Validação de um dispositivo móvel para monitorar anticoagulação em pacientes com síndrome do anticorpo antifosfolipídeo
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Palavras-chave em Inglês: | |
| Link de acesso: | http://hdl.handle.net/10183/283854 |
Resumo: | Introdução: A síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAF) é uma doença autoimune sistêmica caracterizada pela presença de anticorpos antifosfolípides (AFL), que se associam à formação de trombos em artérias e veias, além de poder causarem complicações gestacionais. A SAF pode ocorrer isoladamente (SAF primária) ou em associação com outras doenças autoimunes, como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) (SAF secundária). Pacientes com SAF podem necessitar de anticoagulação para evitar a ocorrência de desfechos negativos, mas isso depende de vários fatores, especialmente se já houve trombose, complicações obstétricas e/ou outros fatores de risco associados a distúrbios da coagulação. O monitoramento do nível adequado de anticoagulação ocorre através de exames laboratoriais, pelo teste do tempo de protrombina (TP) e razão internacional normalizada (RNI), realizados em laboratórios de análises clínicas. A introdução de testes laboratoriais remotos (TLR) confiáveis para coagulação pode facilitar o monitoramento, com mais rapidez e conforto para o paciente. Entretanto, a utilização de TLR em pacientes com SAF ainda não está bem estabelecida, devido à escassez de estudos de validação desses testes neste grupo de pacientes. Uma hipótese já descrita na literatura relaciona interferências nos resultados dos testes de TP quando utilizado TLR, devido à presença dos anticorpos antifosfolipídeos na amostra. Objetivo: Validar o bSens.INR, um dispositivo rápido e portátil, para monitorar a anticoagulação de pacientes com SAF e LES. Métodos: Para este estudo foram comparados resultados de TP obtidos através do bSens.INR utilizando amostras de sangue total da ponta de dedo com os resultados obtidos pelo método convencional que utiliza sangue venoso. Foram incluídos no estudo 20 participantes, sendo 10 participantes pacientes com SAF e LES e que fazem uso de anticoagulante oral (varfarina) (grupo caso) e 10 pacientes que fazem uso de anticoagulante oral (varfarina) sem SAF ou LES (grupo controle). Os pacientes foram recrutados no ambulatório de lúpus e coagulação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e a partir do cadastro da Biosens Indústria e Desenvolvimento de Biossensores LTDA (Biosens) entre fevereiro e setembro de 2024. Os testes de precisão e repetibilidade foram conduzidos seguindo os padrões da Organização Internacional para Padronização (ISO) 17593 e análises de concordância entre os resultados dos testes laboratoriais do método convencional coagulométrico óptico mecânico e os resultados obtidos pelo TLR bSens.INR. Resultados: No estudo foram obtidos 40 resultados de TP e RNI no dispositivo bSens.INR e 20 resultados do método convencional. A análise de acurácia demonstrou que 77,5% dos resultados do bSens.INR foram concordantes com o método convencional, com uma acurácia de 60% no grupo caso e 95% no grupo controle. A repetibilidade dos resultados aprovados mostrou 100% de precisão. Houve uma forte correlação positiva (r = 0,79, p<0.0001) entre as duas metodologias (p < 0,05). A análise de Bland-Altman sugeriu um viés de 0,26 unidades de RNI entre os métodos, com quatro pontos fora dos limites aceitáveis, todos pertencentes ao grupo caso. Conclusão: A presença de AFL em amostras sanguíneas é um desafio que pode interferir nos resultados de TP e RNI. Este estudo demonstrou que o dispositivo bSens.INR apresentou redução de acurácia para pacientes com SAF e LES, similar a outros TLR disponíveis. A dificuldade em recrutar pacientes com essas condições que utilizam varfarina impactou o tamanho amostral, sugerindo a necessidade de validações multicêntricas futuras. Futuros estudos devem investigar se o desvio em relação ao método convencional é consistente para indivíduos específicos, o que poderia permitir uma validação individualizada do TLR. |
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Jantzch, Gabriela Victória De MelloXavier, Ricardo Machado2025-01-25T06:57:28Z2024http://hdl.handle.net/10183/283854001239509Introdução: A síndrome do anticorpo antifosfolípide (SAF) é uma doença autoimune sistêmica caracterizada pela presença de anticorpos antifosfolípides (AFL), que se associam à formação de trombos em artérias e veias, além de poder causarem complicações gestacionais. A SAF pode ocorrer isoladamente (SAF primária) ou em associação com outras doenças autoimunes, como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) (SAF secundária). Pacientes com SAF podem necessitar de anticoagulação para evitar a ocorrência de desfechos negativos, mas isso depende de vários fatores, especialmente se já houve trombose, complicações obstétricas e/ou outros fatores de risco associados a distúrbios da coagulação. O monitoramento do nível adequado de anticoagulação ocorre através de exames laboratoriais, pelo teste do tempo de protrombina (TP) e razão internacional normalizada (RNI), realizados em laboratórios de análises clínicas. A introdução de testes laboratoriais remotos (TLR) confiáveis para coagulação pode facilitar o monitoramento, com mais rapidez e conforto para o paciente. Entretanto, a utilização de TLR em pacientes com SAF ainda não está bem estabelecida, devido à escassez de estudos de validação desses testes neste grupo de pacientes. Uma hipótese já descrita na literatura relaciona interferências nos resultados dos testes de TP quando utilizado TLR, devido à presença dos anticorpos antifosfolipídeos na amostra. Objetivo: Validar o bSens.INR, um dispositivo rápido e portátil, para monitorar a anticoagulação de pacientes com SAF e LES. Métodos: Para este estudo foram comparados resultados de TP obtidos através do bSens.INR utilizando amostras de sangue total da ponta de dedo com os resultados obtidos pelo método convencional que utiliza sangue venoso. Foram incluídos no estudo 20 participantes, sendo 10 participantes pacientes com SAF e LES e que fazem uso de anticoagulante oral (varfarina) (grupo caso) e 10 pacientes que fazem uso de anticoagulante oral (varfarina) sem SAF ou LES (grupo controle). Os pacientes foram recrutados no ambulatório de lúpus e coagulação do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e a partir do cadastro da Biosens Indústria e Desenvolvimento de Biossensores LTDA (Biosens) entre fevereiro e setembro de 2024. Os testes de precisão e repetibilidade foram conduzidos seguindo os padrões da Organização Internacional para Padronização (ISO) 17593 e análises de concordância entre os resultados dos testes laboratoriais do método convencional coagulométrico óptico mecânico e os resultados obtidos pelo TLR bSens.INR. Resultados: No estudo foram obtidos 40 resultados de TP e RNI no dispositivo bSens.INR e 20 resultados do método convencional. A análise de acurácia demonstrou que 77,5% dos resultados do bSens.INR foram concordantes com o método convencional, com uma acurácia de 60% no grupo caso e 95% no grupo controle. A repetibilidade dos resultados aprovados mostrou 100% de precisão. Houve uma forte correlação positiva (r = 0,79, p<0.0001) entre as duas metodologias (p < 0,05). A análise de Bland-Altman sugeriu um viés de 0,26 unidades de RNI entre os métodos, com quatro pontos fora dos limites aceitáveis, todos pertencentes ao grupo caso. Conclusão: A presença de AFL em amostras sanguíneas é um desafio que pode interferir nos resultados de TP e RNI. Este estudo demonstrou que o dispositivo bSens.INR apresentou redução de acurácia para pacientes com SAF e LES, similar a outros TLR disponíveis. A dificuldade em recrutar pacientes com essas condições que utilizam varfarina impactou o tamanho amostral, sugerindo a necessidade de validações multicêntricas futuras. Futuros estudos devem investigar se o desvio em relação ao método convencional é consistente para indivíduos específicos, o que poderia permitir uma validação individualizada do TLR.Introduction: Antiphospholipid syndrome (APS) is a systemic autoimmune disease characterized by the presence of antiphospholipid antibodies (aPL), which are associated with thrombus formation in arteries and veins, as well as potential pregnancy complications. APS can occur in isolation (primary APS) or in conjunction with other autoimmune diseases, such as Systemic Lupus Erythematosus (SLE) (secondary APS). Patients with APS may require anticoagulation to prevent negative outcomes, but this depends on various factors, especially if there has been previous thrombosis, obstetric complications, and/or other risk factors associated with coagulation disorders. Monitoring the appropriate level of anticoagulation is achieved through laboratory tests, including prothrombin time (PT) and international normalized ratio (INR), performed in clinical analysis laboratories. The introduction of reliable remote laboratory tests (RLT) for coagulation could facilitate monitoring with increased speed and patient comfort. However, the use of RLT in patients with APS is not yet well-established, due to the lack of validation studies for these tests in this patient group. A hypothesis described in the literature links interference with PT test results when using RLT due to the presence of antiphospholipid antibodies in the sample. Objective: To validate a rapid and portable device (bSens.INR) for monitoring blood coagulation time in patients with APS and SLE. Methods: This study compared PT results obtained from a rapid and portable device using fingertip whole blood samples to results from the conventional optical mechanical coagulometric method using venous blood. The study included 20 participants: 10 participants (case group) with APS and positive SLE who were using oral anticoagulant (warfarin) and 10 participants (control group) who were using oral anticoagulant (warfarin) and had a negative diagnosis for APS and SLE. Patients were recruited from the lupus and coagulation clinic at the Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) and from the Biosens Indústria e Desenvolvimento de Biossensores LTDA (Biosens) registry between February and September 2024. Accuracy and repeatability tests were conducted following the International Organization for Standardization (ISO) 17593 standards and concordance analyses between the conventional method laboratory test results and the results obtained from the bSens.INR RLT. Results: The study produced 40 PT and INR results from the bSens.INR device and 20 results from the conventional method. Accuracy analysis showed that 77.5% of the bSens.INR results were concordant with the conventional method, with an accuracy of 60% in the case group and 95% in the control group. The repeatability of the approved results demonstrated 100% precision. Spearman correlation results showed a strong positive correlation (r = 0.79, p<0.0001), considering the significance criterion (p < 0.05). The Bland-Altman analysis suggested a bias of 0.26 INR units between the methods, with four points outside the acceptable limits, all belonging to the case group. Conclusion: The presence of aPL in blood samples is a challenge that can interfere with PT and INR results. This study demonstrated that the bSens.INR device showed reduced accuracy for patients with APS and SLE, similar to other available RLTs. The difficulty in recruiting patients with these conditions who are using warfarin impacted the sample size, suggesting the need for future multicentric validations. Healthcare professionals should combine the use of RLT with conventional method laboratory tests to ensure proper anticoagulant dose adjustment. Future studies should investigate whether deviations from the conventional method are consistent for specific individuals, which could allow for individualized RLT validation.application/pdfporLupus eritematoso sistêmicoSíndrome antifosfolipídicaAnticorposCoagulação sanguíneaTempo de protrombinaEstudo de validaçãoTestes de coagulação sanguíneaSystemic lupus erythematosusAntiphospholipid syndromeInternational normalized ratioProthrombin timeRemote laboratory testingValidação de um dispositivo móvel para monitorar anticoagulação em pacientes com síndrome do anticorpo antifosfolipídeoinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de MedicinaPrograma de Pós-Graduação em Medicina: Ciências MédicasPorto Alegre, BR-RS2024mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001239509.pdf.txt001239509.pdf.txtExtracted Texttext/plain99402http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/283854/2/001239509.pdf.txtb40378bf246d21f46051d0fc333b09bbMD52ORIGINAL001239509.pdfTexto completoapplication/pdf1810140http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/283854/1/001239509.pdf3727d3df61cdb2bffe1d9897632df5aaMD5110183/2838542025-01-26 07:55:17.488087oai:www.lume.ufrgs.br:10183/283854Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br||lume@ufrgs.bropendoar:18532025-01-26T09:55:17Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false |
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