A necropedagogia e seus pilares constituidores : uma análise do gerenciamento letal da Pandemia no Governo de Jair Bolsonaro (2020 a 2021)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2026
Autor(a) principal: Oliveira, Gabriela de Abreu
Orientador(a): Zitkoski, Jaime José
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Espanhol:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/307071
Resumo: Esta tese investiga as mais de 700 mil mortes por COVID-19 no Brasil, sustentando que não resultaram do acaso, mas de uma agenda deliberada de produção da morte orquestrada pelo governo Bolsonaro. À frente da crise sanitária, Bolsonaro contribuiu ativamente para a tragédia ao sabotar medidas de proteção, promover tratamentos ineficazes, atrasar a compra de vacinas e disseminar negacionismo científico – fatos documentados em fontes jornalísticas de 2020-2021, que constituem as fontes primárias desta investigação. Diante desse cenário, emergiu a questão central: como explicar que brasileiros normalizassem a morte em massa? A hipótese é a existência de um processo sistemático de pedagogização da pandemia – uma necropedagogia – que produziu subjetividades conformadas diante da catástrofe. A lacuna acadêmica suprida reside na ausência de estudos que articulassem, de forma integrada, as dimensões estrutural, biopolítica e pedagógica para explicar a naturalização social da tragédia. Faltava um quadro analítico unificado que demonstrasse como negacionismo, desmonte do SUS e desigualdade operaram em sinergia para produzir não apenas mortes, mas a aceitação social dessas mortes. O objetivo geral foi analisar se a gestão da saúde pública no governo Bolsonaro pode ser caracterizada como necropedagogia. A investigação baseouse em documentos oficiais, relatórios institucionais e notícias veiculadas entre março de 2020 e dezembro de 2021. Os objetivos específicos foram: (a) reconstituir o modelo ultraliberal na saúde pública; (b) analisar suas consequências sociais; e (c) operacionalizar o conceito de necropedagogia. A necropedagogia, conceito central da tese, designa o conjunto de dispositivos discursivos, midiáticos e culturais que inculcaram na população a aceitação do absurdo. Manifestou-se na enxurrada de fake news, na negação da ciência, na promoção de medicamentos ineficazes e na criação de verdades alternativas que anestesiaram o espanto ético. Tratou-se de uma pedagogia da morte, que ensinava a desconfiar da vacina e a ridicularizar a máscara. A necropedagogia está alicerçada em três pilares que atuaram em sinergia: o Estado ultraliberal, que subordinou a vida aos imperativos do mercado; a necropolítica, que direcionou a letalidade do vírus para corpos negros, indígenas e periféricos; e a pedagogia da submissão, que forjou uma subjetividade marcada pela aceitação passiva do inaceitável. A pesquisa demonstra como esses pilares produziram a naturalização da morte e a pouca comoção social. A conclusão é que o projeto bolsonarista não apenas matou, mas ensinou o país a aceitar a morte como natural.
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spelling Oliveira, Gabriela de AbreuZitkoski, Jaime José2026-05-19T07:50:02Z2026http://hdl.handle.net/10183/307071001305491Esta tese investiga as mais de 700 mil mortes por COVID-19 no Brasil, sustentando que não resultaram do acaso, mas de uma agenda deliberada de produção da morte orquestrada pelo governo Bolsonaro. À frente da crise sanitária, Bolsonaro contribuiu ativamente para a tragédia ao sabotar medidas de proteção, promover tratamentos ineficazes, atrasar a compra de vacinas e disseminar negacionismo científico – fatos documentados em fontes jornalísticas de 2020-2021, que constituem as fontes primárias desta investigação. Diante desse cenário, emergiu a questão central: como explicar que brasileiros normalizassem a morte em massa? A hipótese é a existência de um processo sistemático de pedagogização da pandemia – uma necropedagogia – que produziu subjetividades conformadas diante da catástrofe. A lacuna acadêmica suprida reside na ausência de estudos que articulassem, de forma integrada, as dimensões estrutural, biopolítica e pedagógica para explicar a naturalização social da tragédia. Faltava um quadro analítico unificado que demonstrasse como negacionismo, desmonte do SUS e desigualdade operaram em sinergia para produzir não apenas mortes, mas a aceitação social dessas mortes. O objetivo geral foi analisar se a gestão da saúde pública no governo Bolsonaro pode ser caracterizada como necropedagogia. A investigação baseouse em documentos oficiais, relatórios institucionais e notícias veiculadas entre março de 2020 e dezembro de 2021. Os objetivos específicos foram: (a) reconstituir o modelo ultraliberal na saúde pública; (b) analisar suas consequências sociais; e (c) operacionalizar o conceito de necropedagogia. A necropedagogia, conceito central da tese, designa o conjunto de dispositivos discursivos, midiáticos e culturais que inculcaram na população a aceitação do absurdo. Manifestou-se na enxurrada de fake news, na negação da ciência, na promoção de medicamentos ineficazes e na criação de verdades alternativas que anestesiaram o espanto ético. Tratou-se de uma pedagogia da morte, que ensinava a desconfiar da vacina e a ridicularizar a máscara. A necropedagogia está alicerçada em três pilares que atuaram em sinergia: o Estado ultraliberal, que subordinou a vida aos imperativos do mercado; a necropolítica, que direcionou a letalidade do vírus para corpos negros, indígenas e periféricos; e a pedagogia da submissão, que forjou uma subjetividade marcada pela aceitação passiva do inaceitável. A pesquisa demonstra como esses pilares produziram a naturalização da morte e a pouca comoção social. A conclusão é que o projeto bolsonarista não apenas matou, mas ensinou o país a aceitar a morte como natural.Esta tesis investiga las más de 700 mil muertes por COVID-19 en Brasil, sosteniendo que no resultaron del azar, sino de una agenda deliberada de producción de la muerte orquestada por el gobierno de Bolsonaro. Al frente de la crisis sanitaria, Bolsonaro contribuyó activamente a la tragedia al sabotear medidas de protección, promover tratamientos ineficaces, retrasar la compra de vacunas y diseminar negacionismo científico – hechos documentados en fuentes periodísticas de 2020-2021, que constituyen las fuentes primarias de esta investigación. Ante este escenario, emergió la cuestión central: ¿cómo explicar que brasileños normalizaran la muerte en masa? La hipótesis es la existencia de un proceso sistemático de pedagogización de la pandemia – una necropedagogía – que produjo subjetividades conformadas ante la catástrofe. El vacío académico subsanado reside en la ausencia de estudios que articularan, de forma integrada, las dimensiones estructural, biopolítica y pedagógica para explicar la naturalización social de la tragedia. Faltaba un marco analítico unificado que demostrara cómo negacionismo, desmantelamiento del SUS y desigualdad operaron en sinergia para producir no sólo muertes, sino la aceptación social de esas muertes. El objetivo general fue analizar si la gestión de la salud pública en el gobierno de Bolsonaro puede ser caracterizada como necropedagogía. La investigación se basó en documentos oficiales, informes institucionales y noticias divulgadas entre marzo de 2020 y diciembre de 2021. Los objetivos específicos fueron: (a) reconstituir el modelo ultraliberal en la salud pública; (b) analizar sus consecuencias sociales; y (c) operacionalizar el concepto de necropedagogía. La necropedagogía, concepto central de la tesis, designa el conjunto de dispositivos discursivos, mediáticos y culturales que inculcaron en la población la aceptación del absurdo. Se manifestó en el aluvión de fake news, en la negación de la ciencia, en la promoción de medicamentos ineficaces y en la creación de verdades alternativas que anestesiaron el espanto ético. Se trató de una pedagogía de la muerte, que enseñaba a desconfiar de la vacuna y a ridiculizar la mascarilla. La necropedagogía se asienta en tres pilares que actuaron en sinergia: el Estado ultraliberal, que subordinó la vida a los imperativos del mercado; la necropolítica, que direccionó la letalidad del virus hacia cuerpos negros, indígenas y periféricos; y la pedagogía de la sumisión, que forjó una subjetividad marcada por la aceptación pasiva de lo inaceptable. La investigación demuestra cómo esos pilares produjeron la naturalización de la muerte y la escasa conmoción social. La conclusión es que el proyecto bolsonarista no sólo mató, sino que enseñó al país a aceptar la muerte como natural.application/pdfporPandemia de COVID-19 (2020-2023)LiberalismoSubmissãoNecropedagogíaPandemia de COVID-19BolsonarismoNecropolíticaUltraliberalismoPedagogía de la sumisiónA necropedagogia e seus pilares constituidores : uma análise do gerenciamento letal da Pandemia no Governo de Jair Bolsonaro (2020 a 2021)info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de EducaçãoPrograma de Pós-Graduação em EducaçãoPorto Alegre, BR-RS2026doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001305491.pdf.txt001305491.pdf.txtExtracted Texttext/plain580338http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/307071/2/001305491.pdf.txt6b5a6de3647c40674f10a4d830ddd00dMD52ORIGINAL001305491.pdfTexto completoapplication/pdf4602143http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/307071/1/001305491.pdf32a73cc43f385174db82f8843f9bb477MD5110183/3070712026-05-20 07:57:33.405316oai:www.lume.ufrgs.br:10183/307071Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532026-05-20T10:57:33Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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