Fulas e seus costumes : entre o islã e a construção da etnologia colonial (século XX)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Baldé, Saido
Orientador(a): Macedo, José Rivair
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/299885
Resumo: A ideia histórica fixada para os fulas, de onde são vistos como povos “pastores e nômades”, ou “islamizados”, essencialmente, carrega variedades dos problemas e equívocos das quais este estudo buscou dar a entender. Na construção dessa linha histórica, foram sistematicamente separados do contexto histórico, cultural, social e espiritual do resto dos povos da Guiné-Bissau e, de forma geral, dos povos africanos, sobretudo daqueles que são classificados como povos “não islamizados”. Assim, no entendimento social e acadêmico, suas práticas culturais são vistos e interpretados num único quadro: práticas culturais dos povos islamizados, mesmo que tais não tenham qualquer influência do islã. Com o efeito, seus costumes e suas tradições ancestrais, que se enraízam na visão do mundo africano, foram submetidos às análises que nos levam a crer que estes foram extintos a favor dos preceitos islâmicos. O colonialismo português, portanto, forjou integralmente essa interpretação, fixando essa ideia através da produção e divulgação do conhecimento da etnologia colonial. Em referência ao islã, os fulas foram vistos pelo sistema colonial portuguesa como ameaças à integração e expansão da cultura euro-cristã nos territórios colonizados e, em razão disso, produziram narrativas e ideias para limitar a sua circulação dentro desse espaço social e cultural. Este estudo, então, considera a influência significativa que o islã exerce entre os fulas, mas defende que suas leis e dogmas não sobrepõem os seus costumes ancestrais. Logo, esses dois elementos nas suas práticas culturais devem ser distinguidos, para que possam ser vistos e entendidos como povos africanos. Nesse sentido, o estudo buscou demonstrar seus aspectos culturais e crenças que são característicos dos povos africanos, que às vezes interagem ou sobrepõem às leis do islã.
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Com o efeito, seus costumes e suas tradições ancestrais, que se enraízam na visão do mundo africano, foram submetidos às análises que nos levam a crer que estes foram extintos a favor dos preceitos islâmicos. O colonialismo português, portanto, forjou integralmente essa interpretação, fixando essa ideia através da produção e divulgação do conhecimento da etnologia colonial. Em referência ao islã, os fulas foram vistos pelo sistema colonial portuguesa como ameaças à integração e expansão da cultura euro-cristã nos territórios colonizados e, em razão disso, produziram narrativas e ideias para limitar a sua circulação dentro desse espaço social e cultural. Este estudo, então, considera a influência significativa que o islã exerce entre os fulas, mas defende que suas leis e dogmas não sobrepõem os seus costumes ancestrais. Logo, esses dois elementos nas suas práticas culturais devem ser distinguidos, para que possam ser vistos e entendidos como povos africanos. Nesse sentido, o estudo buscou demonstrar seus aspectos culturais e crenças que são característicos dos povos africanos, que às vezes interagem ou sobrepõem às leis do islã.The historically fixed idea about the Fulas, often portrayed as “pastoral and nomadic” or essentially “Islamized” peoples, carries with it a range of misconceptions and interpretative errors that this study seeks to clarify. In the construction of this historical narrative, the Fulas have been systematically separated from the broader historical, cultural, social, and spiritual contexts of the other peoples of Guinea-Bissau, and more generally from other African peoples - especially those classified as “non-Islamized.” Consequently, in both social and academic understandings, their cultural practices have been interpreted through a singular lens: as cultural expressions of Islamized peoples, even when such practices have no real connection to Islam. As a result, their ancestral customs and traditions - rooted in an African worldview—have been subjected to analyses that suggest they were extinguished in favor of Islamic precepts. Portuguese colonialism played a central role in forging and consolidating this interpretation, reinforcing it through the production and dissemination of knowledge grounded in colonial ethnology. Regarding Islam, the Fulas were perceived by the Portuguese colonial system as a threat to the integration and expansion of Euro-Christian culture within the colonized territories. As a consequence, narratives and discourses were constructed to limit their movement and participation within the colonial socio-cultural space. This study therefore acknowledges the significant influence that Islam holds among the Fulas, but argues that Islamic laws and doctrines do not supersede their ancestral customs. These two elements of their cultural practices must thus be clearly distinguished in order to recognize and understand the Fulas as African peoples. In this sense, the study seeks to demonstrate cultural elements and belief systems that are characteristic of African societies, which at times interact with - or even override - Islamic laws.application/pdfporEtnologiaCostumesPráticas culturaisIslamismoGuiné-BissauFulasCustomsIslamColonial ethnologyFulas e seus costumes : entre o islã e a construção da etnologia colonial (século XX)info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de Filosofia e Ciências HumanasPrograma de Pós-Graduação em HistóriaPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001298797.pdf.txt001298797.pdf.txtExtracted Texttext/plain393669http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/299885/2/001298797.pdf.txtc73db3cdbc5f51c1ea4ff9a5f7c6d360MD52ORIGINAL001298797.pdfTexto completoapplication/pdf4404961http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/299885/1/001298797.pdfd31040652cac05193b936ebe366f4e85MD5110183/2998852025-12-17 07:57:40.061623oai:www.lume.ufrgs.br:10183/299885Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-12-17T09:57:40Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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