizadas ou melhoradas com ambos os tratamentos. Os resultados deste estudo têm potencial de informar políticas baseadas em evidências e práticas de saúde, beneficiando os pacientes acometidos por UV, os profissionais que prestam cuidados de saúde e todo o sistema de saúde no Brasil.
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spelling Fuhrmann, Ana CláudiaPaskulin, Lisiane Manganelli Girardi2025-09-09T06:56:41Z2023http://hdl.handle.net/10183/296417001196721Introdução: A terapia compressiva (TC) é o tratamento mais indicado para úlcera venosa (UV), mas não é uma prática sistematizada na Atenção Primária à Saúde (APS) e não há evidências suficientes sobre qual TC apresenta melhor relação custo-efetividade. Estudos de avaliação econômica (AE) de TCs podem contribuir no direcionamento de políticas públicas, na tomada de decisão quanto à alocação de recursos, na assistência prestada por enfermeiros, e na melhora da qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) dos indivíduos portadores de UV. Objetivos: Realizar revisão sistemática (RS) sobre estudos de AE de TCs para o tratamento de UV; Avaliar as razões custo-efetividade e custo-utilidade incremental (RCEI, RCUI) das TCs bandagem de alta compressão (BAC) e bota de Unna (BU) para UV na APS, na perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS) em um horizonte temporal de 26 semanas; avaliar o efeito desses tratamentos na QVRS dos participantes. Métodos: A elaboração da tese envolveu duas etapas: RS e estudo de AE. A RS foi conduzida em oito bases de dados, a seleção dos estudos foi realizada por dois revisores, com avaliação da qualidade metodológica e da AE. A AE, com dados de um ensaio clínico randomizado (ECR), com usuários de 22 unidades de saúde de Porto Alegre/RS com UV, desenvolvido entre 2020 e 2023. 52 UVs foram randomizadas para tratamento com BAC e 49 com BU. Enfermeiras aplicaram a TC semanalmente até a cicatrização da UV ou, no máximo, 26 semanas, contabilizando os recursos utilizados. Avaliadores cegos às TCs mensuraram a planimetria das UVs no 1o dia e quinzenalmente, e aplicaram o questionário Short-Form 6 Dimension (SF-6D) na primeira e na última avaliação. Realizou-se análise descritiva e de sensibilidade probabilística. Resultados: A RS incluiu 16 estudos, desenvolvidos predominantemente no Reino Unido, com bandagem de quatro camadas. Apenas um estudo foi avaliado com baixo risco de viés e dois com mais de 75% dos itens na AE. Na AE, houve maior prevalência de homens, caucasianos com média de idade 64,6 (±12), baixa escolaridade e renda e alto índice de massa muscular. O grupo BAC teve custo médio de R$ 1.118,74/UV, redução média de 64,82% da área da UV e quality-adjusted life year (QALY) médio de 0,187, enquanto o grupo BU incorreu em R$ 1.078,74/UV, redução média de 27,56% e QALY médio de 0,164. A RCEI foi de 1,07 e a RCUI foi de 1.739,13. Quanto ao índice SF-6D, o grupo BAC teve aumento médio de 0,093 (±0,090) e tamanho do efeito 0,9, enquanto o grupo BU teve aumento médio de 0,060 (±0,100) e tamanho do efeito 0,8. Os participantes com UV cicatrizada tiveram um aumento de 0,109 (±0,084) no grupo BAC (tamanho do efeito= 1,1) e 0,113 (±0,115) no grupo BU (tamanho do efeito= 1,2). Aqueles com melhora da UV tiveram aumento médio de 0,072 (±0,114) no grupo BAC (tamanho do efeito= 0,6) e 0,073 (±0,065) no grupo BU (tamanho do efeito= 1,2). Aqueles com piora da UV tiveram um aumento de 0,024 (±0,042) no grupo BAC (tamanho do efeito= 0,9), enquanto uma diminuição de 0,038 (±0,038) no grupo BU (tamanho do efeito= 0,7). No início do estudo, todos os participantes relataram problemas com sua QVRS, enquanto no final do estudo diminuiu para 78,1% no grupo BAC e 95,8% no grupo BU. A dor afetou 93,7% (grupo BAC) e 95,8% (grupo BU) dos participantes no início do estudo e 50% (grupo BAC) e 62,5% (grupo BU) no final. Conclusão: A RS identificou baixa qualidade dos estudos, sendo necessário estudos de AE com outras TC, em diversos contextos, com rigor e transparência nos relatórios. A AE identificou melhor relação custo-efetividade da BAC, com um adicional de R$ 1,07 para cada percentual de redução na área da UV ou R$ 1.739,13 por QALY ganho. Ambos os tratamentos tiveram impacto positivo comparável na QVRS dos participantes, com melhorias que atingiram a diferença minimamente importante e um grande tamanho de efeito. Inicialmente, a dor foi o domínio mais afetado, mas melhorou nos participantes com UV cicatrizadas ou melhoradas com ambos os tratamentos. Os resultados deste estudo têm potencial de informar políticas baseadas em evidências e práticas de saúde, beneficiando os pacientes acometidos por UV, os profissionais que prestam cuidados de saúde e todo o sistema de saúde no Brasil.Introduction: Compression therapy (CT) is the most recommended treatment for venous ulcers (VU), but it is not a systematized practice in Primary Health Care (PHC) and there is insufficient evidence about which CT presents the best cost-effectiveness ratio. Economic evaluation (EE) studies of CTs can contribute to directing policies, decision-making regarding resource allocation, assistance provided by nurses, and improving the health-related quality of life (HRQOL) of individuals with VU. Aims: To conduct a systematic review (SR) on EE studies of CTs for the treatment of VU; To assess the incremental cost-effectiveness and incremental cost-utility ratios (ICER, ICUR) of high compression bandage (HCB) and Unna’s boot (UB) for VU in PHC, from the perspective of the Unified Health System (SUS) in a 26-weeks time horizon; To assess the effect of these treatments on participants’ HRQOL. Methods: The preparation of the dissertation involved two stages: a SR and an EE study. The SR was conducted in eight databases, the selection of studies was carried out by two reviewers, with assessment of methodological quality and EE. The EE, with data from a randomized clinical trial (RCT), with users of 22 facilities in Porto Alegre/RS with VU, conducted between 2020 and 2023. 52 UVs were randomized to treatment with HCB and 49 with UB. Nurses applied CT weekly until the VU healed or until 26 weeks, accounting for the resources used. Examiners masked to CT measured VU planimetry on the 1st day and every two weeks and applied the Short-Form 6 Dimension (SF-6D) questionnaire on the first and last assessment. A descriptive and probabilistic sensitivity analysis was carried out. Results: The SR included 16 studies, carried out predominantly in the United Kingdom, using four-layer bandages. Only one study was assessed with low risk of bias and two with more than 75% in EE. In EE, there was a higher prevalence of men, Caucasians with a mean age of 64.6 (±12), low education and income and high muscle mass index. The HCB group had an average cost of R$ 1,118.74 per VU, an average reduction of 64.82% of the VU area and an average quality-adjusted life year (QALY) of 0.187, while the UB group incurred R$ 1,078 .74, average reduction of 27.56% and average QALY of 0.164. The ICER was 1.07 and the ICUR was 1,739.13. Regarding the SF-6D index, the HCB group had an average increase of 0.093 (±0.090) and an effect size of 0.9, while the UB group had an average increase of 0.060 (±0.100) and an effect size of 0.8. Participants with healed VU had an increase of 0.109 (±0.084) in the HCB group (effect size= 1.1) and 0.113 (±0.115) in the UB group (effect size= 1.2). Those with improved VU had a mean increase of 0.072 (±0.114) in the HCB group (effect size= 0.6) and 0.073 (±0.065) in the UB group (effect size= 1.2). Those with worsening VU had an increase of 0.024 (±0.042) in the HCB group (effect size= 0.9), while a decrease of 0.038 (±0.038) in the UB group (effect size= 0.7). At the beginning of the study, all participants reported problems with their HRQOL, while at the end of the study it decreased to 78.1% in the HCB group and 95.8% in the UB group. Pain affected 93.7% (HCB group) and 95.8% (UB group) of participants at the beginning of the study and 50% (HCB group) and 62.5% (UB group) at the end. Conclusion: The SR identified low quality of studies, requiring EE studies with other CT, in different contexts, with rigor and transparency in reports. The EE identified a better cost-effectiveness ratio for HCB, with an additional R$1.07 for each percentage reduction in the VU area or R$ 1,739.13 per QALY gained. Both treatments had a comparable positive impact on participants' HRQOL, with improvements reaching a minimally important difference and a large effect size. Initially, pain was the most affected domain, but it improved in participants with VU healed or improved with both treatments. The results of this study have the potential to inform evidence-based policies and health practices, benefiting patients affected by VU, professionals who provide health care and the entire health system in Brazil.application/pdfporÚlcera varicosaQualidade de vidaAtenção primária à saúdeAnálise de custo-benefícioVaricose ulcerQuality of lifePrimary health careCost-benefit analysisAnálise econômica das terapias compressivas bandagem de alta compressão e bota de Unna no tratamento de úlceras venosas em usuários da atenção primária à saúdeEconomic analysis of high compression bandage therapies compression and Unna boot in the treatment of venous ulcers in users of primary health care info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulEscola de EnfermagemPrograma de Pós-Graduação em EnfermagemPorto Alegre, BR-RS2023doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001196721.pdf.txt001196721.pdf.txtExtracted Texttext/plain181344http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/296417/2/001196721.pdf.txtb6de430e3f80b9159e843f974f405950MD52ORIGINAL001196721.pdfTexto parcialapplication/pdf4513097http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/296417/1/001196721.pdf98d9349b0e64971dbac3b1ffbdc6fccfMD5110183/2964172025-09-10 07:57:06.077125oai:www.lume.ufrgs.br:10183/296417Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-09-10T10:57:06Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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