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“Não tem como chegar à perfeição” : as múltiplas performatividades da testosterona a partir da praxiografia de Anemmarie Mol

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Novais, Flávia Luciana Magalhães
Orientador(a): Machado, Paula Sandrine
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/174607
Resumo: A presente pesquisa tem como objetivo “seguir” a da substância testosterona e as maneiras pelas quais ela é performada como/em diversas realidades. A partir da perspectiva da Teoria Ator-Rede de Bruno Latour, toma-se o hormônio testosterona como um ator não-humano, o qual integra uma rede que articula diferentes campos como médico/jurídico/mercadológico. Para tanto, foram realizadas entrevistas etnográficas com um médico endocrinologista, dois personal trainer e participantes de academia, dois homens trans que fazem acompanhamento com um profissional da medicina, bem como foram analisados sites, fóruns, vídeos, bulas de medicamentos e artigos científicos. No decorrer da investigação, identificamos duas principais redes nas quais a testosterona é materializada, que estão em constante disputa/coordenação, as quais nomeei de “ciclos”, em referência aos ciclos de testosterona demonstrados por alguns interlocutores deste trabalho. Tais redes são: 1) Ciclo Fármaco-Biomédico, no qual destaca-se o acesso à substância mediado pelo discurso médico e; 2) Ciclo Fármaco-Bombado, no qual a testosterona circula através de outras formas de acesso, que burlam a mediação médico-paciente e/ou prescrição médica, como aquelas que ocorrem em academias de ginástica e nas vendas/trocas de hormônios realizadas por grupos de atletas e/ou grupos de homens trans. O principal objetivo do trabalho foi demonstrar as diversas maneiras pelas quais a testosterona é performada nessas múltiplas realidades, à luz da teoria praxiográfica neo-materialista de Anemarrie Mol, a partir das descrições da rede, e seus respectivos atores e articulações. Dessa forma, demonstra-se a dissolução do binarismo natureza-cultura pensando na utilização da testosterona para a materialização de corpos de sujeitos inscritos nas masculinidades. E mais que isso, expõe que a testosterona, ao multiplicar-se em práticas que envolvem tanto homens cis quanto trans, a partir do acesso dificultado por todos esses sujeitos à substância, dissolve as fronteiras imaginadas entre tais corpos, na medida em que todo o controle acerca da testosterona pelo domínio biomédico, impulsionado pela necessidade de imitar a fisiologia, demonstra um caráter moral que está diretamente ligado à utilização dessa substância.
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No decorrer da investigação, identificamos duas principais redes nas quais a testosterona é materializada, que estão em constante disputa/coordenação, as quais nomeei de “ciclos”, em referência aos ciclos de testosterona demonstrados por alguns interlocutores deste trabalho. Tais redes são: 1) Ciclo Fármaco-Biomédico, no qual destaca-se o acesso à substância mediado pelo discurso médico e; 2) Ciclo Fármaco-Bombado, no qual a testosterona circula através de outras formas de acesso, que burlam a mediação médico-paciente e/ou prescrição médica, como aquelas que ocorrem em academias de ginástica e nas vendas/trocas de hormônios realizadas por grupos de atletas e/ou grupos de homens trans. O principal objetivo do trabalho foi demonstrar as diversas maneiras pelas quais a testosterona é performada nessas múltiplas realidades, à luz da teoria praxiográfica neo-materialista de Anemarrie Mol, a partir das descrições da rede, e seus respectivos atores e articulações. Dessa forma, demonstra-se a dissolução do binarismo natureza-cultura pensando na utilização da testosterona para a materialização de corpos de sujeitos inscritos nas masculinidades. E mais que isso, expõe que a testosterona, ao multiplicar-se em práticas que envolvem tanto homens cis quanto trans, a partir do acesso dificultado por todos esses sujeitos à substância, dissolve as fronteiras imaginadas entre tais corpos, na medida em que todo o controle acerca da testosterona pelo domínio biomédico, impulsionado pela necessidade de imitar a fisiologia, demonstra um caráter moral que está diretamente ligado à utilização dessa substância.The present research aims to "follow" the testosterone substance and the ways in which it is performed as / in various realities. From the perspective of Bruno Latour's Theory-Actor Network, the testosterone hormone is taken as a non-human actor, which integrates a network that articulates different fields such as medical / legal / marketing. To that end, ethnographic interviews were conducted with an endocrinologist, two personal trainer and participants of the academy, two trans men who follow up with a medical professional, as well as the analysis of websites, forums, videos, medication packages and scientific articles. During the investigation, we identified two main networks in which testosterone is materialized, which are in constant dispute / coordination, which I named "cycles", in reference to the testosterone cycles demonstrated by some interlocutors of this work. These networks are: 1) Drug-Biomedical Cycle, in which the access to the substance mediated by the medical discourse is highlighted; 2) Drug-Bombed Cycle, in which testosterone circulates through other forms of access, which circumvent medical-patient mediation and / or medical prescription, such as those occurring in gyms and hormone sales / exchanges performed by groups of athletes and / or groups of trans men. The main objective of the work was to demonstrate the different ways in which testosterone is performed in these multiple realities, in the light of Anemarrie Mol's neo-materialistic praxiographic theory, from the descriptions of the network and their respective actors and articulations. Thus, it is demonstrated the dissolution of the nature-culture binarism thinking about the use of testosterone for the materialization of bodies of subjects enrolled in masculinities. And more than that, it exposes that testosterone, by multiplying itself in practices involving both cis and trans men, from the access made difficult by all these subjects to the substance, dissolves the imagined boundaries between such bodies, to the extent that all control over testosterone by the biomedical domain, driven by the need to imitate physiology, demonstrates a moral character that is directly linked to the use of this substance.application/pdfporTestosteronaTerapia de reposição hormonalMedicalizaçãoHomensPessoas transgêneroSubjetividadePsicologia socialTestosteronePerformativityMaterialitiesBiomedicalizationSocial Psychology“Não tem como chegar à perfeição” : as múltiplas performatividades da testosterona a partir da praxiografia de Anemmarie Mol"There is no how to get to perfection": the multiple performances of testosterone from neomaterialists perspectiveinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de PsicologiaPrograma de Pós-Graduação em Psicologia Social e InstitucionalPorto Alegre, BR-RS2017mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSORIGINAL001063658.pdf001063658.pdfTexto completoapplication/pdf3104306http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/174607/1/001063658.pdf0f79cb0add49642f757d8f99f2fbe8ebMD51TEXT001063658.pdf.txt001063658.pdf.txtExtracted Texttext/plain270958http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/174607/2/001063658.pdf.txt29970bfd6da2beb8bcddb629870deb16MD52THUMBNAIL001063658.pdf.jpg001063658.pdf.jpgGenerated Thumbnailimage/jpeg1039http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/174607/3/001063658.pdf.jpga69c492f0846321616d171cf1a724c39MD5310183/1746072019-05-11 02:37:30.623276oai:www.lume.ufrgs.br:10183/174607Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br||lume@ufrgs.bropendoar:18532019-05-11T05:37:30Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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