Avanços e recuos na política de cooperação técnica Sul-Sul do Brasil de 2003 a 2022

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Cassel, Rodrigo dos Santos
Orientador(a): Pereira, Analúcia Danilevicz
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Palavras-chave em Espanhol:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/274563
Resumo: A cooperação técnica prestada pelo Brasil a países em desenvolvimento adquiriu ímpeto com a criação da Agência Brasileira de Cooperação, em 1987, e tornou-se instrumento essencial de política externa ao longo da década de 2000. Dessa forma, em 2010, ao cabo do governo Lula da Silva, argumentava-se que a cooperação técnica Sul-Sul já havia se tornado prática perene do Estado brasileiro. Na década seguinte, entretanto, sob Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro, a política externa brasileira, em geral, e a política de cooperação técnica Sul-Sul, em específico, retraíram-se. Esta dissertação se desenvolve em tal contexto, na medida em que objetiva contribuir para o estudo e a sistematização das oscilações registradas na prioridade conferida à política de cooperação técnica Sul-Sul do Brasil entre 2003 e 2022, do governo de Lula da Silva ao de Jair Bolsonaro. Como pergunta norteadora da pesquisa, questionou-se se a prática de priorizar a prestação de cooperação técnica Sul-Sul constitui uma política de Estado no Brasil. Para a consecução dos objetivos propostos, lançou-se mão de pesquisa bibliográfica e documental, de análise qualitativa de fontes primárias e secundárias, e, a partir de consulta ao Portal Brasileiro de Dados Abertos e ao acervo de atos internacionais do Ministério das Relações Exteriores, de levantamento e sistematização de dados quantitativos referentes a projetos de cooperação técnica no ínterim proposto. O desenvolvimento do trabalho permitiu concluir que, a despeito de ser a cooperação técnica um tema já típico para o Estado brasileiro, priorizar a pauta de prestação de cooperação técnica a países em desenvolvimento não é uma prática consensuada e estável no país. Fazê-lo, na verdade, constitui decisão típica de governo, de maneira que a cooperação técnica Sul-Sul é, no Brasil, altamente suscetível às alternâncias de prioridade parte dos distintos governos à frente do Executivo federal. Concluiu-se, ademais, que a decisão de priorizar a cooperação técnica Sul-Sul é condicionada a dois fatores principais, a saber, as condições macroeconômicas vigentes e a orientação de política externa do governo de situação, e a um fator suplementar, qual seja, a capacidade institucional e material da Agência Brasileira de Cooperação de responder à demanda por projetos.
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Esta dissertação se desenvolve em tal contexto, na medida em que objetiva contribuir para o estudo e a sistematização das oscilações registradas na prioridade conferida à política de cooperação técnica Sul-Sul do Brasil entre 2003 e 2022, do governo de Lula da Silva ao de Jair Bolsonaro. Como pergunta norteadora da pesquisa, questionou-se se a prática de priorizar a prestação de cooperação técnica Sul-Sul constitui uma política de Estado no Brasil. Para a consecução dos objetivos propostos, lançou-se mão de pesquisa bibliográfica e documental, de análise qualitativa de fontes primárias e secundárias, e, a partir de consulta ao Portal Brasileiro de Dados Abertos e ao acervo de atos internacionais do Ministério das Relações Exteriores, de levantamento e sistematização de dados quantitativos referentes a projetos de cooperação técnica no ínterim proposto. O desenvolvimento do trabalho permitiu concluir que, a despeito de ser a cooperação técnica um tema já típico para o Estado brasileiro, priorizar a pauta de prestação de cooperação técnica a países em desenvolvimento não é uma prática consensuada e estável no país. Fazê-lo, na verdade, constitui decisão típica de governo, de maneira que a cooperação técnica Sul-Sul é, no Brasil, altamente suscetível às alternâncias de prioridade parte dos distintos governos à frente do Executivo federal. Concluiu-se, ademais, que a decisão de priorizar a cooperação técnica Sul-Sul é condicionada a dois fatores principais, a saber, as condições macroeconômicas vigentes e a orientação de política externa do governo de situação, e a um fator suplementar, qual seja, a capacidade institucional e material da Agência Brasileira de Cooperação de responder à demanda por projetos.Brazil’s South-South technical cooperation gained momentum with the establishment of the Brazilian Cooperation Agency, in 1987, and became an essential foreign policy tool throughout the 2000s. In 2010, at the end of Lula da Silva’s first two administrations, South-South technical cooperation was believed to have become a perennial policy of the Brazilian state. In the following decade, however, under Dilma Rousseff, Michel Temer and Jair Bolsonaro, Brazilian foreign policy, in general, and the country’s South-South technical cooperation policy, in specific, retracted. This thesis unfolds in such a context, as it aims to contribute to the study of the fluctuations recorded in the priority given to Brazil’s South-South technical cooperation policy between 2003 and 2022, from the government of Lula da Silva to that of Jair Bolsonaro. As a guiding research question, it was questioned whether the practice of prioritizing South South technical cooperation constitutes a State policy in Brazil. To achieve the proposed objectives, the study included bibliographic and documentary research, qualitative analysis of primary and secondary sources, and survey and systematization of quantitative data relating to technical cooperation projects, based on data from the Brazilian Open Data Portal and from the collection of international acts from Brazil’s Ministry of Foreign Affairs. The development of the work allowed us to conclude that, despite technical cooperation being a typical topic for the Brazilian state, prioritizing the provision of technical cooperation to developing countries is not a consensual and stable practice in the country. Doing so, in fact, constitutes a typical government decision. Thus, South-South technical cooperation in Brazil is highly susceptible to alternations in priority by the different administrations in charge of the country’s Executive branch. It was also concluded that the decision to prioritize South-South technical cooperation is conditioned by two main factors, namely, macroeconomic conditions and the foreign policy orientation of the administration, and by a supplementary factor, namely, the institutional and material capacity of the Brazilian Cooperation Agency to respond to the demand for projects.La cooperación técnica Sur-Sur de Brasil cobró impulso con la creación de la Agencia Brasileña de Cooperación, en 1987, y se convirtió en un instrumento esencial de la política exterior a lo largo de la década de 2000. Así, en 2010, al final del gobierno Lula da Silva, se argumentó que la cooperación técnica Sur-Sur ya se había convertido en una práctica perenne del Estado brasileño. Sin embargo, en la década siguiente, bajo Dilma Rousseff, Michel Temer y Jair Bolsonaro, la política exterior brasileña, en general, y la política de cooperación técnica Sur Sur, en particular, se retrajeron. Esta disertación se desarrolla en tal contexto, ya que pretende contribuir al estudio y sistematización de las fluctuaciones registradas en la prioridad otorgada a la política de cooperación técnica Sur-Sur de Brasil entre 2003 y 2022, desde el gobierno de Lula da Silva hasta el gobierno de Jair Bolsonaro. Como pregunta orientadora, se cuestionó si la práctica de priorizar la prestación de cooperación técnica Sur-Sur constituye una política de Estado en Brasil. Para alcanzar los objetivos propuestos, se utilizó investigación bibliográfica y documental, análisis cualitativo de fuentes primarias y secundarias y, a partir de la consulta al Portal Brasileño de Datos Abiertos y de la recopilación de actas internacionales del Ministerio de Relaciones Exteriores, sistematización de datos cuantitativos relativos a proyectos de cooperación técnica en el período propuesto. El desarrollo del trabajo permitió concluir que, aunque la cooperación técnica sea un tema típico del Estado brasileño, priorizar la prestación de cooperación técnica a los países en desarrollo no es una práctica consensuada y estable en el país. Hacerlo, de hecho, constituye una típica decisión gubernamental, de modo que la cooperación técnica Sur-Sur es, en Brasil, muy susceptible a alternancias de prioridad por parte de los diferentes gobiernos al frente del Ejecutivo federal. También se concluyó que la decisión de priorizar la cooperación técnica Sur-Sur está condicionada por dos factores principales, a saber, las condiciones macroeconómicas y la orientación de la política exterior del gobierno, y por un factor complementario, a saber, la capacidad institucional y material. de la Agencia Brasileña de Cooperación para responder a la demanda de proyectos.application/pdfporCooperação técnicaPolítica externaBrasilBrazilForeign policyTechnical cooperationSouth-South cooperationBrazilian Cooperation AgencyDevelopmentPolítica exteriorCooperación técnicaCooperación Sur-SurAgencia Brasileña de CooperaciónDesarrolloAvanços e recuos na política de cooperação técnica Sul-Sul do Brasil de 2003 a 2022info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de Filosofia e Ciências HumanasPrograma de Pós-Graduação em Ciência PolíticaPorto Alegre, BR-RS2024mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001200121.pdf.txt001200121.pdf.txtExtracted Texttext/plain296113http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/274563/2/001200121.pdf.txt690fb9fd648adec0b9bd0ce0ffc92025MD52ORIGINAL001200121.pdfTexto completoapplication/pdf1264479http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/274563/1/001200121.pdf859b96015fd5e8664da6b3805f57d031MD5110183/2745632024-04-12 06:20:40.13013oai:www.lume.ufrgs.br:10183/274563Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br||lume@ufrgs.bropendoar:18532024-04-12T09:20:40Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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