The role of oral glucose tolerance test phenotypes in type 2 diabetes progression and remission

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Ferreira, Thaís Soares
Orientador(a): Schmidt, Maria Inês
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: eng
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/302058
Resumo: INTRODUÇÃO: A heterogeneidade do diabetes tipo 2 é complexa e envolve interações dinâmicas entre predisposição genética, exposições ambientais e fenótipos metabólicos distintos. Historicamente considerada uma doença crônica e invariavelmente progressiva, o paradigma do diabetes tipo 2 tem sido cada vez mais desafiado por estudos com pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, intervenções dietéticas e novas terapias farmacológicas, cujos achados demonstram que a remissão do diabetes é possível em certos subgrupos de indivíduos. Desde então, o interesse científico tem crescido substancialmente, acompanhado por esforços para identificar fatores associados à remissão do diabetes tipo 2. Apesar da falta de um consenso amplamente aceito sobre a definição de remissão, a duração da doença e o controle glicêmico têm surgido consistentemente como determinantes-chave. No entanto, aspectos relacionados à heterogeneidade das vias fisiopatológicas do diabetes têm recebido atenção comparativamente limitada, e o termo diabetes é frequentemente utilizado como um rótulo diagnóstico amplo, negligenciando os distintos fenótipos metabólicos que constituem o espectro da doença. Uma melhor compreensão dos perfis clínicos e metabólicos associados tanto ao surgimento de distintos fenótipos de diabetes tipo 2 (DM2) quanto à remissão é essencial para apoiar estratégias de prevenção direcionadas e cuidados personalizados. Nesse contexto, o Estudo Longitudinal Brasileiro de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), uma coorte multicêntrica com coleta de dados padronizada e centralizada, oferece uma oportunidade única para investigar os perfis metabólicos dinâmicos associados ao surgimento de fenótipos de DM2 e à remissão em indivíduos com diagnóstico recente da doença. MÉTODOS: Analisamos dados do ELSA-Brasil, que recrutou 15.105 servidores públicos com idades entre 35 e 74 anos, de seis cidades brasileiras, entre 2008 e 2010, com avaliações de acompanhamento realizadas entre 2012 e 2014 e entre 2017 e 2019. Para a análise de incidência, incluímos participantes sem diabetes no início do estudo, confirmado por teste oral de tolerância à glicose (TOTG) e ausência de uso de medicação hipoglicemiante. O diabetes tipo 2 (DM2) incidente foi classificado em glicemia de jejum anormal isolada (glicemia de jejum ≥126 mg/dL e glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose <200 mg/dL) ou glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose anormal isolada (glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose ≥200 mg/dL e glicemia de jejum <126 mg/dL), excluindo aqueles com ambas as anormalidades. Para a análise de remissão, 14 incluímos indivíduos com diagnóstico recente de DM2 na Visita 1 ou 2, com dados de TOTG de acompanhamento disponíveis e sem histórico de cirurgia bariátrica. A remissão foi definida como a obtenção de glicemia de jejum (GJ) <126 mg/dL, glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose (G2h) <200 mg/dL e hemoglobina glicada (HbA1c) <6,5%, sem o uso de medicamentos hipoglicemiantes. Dados clínicos, laboratoriais e sociodemográficos foram obtidos utilizando protocolos padronizados. A sensibilidade à insulina foi estimada pelo Índice de Matsuda e a esteatose hepática foi avaliada pelo Fatty Liver Index (FLI). As associações entre fatores metabólicos e fenótipos de diabetes ou remissão foram estimadas utilizando modelos robustos de regressão de Poisson. RESULTADOS: Entre os 845 participantes com diabetes tipo 2 incidente, após a exclusão dos participantes com glicemia elevada em ambos os momentos, 605 foram classificados com glicemia de jejum anormal isolada (34%) ou glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose anormal isolada (66%). Níveis mais elevados de colesterol LDL foram inversamente associados ao fenótipo de glicemia de jejum anormal isolada (RR por 50 mg/dL = 0,69; IC 95%: 0,55–0,88), enquanto a sensibilidade à insulina permaneceu positivamente associada em todos os modelos (RR = 1,17; IC 95%: 1,03–1,32). Níveis mais elevados do pelo Fatty Liver Index (FLI) foram associados ao fenótipo de glicemia de jejum (RR = 1,34; IC 95%: 1,02–1,77), mas perderam significância quando o IMC, a hipertensão e as características do estilo de vida foram adicionadas ao modelo. O consumo excessivo de álcool foi associado a um maior risco de desenvolver o fenótipo de glicemia de jejum anormal isolada (RR = 1,82; IC 95% 1,10–2,93). Na análise de remissão, 752 participantes com diabetes tipo 2 incidente foram avaliados, dos quais 100 estavam em remissão do diabetes no acompanhamento. A maioria dos casos de remissão ocorreu entre aqueles inicialmente classificados com glicemia de jejum 2 horas anormal isolada. Em modelos multivariáveis, esse grupo apresentou maior probabilidade de remissão em comparação àqueles com alteração isolada da glicemia de jejum (RR = 1,95; IC 95% 1,17–3,39), enquanto indivíduos com ambas as anormalidades apresentaram menor probabilidade de remissão (RR = 0,19; IC 95% 0,04–0,60). Níveis mais elevados de HbA1c e Fatty Liver Index (FLI) foram inversamente associados à remissão em todos os modelos (RR = 0,39; IC 95% 0,26–0,58 e RR = 0,54; IC 95% 0,33–0,88, respectivamente). Em contraste, medidas antropométricas, parâmetros lipídicos e sensibilidade à insulina (índice de Matsuda) não apresentaram associação significativa com a remissão nos modelos multivariados. A análise estratificada por índice de massa 15 corporal (IMC) revelou modificação do efeito para alguns preditores. Entre indivíduos sem obesidade (IMC < 30 kg/m²), a associação inversa entre IFG e remissão permaneceu significativa e ligeiramente mais forte (RR = 0,44; IC 95% 0,26–0,73), enquanto em indivíduos com obesidade a associação foi atenuada. A associação positiva entre glicemia anormal isolada 2 horas após a sobrecarga de glicose e remissão foi mais pronunciada entre indivíduos com obesidade (RR: 4,50; IC 95% 1,43–14,15). Níveis mais elevados de triglicerídeos foram associados positivamente à remissão no grupo com IMC < 30 (RR = 1,17; IC 95% 1,03–1,33), enquanto nenhuma associação significativa foi encontrada entre indivíduos com IMC ≥ 30 kg/m². CONCLUSÃO: Ambos os estudos baseados na coorte ELSA-Brasil destacam a relevância prognóstica dos fenótipos do TOTG e sua associação com perfis metabólicos distintos no diabetes tipo 2. Indivíduos com glicemia pós-prandial anormal isolada apresentaram menor probabilidade de remissão, particularmente na presença de obesidade, e foram caracterizados por menor sensibilidade à insulina e menor grau de esteatose hepática. Níveis elevados de colesterol LDL foram associados independentemente a esse fenótipo, apontando para um possível papel do metabolismo lipídico em seu desenvolvimento, além da resistência à insulina e da disfunção hepática. Esses achados reforçam a necessidade do avanço para além de um modelo único aplicável a todos os indivíduos com diabetes, enfatizando a estratificação fenotípica no momento do diagnóstico. A incorporação de ferramentas simples como o TOTG e o Fatty Liver Index (FLI) na prática clínica pode auxiliar na identificação de indivíduos com maior potencial de remissão e orientar intervenções direcionadas e custo-efetivas. Reconhecer a heterogeneidade do diabetes tipo 2 é essencial para o avanço da pesquisa e da prática clínica em direção a abordagens mais personalizadas.
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Apesar da falta de um consenso amplamente aceito sobre a definição de remissão, a duração da doença e o controle glicêmico têm surgido consistentemente como determinantes-chave. No entanto, aspectos relacionados à heterogeneidade das vias fisiopatológicas do diabetes têm recebido atenção comparativamente limitada, e o termo diabetes é frequentemente utilizado como um rótulo diagnóstico amplo, negligenciando os distintos fenótipos metabólicos que constituem o espectro da doença. Uma melhor compreensão dos perfis clínicos e metabólicos associados tanto ao surgimento de distintos fenótipos de diabetes tipo 2 (DM2) quanto à remissão é essencial para apoiar estratégias de prevenção direcionadas e cuidados personalizados. Nesse contexto, o Estudo Longitudinal Brasileiro de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), uma coorte multicêntrica com coleta de dados padronizada e centralizada, oferece uma oportunidade única para investigar os perfis metabólicos dinâmicos associados ao surgimento de fenótipos de DM2 e à remissão em indivíduos com diagnóstico recente da doença. MÉTODOS: Analisamos dados do ELSA-Brasil, que recrutou 15.105 servidores públicos com idades entre 35 e 74 anos, de seis cidades brasileiras, entre 2008 e 2010, com avaliações de acompanhamento realizadas entre 2012 e 2014 e entre 2017 e 2019. Para a análise de incidência, incluímos participantes sem diabetes no início do estudo, confirmado por teste oral de tolerância à glicose (TOTG) e ausência de uso de medicação hipoglicemiante. O diabetes tipo 2 (DM2) incidente foi classificado em glicemia de jejum anormal isolada (glicemia de jejum ≥126 mg/dL e glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose <200 mg/dL) ou glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose anormal isolada (glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose ≥200 mg/dL e glicemia de jejum <126 mg/dL), excluindo aqueles com ambas as anormalidades. Para a análise de remissão, 14 incluímos indivíduos com diagnóstico recente de DM2 na Visita 1 ou 2, com dados de TOTG de acompanhamento disponíveis e sem histórico de cirurgia bariátrica. A remissão foi definida como a obtenção de glicemia de jejum (GJ) <126 mg/dL, glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose (G2h) <200 mg/dL e hemoglobina glicada (HbA1c) <6,5%, sem o uso de medicamentos hipoglicemiantes. Dados clínicos, laboratoriais e sociodemográficos foram obtidos utilizando protocolos padronizados. A sensibilidade à insulina foi estimada pelo Índice de Matsuda e a esteatose hepática foi avaliada pelo Fatty Liver Index (FLI). As associações entre fatores metabólicos e fenótipos de diabetes ou remissão foram estimadas utilizando modelos robustos de regressão de Poisson. RESULTADOS: Entre os 845 participantes com diabetes tipo 2 incidente, após a exclusão dos participantes com glicemia elevada em ambos os momentos, 605 foram classificados com glicemia de jejum anormal isolada (34%) ou glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose anormal isolada (66%). Níveis mais elevados de colesterol LDL foram inversamente associados ao fenótipo de glicemia de jejum anormal isolada (RR por 50 mg/dL = 0,69; IC 95%: 0,55–0,88), enquanto a sensibilidade à insulina permaneceu positivamente associada em todos os modelos (RR = 1,17; IC 95%: 1,03–1,32). Níveis mais elevados do pelo Fatty Liver Index (FLI) foram associados ao fenótipo de glicemia de jejum (RR = 1,34; IC 95%: 1,02–1,77), mas perderam significância quando o IMC, a hipertensão e as características do estilo de vida foram adicionadas ao modelo. O consumo excessivo de álcool foi associado a um maior risco de desenvolver o fenótipo de glicemia de jejum anormal isolada (RR = 1,82; IC 95% 1,10–2,93). Na análise de remissão, 752 participantes com diabetes tipo 2 incidente foram avaliados, dos quais 100 estavam em remissão do diabetes no acompanhamento. A maioria dos casos de remissão ocorreu entre aqueles inicialmente classificados com glicemia de jejum 2 horas anormal isolada. Em modelos multivariáveis, esse grupo apresentou maior probabilidade de remissão em comparação àqueles com alteração isolada da glicemia de jejum (RR = 1,95; IC 95% 1,17–3,39), enquanto indivíduos com ambas as anormalidades apresentaram menor probabilidade de remissão (RR = 0,19; IC 95% 0,04–0,60). Níveis mais elevados de HbA1c e Fatty Liver Index (FLI) foram inversamente associados à remissão em todos os modelos (RR = 0,39; IC 95% 0,26–0,58 e RR = 0,54; IC 95% 0,33–0,88, respectivamente). Em contraste, medidas antropométricas, parâmetros lipídicos e sensibilidade à insulina (índice de Matsuda) não apresentaram associação significativa com a remissão nos modelos multivariados. A análise estratificada por índice de massa 15 corporal (IMC) revelou modificação do efeito para alguns preditores. Entre indivíduos sem obesidade (IMC < 30 kg/m²), a associação inversa entre IFG e remissão permaneceu significativa e ligeiramente mais forte (RR = 0,44; IC 95% 0,26–0,73), enquanto em indivíduos com obesidade a associação foi atenuada. A associação positiva entre glicemia anormal isolada 2 horas após a sobrecarga de glicose e remissão foi mais pronunciada entre indivíduos com obesidade (RR: 4,50; IC 95% 1,43–14,15). Níveis mais elevados de triglicerídeos foram associados positivamente à remissão no grupo com IMC < 30 (RR = 1,17; IC 95% 1,03–1,33), enquanto nenhuma associação significativa foi encontrada entre indivíduos com IMC ≥ 30 kg/m². CONCLUSÃO: Ambos os estudos baseados na coorte ELSA-Brasil destacam a relevância prognóstica dos fenótipos do TOTG e sua associação com perfis metabólicos distintos no diabetes tipo 2. Indivíduos com glicemia pós-prandial anormal isolada apresentaram menor probabilidade de remissão, particularmente na presença de obesidade, e foram caracterizados por menor sensibilidade à insulina e menor grau de esteatose hepática. Níveis elevados de colesterol LDL foram associados independentemente a esse fenótipo, apontando para um possível papel do metabolismo lipídico em seu desenvolvimento, além da resistência à insulina e da disfunção hepática. Esses achados reforçam a necessidade do avanço para além de um modelo único aplicável a todos os indivíduos com diabetes, enfatizando a estratificação fenotípica no momento do diagnóstico. A incorporação de ferramentas simples como o TOTG e o Fatty Liver Index (FLI) na prática clínica pode auxiliar na identificação de indivíduos com maior potencial de remissão e orientar intervenções direcionadas e custo-efetivas. Reconhecer a heterogeneidade do diabetes tipo 2 é essencial para o avanço da pesquisa e da prática clínica em direção a abordagens mais personalizadas.BACKGROUND: The heterogeneity of type 2 diabetes is complex and involves dynamic interactions between genetic predisposition, environmental exposures, and distinct metabolic phenotypes. Historically regarded as a chronic and inevitably progressive disease, type 2 diabetes has had its paradigm increasingly challenged by evidence from studies involving patients undergoing bariatric surgery, dietary interventions, and novel pharmacological therapies. These studies have demonstrated that diabetes remission is achievable in a subset of individuals. Since then, scientific interest has grown substantially, accompanied by efforts to identify factors associated with type 2 diabetes remission. Despite the lack of a widely accepted consensus on the definition of remission, disease duration and glycemic control have consistently emerged as key determinants. However, aspects related to the heterogeneity of diabetes pathophysiological pathways have received comparatively limited attention and diabetes is often used as a broad diagnostic label, overlooking the distinct metabolic phenotypes that constitute the disease spectrum. A better understanding of the clinical and metabolic profiles associated both with the onset of distinct T2D phenotypes and with remission is essential to support targeted prevention and personalized care strategies. In this context, the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil), a multicenter cohort with standardized and centralized data collection, offers a unique opportunity to investigate the dynamic metabolic profiles associated with incident T2D phenotypes and remission among individuals with newly diagnosed disease. METHODS: We analyzed data from ELSA-Brasil, which enrolled 15,105 civil servants aged 35–74 from six Brazilian cities between 2008 and 2010, with follow-up assessments conducted in 2012–2014 and 2017–2019. For the incidence analysis, we included participants without diabetes at baseline, confirmed by oral glucose tolerance test (OGTT) and the absence of glucose-lowering medication. Incident T2D was classified into isolated abnormal fasting glucose (FPG ≥126 mg/dL and 2hPG <200 mg/dL) or isolated abnormal 2-hour post-load glucose (2hPG ≥200 mg/dL and FPG <126 mg/dL), excluding those with both abnormalities. For the remission analysis, we included individuals newly diagnosed with T2D at Visit 1 or 2, with follow-up OGTT data available and no history of bariatric surgery. Remission was defined as achieving FPG <126 mg/dL, 2hPG <200 mg/dL, and HbA1c <6.5%, without glucose-lowering medication. Clinical, laboratory, and sociodemographic data were obtained using standardized protocols. Insulin 11 sensitivity was estimated using the Matsuda Index, and hepatic steatosis was assessed by the Fatty Liver Index (FLI). Associations between metabolic factors and diabetes phenotypes or remission were estimated using robust Poisson regression models. RESULTS: Among 845 participants with incident T2D, after excluding those with abnormally elevated glycemia at both moments, 605 were classified with isolated abnormal fasting glucose (34%) or isolated abnormal 2hPG (66%). Higher LDLCholesterol was inversely associated with the isolated abnormal fasting phenotype (RR per 50 mg/dL=0.69; 95%CI: 0.55–0.88), while insulin sensitivity remained positively associated across models (RR=1.17; 95%CI 1.03–1.32). Higher levels of the Fatty Liver Index (FLI) were positively associated with fasting phenotype (RR=1.34; 95%CI: 1.02– 1.77), but lost significance when BMI, hypertension and lifestyle characteristics were added into the model. Heavy alcohol consumption was associated with a higher risk of developing the isolated abnormal fasting glucose phenotype (RR=1.82; 95%CI 1.10– 2.93). In the remission analysis, 752 participants with incident T2D were evaluated, among whom 100 were in diabetes remission at follow-up. Most cases of remission occurred among those initially classified with isolated abnormal 2hPG. In multivariable models, this group showed a higher probability of remission compared to those with isolated fasting glucose impairment (RR=1.95; 95%CI 1.17–3.39), whereas individuals with both abnormalities had a lower probability of remission (RR=0.19; 95%CI 0.04– 0.60). Higher levels of HbA1c and fatty liver index (FLI) were inversely associated with remission across all models (RR=0.39; 95%CI 0.26–0.58 and RR=0.54; 95%CI 0.33– 0.88, respectively). In contrast, anthropometric measures, lipid parameters, and insulin sensitivity (Matsuda index) were not significantly associated with remission in the multivariate models. Stratified analysis by body mass index (BMI) revealed effect modification for certain predictors. Among individuals without obesity (BMI<30 kg/m²), the inverse association between FLI and remission remained significant and slightly stronger (RR=0.44; 95%CI 0.26–0.73), whereas in individuals with obesity the association was attenuated. The positive association between isolated abnormal 2-hour post-load glucose and remission was more pronounced among individuals with obesity (RR: 4.50; 95%CI 1.43–14.15). Higher triglyceride levels were positively associated with remission in the BMI<30 group (RR=1.17; 95%CI 1.03–1.33), while no significant associations were found among individuals with BMI≥30 kg/m². CONCLUSION: The two studies based on the ELSA-Brasil cohort highlight the prognostic relevance of OGTT phenotypes and their association with distinct metabolic profiles in type 2 diabetes. Individuals with isolated abnormal post-load glucose exhibited a lower probability of remission, particularly in the presence of obesity, and were characterized by lower insulin sensitivity and lower hepatic steatosis. Elevated LDLCholesterol was independently associated with this phenotype, pointing to a potential role of lipid metabolism in its development, beyond insulin resistance and hepatic dysfunction. These findings reinforce the need to move beyond a one-size-fits-all model of diabetes, emphasizing phenotypic stratification at diagnosis. Incorporating simple tools such as the OGTT and Fatty Liver Index into routine care may help identify individuals with greater remission potential and guide targeted cost-effective interventions. Recognizing the heterogeneity of type 2 diabetes is essential for advancing both research and clinical practice toward more personalized approaches.application/pdfengGlucoseDiabetes mellitus tipo 2Progressão da doençaIntolerância à glucoseFenótipoType 2 diabetes mellitusGlucose tolerance testThe role of oral glucose tolerance test phenotypes in type 2 diabetes progression and remissionO papel dos fenótipos do teste oral de tolerância à glicose na progressão e remissão do diabetes tipo 2 info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de MedicinaPrograma de Pós-Graduação em EpidemiologiaPorto Alegre, BR-RS2025doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001302158.pdf.txt001302158.pdf.txtExtracted Texttext/plain89240http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302058/2/001302158.pdf.txte06be6ce390be8b444c537af2f0fd8d6MD52ORIGINAL001302158.pdfTexto parcialapplication/pdf1251305http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302058/1/001302158.pdfb478356c6d416ee7f8873330cc18a8edMD5110183/3020582026-03-08 08:00:42.980261oai:www.lume.ufrgs.br:10183/302058Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532026-03-08T11:00:42Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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No entanto, aspectos relacionados à heterogeneidade das vias fisiopatológicas do diabetes têm recebido atenção comparativamente limitada, e o termo diabetes é frequentemente utilizado como um rótulo diagnóstico amplo, negligenciando os distintos fenótipos metabólicos que constituem o espectro da doença. Uma melhor compreensão dos perfis clínicos e metabólicos associados tanto ao surgimento de distintos fenótipos de diabetes tipo 2 (DM2) quanto à remissão é essencial para apoiar estratégias de prevenção direcionadas e cuidados personalizados. Nesse contexto, o Estudo Longitudinal Brasileiro de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), uma coorte multicêntrica com coleta de dados padronizada e centralizada, oferece uma oportunidade única para investigar os perfis metabólicos dinâmicos associados ao surgimento de fenótipos de DM2 e à remissão em indivíduos com diagnóstico recente da doença. MÉTODOS: Analisamos dados do ELSA-Brasil, que recrutou 15.105 servidores públicos com idades entre 35 e 74 anos, de seis cidades brasileiras, entre 2008 e 2010, com avaliações de acompanhamento realizadas entre 2012 e 2014 e entre 2017 e 2019. Para a análise de incidência, incluímos participantes sem diabetes no início do estudo, confirmado por teste oral de tolerância à glicose (TOTG) e ausência de uso de medicação hipoglicemiante. O diabetes tipo 2 (DM2) incidente foi classificado em glicemia de jejum anormal isolada (glicemia de jejum ≥126 mg/dL e glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose <200 mg/dL) ou glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose anormal isolada (glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose ≥200 mg/dL e glicemia de jejum <126 mg/dL), excluindo aqueles com ambas as anormalidades. Para a análise de remissão, 14 incluímos indivíduos com diagnóstico recente de DM2 na Visita 1 ou 2, com dados de TOTG de acompanhamento disponíveis e sem histórico de cirurgia bariátrica. A remissão foi definida como a obtenção de glicemia de jejum (GJ) <126 mg/dL, glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose (G2h) <200 mg/dL e hemoglobina glicada (HbA1c) <6,5%, sem o uso de medicamentos hipoglicemiantes. Dados clínicos, laboratoriais e sociodemográficos foram obtidos utilizando protocolos padronizados. A sensibilidade à insulina foi estimada pelo Índice de Matsuda e a esteatose hepática foi avaliada pelo Fatty Liver Index (FLI). As associações entre fatores metabólicos e fenótipos de diabetes ou remissão foram estimadas utilizando modelos robustos de regressão de Poisson. RESULTADOS: Entre os 845 participantes com diabetes tipo 2 incidente, após a exclusão dos participantes com glicemia elevada em ambos os momentos, 605 foram classificados com glicemia de jejum anormal isolada (34%) ou glicemia 2 horas após sobrecarga de glicose anormal isolada (66%). Níveis mais elevados de colesterol LDL foram inversamente associados ao fenótipo de glicemia de jejum anormal isolada (RR por 50 mg/dL = 0,69; IC 95%: 0,55–0,88), enquanto a sensibilidade à insulina permaneceu positivamente associada em todos os modelos (RR = 1,17; IC 95%: 1,03–1,32). Níveis mais elevados do pelo Fatty Liver Index (FLI) foram associados ao fenótipo de glicemia de jejum (RR = 1,34; IC 95%: 1,02–1,77), mas perderam significância quando o IMC, a hipertensão e as características do estilo de vida foram adicionadas ao modelo. O consumo excessivo de álcool foi associado a um maior risco de desenvolver o fenótipo de glicemia de jejum anormal isolada (RR = 1,82; IC 95% 1,10–2,93). Na análise de remissão, 752 participantes com diabetes tipo 2 incidente foram avaliados, dos quais 100 estavam em remissão do diabetes no acompanhamento. A maioria dos casos de remissão ocorreu entre aqueles inicialmente classificados com glicemia de jejum 2 horas anormal isolada. Em modelos multivariáveis, esse grupo apresentou maior probabilidade de remissão em comparação àqueles com alteração isolada da glicemia de jejum (RR = 1,95; IC 95% 1,17–3,39), enquanto indivíduos com ambas as anormalidades apresentaram menor probabilidade de remissão (RR = 0,19; IC 95% 0,04–0,60). Níveis mais elevados de HbA1c e Fatty Liver Index (FLI) foram inversamente associados à remissão em todos os modelos (RR = 0,39; IC 95% 0,26–0,58 e RR = 0,54; IC 95% 0,33–0,88, respectivamente). Em contraste, medidas antropométricas, parâmetros lipídicos e sensibilidade à insulina (índice de Matsuda) não apresentaram associação significativa com a remissão nos modelos multivariados. A análise estratificada por índice de massa 15 corporal (IMC) revelou modificação do efeito para alguns preditores. Entre indivíduos sem obesidade (IMC < 30 kg/m²), a associação inversa entre IFG e remissão permaneceu significativa e ligeiramente mais forte (RR = 0,44; IC 95% 0,26–0,73), enquanto em indivíduos com obesidade a associação foi atenuada. A associação positiva entre glicemia anormal isolada 2 horas após a sobrecarga de glicose e remissão foi mais pronunciada entre indivíduos com obesidade (RR: 4,50; IC 95% 1,43–14,15). Níveis mais elevados de triglicerídeos foram associados positivamente à remissão no grupo com IMC < 30 (RR = 1,17; IC 95% 1,03–1,33), enquanto nenhuma associação significativa foi encontrada entre indivíduos com IMC ≥ 30 kg/m². CONCLUSÃO: Ambos os estudos baseados na coorte ELSA-Brasil destacam a relevância prognóstica dos fenótipos do TOTG e sua associação com perfis metabólicos distintos no diabetes tipo 2. Indivíduos com glicemia pós-prandial anormal isolada apresentaram menor probabilidade de remissão, particularmente na presença de obesidade, e foram caracterizados por menor sensibilidade à insulina e menor grau de esteatose hepática. Níveis elevados de colesterol LDL foram associados independentemente a esse fenótipo, apontando para um possível papel do metabolismo lipídico em seu desenvolvimento, além da resistência à insulina e da disfunção hepática. Esses achados reforçam a necessidade do avanço para além de um modelo único aplicável a todos os indivíduos com diabetes, enfatizando a estratificação fenotípica no momento do diagnóstico. A incorporação de ferramentas simples como o TOTG e o Fatty Liver Index (FLI) na prática clínica pode auxiliar na identificação de indivíduos com maior potencial de remissão e orientar intervenções direcionadas e custo-efetivas. Reconhecer a heterogeneidade do diabetes tipo 2 é essencial para o avanço da pesquisa e da prática clínica em direção a abordagens mais personalizadas.
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