Biogeografia histórica dos golfinhos Delphininae (Cetartiodactyla: Delpinidae)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Amaral, Karina Bohrer do
Orientador(a): Moreno, Ignacio Maria Benites
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/104804
Resumo: Delphinidae é a família de cetáceos mais diversa dentre os cetáceos atuais e o agrupamento dos gêneros em subfamílias foi inicialmente baseado na semelhança de caracteres morfológicos. Na primeira análise cladística para o clado Delphinidae, baseada em dados de citocromo b, quatro subfamílias foram propostas. Nesta primeira análise, sugeriu-se que os gêneros Delphinus, Tursiops, Stenella, Lagenodelphis e Sousa deveriam ser incluídos no clado Delphininae. Estudos subsequentes baseados em dados moleculares e morfológicos diferem nas relações propostas entre as espécies e na inclusão do gênero Sousa no clado Delphininae. Devido à incongruência entre as relações filogenéticas baseadas tanto na morfologia quanto em dados de DNA mitocondrial e nuclear, foi proposta a inclusão de todas as espécies pertencentes à subfamília para o gênero Delphinus, sob a justificativa de que a atual taxonomia não reflete a real história evolutiva do grupo. É consenso que a radiação de Delphininae foi um evento rápido e recente iniciado no Plioceno, no qual a divergência das espécies ocorreu ao longo do Pleistoceno. Para compreender os processos envolvidos na evolução de Delphininae, à luz da biogeografia histórica, foi utilizado o método da "Spatial Analysis of Vicariance", cuja principal meta é identificar taxóns-irmãos com distribuições disjuntas. "Spatial Analysis of Vicariance" (SAV) foi conduzida no "Vicariance Inference Program" (VIP) a partir de duas hipóteses filogenéticas, uma construída a partir de dados moleculares e outra de dados morfológicos. A partir de revisão exaustiva da literatura, 2.637 registros de ocorrência de todos os taxa terminais pertencentes à Delphininae e grupos externos foram compilados. A busca por distribuições disjuntas entre grupos filogeneticamente relacionados foi conduzida através de 1.000 iterações. A grade de células utilizada foi 2°x2° com preenchimento máximo ajustado para 1. O custo atribuído para a remoção total da distribuição do terminal foi 1 e o custo de uma remoção parcial foi ajustado para 0,75. Não foi utilizado percentual de sobreposição. Em ambas análises de vicariância realizadas tanto com dados moleculares quanto morfológicos, foram recuperados eventos vicariantes e diferentes cenários biogeográficos foram hipotetizados. A separação entre Delphininae e Steninae parece estar relacionada ao soerguimento do Istmo do Panamá que ocorreu há 7 – 3,5 Ma e teve grande importância na fragmentação da biota marinha entre os oceanos Pacífico e o Atlântico. As disjunções encontradas em táxons terminais estão principalmente relacionadas à Corrente de Benguela e, também a Barreira do Pacífico Oriental. A corrente de Benguela é um importante sistema de ressurgência dos oceanos, sendo um dos mais produtivos ecossistemas do mundo, cuja oscilação da temperatura, a partir de 3 Ma atrás, promoveu a fragmentação da fauna marinha tropical durante períodos frios, mas permitiu o intercâmbio de faunas entre o Atlântico e o Índico durante períodos mais quentes. Os demais eventos vicariantes encontrados parecem estar relacionados à fragmentação do ambiente costeiro no Atlântico e Indo-Pacífico durante os períodos glaciais e interglaciais do Pleistoceno.
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