Moçambique no sistema global : inserção internacional periférica, ensino superior e desenvolvimento (1975- 1990/2019)
| Ano de defesa: | 2021 |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/230056 |
Resumo: | O presente trabalho, feito com recurso à pesquisa bibliográfica e entrevistas, tem como objectivo analisar a natureza da inserção de Moçambique no sistema global e a contribuição do Ensino Superior (ES) no desenvolvimento. A tese subjacente é de que o Sistema Internacional (SI) constitui-se num meio caracterizado por relações de poder e hierarquia entre os Estados, compartimentando o mundo em Estados Centrais e Estados Periféricos numa relação desigual de dominação e dependência estruturada através de vários mecanismos no contexto dos interesses dos primeiros. A inserção periférica de Moçambique, bem como o desempenho do ES são determinados por esta natureza da relação que, em associação aos factores endógenos, determinam as dificuldades de desenvolvimento deste país. O desempenho do ES revela-se baixo se medido em termos de nível de (i) seu potencial na formação de quadros em número e qualidade necessários para o país e que sejam competitivos à escala global, (ii) satisfação da demanda dos diferentes sectores de actividade, antecipando as suas exigências em termos de perfil requerido de mão- de- obra, (iii) alinhamento dos cursos com os imperativos de desenvolvimento do país, particularmente o desenvolvimento rural; (iv) realização de pesquisas e produção do conhecimento; (v) qualidade dos graduados. Esta qualidade está abaixo dos patamares a nível regional e continental. A relevância dos cursos apresenta ainda níveis insatisfatórios, em parte devido à ligação débil entre as Instituições de Ensino Superior (IES) e o sector produtivo. Além disso, os níveis de investimento Estatal no ES são baixos. Muitas IES não realizam pesquisa nem a internacionalização, o que concorre para a baixa produção do conhecimento. Existem assimetrias fundamentais na distribuição das IES pelo país que configuram uma injustiça social que pode ser aproveitada para minar a paz e segurança do país. As assimetrias originam o êxodo dos estudantes das suas regiões de proveniência para as cidades. A maior parte dos cursos oferecidos a esses estudantes geralmente leva-os a permanecerem nas cidades depois da formação, desvinculando-os das suas regiões de procedência, o que tem implicações negativas no nível de desenvolvimento dessas regiões. Não existem políticas consistentes que garantam a concepção dos cursos em função das necessidades regionais e o retorno dos graduados às regiões de origem. As IES não contribuem, portanto em nível óptimo na geração da economia e do soft power do país nem dotam a este da chamada diplomacia científica. |
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Sambo, Armando FranciscoMagode, José Mário Joaquim2021-09-22T04:24:04Z2021http://hdl.handle.net/10183/230056001131599O presente trabalho, feito com recurso à pesquisa bibliográfica e entrevistas, tem como objectivo analisar a natureza da inserção de Moçambique no sistema global e a contribuição do Ensino Superior (ES) no desenvolvimento. A tese subjacente é de que o Sistema Internacional (SI) constitui-se num meio caracterizado por relações de poder e hierarquia entre os Estados, compartimentando o mundo em Estados Centrais e Estados Periféricos numa relação desigual de dominação e dependência estruturada através de vários mecanismos no contexto dos interesses dos primeiros. A inserção periférica de Moçambique, bem como o desempenho do ES são determinados por esta natureza da relação que, em associação aos factores endógenos, determinam as dificuldades de desenvolvimento deste país. O desempenho do ES revela-se baixo se medido em termos de nível de (i) seu potencial na formação de quadros em número e qualidade necessários para o país e que sejam competitivos à escala global, (ii) satisfação da demanda dos diferentes sectores de actividade, antecipando as suas exigências em termos de perfil requerido de mão- de- obra, (iii) alinhamento dos cursos com os imperativos de desenvolvimento do país, particularmente o desenvolvimento rural; (iv) realização de pesquisas e produção do conhecimento; (v) qualidade dos graduados. Esta qualidade está abaixo dos patamares a nível regional e continental. A relevância dos cursos apresenta ainda níveis insatisfatórios, em parte devido à ligação débil entre as Instituições de Ensino Superior (IES) e o sector produtivo. Além disso, os níveis de investimento Estatal no ES são baixos. Muitas IES não realizam pesquisa nem a internacionalização, o que concorre para a baixa produção do conhecimento. Existem assimetrias fundamentais na distribuição das IES pelo país que configuram uma injustiça social que pode ser aproveitada para minar a paz e segurança do país. As assimetrias originam o êxodo dos estudantes das suas regiões de proveniência para as cidades. A maior parte dos cursos oferecidos a esses estudantes geralmente leva-os a permanecerem nas cidades depois da formação, desvinculando-os das suas regiões de procedência, o que tem implicações negativas no nível de desenvolvimento dessas regiões. Não existem políticas consistentes que garantam a concepção dos cursos em função das necessidades regionais e o retorno dos graduados às regiões de origem. As IES não contribuem, portanto em nível óptimo na geração da economia e do soft power do país nem dotam a este da chamada diplomacia científica.This work, carried out through bibliographic research and interviews, aims at analyzing the nature of Mozambique's insertion in the global system and the contribution of the Higher Education in development. The underlying thesis is that the International System is an environment characterized by power and hierarchy relations among States, dividing the world into Central and Peripheral States within an unequal relationship of domination and dependence structured through various mechanisms in the context of the interests of the former. The peripheral insertion of Mozambique, as well as the performance of the Higher Education, are determined by this nature of the relationship, which, in association with endogenous factors, define the country's development hardship. The performance of the Higher Education proves to be low if measured in terms of the level of (i) its potential for training staff in number and quality necessary for the country and that are competitive on a global scale, (ii), (i) meeting the demand of the different sectors of activity, anticipating their requirements in terms of the necessary labor profile, (iii) matching between the courses and the country's development needs, particularly rural development; (iv) performance of research and knowledge production; (v) quality of graduates. The quality of graduates is below the levels at regional and continental levels. The courses relevance still shows unsatisfactory levels, partly due to the weak link between Higher Education Institutions and the productive sector. In addition, the levels of State investment in High Education are low. Many Higher Education Institutions do not carry out research or internationalization, which contributes to the weak production of knowledge. There are underlying asymmetries in the distribution of Higher Education Institutions across the country denoting a social injustice that can be used to undermine the country's peace and security. The existing asymmetries lead to the exodus of students from their regions of origin to cities. Most of the courses offered to these students generally lead them to stay in the cities after graduation, disconnecting them from their regions of origin, which has an impact on the level of development of these regions. There are no consistent policies that guarantee the design of courses according to regional needs and the return of graduates to their regions of origin. Higher Education Institutions do not therefore contribute at an optimal level to the strengthening of the country's economy and soft power, nor do they endow the country with socalled scientific diplomacy.application/pdfporEnsino superiorDesenvolvimento econômicoMoçambiqueCentral StatesDependencyDevelopmentHigher EducationPeripheral InsertionPeripheral StatesSoft PowerMoçambique no sistema global : inserção internacional periférica, ensino superior e desenvolvimento (1975- 1990/2019)info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de Ciências EconômicasPrograma de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos InternacionaisPorto Alegre, BR-RS2021doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001131599.pdf.txt001131599.pdf.txtExtracted Texttext/plain0http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/230056/2/001131599.pdf.txtd41d8cd98f00b204e9800998ecf8427eMD52ORIGINAL001131599.pdfTexto completoapplication/pdf105755672http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/230056/1/001131599.pdf325161ba5fa55d83c02b842d82c35cc2MD5110183/2300562021-10-04 04:25:01.588174oai:www.lume.ufrgs.br:10183/230056Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br||lume@ufrgs.bropendoar:18532021-10-04T07:25:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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