Daqui só deus me tira : escrevivências com as mulheres quilombolas do Ibicuí da Armada/RS

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Madrid, Rosemeri da Silva
Orientador(a): Kubo, Rumi Regina
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/293298
Resumo: A presente tese está centralizada na escrevivência com as mulheres quilombolas do território rural denominado Ibicuí da Armada, Sant’Ana do Livramento/RS, onde busco refletir com elas sobre a vida na pampa. Utilizei, como caminho metodológico, a escrevivência como escrita de uma mulher negra e trabalhadora, cuja caminhada ouviu, observou, aprendeu, sentiu e conviveu com essas mulheres quilombolas. Como ferramentas de pesquisa foram utilizadas, além de entrevistas em profundidade, caderno de campo, observação participante, fotografias e vídeos. A pesquisa mergulhou naquele universo quilombola, com a participação em eventos como cursos, reuniões e confraternizações, visitas às famílias, momentos em que foi oportunizado o ver/sentir/pensar junto às mulheres quilombolas. Como marco teórico, foi dialogado com epistemologias produzidas a partir de lutas e vivências de mulheres do Sul global, sobretudo com visões decoloniais, buscando com isso refutar os pensamentos hegemônicos e eurocentrismo que encapsulam o viver das mulheres em lugares de opressão e sujeição. São conceitos centrais da tese, “Escrevivência”, que escreve o protagonismos das mulheres negras relacionando as desigualdades de gênero; “Quilombo” como sendo o corpo, a corporeidade das mulheres quilombolas; “Lembrança”, como experiência de recuperação da memória diaspórica ancestral, todos três elaborados por teóricas decoloniais. Além do aporte teórico, foram convocados elementos históricos que pudessem sinalizar um desenho da genealogia das comunidades quilombolas, e ambiental, buscando discutir a relação das mulheres com o bioma pampa, onde vivem. Da pesquisa, emergem narrativas materializando histórias de resistências e profundas conexões com a pampa, espaço em que as mulheres nasceram, cresceram, gestaram e criaram seus filhos, refutando possibilidades outras de vida que não o habitar e proteger seu território, seus cultivos, sua oralidade. Pelas histórias contadas pelas mulheres e através dos documentos históricos analisados, é possível compreender suas jornadas de vida em um lugar que se constitui historicamente pela hegemonia de fazendeiros, que trouxeram um representativo contingente de seres humanos escravizados no processo de colonização e dominação fundiária na pampa, que lhes tirou a possibilidade de recontar com precisão seu passado, ao contrário dos imigrantes descendentes de italianos, portugueses e alemães, que receberam inúmeros incentivos para ocupar e colonizar terras em solo gaúcho. Através de entrevistas em profundidade, as mulheres quilombolas narram suas experiências e desafios como o da permanência no território, o abandono institucional, o êxodo rural dos jovens, o avanço das monoculturas sobre a pampa, o isolamento físico, colocando em risco os modos de vida que coexistem em aliança com o bioma pampa.
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Como marco teórico, foi dialogado com epistemologias produzidas a partir de lutas e vivências de mulheres do Sul global, sobretudo com visões decoloniais, buscando com isso refutar os pensamentos hegemônicos e eurocentrismo que encapsulam o viver das mulheres em lugares de opressão e sujeição. São conceitos centrais da tese, “Escrevivência”, que escreve o protagonismos das mulheres negras relacionando as desigualdades de gênero; “Quilombo” como sendo o corpo, a corporeidade das mulheres quilombolas; “Lembrança”, como experiência de recuperação da memória diaspórica ancestral, todos três elaborados por teóricas decoloniais. Além do aporte teórico, foram convocados elementos históricos que pudessem sinalizar um desenho da genealogia das comunidades quilombolas, e ambiental, buscando discutir a relação das mulheres com o bioma pampa, onde vivem. Da pesquisa, emergem narrativas materializando histórias de resistências e profundas conexões com a pampa, espaço em que as mulheres nasceram, cresceram, gestaram e criaram seus filhos, refutando possibilidades outras de vida que não o habitar e proteger seu território, seus cultivos, sua oralidade. Pelas histórias contadas pelas mulheres e através dos documentos históricos analisados, é possível compreender suas jornadas de vida em um lugar que se constitui historicamente pela hegemonia de fazendeiros, que trouxeram um representativo contingente de seres humanos escravizados no processo de colonização e dominação fundiária na pampa, que lhes tirou a possibilidade de recontar com precisão seu passado, ao contrário dos imigrantes descendentes de italianos, portugueses e alemães, que receberam inúmeros incentivos para ocupar e colonizar terras em solo gaúcho. Através de entrevistas em profundidade, as mulheres quilombolas narram suas experiências e desafios como o da permanência no território, o abandono institucional, o êxodo rural dos jovens, o avanço das monoculturas sobre a pampa, o isolamento físico, colocando em risco os modos de vida que coexistem em aliança com o bioma pampa.This thesis focuses on the writing experience with the quilombola women of the territory known as Ibicuí da Armada, in the Brazilian pampa region. Using as a methodological path the writing experiences as the writing of a black and hard-working woman, whose journey listened, observed, learned, felt and lived with the quilombola women of the community of Ibicuí da Armada, in Sant’Ana do Livramento, a region on the western border of Rio Grande do Sul. The methodology used, of a qualitatie nature, was Escrevivência and as research tools, in addition to in-depth interviews, field notebooks, participant observation, photographs and videos were used. The research immersed itself in that quilombola universe, with participation in events such as courses, meetings and celebrations, visits to families, moments in which it was possible to see/feel/think with the quilombola women. As a theoretical framework, epistemologies produced from the struggles and experiences of women from the global South were discussed, especially with decolonial perspectives, seeking to refute the hegemonic and Eurocentric thoughts that encapsulate women's lives in places of oppression and subjection. In addition to the theoretical contribution, historical elements were called upon that could signal a design of the genealogy of quilombola communities, and environmental elements, seeking to discuss the relationship of women with the southern pampa biome, where they live. Narratives emerge materializing stories of resistance and deep connections with the pampa, a space where women were born, grew up, gave birth to and raised their children, refuting other possibilities of life other than inhabiting and protecting their territory, their crops, and their orality. Through in-depth interviews, quilombola women narrate their experiences and challenges, such as remaining in the territory, institutional abandonment, the rural exodus of young people, the advance of monocultures over the pampas, and physical isolation, which put at risk the ways of life that coexist in alliance with the pampa biome. Through the stories told by the women and through the historical documents analyzed, it is possible to understand their life journeys in a place that has historically been shaped by the hegemony of large landowners, who brought a representative contingent of enslaved human beings in the process of colonization and land domination in the pampas, which deprived them of the possibility of accurately recounting their past, unlike the immigrants of Italian, Portuguese, and German descent, who received numerous incentives to occupy and colonize lands on Rio Grande do Sul soil.application/pdfporMulheresQuilombosRuralidadeQuilombola womenWriting experiencesPampasIbicuí da ArmadaDaqui só deus me tira : escrevivências com as mulheres quilombolas do Ibicuí da Armada/RSinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de Ciências EconômicasPrograma de Pós-Graduação em Desenvolvimento RuralPorto Alegre, BR-RS2025doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001280500.pdf.txt001280500.pdf.txtExtracted Texttext/plain389213http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/293298/2/001280500.pdf.txtdd1d711afca6c194a4eb824dd8033f1eMD52ORIGINAL001280500.pdfTexto completoapplication/pdf6117261http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/293298/1/001280500.pdfa7e0aeb3647ab44a10bde17ba6d926bfMD5110183/2932982025-07-02 08:00:21.48614oai:www.lume.ufrgs.br:10183/293298Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-07-02T11:00:21Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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