Relação entre medidas restritivas da pandemia de COVID-19 e a saúde mental de adolescentes de Osório/RS

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Oliveira, Caroline Zimmer de
Orientador(a): Czepielewski, Letícia Sanguinetti
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/292134
Resumo: Esta dissertação teve como objetivo investigar a relação entre medidas restritivas da pandemia de COVID-19, a saúde mental de adolescentes, e indicadores de risco e proteção no desenvolvimento de transtornos mentais. Para tanto, foi realizado um estudo com método misto, no qual foi realizada de forma concomitante a coleta de dados quantitativos e qualitativos, que foram integrados durante a análise. Na etapa quantitativa, participaram 110 adolescentes da cidade de Osório/RS, com idades entre 11 e 16 anos. Para avaliar a saúde mental, foram utilizados dois inventários da bateria Achenbach System of Empirically Based Assessment (Achenbach & Rescorla, 2001): o Inventário de Autoavaliação para adolescentes de 12 a 18 anos (Youth SelfReport – YSR) e o Inventário de Comportamentos para Crianças e Adolescentes entre 6 e 18 anos (Child Behavior Checklist for ages 6-18 – CBCL). Para investigar os indicadores de risco e proteção, foi elaborado um questionário Sociodemográfico e de Aspectos Psicossociais. Na etapa qualitativa, participaram 40 adolescentes, com idades entre 11 e 16 anos. Foram realizados quatro grupos focais, com 10 participantes cada, utilizando-se um roteiro semiestruturado que buscou explorar memórias e relatos da experiência durante as medidas restritivas da pandemia COVID-19. Para análise dos dados quantitativos, foram realizadas análises descritivas gerais da amostra e utilizados modelos de correlação linear entre as variáveis de percepções sobre o contexto de pandemia e dos sintomas reportados. Foi utilizada a Análise Temática Indutiva para a análise dos dados qualitativos. Os resultados indicaram que 68,2% dos participantes apresentaram algum sintoma psicológico em nível clínico. Foi identificada relação entre sintomas psicológicos em nível clínico com problemas na convivência familiar, qualidade do sono, condição financeira da família e perdas durante a pandemia de COVID-19. Também foram identificados quatro temas principais nos relatos dos participantes, sendo estes a) Falta de motivação para o Ensino Remoto Emergencial, b) Dificuldades no retorno às atividades presenciais, c) Fragilidades na rede apoio e d) O uso do celular como fator protetivo da Saúde Mental. Estes resultados indicam que diferentes fatores contribuíram para o panorama atual da saúde mental dos adolescentes, que não parece estar associado de forma direta às medidas restritivas da Pandemia de COVID-19, mas sim ser efeito das alterações que a Pandemia causou na vida escolar e relações cotidianas dos adolescentes. Não é possível indicar por quanto tempo a saúde mental deste público ainda será atravessada pelos impactos dessa experiência. Contudo, entende-se que é necessário que sejam trabalhados os sintomas evidenciados, assim como traçadas medidas de prevenção a situações futuras que possam colocar em risco a saúde mental dos adolescentes.
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Para avaliar a saúde mental, foram utilizados dois inventários da bateria Achenbach System of Empirically Based Assessment (Achenbach & Rescorla, 2001): o Inventário de Autoavaliação para adolescentes de 12 a 18 anos (Youth SelfReport – YSR) e o Inventário de Comportamentos para Crianças e Adolescentes entre 6 e 18 anos (Child Behavior Checklist for ages 6-18 – CBCL). Para investigar os indicadores de risco e proteção, foi elaborado um questionário Sociodemográfico e de Aspectos Psicossociais. Na etapa qualitativa, participaram 40 adolescentes, com idades entre 11 e 16 anos. Foram realizados quatro grupos focais, com 10 participantes cada, utilizando-se um roteiro semiestruturado que buscou explorar memórias e relatos da experiência durante as medidas restritivas da pandemia COVID-19. Para análise dos dados quantitativos, foram realizadas análises descritivas gerais da amostra e utilizados modelos de correlação linear entre as variáveis de percepções sobre o contexto de pandemia e dos sintomas reportados. Foi utilizada a Análise Temática Indutiva para a análise dos dados qualitativos. Os resultados indicaram que 68,2% dos participantes apresentaram algum sintoma psicológico em nível clínico. Foi identificada relação entre sintomas psicológicos em nível clínico com problemas na convivência familiar, qualidade do sono, condição financeira da família e perdas durante a pandemia de COVID-19. Também foram identificados quatro temas principais nos relatos dos participantes, sendo estes a) Falta de motivação para o Ensino Remoto Emergencial, b) Dificuldades no retorno às atividades presenciais, c) Fragilidades na rede apoio e d) O uso do celular como fator protetivo da Saúde Mental. Estes resultados indicam que diferentes fatores contribuíram para o panorama atual da saúde mental dos adolescentes, que não parece estar associado de forma direta às medidas restritivas da Pandemia de COVID-19, mas sim ser efeito das alterações que a Pandemia causou na vida escolar e relações cotidianas dos adolescentes. Não é possível indicar por quanto tempo a saúde mental deste público ainda será atravessada pelos impactos dessa experiência. Contudo, entende-se que é necessário que sejam trabalhados os sintomas evidenciados, assim como traçadas medidas de prevenção a situações futuras que possam colocar em risco a saúde mental dos adolescentes.This dissertation aimed to investigate the relationship between COVID-19 pandemic restrictive measures, adolescents' mental health, and risk and protective indicators in the development of mental disorders. To this end, a mixed-methods study was conducted, where both quantitative and qualitative data were collected concurrently and integrated during the analysis. In the quantitative phase, 110 adolescents from the city of Osório/RS, aged between 11 and 16 years, participated. To assess mental health, two inventories from the Achenbach System of Empirically Based Assessment (Achenbach & Rescorla, 2001) were used: the Youth SelfReport (YSR) for adolescents aged 12 to 18, and the Child Behavior Checklist for ages 6-18 (CBCL). To investigate risk and protective indicators, a Sociodemographic and Psychosocial Aspects questionnaire was developed. In the qualitative phase, 40 adolescents, aged between 11 and 16, participated. Four focus groups were conducted, with 10 participants each, using a semi-structured interview guide that sought to explore memories and narratives about the experience during the restrictive measures of the COVID-19 pandemic. For the analysis of quantitative data, general descriptive analyses of the sample were performed, and linear correlation models were used between the perceptions of the pandemic context and the reported symptoms. Inductive Thematic Analysis was used for the qualitative data analysis. The results indicated that 68.2% of participants exhibited some level of clinically significant psychological symptoms. A relationship was identified between clinical-level psychological symptoms and problems in family relationships, sleep quality, family financial conditions, and losses during the COVID-19 pandemic. Four main themes emerged from the participants' narratives: a) Lack of motivation for Emergency Remote Learning, b) Difficulties in returning to in-person activities, c) Weaknesses in the support network, and d) The use of mobile phones as a protective factor for Mental Health. These findings suggest that various factors contributed to the current mental health situation among adolescents, which does not seem to be directly associated with the pandemic's restrictive measures, but rather with the changes the pandemic caused in adolescents' school life and daily relationships. It is not possible to determine how long the mental health of this group will continue to be affected by the impacts of this experience. However, it is understood that the evident symptoms need to be addressed, and preventive measures should be developed to safeguard adolescents' mental health in the future.application/pdfporAdolescênciaSaúde mentalTranstornos mentaisCOVID-19Fatores de riscoFatores de proteçãoDesenvolvimento do adolescenteIsolamento socialEnsino Remoto Emergencial (ERE)Osório (RS)AdolescenceMental healthCOVID-19 pandemicRemote learningRelação entre medidas restritivas da pandemia de COVID-19 e a saúde mental de adolescentes de Osório/RSinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de Psicologia, Serviço Social, Saúde e Comunicação HumanaPrograma de Pós-Graduação em PsicologiaPorto Alegre, BR-RS2024mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001242661.pdf.txt001242661.pdf.txtExtracted Texttext/plain94424http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/292134/2/001242661.pdf.txtdf98400ac68103ac0bc9291d085746caMD52ORIGINAL001242661.pdfTexto parcialapplication/pdf1861532http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/292134/1/001242661.pdf8c3191ac04accf2cba8355d87b7a8e7cMD5110183/2921342025-05-29 06:37:33.996238oai:www.lume.ufrgs.br:10183/292134Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-05-29T09:37:33Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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