Transplante de fígado para carcinoma hepatocelular em idosos : resultados e fatores prognósticos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Marek, Fabiane de Avila
Orientador(a): Chedid, Márcio Fernandes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/300366
Resumo: Introdução: O transplante hepático (TH) é uma terapia estabelecida para doença hepática terminal, incluindo o carcinoma hepatocelular (CHC). Com a crescente demanda por transplantes, a escassez de órgãos e o aumento da expectativa de vida, vem se discutindo sobre os critérios de definição de potenciais receptores, particularmente se existe um limite de idade para ser candidato ao transplante. A literatura sobre o tema ainda é escassa, sobretudo quando se trata da população idosa com cirrose e CHC. Objetivo: O objetivo deste estudo foi avaliar os resultados do transplante hepático como tratamento para o CHC em pacientes idosos (com 65 anos ou mais na época do transplante), comparando-os com os resultados do TH para a mesma doença em pacientes não idosos (com idade entre 18 e 64 anos). Métodos: Todos os pacientes adultos (com idade superior a 18 anos) submetidos a TH por CHC entre 2002 e julho de 2024 no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) foram incluídos neste estudo. Os desfechos primários foram óbito ocorrido em qualquer momento durante o acompanhamento pós-TH e recorrência do CHC. A análise de sobrevida global foi realizada pelo método de Kaplan-Meier, e a sobrevida entre os dois grupos foi comparada pelo teste de log-rank. Uma análise univariada foi realizada para identificar fatores prognósticos para mortalidade e também para mortalidade relacionada ao CHC em idosos. Resultados: Um total de 192 pacientes foram incluídos, dos quais 52 (27%) pertenciam ao grupo de idosos. Dentre os 192 pacientes, 124 (64,6%) eram do sexo masculino e 151 (78,6%) apresentavam doença hepática terminal causada pelo vírus da hepatite C (VHC). Cento e treze pacientes (58,9%) estavam vivos na data da última atualização dos dados, em julho de 2025. A sobrevida global em 90 dias e em 1, 3, 5 e 7 anos após o transplante hepático em pacientes idosos foi de 96,2%, 94,2%, 83,7%, 78,1% e 63,6%, 10 respectivamente, em comparação com 91,4%, 85,7%, 74,8%, 66,4% e 58,4% no grupo de não idosos (p = 0,21). Na análise univariada, o único preditor de mortalidade entre pacientes idosos foi o CHC fora dos critérios de Milão (CM) na tomografia computadorizada (TC) inicial (HR = 4,117 (IC 95% = 1,311-12,925), p = 0,015). A recorrência do CHC foi a causa mais frequente de óbito no grupo de não idosos, com 38,7% (n = 24), e no grupo de idosos, com 23,5% (n = 4). A comparação da mortalidade relacionada ao CHC entre os dois grupos não revelou diferença estatística (p = 0,09). Conclusão: De modo similar aos pacientes mais jovens, pacientes idosos clinicamente estáveis se beneficiam do transplante hepático mesmo na presença de CHC, com sobrevida pós-transplante comparável à de pacientes mais jovens. A presença de CHC fora dos CM na TC inicial foi associada a uma sobrevida significativamente menor em pacientes idosos, constituindo uma contraindicação relativa ao transplante hepático nessa faixa etária.
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Métodos: Todos os pacientes adultos (com idade superior a 18 anos) submetidos a TH por CHC entre 2002 e julho de 2024 no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) foram incluídos neste estudo. Os desfechos primários foram óbito ocorrido em qualquer momento durante o acompanhamento pós-TH e recorrência do CHC. A análise de sobrevida global foi realizada pelo método de Kaplan-Meier, e a sobrevida entre os dois grupos foi comparada pelo teste de log-rank. Uma análise univariada foi realizada para identificar fatores prognósticos para mortalidade e também para mortalidade relacionada ao CHC em idosos. Resultados: Um total de 192 pacientes foram incluídos, dos quais 52 (27%) pertenciam ao grupo de idosos. Dentre os 192 pacientes, 124 (64,6%) eram do sexo masculino e 151 (78,6%) apresentavam doença hepática terminal causada pelo vírus da hepatite C (VHC). Cento e treze pacientes (58,9%) estavam vivos na data da última atualização dos dados, em julho de 2025. A sobrevida global em 90 dias e em 1, 3, 5 e 7 anos após o transplante hepático em pacientes idosos foi de 96,2%, 94,2%, 83,7%, 78,1% e 63,6%, 10 respectivamente, em comparação com 91,4%, 85,7%, 74,8%, 66,4% e 58,4% no grupo de não idosos (p = 0,21). Na análise univariada, o único preditor de mortalidade entre pacientes idosos foi o CHC fora dos critérios de Milão (CM) na tomografia computadorizada (TC) inicial (HR = 4,117 (IC 95% = 1,311-12,925), p = 0,015). A recorrência do CHC foi a causa mais frequente de óbito no grupo de não idosos, com 38,7% (n = 24), e no grupo de idosos, com 23,5% (n = 4). A comparação da mortalidade relacionada ao CHC entre os dois grupos não revelou diferença estatística (p = 0,09). Conclusão: De modo similar aos pacientes mais jovens, pacientes idosos clinicamente estáveis se beneficiam do transplante hepático mesmo na presença de CHC, com sobrevida pós-transplante comparável à de pacientes mais jovens. A presença de CHC fora dos CM na TC inicial foi associada a uma sobrevida significativamente menor em pacientes idosos, constituindo uma contraindicação relativa ao transplante hepático nessa faixa etária.Introduction: Liver transplantation (LT) is the only established therapy for end-stage liver disease, including hepatocellular carcinoma (HCC). With the increasing demand for transplants, organ shortages, and increasing life expectancy, there has been debate about criteria for defining potential recipients, particularly whether there is an age limit for transplantation. Literature on the topic remains scarce, especially when it involves the LT elderly population with cirrhosis and HCC. Objective: The aim of this study was to evaluate the results of LT as a treatment for HCC in elderly patients (aged 65 or older at the time of transplantation), comparing them with the results of LT for the same disease in non-elderly patients (aged 18 to 64 years). Methods: All adult patients (aged > 18 years-old) undergoing LT for HCC from 2002 to July, 2024 at Hospital de Clinicas de Porto Alegre (HCPA) were included in this study. The primary outcomes were death occurring at any time during post-LT follow-up and also HCC recurrence. Overall survival analysis was performed using the Kaplan-Meier method, and survival between the two groups was compared using the log-rank test. Univariate analysis was performed to identify prognostic factors for mortality and also for HCC-related mortality in the elderly. Results: A total of 192 patients were included, of which 52 (27%) were in the elderly group. Among all 192 patients, 124 (64.6%) were male and 151 (78.6%) endstage liver disease caused by hepatitis C virus (HCV). One hundred and thirteen patients (58.9%) were alive at the time of the last data update in July 2025. Overall survival at 90 days and 1, 3, 5, and 7 years after LT in elderly patients was: 96.2%, 94.2%, 83.7%, 78.1%, and 63.6% versus 91.4%, 85.7%, 74.8%, 66.4%, and 58.4% in the non-elderly group (p = 0.21). In the univariate analysis, the only predictor of mortality among elderly patients was HCC outside the Milan criteria (MC) at initial computed tomography (CT) (HR = 4.117 (IC 95% = 13 1.311-12.925), p = 0.015). HCC recurrence was the most frequent cause of death in the non-elderly group with 38.7% (n = 24) and in the elderly, with 23.5% (n = 4) of all deaths. A comparison of HCC-related mortality between the two groups revealed no statistical difference (p =0.09). Conclusion: Similar to younger patients, clinically stable elderly patients benefit from LT even in the presence of HCC, with post-LT survival comparable to that of younger patients. The presence of HCC outside the MC on initial CT scan was associated with significantly lower survival in elderly patients, constituting a relative contraindication to LT in elderly patients.application/pdfporTransplante de fígadoCarcinoma hepatocelularPrognósticoSobrevidaIdosoLiver transplantHepatocellular carcinomaPrognosisSurvivalElderlyTransplante de fígado para carcinoma hepatocelular em idosos : resultados e fatores prognósticosinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de MedicinaPrograma de Pós-Graduação em Medicina: Ciências CirúrgicasPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001298885.pdf.txt001298885.pdf.txtExtracted Texttext/plain70543http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/300366/2/001298885.pdf.txta642d1407d9378eab56e36b8300d2792MD52ORIGINAL001298885.pdfTexto completoapplication/pdf910132http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/300366/1/001298885.pdf24c4dd9249c459ac68e57b731707762bMD5110183/3003662026-01-18 09:03:10.585242oai:www.lume.ufrgs.br:10183/300366Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532026-01-18T11:03:10Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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