Práticas e questões alimentares nos territórios : os arranjos de ativismo alimentar periférico de coletivos da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Duarte, Vitória Giovana
Orientador(a): David, Marília Luz
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/290790
Resumo: Esta dissertação investiga as formas de ativismo alimentar de coletivos em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, analisando como seus arranjos são constituídos e como suas práticas articulam questões de gênero, raça e classe no campo da alimentação. O estudo acompanha três casos exemplares: Crioula | Curadoria Alimentar, Amada Massa: Clube de Pães e Cozinha Solidária da Azenha (CSA). Para isso, buscou-se: (1) mapear o processo de constituição dos arranjos selecionados; (2) analisar de que maneira tais arranjos de ativismo alimentar problematizam o consumo e as práticas alimentares, em particular questões relacionadas à segurança alimentar e nutricional e ao acesso a uma alimentação adequada e saudável; e (3) investigar as diferentes performances de ativismo alimentar de cada coletivo, atentando para como eles incorporam questões de gênero, raça e classe às discussões sobre alimentação e criam diálogos com Estado e mercado a partir das suas mobilizações. O trabalho de campo foi conduzido entre maio de 2023 e julho de 2024, por meio da análise documental, entrevistas semiestruturadas e observação participante nas atividades de cada coletivo. A análise dos dados foi realizada com o auxílio de codificação, principalmente por meio do software Nvivo. Do ponto de vista teórico, a pesquisa se apoiou em autoras dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT), especialmente das gerações da Teoria Ator-Rede (ANT), e em estudos sobre ativismo alimentar no Brasil. Os resultados indicam que os arranjos construídos por esses coletivos estruturam suas práticas alimentares a partir de uma abordagem que confere centralidade às dinâmicas de estratificação social. Assim, compreendem a alimentação como parte de um conjunto mais amplo de problemáticas que transcendem o alimento em si, incluindo mobilidade urbana, moradia, práticas antirracistas e as desigualdades de gênero na sobrecarga do cuidado. Além disso, mesmo diante de vulnerabilidades e limitações em termos de recursos humanos, financeiros e de infraestrutura, esses coletivos demonstram capacidade de formular soluções criativas e eficazes para enfrentar crises sanitárias, climáticas e de insegurança alimentar e nutricional. Por fim, para evidenciar o protagonismo desses sujeitos na elaboração de mobilizações e destacar à composição dos seus arranjos, proponho denominar o tipo de ativismo exercido por eles de ativismo alimentar periférico.
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Para isso, buscou-se: (1) mapear o processo de constituição dos arranjos selecionados; (2) analisar de que maneira tais arranjos de ativismo alimentar problematizam o consumo e as práticas alimentares, em particular questões relacionadas à segurança alimentar e nutricional e ao acesso a uma alimentação adequada e saudável; e (3) investigar as diferentes performances de ativismo alimentar de cada coletivo, atentando para como eles incorporam questões de gênero, raça e classe às discussões sobre alimentação e criam diálogos com Estado e mercado a partir das suas mobilizações. O trabalho de campo foi conduzido entre maio de 2023 e julho de 2024, por meio da análise documental, entrevistas semiestruturadas e observação participante nas atividades de cada coletivo. A análise dos dados foi realizada com o auxílio de codificação, principalmente por meio do software Nvivo. Do ponto de vista teórico, a pesquisa se apoiou em autoras dos Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia (ESCT), especialmente das gerações da Teoria Ator-Rede (ANT), e em estudos sobre ativismo alimentar no Brasil. Os resultados indicam que os arranjos construídos por esses coletivos estruturam suas práticas alimentares a partir de uma abordagem que confere centralidade às dinâmicas de estratificação social. Assim, compreendem a alimentação como parte de um conjunto mais amplo de problemáticas que transcendem o alimento em si, incluindo mobilidade urbana, moradia, práticas antirracistas e as desigualdades de gênero na sobrecarga do cuidado. Além disso, mesmo diante de vulnerabilidades e limitações em termos de recursos humanos, financeiros e de infraestrutura, esses coletivos demonstram capacidade de formular soluções criativas e eficazes para enfrentar crises sanitárias, climáticas e de insegurança alimentar e nutricional. Por fim, para evidenciar o protagonismo desses sujeitos na elaboração de mobilizações e destacar à composição dos seus arranjos, proponho denominar o tipo de ativismo exercido por eles de ativismo alimentar periférico.This dissertation investigates the forms of food activism carried out by collectives in Porto Alegre, Rio Grande do Sul, analyzing how their arrangements are constituted and how their practices articulate issues of gender, race, and class within the field of food. The study follows three exemplary cases: Crioula | Curadoria Alimentar, Amada Massa: Clube de Pães, and Cozinha Solidária da Azenha (CSA). To achieve this, the research aimed to: (1) map the process of constitution of the selected arrangements; (2) analyze how these food activism arrangements challenge food consumption and practices, particularly in relation to food and nutritional security and access to adequate and healthy food; and (3) investigate the different performances of food activism within each collective, examining how they incorporate gender, race, and class issues into discussions on food and establish dialogues with the state and the market through their mobilizations. Fieldwork was conducted between May 2023 and July 2024, employing document analysis, semi-structured interviews, and participant observation in each collective’s activities. Data analysis was carried out using coding techniques, primarily through the Nvivo software. Theoretically, the research is grounded in scholars from the field of Science and Technology Studies (STS), particularly those associated with Actor-Network Theory (ANT), as well as in studies on food activism in Brazil. The findings indicate that the arrangements developed by these collectives structure their food practices through an approach that places social stratification dynamics at the center of their actions. Consequently, they understand food as part of a broader set of issues that extend beyond food itself, including urban mobility, housing, anti-racist practices, and gender inequalities in the burden of care work. Furthermore, despite facing vulnerabilities and constraints in terms of human, financial, and infrastructural resources, these collectives demonstrate the ability to develop creative and effective solutions in response to health, climate, and food insecurity crise. Finally, to highlight the agency of these actors in shaping mobilizations and to emphasize the composition of their arrangements, I propose the concept of peripheral food activism to characterize the type of activism they engage in.application/pdfporAtivismoPráticas alimentaresMudanças climáticasPeriferiaTerritorializaçãoFood activismClimate changePeripheryFood practicesTerritorializationPráticas e questões alimentares nos territórios : os arranjos de ativismo alimentar periférico de coletivos da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sulinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de Filosofia e Ciências HumanasPrograma de Pós-Graduação em SociologiaPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001249098.pdf.txt001249098.pdf.txtExtracted Texttext/plain400712http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/290790/2/001249098.pdf.txtb818af72e4a4360e4a5e5fa2adc414d1MD52ORIGINAL001249098.pdfTexto completoapplication/pdf5071881http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/290790/1/001249098.pdfacb5cb55db136ffd4cd44ad9996ecf41MD5110183/2907902025-04-26 06:55:35.063088oai:www.lume.ufrgs.br:10183/290790Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br||lume@ufrgs.bropendoar:18532025-04-26T09:55:35Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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