Existe gender gap no comportamento eleitoral no Brasil? : uma análise das eleições presidenciais de 2002 a 2022

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Ragagnin, Nelise Giuliane Rocha
Orientador(a): Simoni Junior, Sergio
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Palavras-chave em Espanhol:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/299062
Resumo: Esta dissertação investigou se, e em que termos, o sexo influencia o comportamento eleitoral nas eleições presidenciais brasileiras entre 2002 e 2022. Embora as pesquisas sobre preferências eleitorais no Brasil frequentemente incluam a variável sexo ao lado de outras socioeconômicas e demográficas, como escolaridade, renda, religião e região, em grande parte tratam estas como controle estatístico, ou a analisam de forma pontual. A partir de 2018, no entanto, a literatura começou a notar um novo padrão de diferenciação entre os sexos no voto, o que sugeriria a emergência de um gender gap moderno, além de notar a existência de efeitos interativos entre sexo e outras variáveis. No entanto, os estudos não verificaram se este mesmo fenômeno ocorria no período anterior. Assim, o objetivo desta pesquisa é alargar a análise empírica de modo a compreender a presença, a direção e a evolução desse fenômeno ao longo do ciclo democrático recente. A abordagem teórica mobiliza três eixos principais: a tradição sociológica nos estudos do voto, as explicações clássicas sobre o gender gap e a perspectiva da interseccionalidade. Esta última é operacionalizada com o uso de modelos estatísticos com termos de interação. A análise é quantitativa e utiliza dados do Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB), complementados pelo LAPOP no caso da eleição de 2006. Os modelos de regressão logística binária com interações entre sexo, raça/cor, escolaridade, religião e faixa etária permitiram observar que, ao longo do período analisado, houve uma transição entre três padrões distintos: um gender gap tradicional em 2002 e 2006, uma fase de neutralização dos efeitos de gênero em 2010 e 2014, e, a partir de 2018, um gender gap moderno, marcado pela maior rejeição das mulheres, especialmente jovens e escolarizadas, à candidatura de Jair Bolsonaro. Esses resultados contribuem teoricamente ao demonstrar que a evolução do gender gap no Brasil não pode ser explicada apenas por modelos lineares ou universalizantes baseados no desenvolvimento socioeconômico, mas deve ser entendida como produto de interações contextuais entre gênero e outros marcadores sociais.
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spelling Ragagnin, Nelise Giuliane RochaSimoni Junior, Sergio2025-11-22T08:07:21Z2025http://hdl.handle.net/10183/299062001296958Esta dissertação investigou se, e em que termos, o sexo influencia o comportamento eleitoral nas eleições presidenciais brasileiras entre 2002 e 2022. Embora as pesquisas sobre preferências eleitorais no Brasil frequentemente incluam a variável sexo ao lado de outras socioeconômicas e demográficas, como escolaridade, renda, religião e região, em grande parte tratam estas como controle estatístico, ou a analisam de forma pontual. A partir de 2018, no entanto, a literatura começou a notar um novo padrão de diferenciação entre os sexos no voto, o que sugeriria a emergência de um gender gap moderno, além de notar a existência de efeitos interativos entre sexo e outras variáveis. No entanto, os estudos não verificaram se este mesmo fenômeno ocorria no período anterior. Assim, o objetivo desta pesquisa é alargar a análise empírica de modo a compreender a presença, a direção e a evolução desse fenômeno ao longo do ciclo democrático recente. A abordagem teórica mobiliza três eixos principais: a tradição sociológica nos estudos do voto, as explicações clássicas sobre o gender gap e a perspectiva da interseccionalidade. Esta última é operacionalizada com o uso de modelos estatísticos com termos de interação. A análise é quantitativa e utiliza dados do Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB), complementados pelo LAPOP no caso da eleição de 2006. Os modelos de regressão logística binária com interações entre sexo, raça/cor, escolaridade, religião e faixa etária permitiram observar que, ao longo do período analisado, houve uma transição entre três padrões distintos: um gender gap tradicional em 2002 e 2006, uma fase de neutralização dos efeitos de gênero em 2010 e 2014, e, a partir de 2018, um gender gap moderno, marcado pela maior rejeição das mulheres, especialmente jovens e escolarizadas, à candidatura de Jair Bolsonaro. Esses resultados contribuem teoricamente ao demonstrar que a evolução do gender gap no Brasil não pode ser explicada apenas por modelos lineares ou universalizantes baseados no desenvolvimento socioeconômico, mas deve ser entendida como produto de interações contextuais entre gênero e outros marcadores sociais.This dissertation investigates whether, and in what terms, sex influences electoral behavior in Brazilian presidential elections between 2002 and 2022. Although studies on electoral preferences in Brazil often include sex alongside other socioeconomic and demographic variables, such as education, income, religion, and region, they largely treat these as statistical controls or analyze them in a punctual manner. From 2018 onward, however, the literature began to note a new pattern of differentiation between men and women in voting, suggesting the emergence of a modern gender gap, as well as the existence of interactive effects between sex and other variables. Nevertheless, studies did not verify whether this phenomenon was also present in earlier periods. Thus, the objective of this research is to expand the empirical analysis in order to understand the presence, direction, and evolution of this phenomenon throughout the recent democratic cycle. The theoretical approach mobilizes three main axes: the sociological tradition in voting studies, the classical explanations of the gender gap, and the perspective of intersectionality. The latter is operationalized through the use of statistical models with interaction terms. The analysis is quantitative and uses data from the Brazilian Electoral Study (ESEB), complemented by LAPOP in the case of the 2006 election. Binary logistic regression models with interactions between sex, race/color, education, religion, and age group allowed us to observe that, throughout the analyzed period, there was a transition between three distinct patterns: a traditional gender gap in 2002 and 2006, a phase of neutralization of gender effects in 2010 and 2014, and, from 2018 onward, a modern gender gap, marked by women’s stronger rejection—especially younger and more educated women—of Jair Bolsonaro’s candidacy. These results contribute theoretically by demonstrating that the evolution of the gender gap in Brazil cannot be explained solely by linear or universalizing models based on socioeconomic development, but must be understood as the product of contextual interactions between gender and other social markers.Esta disertación investiga si, y en qué términos, el sexo influye en el comportamiento electoral en las elecciones presidenciales brasileñas entre 2002 y 2022. Aunque los estudios sobre preferencias electorales en Brasil suelen incluir la variable sexo junto a otras socioeconómicas y demográficas, como escolaridad, ingresos, religión y región, en gran medida las tratan como controles estadísticos o las analizan de manera puntual. A partir de 2018, sin embargo, la literatura comenzó a señalar un nuevo patrón de diferenciación entre los sexos en el voto, lo que sugeriría la emergencia de un gender gap moderno, además de la existencia de efectos interactivos entre el sexo y otras variables. No obstante, los estudios no verificaron si este mismo fenómeno ocurría en el período anterior. Así, el objetivo de esta investigación es ampliar el análisis empírico con el fin de comprender la presencia, la dirección y la evolución de dicho fenómeno a lo largo del ciclo democrático reciente. El enfoque teórico moviliza tres ejes principales: la tradición sociológica en los estudios del voto, las explicaciones clásicas sobre el gender gap y la perspectiva de la interseccionalidad. Esta última se operacionaliza mediante el uso de modelos estadísticos con términos de interacción. El análisis es cuantitativo y utiliza datos del Estudio Electoral Brasileño (ESEB), complementados con LAPOP en el caso de las elecciones de 2006. Los modelos de regresión logística binaria con interacciones entre sexo, raza/color, escolaridad, religión y grupo etario permitieron observar que, a lo largo del período analizado, hubo una transición entre tres patrones distintos: un gender gap tradicional en 2002 y 2006, una fase de neutralización de los efectos de género en 2010 y 2014, y, a partir de 2018, un gender gap moderno, marcado por una mayor rechazo de las mujeres —especialmente las jóvenes y con mayor nivel educativo— a la candidatura de Jair Bolsonaro. Estos resultados contribuyen teóricamente al demostrar que la evolución del gender gap en Brasil no puede explicarse únicamente mediante modelos lineales o universalizantes basados en el desarrollo socioeconómico, sino que debe entenderse como producto de interacciones contextuales entre género y otros marcadores sociales.application/pdfporComportamento eleitoralEleições presidenciaisInterseccionalidadeGêneroBrasilElectoral behaviorGenderGender gapIntersectionalityPresidential electionsBrazilComportamiento electoralGéneroInterseccionalidadElecciones presidencialesExiste gender gap no comportamento eleitoral no Brasil? : uma análise das eleições presidenciais de 2002 a 2022info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de Filosofia e Ciências HumanasPrograma de Pós-Graduação em Ciência PolíticaPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001296958.pdf.txt001296958.pdf.txtExtracted Texttext/plain320679http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/299062/2/001296958.pdf.txta08dd37da00e41fee1d7efcaeb737686MD52ORIGINAL001296958.pdfTexto completoapplication/pdf1563206http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/299062/1/001296958.pdf3e8d32a6879a8047c963313eb8cef470MD5110183/2990622025-12-15 08:17:51.187041oai:www.lume.ufrgs.br:10183/299062Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-12-15T10:17:51Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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