Eu sou Graciliano/ Graciliano sou eu - impressões gracilianas na interpretação de Carlos Vereza e de Silviano Santiago

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Rodrigues, Gabriela Rocha
Orientador(a): Rebello, Lúcia Sá
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/202483
Resumo: Esta pesquisa parte do anseio de analisar as impressões gracilianas na interpretação do ator Carlos Vereza no filme Memórias do Cárcere (1984), de Nelson Pereira dos Santos, e na ficção Em liberdade (1981), de Silviano Santiago. Quando uma determinada obra literária é adaptada para outro meio artístico, um conjunto de elementos estéticos, socioculturais e ideológicos estão presentes na formação da transposição, pois são eles que influenciam na recriação do texto-fonte. Assim, para buscar respostas aos questionamentos que guiaram esta pesquisa, recorremos à obra Mal de Arquivo: uma impressão freudiana (2001), de Jacques Derrida. Numa visão desconstrucionista, esse pensador diz que o arquivo não é um repositório fechado, fichário inerte, mas o contrário, é abertura, movimento e porvir. Nesse sentido, a partir das reflexões de Derrida, criamos o termo impressão graciliana a fim de buscar os traços, rastros e marcas deixados por Graciliano Ramos nos arquivos pesquisados. Assim, consideramos como arquivos, a atuação de Carlos Vereza na adaptação cinematográfica, a ficção de Silviano Santiago, além das entrevistas concedidas por estes no ano de 2015 em diálogo com o “arquivo matriz” Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos. Verificamos que efetivamente as impressões gracilianas, em ambos os arquivos, apresentam-se como: impressão enquanto marca grafada no corpo – o cárcere; impressão enquanto escritura – o mal de arquivo; impressão enquanto herança – o papel do intelectual. Tais impressões gracilianas revelam-se de maneiras distintas: Carlos Vereza fundamenta sua interpretação num movimento de incorporação da figura de Graciliano; Silviano Santiago, assume o lugar do Outro para falar de si. Ambos traçam uma reflexão profunda sobre os mecanismos de poder que fundamentaram períodos históricos importantes de nosso país e respondem a Graciliano Ramos, à sua herança, às impressões deixadas nele e por ele, aliando-se às suas reflexões quanto ao compromisso social do artista num país onde a desigualdade impera.
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Nesse sentido, a partir das reflexões de Derrida, criamos o termo impressão graciliana a fim de buscar os traços, rastros e marcas deixados por Graciliano Ramos nos arquivos pesquisados. Assim, consideramos como arquivos, a atuação de Carlos Vereza na adaptação cinematográfica, a ficção de Silviano Santiago, além das entrevistas concedidas por estes no ano de 2015 em diálogo com o “arquivo matriz” Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos. Verificamos que efetivamente as impressões gracilianas, em ambos os arquivos, apresentam-se como: impressão enquanto marca grafada no corpo – o cárcere; impressão enquanto escritura – o mal de arquivo; impressão enquanto herança – o papel do intelectual. Tais impressões gracilianas revelam-se de maneiras distintas: Carlos Vereza fundamenta sua interpretação num movimento de incorporação da figura de Graciliano; Silviano Santiago, assume o lugar do Outro para falar de si. Ambos traçam uma reflexão profunda sobre os mecanismos de poder que fundamentaram períodos históricos importantes de nosso país e respondem a Graciliano Ramos, à sua herança, às impressões deixadas nele e por ele, aliando-se às suas reflexões quanto ao compromisso social do artista num país onde a desigualdade impera.This research arises from the desire to analyze gracilian impressions in the acting of actor Carlos Vereza in Nelson Pereira dos Santos’s film “Memórias do Cárcere” (1984), as well as in Silviano Santiago’s fictional film “Em Liberdade” (1981). When a particular literary piece of work is adapted to another artistic medium, a set of aesthetic, sociocultural and ideological elements are present in the formation of the transposition, since they influence the recreation of the source text. Thus, in order to seek answers for the questioning that guided this research, we resorted to the work “Mal de Arquivo: uma impressão freudiana” (2001) by Jacques Derrida. In a deconstructionist view, this thinker says that the file is not a closed repository, an inert binder, but the opposite: it is openness, movement and future. In this sense, deriving from Derrida’s reflections, we created the term “gracilian impression” in order to search for traces, tracks and marks left by Graciliano Ramos in the researched archives. Therefore, we consider as archives, Carlos Vereza’s performance in the film adaptation, the fiction of Silviano Santiago’s fictional film, besides the interviews which were granted by them in 2015 in dialogue with the “matrix archive”, “Memórias do Cárcere” by Graciliano Ramos. We verified that in fact the “gracilian impressions”, in both archives, present themselves as: impressions as body written marks _ the jail; impression as writing _ the evil of archiving; impression as heritage _ the intellectual’s role. These gracilian impressions reveal themselves in different ways: Carlos Vereza bases his acting in a movement which incorporates the character of Graciliano; Silviano Santiago, takes on the place of the Other to speak of himself. Both outline a deep reflection on the mechanisms of power which have lain bases for important historic periods in our country and answer Graciliano Ramos, his heritage, the impressions left in him and by him, joining his reflections as to the artist’s social commitment in a country where social disparity rules.application/pdfporRamos, Graciliano, 1892-1953Santiago, Silviano, 1936-Vereza, CarlosArquivoMemóriaArchiveMemoryEu sou Graciliano/ Graciliano sou eu - impressões gracilianas na interpretação de Carlos Vereza e de Silviano Santiagoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de LetrasPrograma de Pós-Graduação em LetrasPorto Alegre, BR-RS2019doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001106683.pdf.txt001106683.pdf.txtExtracted Texttext/plain532834http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/202483/2/001106683.pdf.txt71726668f8d880ee95c5dd9b4fef4b6aMD52ORIGINAL001106683.pdfTexto completoapplication/pdf3565734http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/202483/1/001106683.pdfcb32480af71f03dbc45a03b09af9cf1fMD5110183/2024832019-12-12 05:00:14.891552oai:www.lume.ufrgs.br:10183/202483Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br||lume@ufrgs.bropendoar:18532019-12-12T07:00:14Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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