Avaliação da impregnação e da desmineralização na reatividade ao CO2 do carvão vegetal e seus efeitos na qualidade do coque

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2026
Autor(a) principal: Fraga, Matheus Teixeira
Orientador(a): Osorio, Eduardo
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
CO2
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/302411
Resumo: A descarbonização da siderurgia tem estimulado a busca por insumos renováveis que reduzam emissões sem demandar mudanças profundas nas rotas industriais atuais. Nesse contexto, a incorporação de carvão vegetal em misturas para produção de coque é uma alternativa promissora, especialmente no Brasil, devido à ampla disponibilidade de biomassa. Entretanto, diferenças entre o biocarbono e o coque metalúrgico, em particular a elevada reatividade ao CO2 do carvão vegetal, ainda limitam sua aplicação em misturas coqueificantes. Este trabalho teve como objetivo desenvolver e avaliar estratégias de redução da reatividade ao CO2 do carvão vegetal visando sua utilização como componente de misturas para coque. Para isso, foram investigadas rotas de impregnação com alcatrão (mistura sólido/líquido, spray e deposição a vapor), empregando alcatrão mineral e alcatrão vegetal, bem como tratamentos de desmineralização por lixiviação (HCl, H2SO4, H3PO4 e H2O). As metodologias foram inicialmente estabelecidas com a fração de carvão vegetal industrial mais homogênea (granulometria > 9,5 mm) e, em seguida, as melhores condições foram aplicadas à moinha (< 9,5 mm), fração de baixo valor agregado, tipicamente mais heterogênea e rica em cinzas. Nessas etapas, as melhores condições de impregnação alcançaram cerca de 99% de redução da reatividade ao CO2, enquanto a desmineralização atingiu cerca de 85% de redução. Além disso, foi possível elucidar aspectos do mecanismo de gaseificação do carvão vegetal impregnado e relacionar a diminuição de reatividade do carvão vegetal desmineralizado aos elementos removidos durante a lixiviação. Após os tratamentos, a moinha tratada e não tratada foi incorporada (7% em massa) a misturas coqueificantes, e coques foram produzidos para avaliar o efeito dos tratamentos na qualidade do produto. Os tratamentos reduziram a reatividade ao CO2 do carvão vegetal, com maior potencial para estratégias baseadas em recobrimento por alcatrão. Nos ensaios de coqueificação, a adição de moinha de carvão vegetal não tratada tendeu a elevar a reatividade e a reduzir a resistência mecânica do coque. Em contraste, o uso de carvão vegetal impregnado com alcatrão minimizou esses efeitos, preservando em maior medida a qualidade do coque; já a incorporação de moinha desmineralizada não reproduziu, no coque, o mesmo potencial observado nas melhores condições de redução de reatividade do carvão vegetal tratado isoladamente. Conclui-se que a impregnação com alcatrão, particularmente com alcatrão mineral, é a estratégia mais promissora para viabilizar a incorporação de biomassa em misturas coqueificantes, ao reduzir a acessibilidade do CO2 à superfície reativa do carvão vegetal e atenuar impactos sobre a qualidade do coque. Por fim, os resultados indicam que o aprimoramento das rotas de recobrimento pode ampliar a participação de biomassa em misturas sem comprometer o desempenho tecnológico do coque, com especial interesse na valorização da moinha de carvão vegetal.
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Para isso, foram investigadas rotas de impregnação com alcatrão (mistura sólido/líquido, spray e deposição a vapor), empregando alcatrão mineral e alcatrão vegetal, bem como tratamentos de desmineralização por lixiviação (HCl, H2SO4, H3PO4 e H2O). As metodologias foram inicialmente estabelecidas com a fração de carvão vegetal industrial mais homogênea (granulometria > 9,5 mm) e, em seguida, as melhores condições foram aplicadas à moinha (< 9,5 mm), fração de baixo valor agregado, tipicamente mais heterogênea e rica em cinzas. Nessas etapas, as melhores condições de impregnação alcançaram cerca de 99% de redução da reatividade ao CO2, enquanto a desmineralização atingiu cerca de 85% de redução. Além disso, foi possível elucidar aspectos do mecanismo de gaseificação do carvão vegetal impregnado e relacionar a diminuição de reatividade do carvão vegetal desmineralizado aos elementos removidos durante a lixiviação. Após os tratamentos, a moinha tratada e não tratada foi incorporada (7% em massa) a misturas coqueificantes, e coques foram produzidos para avaliar o efeito dos tratamentos na qualidade do produto. Os tratamentos reduziram a reatividade ao CO2 do carvão vegetal, com maior potencial para estratégias baseadas em recobrimento por alcatrão. Nos ensaios de coqueificação, a adição de moinha de carvão vegetal não tratada tendeu a elevar a reatividade e a reduzir a resistência mecânica do coque. Em contraste, o uso de carvão vegetal impregnado com alcatrão minimizou esses efeitos, preservando em maior medida a qualidade do coque; já a incorporação de moinha desmineralizada não reproduziu, no coque, o mesmo potencial observado nas melhores condições de redução de reatividade do carvão vegetal tratado isoladamente. Conclui-se que a impregnação com alcatrão, particularmente com alcatrão mineral, é a estratégia mais promissora para viabilizar a incorporação de biomassa em misturas coqueificantes, ao reduzir a acessibilidade do CO2 à superfície reativa do carvão vegetal e atenuar impactos sobre a qualidade do coque. Por fim, os resultados indicam que o aprimoramento das rotas de recobrimento pode ampliar a participação de biomassa em misturas sem comprometer o desempenho tecnológico do coque, com especial interesse na valorização da moinha de carvão vegetal.The decarbonization of the steel industry has stimulated the search for renewable inputs that reduce emissions without requiring profound changes in current industrial routes. In this context, incorporating charcoal into blends for coke production is a promising alternative, especially in Brazil, due to the wide availability of biomass. However, differences between biocarbon and metallurgical coke, particularly the high CO2 reactivity of charcoal, still limit its application in coking blends. This work aimed to develop and evaluate strategies to reduce the CO2 reactivity of charcoal, enabling its use as a component of coking blends. To this end, tar impregnation routes (solid/liquid mixing, spray, and vapor deposition) were investigated using mineral tar and vegetal tar, as well as demineralization treatments by leaching (HCl, H2SO4, H3PO4, and H2O). The methodologies were initially established using the more homogeneous industrial charcoal fraction (particle size > 9.5 mm) and, subsequently, the best conditions were applied to fines (< 9.5 mm), a low added-value fraction that is typically more heterogeneous and ash-rich. At this stage, the best impregnation conditions achieved about a 99% reduction in CO2 reactivity, whereas demineralization achieved about an 85% reduction. In addition, it was possible to elucidate aspects of the gasification mechanism of impregnated charcoal and to relate the decrease in reactivity of demineralized charcoal to the elements removed during leaching. After the treatments, treated and untreated fines were incorporated (7 wt.%) into coking blends, and cokes were produced to evaluate the effect of the treatments on product quality. The treatments reduced the CO2 reactivity of charcoal, with greater potential for strategies based on tar coating. In the coking tests, the addition of untreated charcoal fines tended to increase coke reactivity and decrease its mechanical strength. In contrast, the use of tar-impregnated charcoal minimized these effects, preserving coke quality to a greater extent; however, the incorporation of demineralized fines did not reproduce, in the coke, the same potential observed under the best reactivity-reduction conditions for charcoal treated in isolation. It is concluded that tar impregnation, particularly with mineral tar, is the most promising strategy to enable biomass incorporation into coking blends, by reducing CO2 accessibility to the reactive surface of charcoal and mitigating impacts on coke quality. Finally, the results indicate that improving coating routes may increase the share of biomass in blends without compromising the technological performance of coke, with potential for valorizing charcoal fines.application/pdfporEngenhariaCharcoalCO2ReactivityCokeAvaliação da impregnação e da desmineralização na reatividade ao CO2 do carvão vegetal e seus efeitos na qualidade do coqueinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulEscola de EngenhariaPrograma de Pós-Graduação em Engenharia de Minas, Metalúrgica e de MateriaisPorto Alegre, BR-RS2026doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001301756.pdf.txt001301756.pdf.txtExtracted Texttext/plain417222http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302411/2/001301756.pdf.txt341e4dfb09b3700a128c64051b9edfe3MD52ORIGINAL001301756.pdfTexto completoapplication/pdf16263845http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302411/1/001301756.pdf8b6f2492fb6cecb9ae20e7c8ed60adb5MD5110183/3024112026-03-22 08:01:13.02762oai:www.lume.ufrgs.br:10183/302411Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532026-03-22T11:01:13Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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