Uma infância na experiência, e uma experiência com as infâncias : cartografias clínicas do ofício docente na educação básica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Fernandes, Lívia Ricardo
Orientador(a): Amador, Fernanda Spanier
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/298106
Resumo: Esta dissertação se ocupa de uma singular análise clínica do ofício docente ao nível de educação básica, através da mobilização de conceitos do arcabouço teórico-metodológico da Clínica da Atividade de Yves Clot (2007); da Esquizoanálise de Deleuze e Guattari, e de elementos da Filosofia Afroperspectivada, sobretudo ancorada na infância como categoria política, filosófica e ontológica, formulada por Renato Noguera (2019). Posiciona-se as questões a partir da compreensão de que, ao trabalhar na educação de crianças, o corpo adulto-trabalhador é lançado a trajetos afetivos singulares de interesse ao campo clínico do trabalho. A colocação do problema desta pesquisa parte das premissas de Clot (2007) ao tomar o trabalho como experiência, e se localiza através de platôs, organizados a partir do seguinte desdobramento: tem-se as infâncias enquanto objeto e conteúdo do trabalho docente; tem-se a infância do próprio adulto-trabalhador (re)atualizada na cena laboral com as crianças; e ainda, aposta-se em (uma) infância na experiência do trabalho como atividade, sobretudo a partir de um gesto estético proximal a um gesto lúdico de reinvenção, do qual transversaliza o fazer do adulto, afirmando expressões que fazem do trabalho um acontecimento perpassado por um devir-criança. Na filosofia afroperspectivada, compreende-se infância enquanto uma dimensão aquém da cronologia, sendo por sua vez, política de potência, memória e ancestralidade, sensação de ineditismo, imanência, diferença e criação (Noguera, 2019). Considera-se que a atividade, conceito-chave do empreendimento clínico do qual se parte, diz do gerenciamento entre aquilo que é prescrito e o que é real, visando pela criação de novas normas no trabalho. Esse agir transborda para a esfera existencial do sujeito, adquirindo primorosa função psíquica autopoiética. Nesse sentido, entende-se a saúde ancorada na expansão do poder de agir do corpo que trabalha, lançando-o a produções criativas e de estilizações singulares que transformam a história coletiva de um ofício (Clot, 2007). Por essa via, pensa-se em certo território de vizinhança por entre atividade e infância, sobretudo através do signo da criação e dos gestos inéditos, estilísticos, intensivos e virtuais que perpassam ambas. Forma-se a hipótese de que há um infantil na atividade, e essa força pode fazer frente a uma adultidade de ofício, através do movimento de expansão e (re)criação da ação. Caracterizando-se por uma pesquisa-intervenção de orientação cartográfica, o estudo acompanhou dois grupos de seis professoras da educação básica de uma escola pública, autodenominados como “As Educadoras” e “As Acolhedoras de Sonhos”. A escuta deu-se a partir do dispositivo clínico “Oficina de Narrativas de Experiências Docentes e Infância: diálogos, imagens e afetos”. Criando uma Clínica da Atividade infancializada, apostou-se em fazer funcionar (uma) infância na análise clínica do trabalho, sobremaneira investindo na contação de histórias de ofício, juntamente de um recurso imagético de fotografias da época de criança das participantes, cartografando poéticas, estilos e diferença no entremeio de um ofício. Entendeu-se que, através de um potente contato com a infância, o corpo adulto-trabalhador pode expandir seu lastro analítico e de ação, levando a clínica do trabalho para territórios insuspeitos, afetivos, ancestrais, memorialísticos e inéditos.
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