Avaliação microbiológica do líquido de preservação de órgãos em transplante renal e desfechos relacionados

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Machado, Fabiani Palagi
Orientador(a): Bauer, Andrea Carla
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/295126
Resumo: Infecção no transplante renal é um fator de risco significativo para resultados adversos. A análise microbiológica do líquido de preservação (LP), importante para manter a viabilidade do órgão durante a fase de isquemia fria, pode mitigar a potencial contaminação do receptor e ajudar a reduzir o uso desnecessário de antibióticos. Serve como forma de rastreio para infecções no transplante renal. Realizamos uma revisão de escopo, seguindo as recomendações do Joanna Briggs Institute, com uma busca abrangente em bases de dados (EMBASE, MEDLINE e literatura cinzenta) e um estudo clínico original retrospectivo, para avaliação de desfechos relacionados aos receptores com culturas positivas do LP e a influência do tratamento preemptivo nesses casos. Para a revisão de escopo foram incluídos 24 artigos envolvendo 12.052 amostras, publicados após o ano 2000. A prevalência de culturas positivas do LP variou de 0,86 a 77,8%. Dezenove estudos discutiram antibióticos preemptivos e 14 relataram prováveis infecções derivadas dos doadores. Para a elaboração do artigo original foram estudados 256 receptores de transplante renal, de 2016 a 2018. A decisão de início do tratamento preemptivo antimicrobiano foi baseado na experiência clínica da equipe médica, visto não haver protocolo estabelecido no período avaliado. A prevalência de cultura positiva do LP foi de 72,6% (186/256) e os microrganismos do grupo ESKAPE (Enterococcus faecium, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa e Enterobacter spp) e Candida sp representaram 19,4% (36/186). Receptores com qualquer forma de diabetes mellitus apresentaram uma maior taxa de positividade na cultura do líquido de preservação (P = 0,037). Análises de sobrevivência revelaram que, entre receptores com cultura positiva para microrganismos do grupo 9 ESKAPE/Candida, houve uma redução de 63% na incidência de infecções do trato urinário no primeiro mês pós-transplante, quando comparados ao grupo com Staphylococci coagulase-negativos, ao grupo não-ESKAPE, e ao grupo com cultura negativa do líquido de preservação [HR: 0,27 (IC 95%, 0,09-0,76); P=0,014]. A realização dessa revisão de escopo representou a compilação mais completa de evidências sobre como a contaminação do LP pode afetar o manejo clínico no transplante renal. Já o artigo original demonstrou uma alta prevalência de cultura positiva do LP sem impactar na ocorrência de infecção provavelmente relacionada ao doador. Os resultados encontrados sugerem que o tratamento preemptivo dos pacientes com cultura positiva do LP, particularmente para o grupo ESKAPE/Candida, podem proporcionar um efeito protetor contra infecções, principalmente em receptoras do sexo feminino e naqueles com diabetes mellitus.
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spelling Machado, Fabiani PalagiBauer, Andrea Carla2025-08-13T08:01:08Z2024http://hdl.handle.net/10183/295126001290878Infecção no transplante renal é um fator de risco significativo para resultados adversos. A análise microbiológica do líquido de preservação (LP), importante para manter a viabilidade do órgão durante a fase de isquemia fria, pode mitigar a potencial contaminação do receptor e ajudar a reduzir o uso desnecessário de antibióticos. Serve como forma de rastreio para infecções no transplante renal. Realizamos uma revisão de escopo, seguindo as recomendações do Joanna Briggs Institute, com uma busca abrangente em bases de dados (EMBASE, MEDLINE e literatura cinzenta) e um estudo clínico original retrospectivo, para avaliação de desfechos relacionados aos receptores com culturas positivas do LP e a influência do tratamento preemptivo nesses casos. Para a revisão de escopo foram incluídos 24 artigos envolvendo 12.052 amostras, publicados após o ano 2000. A prevalência de culturas positivas do LP variou de 0,86 a 77,8%. Dezenove estudos discutiram antibióticos preemptivos e 14 relataram prováveis infecções derivadas dos doadores. Para a elaboração do artigo original foram estudados 256 receptores de transplante renal, de 2016 a 2018. A decisão de início do tratamento preemptivo antimicrobiano foi baseado na experiência clínica da equipe médica, visto não haver protocolo estabelecido no período avaliado. A prevalência de cultura positiva do LP foi de 72,6% (186/256) e os microrganismos do grupo ESKAPE (Enterococcus faecium, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa e Enterobacter spp) e Candida sp representaram 19,4% (36/186). Receptores com qualquer forma de diabetes mellitus apresentaram uma maior taxa de positividade na cultura do líquido de preservação (P = 0,037). Análises de sobrevivência revelaram que, entre receptores com cultura positiva para microrganismos do grupo 9 ESKAPE/Candida, houve uma redução de 63% na incidência de infecções do trato urinário no primeiro mês pós-transplante, quando comparados ao grupo com Staphylococci coagulase-negativos, ao grupo não-ESKAPE, e ao grupo com cultura negativa do líquido de preservação [HR: 0,27 (IC 95%, 0,09-0,76); P=0,014]. A realização dessa revisão de escopo representou a compilação mais completa de evidências sobre como a contaminação do LP pode afetar o manejo clínico no transplante renal. Já o artigo original demonstrou uma alta prevalência de cultura positiva do LP sem impactar na ocorrência de infecção provavelmente relacionada ao doador. Os resultados encontrados sugerem que o tratamento preemptivo dos pacientes com cultura positiva do LP, particularmente para o grupo ESKAPE/Candida, podem proporcionar um efeito protetor contra infecções, principalmente em receptoras do sexo feminino e naqueles com diabetes mellitus.Infection in kidney transplantation is a significant risk factor for adverse outcomes. Microbiological analysis of preservation fluid (PF), important for maintaining organ viability during the cold ischemia phase, can mitigate potential recipient contamination and help reduce unnecessary antibiotic use. It serves as a screening tool for kidney transplant infections. We conducted a scoping review, following Joanna Briggs Institute recommendations, with a comprehensive search of databases (EMBASE, MEDLINE, and grey literature). We also performed an original retrospective clinical study to evaluate outcomes related to recipients with positive PF cultures and the influence of preemptive treatment in these cases. For the scoping review, 24 articles involving 12,052 samples, published after 2000, were included. The prevalence of positive PF cultures ranged from 0.86 to 77.8%. Nineteen studies discussed preemptive antibiotics, and 14 reported probable donor-derived infections. For the original article, 256 kidney transplant recipients were studied from 2016 to 2018. The decision to start preemptive antimicrobial treatment was based on the clinical experience of the medical team, as there was no established protocol during the evaluated period. The prevalence of positive PF culture was 72.6% (186/256), with ESKAPE group microorganisms (Enterococcus faecium, Staphylococcus aureus, Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa, and Enterobacter spp) and Candida sp representing 19.4% (36/186). Recipients with any form of diabetes mellitus showed a higher positivity rate in preservation fluid culture (P = 0.037). Survival analyses revealed that among recipients with positive culture for ESKAPE/Candida microorganisms, there was a 63% reduction in the incidence of urinary tract infections in the first month post-transplant, compared to the group with coagulase-negative Staphylococci, the non-ESKAPE group, and the group with negative preservation fluid culture [HR: 0.27 (95% CI, 0.09-0.76); P=0.014]. 11 Conducting this scoping review has yielded the most comprehensive synthesis of evidence regarding the impact of PF contamination on clinical management in kidney transplantation. Our research revealed a high prevalence of positive PF cultures that did not affect the incidence of probable donor-derived infections. The findings suggest that preemptive treatment of patients with positive PF cultures, particularly targeting the ESKAPE/Candida species, may confer a protective effect against infections. This benefit appears to be especially significant in female recipients and individuals with diabetes mellitus.application/pdfporTransplante de rimInfecçõesMicrobiologiaKidney transplantInfectionPreservation fluidPreemptive treatmentAvaliação microbiológica do líquido de preservação de órgãos em transplante renal e desfechos relacionadosinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de MedicinaPrograma de Pós-Graduação em Ciências Médicas: EndocrinologiaPorto Alegre, BR-RS2024doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001290878.pdf.txt001290878.pdf.txtExtracted Texttext/plain121249http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/295126/2/001290878.pdf.txt0982f4a5c9a00464fca9c1b7776c83e3MD52ORIGINAL001290878.pdfTexto parcialapplication/pdf1664505http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/295126/1/001290878.pdf99f74d175284f556aeefdcd8fd00d061MD5110183/2951262025-08-14 08:00:24.720796oai:www.lume.ufrgs.br:10183/295126Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-08-14T11:00:24Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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