Devir-Geografias : espacialidades corporais nas docências de Geografia no pandêmico em experimentações audiovisuais

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Cardoso, Juliana Carvalho
Orientador(a): Tonini, Ivaine Maria
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Palavras-chave em Espanhol:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/298507
Resumo: Esta Tese investiga as espacialidades corporais das docências em Geografia durante a pandemia de Covid-19 no Brasil, buscando compreender como os corpos docentes foram afetados pelas sucessivas ondas pandêmicas e pelos deslocamentos pedagógicos que atravessaram a educação básica nas redes públicas e privadas. Com base no conceito de difração das ondas, que ao colidirem com obstáculos geram reverberações secundárias, adotamos as chamadas "ondas pandêmicas" como marcadores temporais e analíticos para observar quatro momentos distintos de transformações educacionais entre 2020 e 2024. A pesquisa mobiliza a cartografia como metodologia, inspirada nos aportes filosóficos de Deleuze e Guattari e nas proposições de Suely Rolnik e Virgínia Kastrup. Partimos do princípio de que o conhecimento se produz em movimento, e que é no atravessamento dos afetos, nas intensidades e nas práticas dos sujeitos que se inscrevem os sentidos da experiência. Assim, o método cartográfico nos permitiu acompanhar os fluxos que compõem os espaços escolares e subjetivos em tempos de crise sanitária, reconhecendo que os corpos docentes não são neutros, mas atravessados por linhas de segmentaridade dura, linhas maleáveis e, eventualmente, linhas de fuga. A estrutura da tese se organiza a partir de três grandes blocos inspirados na produção audiovisual - pré-produção, produção e pós-produção -, compondo um percurso teórico, metodológico e estético que integra escrita acadêmica e experimentação audiovisual. Na etapa de produção dos dados, realizamos entrevistas gravadas em áudio e vídeo com nove professores de Geografia de diferentes realidades educacionais, cujos relatos compuseram o corpus da análise e de experimentações audiovisuais da Tese. Por meio deles, examinamos as ressonâncias das políticas educacionais neoliberais, os impactos subjetivos da pandemia, os adoecimentos docentes e as reinvenções de práticas pedagógicas. A análise dos relatos foi guiada por uma leitura que buscou identificar os modos como as linhas duras (molares), flexíveis (moleculares) e de fuga operaram nos cotidianos escolares. Nas falas, emergem tensões provocadas pela imposição de modelos pedagógicos tecnocráticos, pela intensificação do produtivismo e vigilâncias, pela vulnerabilização das condições de trabalho e gestos de solidariedade, reorganização coletiva e pequenas resistências. Desta forma, a Tese articula-se entre ciência e arte: além do texto acadêmico, foram produzidas duas experimentações audiovisuais que compõem, com a tese, um mosaico poético-político de imagens e palavras. A montagem audiovisual e a montagem textual foram produzidas simultaneamente, retroalimentando-se em sua dimensão sensível, conceitual e estética. Esta Tese, portanto, não busca apenas registrar os efeitos da pandemia sobre a docência, mas abrir espaço para que as geografias afetivas, éticas e políticas que compõem os corpos-professores possam se expressar em suas multiplicidades. Assim, propomos pensar esta pesquisa como um Devir-Geografias, um movimento que não pretende representar, mas compor: compor um campo de visibilidade para as afetações, as lutas, as reinvenções e os sentidos que vibram nos espaços escolares e nos corpos que resistem.
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spelling Cardoso, Juliana CarvalhoTonini, Ivaine MariaDesiderio, Raphaela de Toledo2025-11-01T07:58:43Z2025http://hdl.handle.net/10183/298507001295880Esta Tese investiga as espacialidades corporais das docências em Geografia durante a pandemia de Covid-19 no Brasil, buscando compreender como os corpos docentes foram afetados pelas sucessivas ondas pandêmicas e pelos deslocamentos pedagógicos que atravessaram a educação básica nas redes públicas e privadas. Com base no conceito de difração das ondas, que ao colidirem com obstáculos geram reverberações secundárias, adotamos as chamadas "ondas pandêmicas" como marcadores temporais e analíticos para observar quatro momentos distintos de transformações educacionais entre 2020 e 2024. A pesquisa mobiliza a cartografia como metodologia, inspirada nos aportes filosóficos de Deleuze e Guattari e nas proposições de Suely Rolnik e Virgínia Kastrup. Partimos do princípio de que o conhecimento se produz em movimento, e que é no atravessamento dos afetos, nas intensidades e nas práticas dos sujeitos que se inscrevem os sentidos da experiência. Assim, o método cartográfico nos permitiu acompanhar os fluxos que compõem os espaços escolares e subjetivos em tempos de crise sanitária, reconhecendo que os corpos docentes não são neutros, mas atravessados por linhas de segmentaridade dura, linhas maleáveis e, eventualmente, linhas de fuga. A estrutura da tese se organiza a partir de três grandes blocos inspirados na produção audiovisual - pré-produção, produção e pós-produção -, compondo um percurso teórico, metodológico e estético que integra escrita acadêmica e experimentação audiovisual. Na etapa de produção dos dados, realizamos entrevistas gravadas em áudio e vídeo com nove professores de Geografia de diferentes realidades educacionais, cujos relatos compuseram o corpus da análise e de experimentações audiovisuais da Tese. Por meio deles, examinamos as ressonâncias das políticas educacionais neoliberais, os impactos subjetivos da pandemia, os adoecimentos docentes e as reinvenções de práticas pedagógicas. A análise dos relatos foi guiada por uma leitura que buscou identificar os modos como as linhas duras (molares), flexíveis (moleculares) e de fuga operaram nos cotidianos escolares. Nas falas, emergem tensões provocadas pela imposição de modelos pedagógicos tecnocráticos, pela intensificação do produtivismo e vigilâncias, pela vulnerabilização das condições de trabalho e gestos de solidariedade, reorganização coletiva e pequenas resistências. Desta forma, a Tese articula-se entre ciência e arte: além do texto acadêmico, foram produzidas duas experimentações audiovisuais que compõem, com a tese, um mosaico poético-político de imagens e palavras. A montagem audiovisual e a montagem textual foram produzidas simultaneamente, retroalimentando-se em sua dimensão sensível, conceitual e estética. Esta Tese, portanto, não busca apenas registrar os efeitos da pandemia sobre a docência, mas abrir espaço para que as geografias afetivas, éticas e políticas que compõem os corpos-professores possam se expressar em suas multiplicidades. Assim, propomos pensar esta pesquisa como um Devir-Geografias, um movimento que não pretende representar, mas compor: compor um campo de visibilidade para as afetações, as lutas, as reinvenções e os sentidos que vibram nos espaços escolares e nos corpos que resistem.This doctoral Thesis investigates the bodily spatialities of Geography teaching during the Covid-19 pandemic in Brazil, aiming to understand how teaching bodies were affected by the successive pandemic waves and by the pedagogical shifts that impacted basic education in both public and private school systems. Drawing on the concept of wave diffraction, where waves upon encountering obstacles generate secondary reverberations, we adopt the so-called “pandemic waves” as both temporal and analytical markers to observe four distinct moments of educational transformation between 2020 and 2024. The research employs cartography as its methodological approach, inspired by the philosophical contributions of Deleuze and Guattari, as well as the propositions of Suely Rolnik and Virgínia Kastrup. We begin from the premise that knowledge is produced in motion, and that it is through the crossing of affects, intensities, and the practices of subjects that the meanings of experience are inscribed. Thus, the cartographic method enabled us to follow the flows that compose both school and subjective spaces in times of health crisis, recognizing that teaching bodies are not neutral, they are traversed by lines of rigid segmentation, flexible lines, and, at times, lines of flight. The structure of the Thesis is organized into three major sections inspired by audiovisual production — pre-production, production, and post-production — forming a theoretical, methodological, and aesthetic journey that integrates academic writing with audiovisual experimentation. In the data production phase, we conducted audio and video interviews with nine Geography teachers from diverse educational reality. Their narratives constituted the analytical corpus and also served as material for the Thesis and audiovisual experimentations. Through these accounts, we examine the reverberations of neoliberal educational policies, the subjective impacts of the pandemic, teacher burnout, and the reinvention of pedagogical practices. The analysis was guided by a reading that sought to identify how rigid (molar), flexible (molecular), and flight lines operated within everyday school life. The narratives reveal tensions arising from the imposition of technocratic pedagogical models, the intensification of productivity and surveillance, the precarization of working conditions, and gestures of solidarity, collective reorganization, and minor acts of resistance. In this way, the Thesis operates at the intersection of science and art: beyond the academic text, two audiovisual experimentations were produced, which, together with the dissertation, form a poetic-political mosaic of images and words. The audiovisual and textual editing processes were developed simultaneously, feeding into one another through their sensitive, conceptual, and aesthetic dimensions. This Thesis, therefore, does not aim merely to document the effects of the pandemic on teaching, but to open a space for the expression of the affective, ethical, and political geographies that constitute teacher-bodies in their multiplicities. We thus propose to think of this research as a Devir-Geographies, a movement that does not seek to represent, but to compose: to compose a field of visibility for the affectations, struggles, reinventions, and meanings that vibrate within school spaces and the bodies that resist.Esta Tesis investiga las espacialidades corporales de la docencia en Geografía durante la pandemia de Covid-19 en Brasil, con el objetivo de comprender cómo los cuerpos docentes fueron afectados por las sucesivas olas pandémicas y por los desplazamientos pedagógicos que atravesaron la educación básica en las redes públicas y privadas. A partir del concepto de difracción de las olas que, al chocar con obstáculos, generan reverberaciones secundarias, adoptamos las llamadas "olas pandémicas" como marcadores temporales y analíticos para observar cuatro momentos distintos de transformaciones educativas entre 2020 y 2024. La investigación emplea la cartografía como metodología, inspirada en los aportes filosóficos de Deleuze y Guattari, así como en las propuestas de Suely Rolnik y Virgínia Kastrup. Partimos del principio de que el conocimiento se produce en movimiento, y que es en el cruce de los afectos, las intensidades y las prácticas de los sujetos donde se inscriben los sentidos de la experiencia. Así, el método cartográfico nos permitió acompañar los flujos que componen los espacios escolares y subjetivos en tiempos de crisis sanitaria, reconociendo que los cuerpos docentes no son neutros, sino que están atravesados por líneas de segmentariedad dura, líneas flexibles y, eventualmente, líneas de fuga. La estructura de la Tesis se organiza en tres grandes bloques inspirados en la producción audiovisual: preproducción, producción y postproducción, componiendo un recorrido teórico, metodológico y estético que integra escritura académica y experimentación audiovisual. En la fase de producción de datos, se realizaron entrevistas grabadas en audio y video con nueve docentes de Geografía de diferentes contextos educativos, cuyos relatos conformaron el corpus de análisis y de experimentaciones audiovisuales de la Tesis. A través de estos relatos, examinamos las resonancias de las políticas educativas neoliberales, los impactos subjetivos de la pandemia, los procesos de desgaste y enfermedad docente, y las reinvenciones de las prácticas pedagógicas. El análisis de los relatos fue guiado por una lectura orientada a identificar cómo operaron las líneas duras (molares), flexibles (moleculares) y de fuga en los cotidianos escolares. En los discursos emergen tensiones provocadas por la imposición de modelos pedagógicos tecnocráticos, la intensificación del productivismo y la vigilancia, la precarización de las condiciones laborales, así como gestos de solidaridad, reorganización colectiva y pequeñas resistencias. De esta manera, la Tesis se articula entre la ciencia y el arte: además del texto académico, se produjeron dos experimentaciones audiovisuales que, junto con la tesis escrita, componen un mosaico poético-político de imágenes y palabras. El montaje audiovisual y el montaje textual fueron desarrollados simultáneamente, retro alimentándose en sus dimensiones sensibles, conceptuales y estéticas. Esta Tesis, por tanto, no busca registrar los efectos de la pandemia sobre la docencia, sino abrir espacio para que se expresen las geografías afectivas, éticas y políticas que componen los cuerpos-docentes en sus multiplicidades. Así, proponemos pensar esta investigación como un Devenir-Geografías, un movimiento que no pretende representar, sino componer: componer un campo de visibilidad para las afectaciones, las luchas, las reinvenciones y los sentidos que vibran en los espacios escolares y en los cuerpos que resisten.application/pdfporGeografia escolarCartografiaFormação docenteEspacialidadePandemia de COVID-19 (2020-2023)Ensino de geografiaGeography teachingCovid-19 PandemicGeography of educationAudiovisual experimentationCartographyEmbodied spatialitiesDevir-GeographiesDocencia en GeografíaGeografía de la educaciónExperimentación audiovisualCartografíaDevenir-GeografíasEspacialidades corporalesDevir-Geografias : espacialidades corporais nas docências de Geografia no pandêmico em experimentações audiovisuaisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de GeociênciasPrograma de Pós-Graduação em GeografiaPorto Alegre, BR-RS2025doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001295880.pdf.txt001295880.pdf.txtExtracted Texttext/plain528247http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/298507/2/001295880.pdf.txtee35a864492faa307ac569980ccfab67MD52ORIGINAL001295880.pdfTexto completoapplication/pdf19773551http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/298507/1/001295880.pdf6b97bf0cc16ac66059ebafe1d9079455MD5110183/2985072025-11-02 09:00:02.709154oai:www.lume.ufrgs.br:10183/298507Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-11-02T11:00:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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