Trauma compartilhado em tempos de pandemia : implicações ao processo de análise no durante e um tempo depois

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Neves, Juliana Torres Porto das
Orientador(a): Freitas, Lucia Helena Machado
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: eng
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/293601
Resumo: Em 2020, a pandemia de COVID-19 impôs uma quarentena ao Brasil, que se prolongou por quase três anos, causando impactos sociais e psicológicos profundos. A alta taxa de óbitos, o agravamento de problemas como desemprego, violência doméstica e acesso limitado à saúde geraram uma sensação de desamparo nos brasileiros. A demora na vacinação agravou ainda mais o sofrimento. Para continuar oferecendo apoio a população, muitos psicanalistas adaptaram seus atendimentos para o formato virtual, ajustando suas práticas de forma ética e sensível. Contudo, o contexto de Trauma Compartilhado e as dificuldades vividas pelos próprios profissionais atravessaram a relação e a prática analítica, especialmente na manutenção da neutralidade e da transferência. Esses fatores promoveram diversos desafios à clínica e demandam estudos aprofundados. Objetivo da pesquisa: Averiguar as particularidades do encontro analítico considerando o Trauma Compartilhado da pandemia como denominador comum entre seus participantes - psicanalista e analisando, assim como os impactos desse período nas dinâmicas das sessões. Amostra: psicanalistas de diferentes brasileiros, vinculados a instituições afiliadas à International Psychoanalytical Association, com diferentes níveis de experiência clínica. Metodologia: trata-se de uma pesquisa qualitativa que utilizou um modelo de entrevista semiestruturada para coleta de dados. As conversas foram transcritas e analisadas por meio da Análise de Conteúdo, segundo Bardin (2011). Para auxiliar no tratamento e organização dos dados, foi utilizado o software francês IRaMuTeQ. A busca bibliográfica foi realizada em bases como PubMed, Embase, PsycInfo, Scopus e BVS, e, mesmo que nem todas as publicações consultadas tenham origem na psicanálise, elas foram fundamentais para a elaboração do estudo. O trabalho apresenta dois artigos como resultado, cujos achados principais indicam que a pandemia de COVID-19 foi um trauma coletivo agravado por uma gestão política inadequada, mas sem causar traumatização psíquica generalizada na população brasileira. A pandemia se revelou um evento singular que impactou profundamente a prática psicanalítica, alterando a dinâmica do campo analítico e marcando o início de uma nova fase na psicanálise. Ao final da pesquisa, concluímos que refletir e investigar sobre o Trauma Compartilhado torna-se urgente, especialmente diante de eventos catastróficos recentes, como as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, a grave crise climática e os conflitos armados, que continuam a desafiar a saúde mental coletiva.
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Objetivo da pesquisa: Averiguar as particularidades do encontro analítico considerando o Trauma Compartilhado da pandemia como denominador comum entre seus participantes - psicanalista e analisando, assim como os impactos desse período nas dinâmicas das sessões. Amostra: psicanalistas de diferentes brasileiros, vinculados a instituições afiliadas à International Psychoanalytical Association, com diferentes níveis de experiência clínica. Metodologia: trata-se de uma pesquisa qualitativa que utilizou um modelo de entrevista semiestruturada para coleta de dados. As conversas foram transcritas e analisadas por meio da Análise de Conteúdo, segundo Bardin (2011). Para auxiliar no tratamento e organização dos dados, foi utilizado o software francês IRaMuTeQ. A busca bibliográfica foi realizada em bases como PubMed, Embase, PsycInfo, Scopus e BVS, e, mesmo que nem todas as publicações consultadas tenham origem na psicanálise, elas foram fundamentais para a elaboração do estudo. O trabalho apresenta dois artigos como resultado, cujos achados principais indicam que a pandemia de COVID-19 foi um trauma coletivo agravado por uma gestão política inadequada, mas sem causar traumatização psíquica generalizada na população brasileira. A pandemia se revelou um evento singular que impactou profundamente a prática psicanalítica, alterando a dinâmica do campo analítico e marcando o início de uma nova fase na psicanálise. Ao final da pesquisa, concluímos que refletir e investigar sobre o Trauma Compartilhado torna-se urgente, especialmente diante de eventos catastróficos recentes, como as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, a grave crise climática e os conflitos armados, que continuam a desafiar a saúde mental coletiva.In 2020, the COVID-19 pandemic imposed a quarantine on Brazil that extended for nearly three years, causing profound social and psychological impacts. The high death toll, the worsening of issues such as unemployment, domestic violence, and limited access to healthcare generated a pervasive sense of helplessness among Brazilians. The delay in vaccination further intensified the suffering. To continue providing support to the population, many psychoanalysts adapted their clinical work to virtual settings, adjusting their practices in ethically and emotionally attuned ways. However, the context of Shared Trauma and the challenges faced by the analysts themselves permeated the analytic relationship and practice, particularly affecting the maintenance of neutrality and the dynamics of transference. These factors posed several challenges to the clinical setting and call for in-depth study. Research objective: To investigate the particularities of the analytic encounter considering the Shared Trauma of the pandemic as a common denominator between its participants—psychoanalyst and analysand—as well as the impacts of this period on session dynamics. Sample: Psychoanalysts from different regions of Brazil, affiliated with institutions recognized by the International Psychoanalytical Association, with varying levels of clinical experience. Methodology: This is a qualitative study using a semi-structured interview model for data collection. The conversations were transcribed and analyzed using Content Analysis, according to Bardin (2011). The French software IRaMuTeQ was used to assist in the organization and processing of data. The literature review was conducted through databases such as PubMed, Embase, PsycInfo, Scopus, and BVS. Although not all consulted sources originated from psychoanalysis, they were instrumental in the development of the study. The research produced two articles as its main output, whose findings suggest that the COVID-19 pandemic constituted a collective trauma exacerbated by inadequate political management, but did not result in widespread psychic traumatization of the Brazilian population. The pandemic emerged as a singular event that deeply impacted psychoanalytic practice, altering the dynamics of the analytic field and signaling the beginning of a new phase in psychoanalysis. At the conclusion of this research, we assert that reflecting upon and investigating Shared Trauma becomes an urgent task, especially in light of recent catastrophic events such as the 2024 floods in Rio Grande do Sul, the ongoing climate crisis, and armed conflicts, which continue to challenge collective mental health.application/pdfengPandemiasTrauma psicológicoCOVID-19PsicanáliseTrauma compartilhado em tempos de pandemia : implicações ao processo de análise no durante e um tempo depoisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de MedicinaPrograma de Pós-Graduação em Psiquiatria e Ciências do ComportamentoPorto Alegre, BR-RS2025doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001266489.pdf.txt001266489.pdf.txtExtracted Texttext/plain118563http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/293601/2/001266489.pdf.txtc8e1ef767d3964cd3e72563e8b6eef69MD52ORIGINAL001266489.pdfTexto parcialapplication/pdf845896http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/293601/1/001266489.pdfff8ba2bb832347a35d01300c56063eedMD5110183/2936012025-07-10 07:59:24.460645oai:www.lume.ufrgs.br:10183/293601Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-07-10T10:59:24Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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