A cosmoecologia m’byá-guarani diante das mudanças climáticas e do antropoceno : uma cartografia multiespécies
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/298114 |
Resumo: | Este estudo foi realizado junto a quatro aldeias m’byá-guarani localizadas na Mata Atlântica do Rio Grande do Sul, durante o período de 2019 a 2024, utilizando-se da cartografia multiespécies como metodologia de pesquisa e o guatá como guia de orientação. Ao acompanhar esses coletivos, percebe-se modos próprios de se relacionar com a terra e com os diferentes seres que a compõem, e que essas relacionalidades fundamentam sua cosmoecologia. De que modo a resistência m’byá-guarani tem interpelado a marcha de destruição do Antropoceno? Que modos de relação com a terra e com os outros seres há em seu mundo? Como esses modos favorecem a habitabilidade das paisagens que compõem seu guatá tape porã? Em que esses modos de se relacionar com a terra se diferenciam do juruáreko / o habitar colonial do Antropoceno? Os argumentos desta tese foram organizados em quatro categorias de análise: 1) A retomada da terra, como experiência na qual esses coletivos executam uma estratégia política de proteção de determinados territórios, não só requerendo para si o direito territorial, mas impedindo sua destruição, e por isso lutando “pelo juruá também”. 2) As paisagens m’byá mostram-se como arquivos de modos de habitar e de se relacionar com outros entes, muito diferentes daqueles vistos nas paisagens da monocultura exercida pelos juruá. 3) A partir das presenças multiespécies, aborda-se como a cotidianidade m’byá é habitada por muitos seres, construída com eles, que são reconhecidos em sua importância na manutenção do mundo. 4) O guatá, como elemento fundamental do modo de vida m’byá, permite perceber modos de caminhar na terra com efeitos muito distintos daqueles vinculados ao Antropoceno. Os Mbyá-Guarani estão na linha de frente contra as mudanças climáticas e o Antropoceno e vêm atualizando suas estratégias de resistência para enfrentar a destruição de seus territórios ancestrais e do planeta. Esta pesquisa traz a perspectiva dos m’byá sobre a terra, as mudanças climáticas, e aborda modos de resistência contracoloniais que permeiam seus modos de vida. Ademais, discutese como as mudanças climáticas e o Antropoceno interrogam a psicologia social e de que modo os saberes indígenas contribuem para repensá-la. Problematiza-se o excepcionalismo humano presente no campo da psicologia, no qual a natureza é considerada como oposição da cultura/social, a partir de uma concepção dada, fixa e externa a si, enquanto o social é visto como atributo demasiadamente humano. Quem está incluído no social da psicologia social? A discussão realizada abarca os estudos multiespécies e as epistemologias indígenas, apontando para a necessidade de situar/aterrar a psicologia, propondo assim uma (re)territorialização da psicologia social. |
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Este estudo foi realizado junto a quatro aldeias m’byá-guarani localizadas na Mata Atlântica do Rio Grande do Sul, durante o período de 2019 a 2024, utilizando-se da cartografia multiespécies como metodologia de pesquisa e o guatá como guia de orientação. Ao acompanhar esses coletivos, percebe-se modos próprios de se relacionar com a terra e com os diferentes seres que a compõem, e que essas relacionalidades fundamentam sua cosmoecologia. De que modo a resistência m’byá-guarani tem interpelado a marcha de destruição do Antropoceno? Que modos de relação com a terra e com os outros seres há em seu mundo? Como esses modos favorecem a habitabilidade das paisagens que compõem seu guatá tape porã? Em que esses modos de se relacionar com a terra se diferenciam do juruáreko / o habitar colonial do Antropoceno? Os argumentos desta tese foram organizados em quatro categorias de análise: 1) A retomada da terra, como experiência na qual esses coletivos executam uma estratégia política de proteção de determinados territórios, não só requerendo para si o direito territorial, mas impedindo sua destruição, e por isso lutando “pelo juruá também”. 2) As paisagens m’byá mostram-se como arquivos de modos de habitar e de se relacionar com outros entes, muito diferentes daqueles vistos nas paisagens da monocultura exercida pelos juruá. 3) A partir das presenças multiespécies, aborda-se como a cotidianidade m’byá é habitada por muitos seres, construída com eles, que são reconhecidos em sua importância na manutenção do mundo. 4) O guatá, como elemento fundamental do modo de vida m’byá, permite perceber modos de caminhar na terra com efeitos muito distintos daqueles vinculados ao Antropoceno. Os Mbyá-Guarani estão na linha de frente contra as mudanças climáticas e o Antropoceno e vêm atualizando suas estratégias de resistência para enfrentar a destruição de seus territórios ancestrais e do planeta. Esta pesquisa traz a perspectiva dos m’byá sobre a terra, as mudanças climáticas, e aborda modos de resistência contracoloniais que permeiam seus modos de vida. Ademais, discutese como as mudanças climáticas e o Antropoceno interrogam a psicologia social e de que modo os saberes indígenas contribuem para repensá-la. Problematiza-se o excepcionalismo humano presente no campo da psicologia, no qual a natureza é considerada como oposição da cultura/social, a partir de uma concepção dada, fixa e externa a si, enquanto o social é visto como atributo demasiadamente humano. Quem está incluído no social da psicologia social? A discussão realizada abarca os estudos multiespécies e as epistemologias indígenas, apontando para a necessidade de situar/aterrar a psicologia, propondo assim uma (re)territorialização da psicologia social. |
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