Zonação de plantas aquáticas em áreas úmidas no litoral sul do Brasil : respostas ao gradiente de inundação em pequena escala

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Silveira, Francieli Peter da
Orientador(a): Moço, Maria Cecília de Chiara
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/295564
Resumo: As plantas aquáticas representam um conjunto heterogêneo de espécies com diferentes amplitudes de tolerância às condições de inundação e/ou saturação de água no solo. Logo, o gradiente de inundação atua como um importante filtro ambiental selecionando espécies de acordo com suas tolerâncias ecológicas e formas de vida. As formas de vida (eg. emergente, submersa e flutuante) se distribuem perpendicularmente à margem de forma razoavelmente organizada, formando um padrão espacial conhecido como zonação. Mesmo em pequena escala, a heterogeneidade ambiental contribui para diferentes padrões de distribuição de recursos, gerando micro-habitats distintos. No presente estudo, avaliamos a distribuição de plantas aquáticas ao longo do gradiente de inundação em áreas úmidas costeiras, situadas no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, Mostardas/RS. Abrangemos a região de transição entre os ambientes terrestre e aquático, onde estabelecemos transectos perpendiculares à margem de três áreas úmidas palustres (sem influência de marés). A partir da interface água-terra, traçamos 3 m em direção ao interior do corpo d'água e 3 m na direção da terra firme, amostrando áreas cobertas por água rasa e solos úmidos adjacentes. Delimitamos três zonas ao longo de cada transecto, sendo elas: zona inundável (zona 1), zona de interface água-terra, (zona 2) e zona de corpo d’água (zona 3). Observamos que espécies e formas de vida possuem amplitudes variadas de ocorrência e que estas se distribuem de forma preferencial ao longo do gradiente de inundação. Constatamos claros padrões de zonação, evidenciados por ocorrências restritas as porções do gradiente e por variações expressivas na cobertura ao longo do mesmo. Essas respostas ao gradiente demonstram, em parte, o nicho efetivo de cada espécie. O gradiente apresentou alto valor de diversidade beta, com as zonas 1 e 3 diferindo significativamente na composição de espécies. Observamos que a substituição de espécies (turnover) melhor explica a variação observada, a qual pode ser associada a fatores como filtragem ambiental e interações interespecíficas. Não observamos diminuição significativa na riqueza com o aumento da profundidade da água, uma vez que não adentramos áreas profundas no gradiente (máx. 89,6 cm). Registramos predomínio da forma de vida anfíbia, a qual apresentou grande amplitude em termos de requisitos de umidade, sendo classificada em subcategorias: subaquática, tolerante e acidental. Evidenciamos que as formas de vida que habitam áreas úmidas representam um continuum adaptativo, havendo desde plantas que toleram submersão ocasional até aquelas adaptadas exclusivamente à vida aquática. Em última análise, ressaltamos que a compreensão dos padrões de distribuição das espécies pode auxiliar na delimitação dos limites das áreas úmidas e gerar subsídios à criação de estratégias de conservação e restauração desses ecossistemas de grande importância ecológica crescentemente ameaçados.
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No presente estudo, avaliamos a distribuição de plantas aquáticas ao longo do gradiente de inundação em áreas úmidas costeiras, situadas no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, Mostardas/RS. Abrangemos a região de transição entre os ambientes terrestre e aquático, onde estabelecemos transectos perpendiculares à margem de três áreas úmidas palustres (sem influência de marés). A partir da interface água-terra, traçamos 3 m em direção ao interior do corpo d'água e 3 m na direção da terra firme, amostrando áreas cobertas por água rasa e solos úmidos adjacentes. Delimitamos três zonas ao longo de cada transecto, sendo elas: zona inundável (zona 1), zona de interface água-terra, (zona 2) e zona de corpo d’água (zona 3). Observamos que espécies e formas de vida possuem amplitudes variadas de ocorrência e que estas se distribuem de forma preferencial ao longo do gradiente de inundação. Constatamos claros padrões de zonação, evidenciados por ocorrências restritas as porções do gradiente e por variações expressivas na cobertura ao longo do mesmo. Essas respostas ao gradiente demonstram, em parte, o nicho efetivo de cada espécie. O gradiente apresentou alto valor de diversidade beta, com as zonas 1 e 3 diferindo significativamente na composição de espécies. Observamos que a substituição de espécies (turnover) melhor explica a variação observada, a qual pode ser associada a fatores como filtragem ambiental e interações interespecíficas. Não observamos diminuição significativa na riqueza com o aumento da profundidade da água, uma vez que não adentramos áreas profundas no gradiente (máx. 89,6 cm). Registramos predomínio da forma de vida anfíbia, a qual apresentou grande amplitude em termos de requisitos de umidade, sendo classificada em subcategorias: subaquática, tolerante e acidental. Evidenciamos que as formas de vida que habitam áreas úmidas representam um continuum adaptativo, havendo desde plantas que toleram submersão ocasional até aquelas adaptadas exclusivamente à vida aquática. Em última análise, ressaltamos que a compreensão dos padrões de distribuição das espécies pode auxiliar na delimitação dos limites das áreas úmidas e gerar subsídios à criação de estratégias de conservação e restauração desses ecossistemas de grande importância ecológica crescentemente ameaçados.Aquatic plants represent a heterogeneous group of species with varying tolerances to flooding and/or waterlogged soil conditions. Therefore, the flood gradient acts as a crucial environmental filter, selecting species based on their ecological tolerances and life forms. Life forms (e.g., emergent, submerged, and floating) are distributed perpendicular to the shore in a reasonably organized manner, forming a spatial pattern known as zonation. Even on a small scale, environmental heterogeneity contributes to different resource distribution patterns, creating distinct microhabitats. In this study, we assessed the distribution of aquatic plants along the flood gradient in coastal wetlands located in Lagoa do Peixe National Park, Mostardas/RS. We covered the transition zone between terrestrial and aquatic environments, establishing perpendicular transects to the shoreline in three palustrine wetland areas (without tidal influence). Starting from the water-land interface, we measured 3 m towards the water body and 3 m towards the drained soil, sampling areas covered by shallow water and adjacent moist soils. We delimited three zones along each transect: floodable zone (zone 1), water-land interface zone (zone 2), and water body zone (zone 3). We observed that species and life forms have varied occurrence amplitudes and preferentially distribute along the flood gradient. Clear zonation patterns were evident, with occurrences restricted to specific gradient portions and expressive variations in coverage along it. These responses to the gradient partly demonstrate the effective niche of each species. The gradient showed a high beta diversity value, with zones 1 and 3 significantly differing in species composition. We observed that species turnover better explains the observed variation, which can be associated with factors such as environmental filtering and interspecific interactions. We did not observe a significant decrease in richness with increasing water depth, as we did not enter deep areas in the gradient (max 89.6 cm). The amphibious life form predominated, showing a broad range of moisture requirements and being classified into subcategories: subaquatic, tolerant, and accidental. We highlighted that life forms inhabiting wetlands represent an adaptive continuum, ranging from plants tolerating occasional submersion to those exclusively adapted to aquatic life. Ultimately, understanding species distribution patterns can assist in delineating wetland boundaries and provide insights for the creation of conservation and restoration strategies for these ecologically important ecosystems that are increasingly threatened.application/pdfporPlantas aquáticasÁreas úmidasZonação (Biologia)Environmental gradientMacrophytesHydrophytesShoreline zoneZonação de plantas aquáticas em áreas úmidas no litoral sul do Brasil : respostas ao gradiente de inundação em pequena escalainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de BiociênciasPrograma de Pós-Graduação em BotânicaPorto Alegre, BR-RS2024mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001211125.pdf.txt001211125.pdf.txtExtracted Texttext/plain86472http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/295564/2/001211125.pdf.txta670bbf671e4d519b9c8eb7b983d381dMD52ORIGINAL001211125.pdfTexto completoapplication/pdf1515645http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/295564/1/001211125.pdffc2341eacfc5bb34e18d9835aa548e34MD5110183/2955642025-08-22 08:00:21.159049oai:www.lume.ufrgs.br:10183/295564Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-08-22T11:00:21Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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