Pedagogias de gênero e sexualidade nas prisões : uma análise a partir das políticas penitenciárias para a população LGBTI+
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/302176 |
Resumo: | Esta dissertação investigou a relação entre prisões, população LGBTI+ e pedagogias de gênero e sexualidade, com ênfase na análise das políticas prisionais rio-grandenses e suas implicações para o reconhecimento de direitos e para a gestão da privação de liberdade. O estudo teve como objetivo compreender como estão sendo produzidas as políticas penitenciárias para a população LGBTI+ no Rio Grande do Sul e quais reflexos e efeitos das pedagogias de gênero e sexualidade dessas políticas se expressam no tratamento penal desta população e na sociabilidade de todo o conjunto prisional, incluindo práticas institucionais e relacionamentos. Para atingir esse objetivo, a investigação adotou uma abordagem qualitativa, articulando análise documental de diretrizes e normativas voltadas ao tratamento penal de pessoas LGBTI+, com entrevistas semiestruturadas realizadas com quatro profissionais que atuam em cargos de gestão do sistema penitenciário gaúcho (dois homens e duas mulheres). Essa metodologia permitiu uma leitura crítica das tensões entre normativas e práticas institucionais, evidenciando como as dimensões de gênero, sexualidade e educação se entrelaçam no cotidiano das prisões. Foi possível concluir que, diferente do que podemos imaginar, o campo científico sobre o tema é robusto, porém recente. As áreas que mais pesquisam sobre esse tema são o direito e o serviço social e a tendência dos textos científicos é centrar sua análise na experiência dos sujeitos, o que justifica uma pesquisa sobre as políticas de tratamento penal. A análise bibliográfica demonstrou que há uma tendência no enfoque analítico da execução e do tratamento penal, mas faltam estudos sobre outras etapas do processo penal (como as audiências de custódia, sendo identificado um único estudo) e sobre momentos que antecedem o cárcere ou que digam respeito à experiência de pessoas LGBTI+ egressas da prisão. Já a análise documental das políticas de tratamento penal indicou que há uma preocupação em definir, para os servidores penitenciários, o que são as diferentes categorias identitárias, de forma que as resoluções e diretrizes acabam por educar os leitores a esse respeito, ainda que isso implique em um risco, já que as conceituações, por vezes, são equivocadas ou facilmente se tornam datadas, considerando que elas sofrem mudanças ao longo do tempo. Os documentos, ao definirem um lugar de alocação diferenciado entre mulheres trans e travestis, produzem uma pedagogia de gênero e sexualidade ao sugerir que haveria aspectos biológicos de diferenciação dessas pessoas que justificasse a diferença de tratamento penal. Também foi possível concluir que, para os interlocutores desta investigação, o Governo do Rio Grande do Sul é vanguardista numa série de aspectos relacionados ao tema de gênero e sexualidade nas prisões, ao mesmo tempo em que identificam desafios importantes a serem superados, como os aspectos ligados à discriminação de gênero e sexualidade que investem não apenas contra os presos LGBTI+, como também aparecem nas próprias relações de trabalho entre servidores; a necessidade de investimento contínuo em educação permanente; e o risco do abandono da técnica durante o fazer profissional que permite dar espaço para aspectos morais e conservadores como orientadores do tratamento penal. |
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Brito, Raíne da Silva deFerreira, Guilherme Gomes2026-03-10T08:01:34Z2025http://hdl.handle.net/10183/302176001301842Esta dissertação investigou a relação entre prisões, população LGBTI+ e pedagogias de gênero e sexualidade, com ênfase na análise das políticas prisionais rio-grandenses e suas implicações para o reconhecimento de direitos e para a gestão da privação de liberdade. O estudo teve como objetivo compreender como estão sendo produzidas as políticas penitenciárias para a população LGBTI+ no Rio Grande do Sul e quais reflexos e efeitos das pedagogias de gênero e sexualidade dessas políticas se expressam no tratamento penal desta população e na sociabilidade de todo o conjunto prisional, incluindo práticas institucionais e relacionamentos. Para atingir esse objetivo, a investigação adotou uma abordagem qualitativa, articulando análise documental de diretrizes e normativas voltadas ao tratamento penal de pessoas LGBTI+, com entrevistas semiestruturadas realizadas com quatro profissionais que atuam em cargos de gestão do sistema penitenciário gaúcho (dois homens e duas mulheres). Essa metodologia permitiu uma leitura crítica das tensões entre normativas e práticas institucionais, evidenciando como as dimensões de gênero, sexualidade e educação se entrelaçam no cotidiano das prisões. Foi possível concluir que, diferente do que podemos imaginar, o campo científico sobre o tema é robusto, porém recente. As áreas que mais pesquisam sobre esse tema são o direito e o serviço social e a tendência dos textos científicos é centrar sua análise na experiência dos sujeitos, o que justifica uma pesquisa sobre as políticas de tratamento penal. A análise bibliográfica demonstrou que há uma tendência no enfoque analítico da execução e do tratamento penal, mas faltam estudos sobre outras etapas do processo penal (como as audiências de custódia, sendo identificado um único estudo) e sobre momentos que antecedem o cárcere ou que digam respeito à experiência de pessoas LGBTI+ egressas da prisão. Já a análise documental das políticas de tratamento penal indicou que há uma preocupação em definir, para os servidores penitenciários, o que são as diferentes categorias identitárias, de forma que as resoluções e diretrizes acabam por educar os leitores a esse respeito, ainda que isso implique em um risco, já que as conceituações, por vezes, são equivocadas ou facilmente se tornam datadas, considerando que elas sofrem mudanças ao longo do tempo. Os documentos, ao definirem um lugar de alocação diferenciado entre mulheres trans e travestis, produzem uma pedagogia de gênero e sexualidade ao sugerir que haveria aspectos biológicos de diferenciação dessas pessoas que justificasse a diferença de tratamento penal. Também foi possível concluir que, para os interlocutores desta investigação, o Governo do Rio Grande do Sul é vanguardista numa série de aspectos relacionados ao tema de gênero e sexualidade nas prisões, ao mesmo tempo em que identificam desafios importantes a serem superados, como os aspectos ligados à discriminação de gênero e sexualidade que investem não apenas contra os presos LGBTI+, como também aparecem nas próprias relações de trabalho entre servidores; a necessidade de investimento contínuo em educação permanente; e o risco do abandono da técnica durante o fazer profissional que permite dar espaço para aspectos morais e conservadores como orientadores do tratamento penal.This dissertation investigated the relation between prisons, LGBTI+ population and gender and sexuality pedagogies, with emphasis on analyzing prison policies in Rio Grande do Sul, and their implications to recognizing rights and the management of deprivation of liberty. The study aims to understand how penitentiary policies for LGBTI+ population in Rio Grande do Sul are being produced and what reflections and effects of gender and sexuality pedagogies of these policies express in the criminal treatment of this population and in the sociability of the entire prison system, including institutional practices and relationships. In order to achieve this aim, the investigation adopted a qualitative approach, articulating document analysis of guidelines and regulations focused on penal treatment of LGBTI+ people, with semi-structured interviews carried out with four professionals in management positions within the state prison system (two men and two women). This methodology allowed a critical reading of the tensions between institutional norms and practices, highlighting the gender dimensions, sexuality and education intertwined in the daily life of prisons. It was possible to conclude that, different from what we might imagine, the scientific field about the theme is robust, nevertheless recent. The fields which research this topic most are law and social work and the tendency of scientific texts is to center their analysis on the experience of the subjects, which justifies research on penal treatment policies. The literature review shows a concentration on the execution and management phases of the penal process, with little attention to earlier stages (such as custody hearings, with only one study identified)and about moments that precede incarceration or that relate to the experience of LGBTI+ individuals released from prison. The documentary analysis of penal treatment policies indicated that there is a concern in defining, for prison staff, what are the different identity categories, in this way the resolutions and guidelines end up educating readers in this regard, even if it implies a risk, since the conceptions are sometimes mistaken or easily become outdated, considering that they change over time. The documents, by defining differentiated allocation between trans women and transvestites, produce a pedagogy of gender and sexuality by suggesting that there would be biological aspects of differentiation between these people that justify the difference in penal treatment. It was also possible to conclude that, for the participants in this investigation, the government of Rio Grande do Sul is at the forefront in a number of aspects related to the issue of gender and sexuality in prisons, while at the same time identifying important challenges to be overcome, such as aspects related to gender and sexuality discrimination that affect not only LGBTI+ prisoners but also appear in the working relationships between staff; the need for continuous investment in continuing education; and the risk of abandoning technique during professional practice, which allows moral and conservative aspects to guide penal treatment.application/pdfporPrisãoGênero e sexualidadePolítica públicaRio Grande do SulPrisonsLGBTI+ populationPrison policiesGender and sexuality pedagogiesEducationPedagogias de gênero e sexualidade nas prisões : uma análise a partir das políticas penitenciárias para a população LGBTI+info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de EducaçãoPrograma de Pós-Graduação em EducaçãoPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001301842.pdf.txt001301842.pdf.txtExtracted Texttext/plain279853http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302176/2/001301842.pdf.txtbb3c05f5a36e81eb8832ef6ee31d7e55MD52ORIGINAL001301842.pdfTexto completoapplication/pdf7163234http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/302176/1/001301842.pdf76abd4f7ad13615d2d2ba6c768844decMD5110183/3021762026-03-11 07:53:24.732214oai:www.lume.ufrgs.br:10183/302176Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532026-03-11T10:53:24Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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