Fatores associados à presença de agentes infecciosos na cultura sanguínea de pacientes internados em UTI pediátrica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Vicenzi, Vanessa
Orientador(a): Piva, Jefferson Pedro
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/302224
Resumo: Introdução: As infecções de corrente sanguínea (ICS) são uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes pediátricos internados em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP). Essas infecções estão frequentemente associadas ao uso de dispositivos invasivos, como cateteres venosos centrais, amplamente utilizados no manejo de crianças gravemente enfermas. A diversidade clínica nas UTIPs é notável, refletindo as diferentes patologias predominantes em cada faixa etária, desde lactentes prematuros até pacientes pediátricos com condições crônicas complexas. A maior sobrevida desses pacientes vulneráveis, especialmente aqueles que dependem de tecnologias de suporte à vida e hospitalizações prolongadas, aumenta significativamente o risco de exposição a fatores associados a infecções nosocomiais, incluindo ICS. Objetivos: Neste estudo, buscamos identificar os fatores de risco usuais para ICS, perfis de CCC e agentes etiológicos nesta série de casos, com o objetivo de avaliar os fatores associados à presença de agentes infecciosos na cultura sanguínea e sua associação com desfechos desfavoráveis nos pacientes internados em UTI pediátrica. Métodos: Este estudo retrospectivo foi realizado na unidade de tratamento intensivo pediátrico de um hospital universitário terciário, analisando dados de 422 hemoculturas positivas ao longo de três anos. Os registros clínicos foram revisados para obtenção de dados demográficos e microbiológicos. Fatores de risco como condições subjacentes, dispositivos invasivos e internação na UTIP foram avaliados. Regressão logística foi utilizada para medir a associação entre a etiologia da ICS e a mortalidade. Resultados: Bactérias Gram-negativas foram observadas em 43,2% dos casos, seguidas por bactérias Grampositivas (41,2%) e fungos (15,5%). Dos casos gram-negativos, 27,8% eram resistentes aos carbapenêmicos e 29,5% eram multirresistentes. No grupo gram-positivo, 14,8% eram Staphylococcus coagulase-negativos, 13,5% eram Staphylococcus aureus e 40% destes eram resistentes à meticilina. Entre os fungos, 65% eram espécies de Candida não albicans (com um caso de resistência ao fluconazol). As crianças com ICS gram-negativas eram mais velhas (idade mediana de 85,5 meses) e apresentavam maior prevalência de doenças oncohematológicas. Cateteres venosos centrais apresentaram alto risco de infecção fúngica (OR=9,0). A taxa de mortalidade global foi de 24,3%, sendo as infecções gram-negativas responsáveis por 61% das mortes. O uso de drogas vasoativas aumentou o risco de morte em aproximadamente três vezes (RR 3,3). Conclusões: Neste grupo pacientes admitidos em UTI pediátrica por sepse, em sua maioria portadores de condição complexa crônica, com presença de bactérias ou fungos na corrente sanguínea observa-se elevada mortalidade (24%). A maior morbimortalidade não se associa de forma independente ao agente infeccioso, mas às condições subjacentes graves (por exemplo, doenças oncohematológicas) e ao uso de cateteres venosos centrais predispondo os pacientes a agentes oportunistas de ICS, como bactérias gramnegativas e fungos.
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spelling Vicenzi, VanessaPiva, Jefferson Pedro2026-03-11T07:53:04Z2024http://hdl.handle.net/10183/302224001302142Introdução: As infecções de corrente sanguínea (ICS) são uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes pediátricos internados em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP). Essas infecções estão frequentemente associadas ao uso de dispositivos invasivos, como cateteres venosos centrais, amplamente utilizados no manejo de crianças gravemente enfermas. A diversidade clínica nas UTIPs é notável, refletindo as diferentes patologias predominantes em cada faixa etária, desde lactentes prematuros até pacientes pediátricos com condições crônicas complexas. A maior sobrevida desses pacientes vulneráveis, especialmente aqueles que dependem de tecnologias de suporte à vida e hospitalizações prolongadas, aumenta significativamente o risco de exposição a fatores associados a infecções nosocomiais, incluindo ICS. Objetivos: Neste estudo, buscamos identificar os fatores de risco usuais para ICS, perfis de CCC e agentes etiológicos nesta série de casos, com o objetivo de avaliar os fatores associados à presença de agentes infecciosos na cultura sanguínea e sua associação com desfechos desfavoráveis nos pacientes internados em UTI pediátrica. Métodos: Este estudo retrospectivo foi realizado na unidade de tratamento intensivo pediátrico de um hospital universitário terciário, analisando dados de 422 hemoculturas positivas ao longo de três anos. Os registros clínicos foram revisados para obtenção de dados demográficos e microbiológicos. Fatores de risco como condições subjacentes, dispositivos invasivos e internação na UTIP foram avaliados. Regressão logística foi utilizada para medir a associação entre a etiologia da ICS e a mortalidade. Resultados: Bactérias Gram-negativas foram observadas em 43,2% dos casos, seguidas por bactérias Grampositivas (41,2%) e fungos (15,5%). Dos casos gram-negativos, 27,8% eram resistentes aos carbapenêmicos e 29,5% eram multirresistentes. No grupo gram-positivo, 14,8% eram Staphylococcus coagulase-negativos, 13,5% eram Staphylococcus aureus e 40% destes eram resistentes à meticilina. Entre os fungos, 65% eram espécies de Candida não albicans (com um caso de resistência ao fluconazol). As crianças com ICS gram-negativas eram mais velhas (idade mediana de 85,5 meses) e apresentavam maior prevalência de doenças oncohematológicas. Cateteres venosos centrais apresentaram alto risco de infecção fúngica (OR=9,0). A taxa de mortalidade global foi de 24,3%, sendo as infecções gram-negativas responsáveis por 61% das mortes. O uso de drogas vasoativas aumentou o risco de morte em aproximadamente três vezes (RR 3,3). Conclusões: Neste grupo pacientes admitidos em UTI pediátrica por sepse, em sua maioria portadores de condição complexa crônica, com presença de bactérias ou fungos na corrente sanguínea observa-se elevada mortalidade (24%). A maior morbimortalidade não se associa de forma independente ao agente infeccioso, mas às condições subjacentes graves (por exemplo, doenças oncohematológicas) e ao uso de cateteres venosos centrais predispondo os pacientes a agentes oportunistas de ICS, como bactérias gramnegativas e fungos.Introduction: Bloodstream infections (BSIs) are one of the leading causes of morbidity and mortality in pediatric patients admitted to Pediatric Intensive Care Units (PICUs). These infections are often associated with the use of invasive devices, such as central venous catheters, which are widely used in the management of critically ill children. The clinical diversity in PICUs is notable, reflecting the different predominant pathologies in each age group, ranging from premature infants to pediatric patients with complex chronic conditions. The increased survival of these vulnerable patients, particularly those who depend on life support technologies and prolonged hospitalizations, significantly increases the risk of exposure to factors associated with nosocomial infections, including BSIs. Objectives: This study aimed to identify common risk factors for BSIs, CCC profiles, and etiological agents in this case series, with the objective of evaluating the factors associated with infectious agents in blood cultures and their relationship to unfavorable outcomes in PICU patients. Methods: This retrospective study was conducted in the pediatric intensive care unit of a tertiary university hospital, analyzing data from 422 positive blood cultures over three years. Clinical records were reviewed to collect demographic and microbiological data. Risk factors such as underlying conditions, invasive devices, and PICU admission were assessed. Logistic regression was used to measure the association between BSI etiology and mortality. Results: Gram-negative bacteria were observed in 43.2% of cases, followed by Gram-positive bacteria (41.2%) and fungi (15.5%). Among Gram-negative cases, 27.8% were carbapenem-resistant and 29.5% were multidrug-resistant. In the Gram-positive group, 14.8% were coagulasenegative Staphylococcus, 13.5% were Staphylococcus aureus, and 40% of these were methicillin-resistant. Among fungi, 65% were non-albicans Candida species (with one fluconazole-resistant case). Children with Gram-negative BSIs were older (median age of 85.5 months) and had a higher prevalence of oncohematological diseases. Central venous catheters presented a high risk for fungal infection (OR=9.0). The overall mortality rate was 24.3%, with Gram-negative infections accounting for 61% of deaths. The use of vasoactive drugs increased the risk of death by approximately threefold (RR 3.3). Conclusions: In this group of PICU patients, mostly with complex chronic conditions, bloodstream infections with bacteria or fungi were associated with high mortality (24%). The increased morbidity and mortality were not independently linked to the infectious agent but rather to severe underlying conditions (e.g., oncohematological diseases) and the use of central venous catheters, predisposing patients to opportunistic BSI agents such as Gram-negative bacteria and fungi.application/pdfporSepseHemoculturaUnidades de terapia intensiva pediátricaComorbidadeMortalidadeFatores de riscoPediatric intensive care unitsBlood cultureAssociated comorbiditiesRisk factorsMortalityFatores associados à presença de agentes infecciosos na cultura sanguínea de pacientes internados em UTI pediátricainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de MedicinaPrograma de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do AdolescentePorto Alegre, BR-RS2024mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001302142.pdf.txt001302142.pdf.txtExtracted Texttext/plain81668http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302224/2/001302142.pdf.txta186406026d2c5850cc595b3decce24dMD52ORIGINAL001302142.pdfTexto completoapplication/pdf1298137http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302224/1/001302142.pdfafc0c5f61c0fb623e1e1f65980cc83d7MD5110183/3022242026-03-12 08:01:53.062172oai:www.lume.ufrgs.br:10183/302224Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532026-03-12T11:01:53Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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