Diálogos entre o pensamento de José Carlos Mariátegui (1894-1930) e as lutas indígenas no Brasil contemporâneo: movimentos políticos e pedagógicos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Medeiros, Tanise Baptista de
Orientador(a): Menezes, Magali Mendes de
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Espanhol:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/297164
Resumo: A presente investigação teve como objetivo traçar diálogos possíveis entre o pensamento de José Carlos Mariátegui e as lutas indígenas no Brasil contemporâneo, a fim de contribuir para a elaboração de um projeto histórico, de um pensamento latino-americano e de uma pedagogia descolonizadora e anticapitalista. A pesquisa foi realizada tendo como base teórico-metodológica o materialismo histórico dialético, coletando informações a partir de relatos, produções acadêmicas e midiáticas, em especial de vozes indígenas, buscando apreender as contradições da realidade e apontando possíveis superações do complexo capitalista colonial que se manifesta na atualidade através do etnogenocídio e do racismo antiindígena. Como considerações apontamos que a atualidade do pensamento de Mariátegui reside na possibilidade de análise da questão indígena a partir da perpetuação das estruturas coloniais que não foram efetivamente desmanteladas, em especial do latifúndio agrárioexportador no Brasil, entendendo, assim, a realidade indígena e a questão étnico-racial no interior desta dinâmica. A descolonização, nessa perspectiva, trata-se, portanto, de um projeto inacabado que hoje só pode ser levado à cabo pelas camadas subalternas, desmantelando o complexo capitalista colonial que se enraizou em nosso continente. Os intelectuais indígenas aqui trazidos, parecem não ter dúvidas de que a questão indígena segue imbrincada à questão da terra, como Mariátegui apontava já no início do século XX. Na conjuntura atual brasileira, por mais que tenhamos avanços na relação entre estado e povos indígenas, o chamado "agropolpe", articulado através do pacto de uma masculinidade branca ligada ao agronegócio no Congresso Nacional vem impedindo avanços, principalmente, no que diz respeito à demarcação das terras indígenas. Por outro lado, entendemos que os avanços alcançados são frutos da articulação dos movimentos indígenas, que vem nos ensinando estratégias distintas, modos de fazer e construir política, onde vida, luta e educação não se separam. A partir disso e de uma noção ampliada de pedagogia, entendemos que tais modos de ensinar e aprender constituem pedagogias indígenas que nos apontam horizontes para a construção de um projeto descolonizador no âmbito também da escola e da universidade, que desafiam as velhas experiências pedagógicas colonizadoras, buscando novas práticas político-pedagógicas calcadas em relações sociais, étnicas e epistemológicas simétricas, apresentando estratégias para construir uma nova ordem, também pedagógica, baseada no diálogo, na reciprocidade, na complementariedade e na transmissão dos saberes ancestrais.
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Como considerações apontamos que a atualidade do pensamento de Mariátegui reside na possibilidade de análise da questão indígena a partir da perpetuação das estruturas coloniais que não foram efetivamente desmanteladas, em especial do latifúndio agrárioexportador no Brasil, entendendo, assim, a realidade indígena e a questão étnico-racial no interior desta dinâmica. A descolonização, nessa perspectiva, trata-se, portanto, de um projeto inacabado que hoje só pode ser levado à cabo pelas camadas subalternas, desmantelando o complexo capitalista colonial que se enraizou em nosso continente. Os intelectuais indígenas aqui trazidos, parecem não ter dúvidas de que a questão indígena segue imbrincada à questão da terra, como Mariátegui apontava já no início do século XX. Na conjuntura atual brasileira, por mais que tenhamos avanços na relação entre estado e povos indígenas, o chamado "agropolpe", articulado através do pacto de uma masculinidade branca ligada ao agronegócio no Congresso Nacional vem impedindo avanços, principalmente, no que diz respeito à demarcação das terras indígenas. Por outro lado, entendemos que os avanços alcançados são frutos da articulação dos movimentos indígenas, que vem nos ensinando estratégias distintas, modos de fazer e construir política, onde vida, luta e educação não se separam. A partir disso e de uma noção ampliada de pedagogia, entendemos que tais modos de ensinar e aprender constituem pedagogias indígenas que nos apontam horizontes para a construção de um projeto descolonizador no âmbito também da escola e da universidade, que desafiam as velhas experiências pedagógicas colonizadoras, buscando novas práticas político-pedagógicas calcadas em relações sociais, étnicas e epistemológicas simétricas, apresentando estratégias para construir uma nova ordem, também pedagógica, baseada no diálogo, na reciprocidade, na complementariedade e na transmissão dos saberes ancestrais.La presente investigación tuvo como objetivo rastrear posibles diálogos entre el pensamiento de José Carlos Mariátegui y las luchas indígenas en el Brasil contemporáneo, con el fin de contribuir a la elaboración de un proyecto histórico, un pensamiento latinoamericano y una pedagogía descolonizadora y anticapitalista. La investigación se realizó utilizando como base teórico-metodológica el materialismo histórico dialéctico, recogiendo información de informes, producciones académicas y mediáticas, especialmente de voces indígenas, buscando comprender las contradicciones de la realidad y señalar posibles superaciones del complejo capitalista colonial que se manifiesta. hoy en día a través del etnogenocidio y el racismo antiindígena. Como consideraciones, señalamos que la relevancia del pensamiento de Mariátegui radica en la posibilidad de analizar la cuestión indígena a partir de la perpetuación de estructuras coloniales que no fueron efectivamente desmanteladas, especialmente los latifundios agrarios exportadores en Brasil, comprendiendo así la realidad indígena y la cuestión étnico-racial dentro de esta dinámica. La descolonización, desde esta perspectiva, es por tanto un proyecto inconcluso que hoy sólo pueden llevar a cabo las capas subalternas, desmantelando el complejo capitalista colonial que se ha arraigado en nuestro continente. Los intelectuales indígenas traídos aquí parecen no tener dudas de que la cuestión indígena sigue entrelazada con la cuestión de la tierra, como señaló Mariátegui a principios del siglo XX. En la actual situación brasileña, por mucho que hayamos avanzado en la relación entre el Estado y los pueblos indígenas, el llamado "agropolpe", articulado a través del pacto de una masculinidad blanca vinculada al agronegocio en el Congreso Nacional, ha sido impidiendo avances, principalmente en materia de demarcación de tierras indígenas. Por otro lado, entendemos que los avances alcanzados son resultado de la articulación de los movimientos indígenas, que nos viene enseñando diferentes estrategias, formas de hacer y construir política, donde la vida, la lucha y la educación no están separadas. A partir de esto y de una noción ampliada de pedagogía, entendemos que tales formas de enseñar y aprender constituyen pedagogías indígenas que nos muestran horizontes para la construcción de un proyecto descolonizador en el ámbito de las escuelas y universidades, que cuestiona viejas experiencias pedagógicas colonizadoras, buscando nuevas prácticas político-pedagógicas basadas en relaciones sociales, étnicas y epistemológicas simétricas, presentando estrategias para construir un nuevo orden, también pedagógico, basado en el diálogo, en la reciprocidad, la complementariedad y la transmisión de conocimientos ancestrales.application/pdfporMariategui, José Carlos, 1895-1930IndígenasPedagogiaBrasilJosé Carlos MariáteguiPueblos indígenas en BrasilMovimiento indígena educativoPedagogías indígenasDiálogos entre o pensamento de José Carlos Mariátegui (1894-1930) e as lutas indígenas no Brasil contemporâneo: movimentos políticos e pedagógicosinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de EducaçãoPrograma de Pós-Graduação em EducaçãoPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001241383.pdf.txt001241383.pdf.txtExtracted Texttext/plain780698http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/297164/2/001241383.pdf.txt5a12af94431726430395950d1f271933MD52ORIGINAL001241383.pdfTexto completoapplication/pdf6635572http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/297164/1/001241383.pdf4e15e5e53390d0f7b9cbcd217947363bMD5110183/2971642025-09-25 08:00:40.546728oai:www.lume.ufrgs.br:10183/297164Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-09-25T11:00:40Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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