Apolo e Dioniso na charneca : a recepção dos clássicos em O Morro dos Ventos Uivantes (1847), de Emily Brontë

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Silva, Mirian Eliete Sodré da
Orientador(a): Brunhara, Rafael de Carvalho Matiello
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/297965
Resumo: Este estudo apresenta uma leitura de O Morro dos Ventos Uivantes, romance inglês de Emily Brontë publicado em 1847, à luz da recepção dos clássicos. Para tal, são utilizados tanto a teoria da recepção dos clássicos, formulada por Charles Martindale em 1993, quanto textos da Antiguidade clássica, especialmente os Hinos homéricos e a tragédia de Eurípides, As Bacantes, com um olhar voltado para algumas maneiras pelas quais os deuses gregos Apolo e Dioniso são representados e compreendidos, a fim de averiguar de que forma os vestígios destes podem ser encontrados na obra bronteana. Dessa maneira, é traçada a recepção desses deuses no romance de Emily Brontë, assim como são situadas as conexões da autora com o Romantismo Helênico, abordando a sobrevivência da Antiguidade na literatura da Inglaterra oitocentista. Para tal, este estudo está dividido em quatro capítulos, subdivididos entre duas partes: a primeira trata da relação de Emily Brontë e de sua família com a Antiguidade clássica, examinando a educação que os filhos do reverendo Brontë receberam, assim como as leituras que faziam e as incursões de Emily na tradução de clássicos latinos. Ainda na primeira parte, é analisada a pluralidade e influência dos Romantismos do início do século XIX, com foco no Helenismo praticado pelos poetas do início daquele período. A segunda parte, contendo dois capítulos, fala dos deuses Apolo e Dioniso a partir da tradição clássica greco-latina, primeiro tratando especialmente do aspecto solar de Apolo e da alteridade e violência de Dioniso, para depois adentrar na análise de O Morro dos Ventos Uivantes, associando Apolo a Edgar Linton e Dioniso a Heathcliff. Ainda, é traçado um paralelo entre Cathy e ambos os deuses, evidenciando como a personagem é uma figura liminar, aqui chamada de ninfa bacante, que transita pelos dois espaços — o Morro dos Ventos Uivantes e a Granja da Cruz dos Tordos — carregando em si aspectos tanto da ninfa Dafne do mito apolíneo quanto das mênades, as sacerdotisas bacantes de Dioniso. Assim, esta pesquisa pretende contribuir tanto com os estudos clássicos e os de recepção ao apresentar a maneira como se dá a sobrevivência da Antiguidade no romance, quanto com os estudos bronteanos, posicionando Emily Brontë como uma autora pertencente ao Romantismo Helênico.
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Para tal, este estudo está dividido em quatro capítulos, subdivididos entre duas partes: a primeira trata da relação de Emily Brontë e de sua família com a Antiguidade clássica, examinando a educação que os filhos do reverendo Brontë receberam, assim como as leituras que faziam e as incursões de Emily na tradução de clássicos latinos. Ainda na primeira parte, é analisada a pluralidade e influência dos Romantismos do início do século XIX, com foco no Helenismo praticado pelos poetas do início daquele período. A segunda parte, contendo dois capítulos, fala dos deuses Apolo e Dioniso a partir da tradição clássica greco-latina, primeiro tratando especialmente do aspecto solar de Apolo e da alteridade e violência de Dioniso, para depois adentrar na análise de O Morro dos Ventos Uivantes, associando Apolo a Edgar Linton e Dioniso a Heathcliff. Ainda, é traçado um paralelo entre Cathy e ambos os deuses, evidenciando como a personagem é uma figura liminar, aqui chamada de ninfa bacante, que transita pelos dois espaços — o Morro dos Ventos Uivantes e a Granja da Cruz dos Tordos — carregando em si aspectos tanto da ninfa Dafne do mito apolíneo quanto das mênades, as sacerdotisas bacantes de Dioniso. Assim, esta pesquisa pretende contribuir tanto com os estudos clássicos e os de recepção ao apresentar a maneira como se dá a sobrevivência da Antiguidade no romance, quanto com os estudos bronteanos, posicionando Emily Brontë como uma autora pertencente ao Romantismo Helênico.This study presents a reading of Wuthering Heights, an English novel by Emily Brontë published in 1847, based on the Classical reception theory. To this end, it utilizes both the theory of Classical reception formulated by Charles Martindale in 1993, and texts from Classical Antiquity, especially the Homeric Hymns, and Euripides’ tragedy The Bacchae, focusing on some of the ways in which the Greek gods Apollo and Dionysus are represented and understood, in order to determine how traces of these can be found in Brontë’s work. Thus, the reception of these gods in Emily Brontë’s novel, as well as the author’s connections with Romantic Hellenism, addressing the survival of Antiquity in nineteenth-century English literature. To this end, this study is divided into four chapters, subdivided into two parts: the first addresses Emily Brontë and her family’s relationship with Classical Antiquity, examining the education of Reverend Brontë’s children, their reading habits, and Emily’s forays into translating Latin classics. The first part also analyzes the plurality and influence of early 19th-century Romanticism, focusing on Hellenism practiced by the poets of that period. The second part, containing two chapters, discusses the gods Apollo and Dionysus from the classical Greco-Latin tradition, first focusing specifically on Apollo’s solar aspect and Dionysus’ otherness and violence, and then delving into an analysis of Wuthering Heights, associating Apollo with Edgar Linton and Dionysus with Heathcliff. Furthermore, a parallel is drawn between Cathy and both gods, highlighting how the character is a liminal figure, here called a bacchante-nymph, who transits between both spaces—Wuthering Heights and Thrushcross Grange— carrying within herself aspects of both the nymph Daphne of the Apollonian myth, and the maenads, the bacchante priestesses of Dionysus. Thus, this research aims to contribute to both Classical and reception studies by presenting the way in which Antiquity survives in the novel, and to Brontë studies, positioning Emily Brontë as an author belonging to Romantic Hellenism.application/pdfporBrontë, Emily Jane, 1818-1848. O morro dos ventos uivantes : Crítica e interpretaçãoRomantismoTeoria da recepçãoDeuses gregosLiteratura inglesaClassical receptionApolloDionysusRomantic HellenismEmily BrontëApolo e Dioniso na charneca : a recepção dos clássicos em O Morro dos Ventos Uivantes (1847), de Emily Brontëinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de LetrasPrograma de Pós-Graduação em LetrasPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001295370.pdf.txt001295370.pdf.txtExtracted Texttext/plain255801http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/297965/2/001295370.pdf.txt63e44f8d21c552dc617ab9b93229ec20MD52ORIGINAL001295370.pdfTexto completoapplication/pdf1580447http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/297965/1/001295370.pdf258dc72d681cf1dedf5dcd762f4033ccMD5110183/2979652025-10-16 08:01:45.15577oai:www.lume.ufrgs.br:10183/297965Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-10-16T11:01:45Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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