Mimese nos idílios de Teócrito : tradução e estudo
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/292321 |
Resumo: | Esta pesquisa se desdobrou em duas linhas principais. A primeira focou na investigação das diferentes formas em que o recurso da mimese é empregado nos idílios do poeta helenístico Teócrito. Este poeta, de provável origem siracusana na Magna Grécia, foi célebre por seus "idílios" ("εἰδύλλιον"), pequenas cenas da vida cotidiana que influenciaram a poesia pastoral dos poetas latinos e chegaram até a modernidade. Já na Antiguidade, os leitores perceberam a diversidade estilística presente nesses poemas, os quais são caracterizados como uma verdadeira "colcha de retalhos", misturando diferentes gêneros e recursos literários. Assim, a obra de Teócrito se configura como um bom campo de estudo para questionar a concepção de mimese na Antiguidade. Esse termo, que ganhou especial notoriedade com a Poética de Aristóteles, é comumente traduzido como "imitação", "representação" ou "emulação". No entanto, sua definição e os limites do conceito são bastante fluidos e, na Antiguidade, a palavra tinha um sentido igualmente dinâmico, sendo de grande importância nas discussões sobre a poesia. Antes de Aristóteles, Platão já abordara o papel da mimese em A República, subordinando-a à diégesis (ou narrativa). Assim, também se discute a relação entre esses dois conceitos, uma vez que sua definição está interligada. A mimese, portanto, abre-se a duas interpretações: a) a reprodução da "realidade"; e b) a reprodução de modelos e gêneros literários. Em nossa análise de Teócrito, identificamos três grandes modelos de mimese: a mimese urbana (especialmente nos Idílios 2 e 15), a mimese rural (nos Idílios 10 e 14) e a mimese bucólica (mais característica dos Idílios 4 e 5). Acredita-se que cada um desses grupos evoca um conjunto distinto de gêneros e referências poéticas, além de oferecer um olhar único sobre a realidade. A segunda linha de pesquisa consistiu na tradução do conjunto de idílios de Teócrito, uma vez que até o momento não havia uma tradução completa desse corpus para o português. A tradução visou, além de suprir essa lacuna, servir como parâmetro de comparação dos poemas selecionados para a discussão sobre a mimese e o restante da obra teocriteana. Para a tradução, foi adotada a versão de Gow (1952), com um critério tradutório que privilegiou o verso livre, combinando uma linguagem erudita com o tom prosaico, a fim de emular a artificialidade do texto grego, caracterizado pela mistura de registros e dialetos. No que se refere ao dialeto dórico próprio de Teócrito, optou-se pela inclusão de alguns regionalismos do sul brasileiro, como forma de aproximar o texto traduzido da fluidez do original. |
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Rosa, Thiago Koslowsky daBrunhara, Rafael de Carvalho Matiello2025-05-29T06:39:41Z2025http://hdl.handle.net/10183/292321001257657Esta pesquisa se desdobrou em duas linhas principais. A primeira focou na investigação das diferentes formas em que o recurso da mimese é empregado nos idílios do poeta helenístico Teócrito. Este poeta, de provável origem siracusana na Magna Grécia, foi célebre por seus "idílios" ("εἰδύλλιον"), pequenas cenas da vida cotidiana que influenciaram a poesia pastoral dos poetas latinos e chegaram até a modernidade. Já na Antiguidade, os leitores perceberam a diversidade estilística presente nesses poemas, os quais são caracterizados como uma verdadeira "colcha de retalhos", misturando diferentes gêneros e recursos literários. Assim, a obra de Teócrito se configura como um bom campo de estudo para questionar a concepção de mimese na Antiguidade. Esse termo, que ganhou especial notoriedade com a Poética de Aristóteles, é comumente traduzido como "imitação", "representação" ou "emulação". No entanto, sua definição e os limites do conceito são bastante fluidos e, na Antiguidade, a palavra tinha um sentido igualmente dinâmico, sendo de grande importância nas discussões sobre a poesia. Antes de Aristóteles, Platão já abordara o papel da mimese em A República, subordinando-a à diégesis (ou narrativa). Assim, também se discute a relação entre esses dois conceitos, uma vez que sua definição está interligada. A mimese, portanto, abre-se a duas interpretações: a) a reprodução da "realidade"; e b) a reprodução de modelos e gêneros literários. Em nossa análise de Teócrito, identificamos três grandes modelos de mimese: a mimese urbana (especialmente nos Idílios 2 e 15), a mimese rural (nos Idílios 10 e 14) e a mimese bucólica (mais característica dos Idílios 4 e 5). Acredita-se que cada um desses grupos evoca um conjunto distinto de gêneros e referências poéticas, além de oferecer um olhar único sobre a realidade. A segunda linha de pesquisa consistiu na tradução do conjunto de idílios de Teócrito, uma vez que até o momento não havia uma tradução completa desse corpus para o português. A tradução visou, além de suprir essa lacuna, servir como parâmetro de comparação dos poemas selecionados para a discussão sobre a mimese e o restante da obra teocriteana. Para a tradução, foi adotada a versão de Gow (1952), com um critério tradutório que privilegiou o verso livre, combinando uma linguagem erudita com o tom prosaico, a fim de emular a artificialidade do texto grego, caracterizado pela mistura de registros e dialetos. No que se refere ao dialeto dórico próprio de Teócrito, optou-se pela inclusão de alguns regionalismos do sul brasileiro, como forma de aproximar o texto traduzido da fluidez do original.This research was divided into two main areas. The first focused on investigating the different ways in which the concept of mimesis is employed in the idylls of the Hellenistic poet Theocritus. This poet, probably of Syracusan origin in Magna Graecia, was famous for his "idylls" ("εἰδύλλιον"), short scenes of everyday life that influenced the pastoral poetry of Latin poets and continued to do so into modern times. Even in Antiquity, readers noticed the stylistic diversity present in these poems, which can be characterized as a true "patchwork" of different genres and literary devices. Thus, Theocritus' work serves as an excellent field for questioning the concept of mimesis in Antiquity. This term, which gained particular prominence through Aristotle's Poetics, is commonly translated as "imitation," "representation," or "emulation." However, its definition and boundaries are quite fluid, and in Antiquity the term was equally dynamic and of great importance in discussions about poetry. Before Aristotle, Plato had already discussed the role of mimesis in The Republic, subordinating it to diegesis (or narrative). Therefore, the relationship between these two concepts is also discussed, as their definitions are interlinked. Mimesis, then, allows two interpretations: a) the reproduction of "reality"; and b) the reproduction of literary models and genres. In our approach to Theocritus, we identify three main models of mimesis: urban mimesis (especially in Idylls 2 and 15), rural mimesis (in Idylls 10 and 14), and bucolic mimesis (most characteristic in Idylls 4 and 5). It is argued that each of these groups evokes a distinct set of genres and poetic references, as well as a unique perspective on reality. The second area of research involved translating Theocritus' complete set of idylls, as there has been no full translation of this corpus into Brazilian Portuguese until now. The translation aimed not only to fill this gap but also to serve as a comparative reference for the selected poems discussed in relation to mimesis and the rest of Theocritus' work. For the translation, we adopted the Gow (1952) edition, with a translation approach that favored free verse, combining an erudite tone with a more prosaic one in order to emulate the artificiality of the Greek text, which is characterized by a mix of registers and dialects. Regarding Theocritus’ characteristic Doric dialect, the inclusion of some regionalisms from southern Brazil was chosen as a way to bring the translated text closer to the fluidity of the original.application/pdfporTeócrito, 310-250 A.CMimese na literaturaPoesiaTheocritusIdyllsMimesisMimese nos idílios de Teócrito : tradução e estudoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de LetrasPrograma de Pós-Graduação em LetrasPorto Alegre, BR-RS2025doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001257657.pdf.txt001257657.pdf.txtExtracted Texttext/plain449789http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/292321/2/001257657.pdf.txtcf32194bd6a800860476364503176a15MD52ORIGINAL001257657.pdfTexto parcialapplication/pdf1214524http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/292321/1/001257657.pdfb81e698831fc8da0355859aea0789082MD5110183/2923212025-06-11 06:58:47.899908oai:www.lume.ufrgs.br:10183/292321Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-06-11T09:58:47Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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Esta pesquisa se desdobrou em duas linhas principais. A primeira focou na investigação das diferentes formas em que o recurso da mimese é empregado nos idílios do poeta helenístico Teócrito. Este poeta, de provável origem siracusana na Magna Grécia, foi célebre por seus "idílios" ("εἰδύλλιον"), pequenas cenas da vida cotidiana que influenciaram a poesia pastoral dos poetas latinos e chegaram até a modernidade. Já na Antiguidade, os leitores perceberam a diversidade estilística presente nesses poemas, os quais são caracterizados como uma verdadeira "colcha de retalhos", misturando diferentes gêneros e recursos literários. Assim, a obra de Teócrito se configura como um bom campo de estudo para questionar a concepção de mimese na Antiguidade. Esse termo, que ganhou especial notoriedade com a Poética de Aristóteles, é comumente traduzido como "imitação", "representação" ou "emulação". No entanto, sua definição e os limites do conceito são bastante fluidos e, na Antiguidade, a palavra tinha um sentido igualmente dinâmico, sendo de grande importância nas discussões sobre a poesia. Antes de Aristóteles, Platão já abordara o papel da mimese em A República, subordinando-a à diégesis (ou narrativa). Assim, também se discute a relação entre esses dois conceitos, uma vez que sua definição está interligada. A mimese, portanto, abre-se a duas interpretações: a) a reprodução da "realidade"; e b) a reprodução de modelos e gêneros literários. Em nossa análise de Teócrito, identificamos três grandes modelos de mimese: a mimese urbana (especialmente nos Idílios 2 e 15), a mimese rural (nos Idílios 10 e 14) e a mimese bucólica (mais característica dos Idílios 4 e 5). Acredita-se que cada um desses grupos evoca um conjunto distinto de gêneros e referências poéticas, além de oferecer um olhar único sobre a realidade. A segunda linha de pesquisa consistiu na tradução do conjunto de idílios de Teócrito, uma vez que até o momento não havia uma tradução completa desse corpus para o português. A tradução visou, além de suprir essa lacuna, servir como parâmetro de comparação dos poemas selecionados para a discussão sobre a mimese e o restante da obra teocriteana. Para a tradução, foi adotada a versão de Gow (1952), com um critério tradutório que privilegiou o verso livre, combinando uma linguagem erudita com o tom prosaico, a fim de emular a artificialidade do texto grego, caracterizado pela mistura de registros e dialetos. No que se refere ao dialeto dórico próprio de Teócrito, optou-se pela inclusão de alguns regionalismos do sul brasileiro, como forma de aproximar o texto traduzido da fluidez do original. |
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