Escrevivências atlânticas e imigrantes : a produção intelectual e literária de Françoise Ega e Buchi Emecheta
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/302378 |
Resumo: | Na presente dissertação de mestrado problematizo os romances Cartas a uma negra: narrativa antilhana (2022) e Cidadã de Segunda Classe (2018), das escritoras martinicana Françoise Ega e nigeriana Buchi Emecheta, respectivamente. Com a pesquisa, aproximo as duas narrativas a partir do conceito de "writing-experience" e de aportes teóricos decoloniais e afrocentrados para problematizar as escritas das autoras enquanto elaboração intelectual e literária construída a partir das suas vivências e da tradição ancestral na qual mulheres negras eram sujeitos reconhecidos em suas comunidades. Ao que concerne às experiências imigrantes registradas nos romances, foram seleciono aquelas relativas à condição de mulher racializada, ao trabalho, à maternidade, à moradia e a escrita. Relaciono o trabalho racializado ao processo de reprodução social do patriarcado branco na França Continental a partir dos conceitos de racialização das relações de reprodução social e racismo genderizado das feministas decolonias Françoise Vergès e Grada Kilomba. Confronto a noção de subalternidade com as práticas de enfrentamento ao colonialimo, utilizando o conceito de amefricanidade de Lélia Gonzalez. Lanço luz sobre o contraste entre o lugar que maternidade ocupa nas relações de reprodução social pré-coloniais e em contexto eurocentrado, reflexão mediada pelos conceitos de unidade matricêntrica e de gênero das afrocentristas Ifi Amadiume e Oyèrónke Oyewùmí e reforço a defesa da condição materna como princípio de enfrentamento à lógica ocidental de reprodução social. Por fim, apoiados nas elaborações de controle da fala, privilégio epistêmico e trabalho intelectual, de Grada Kilomba, Oyèrónké Oyêwúmi e bell hooks aproxima Maméga, Adah, Françoise Ega, Buchi Emecheta e a escrita. Com isso, sugero que as personagens e as autorias tomam a literatura como ferramenta de reflexão social, de formulação intelectual, de enfrentamento as estruturas de poder coloniais, com isso, contribuindo para o questionamento de uma tradição literária atravessada pela colonialidade e para a construção de subjetividades e afirmação de coletividades. |
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Brando, Nôva MarquesSilva, Liliam Ramos da2026-03-20T08:04:36Z2025http://hdl.handle.net/10183/302378001303218Na presente dissertação de mestrado problematizo os romances Cartas a uma negra: narrativa antilhana (2022) e Cidadã de Segunda Classe (2018), das escritoras martinicana Françoise Ega e nigeriana Buchi Emecheta, respectivamente. Com a pesquisa, aproximo as duas narrativas a partir do conceito de "writing-experience" e de aportes teóricos decoloniais e afrocentrados para problematizar as escritas das autoras enquanto elaboração intelectual e literária construída a partir das suas vivências e da tradição ancestral na qual mulheres negras eram sujeitos reconhecidos em suas comunidades. Ao que concerne às experiências imigrantes registradas nos romances, foram seleciono aquelas relativas à condição de mulher racializada, ao trabalho, à maternidade, à moradia e a escrita. Relaciono o trabalho racializado ao processo de reprodução social do patriarcado branco na França Continental a partir dos conceitos de racialização das relações de reprodução social e racismo genderizado das feministas decolonias Françoise Vergès e Grada Kilomba. Confronto a noção de subalternidade com as práticas de enfrentamento ao colonialimo, utilizando o conceito de amefricanidade de Lélia Gonzalez. Lanço luz sobre o contraste entre o lugar que maternidade ocupa nas relações de reprodução social pré-coloniais e em contexto eurocentrado, reflexão mediada pelos conceitos de unidade matricêntrica e de gênero das afrocentristas Ifi Amadiume e Oyèrónke Oyewùmí e reforço a defesa da condição materna como princípio de enfrentamento à lógica ocidental de reprodução social. Por fim, apoiados nas elaborações de controle da fala, privilégio epistêmico e trabalho intelectual, de Grada Kilomba, Oyèrónké Oyêwúmi e bell hooks aproxima Maméga, Adah, Françoise Ega, Buchi Emecheta e a escrita. Com isso, sugero que as personagens e as autorias tomam a literatura como ferramenta de reflexão social, de formulação intelectual, de enfrentamento as estruturas de poder coloniais, com isso, contribuindo para o questionamento de uma tradição literária atravessada pela colonialidade e para a construção de subjetividades e afirmação de coletividades.In this master's thesis, I problematize the novels Notes to a Black Woman (2022) and Second-Class Citizen (2018), by the Martinican writer Françoise Ega and the Nigerian writer Buchi Emecheta, respectively. Through this research, I approach the two narratives using the concept of escrevivência and decolonial and Afrocentric theoretical contributions to problematize the authors' writings as intellectual and literary elaborations constructed from their experiences and the ancestral tradition in which Black women were recognized subjects in their communities. Regarding the immigrant experiences recorded in the novels, I selected those related to the condition of being a racialized woman, to work, motherhood, housing, and writing. I relate racialized work to the process of social reproduction of white patriarchy in Continental France based on the concepts of racialization of social reproduction relations and gendered racism from decolonial feminists Françoise Vergès and Grada Kilomba. I confront the notion of subalternity with practices of resistance to colonialism, using Lélia Gonzalez's concept of Afro-Americanity. I shed light on the contrast between the place that motherhood occupies in pre-colonial social reproduction relations and in a Eurocentric context, a reflection mediated by the concepts of matricentric unity and gender from the Afrocentrists Ifi Amadiume and Oyèrónke Oyewùmí, and I reinforce the defense of the maternal condition as a principle of resistance to the Western logic of social reproduction. Finally, supported by the elaborations on control of speech, epistemic privilege, and intellectual work by Grada Kilomba, Oyèrónké Oyêwúmi, and bell hooks, I bring Maméga, Adah, Françoise Ega, Buchi Emecheta, and writing closer together. Therefore, I suggest that the characters and authors use literature as a tool for social reflection, intellectual formulation, and confronting colonial power structures, thereby contributing to questioning a literary tradition permeated by coloniality and to the construction of subjectivities and the affirmation of collectivities.application/pdfporEga, Françoise, 1920-1976Emecheta, Buchi, 1944-EscrevivênciaImigraçãoAutoria negraBlack authorsImmigrationWriting-experienceFrançoise EgaBuchi EmechetaEscrevivências atlânticas e imigrantes : a produção intelectual e literária de Françoise Ega e Buchi Emechetainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de LetrasPrograma de Pós-Graduação em LetrasPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001303218.pdf.txt001303218.pdf.txtExtracted Texttext/plain264430http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302378/2/001303218.pdf.txt601fb916a53061eab081224ddac5ba80MD52ORIGINAL001303218.pdfTexto completoapplication/pdf1777583http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302378/1/001303218.pdf3f845d377cc75eb5c805c63b8e7b9603MD5110183/3023782026-03-21 08:04:15.271684oai:www.lume.ufrgs.br:10183/302378Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532026-03-21T11:04:15Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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