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Benveniste sob o olhar de Agamben : entre uma filosofia linguística e uma linguística filosófica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Nicolini, Alessandra
Orientador(a): Flores, Valdir do Nascimento
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Espanhol:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/291716
Resumo: Esta dissertação assume dois objetivos centrais: (i) compreender como o filósofo italiano Giorgio Agamben reinterpreta noções enunciativas da teoria da linguagem do linguista sírio francês Émile Benveniste enquanto interrogantes de questões filosóficas que podem espraiar se para uma linguística lato sensu (Flores, 2019); (ii) apoiados nos pressupostos que alçaram Flores (2019) à sua antropologia da enunciação, fazer nascer um trabalho em linguística que visa dizer algo sobre a natureza humana a partir da linguagem, perguntando antes sobre a língua no homem do que o homem na língua, o que implica considerar o homo loquens (Flores, 2019). Para isso, em um primeiro momento, valemo-nos da etnografia textual proposta por Rocha (2021) para mapear e descrever como e em quais textos do filósofo comparecem referências ao linguista, tendo como recorte os escritos sobre linguagem, filosofia e linguística de Agamben (2005, 2007, 2011, 2015, 2017, 2018, 2022). Exploramos a faceta de Agamben enquanto leitor de Benveniste com base no estudo de D’Alonzo (2018). Verificamos dois movimentos argumentativos diametralmente opostos, mas complementares entre si nos recursos de Agamben a Benveniste: ora as categorias e as noções benvenistianas engendram problemas filosóficos, conforme exposto no estudo de caso sobre O que resta de Auschwitz (Agamben, [1998] 2008); ora os problemas filosóficos conduzem aos postulados benvenistianos como ferramenta de sofisticação da argumentação, tal como ilustrado no estudo de caso sobre o ensaio “Sobre o dizível e a ideia”, integrante da coletânea O que é a filosofia? (Agamben, [2016] 2022). Em um segundo momento, retomamos os pressupostos benvenistianos sobre as categorias de pessoa e não pessoa, a (inter)subjetividade na linguagem, a enunciação e o par semiótico/semântico, bem como o hiato que os cinde, com base em Problemas de linguística geral I e II (Benveniste, [1966] 2020; [1974] 2023) e O vocabulário das instituições indo europeias (Benveniste, [1969] 1995), com o intuito de revisitar as fontes que inspiraram os deslocamentos promovidos pelo filósofo ao campo de investigação da filosofia. Em um terceiro momento, sistematizamos três leituras que Agamben faz a partir da noção de enunciação benvenistiana: (i) a enunciação como o puro ter lugar da linguagem; (ii) o problema da Voz na enunciação como o querer-dizer desse puro ter lugar; e (iii) a reconstrução da enunciação do indo-europeu e o testemunho que ela dá.
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spelling Nicolini, AlessandraFlores, Valdir do Nascimento2025-05-15T06:51:35Z2025http://hdl.handle.net/10183/291716001257068Esta dissertação assume dois objetivos centrais: (i) compreender como o filósofo italiano Giorgio Agamben reinterpreta noções enunciativas da teoria da linguagem do linguista sírio francês Émile Benveniste enquanto interrogantes de questões filosóficas que podem espraiar se para uma linguística lato sensu (Flores, 2019); (ii) apoiados nos pressupostos que alçaram Flores (2019) à sua antropologia da enunciação, fazer nascer um trabalho em linguística que visa dizer algo sobre a natureza humana a partir da linguagem, perguntando antes sobre a língua no homem do que o homem na língua, o que implica considerar o homo loquens (Flores, 2019). Para isso, em um primeiro momento, valemo-nos da etnografia textual proposta por Rocha (2021) para mapear e descrever como e em quais textos do filósofo comparecem referências ao linguista, tendo como recorte os escritos sobre linguagem, filosofia e linguística de Agamben (2005, 2007, 2011, 2015, 2017, 2018, 2022). Exploramos a faceta de Agamben enquanto leitor de Benveniste com base no estudo de D’Alonzo (2018). Verificamos dois movimentos argumentativos diametralmente opostos, mas complementares entre si nos recursos de Agamben a Benveniste: ora as categorias e as noções benvenistianas engendram problemas filosóficos, conforme exposto no estudo de caso sobre O que resta de Auschwitz (Agamben, [1998] 2008); ora os problemas filosóficos conduzem aos postulados benvenistianos como ferramenta de sofisticação da argumentação, tal como ilustrado no estudo de caso sobre o ensaio “Sobre o dizível e a ideia”, integrante da coletânea O que é a filosofia? (Agamben, [2016] 2022). Em um segundo momento, retomamos os pressupostos benvenistianos sobre as categorias de pessoa e não pessoa, a (inter)subjetividade na linguagem, a enunciação e o par semiótico/semântico, bem como o hiato que os cinde, com base em Problemas de linguística geral I e II (Benveniste, [1966] 2020; [1974] 2023) e O vocabulário das instituições indo europeias (Benveniste, [1969] 1995), com o intuito de revisitar as fontes que inspiraram os deslocamentos promovidos pelo filósofo ao campo de investigação da filosofia. Em um terceiro momento, sistematizamos três leituras que Agamben faz a partir da noção de enunciação benvenistiana: (i) a enunciação como o puro ter lugar da linguagem; (ii) o problema da Voz na enunciação como o querer-dizer desse puro ter lugar; e (iii) a reconstrução da enunciação do indo-europeu e o testemunho que ela dá.Esta disertación asume dos objetivos centrales: (i) comprender cómo el filósofo italiano Giorgio Agamben reinterpreta nociones enunciativas de la teoría del lenguaje del lingüista franco-sirio Émile Benveniste, entendiéndolas como interrogantes de cuestiones filosóficas que pueden proyectarse hacia una lingüística en sentido lato (Flores, 2019); (ii) apoyándose en los presupuestos que llevaron a Flores (2019) a su antropología de la enunciación, dar origen a un trabajo en lingüística que busque decir algo sobre la naturaleza humana a partir del lenguaje, preguntando antes por la lengua en el hombre que por el hombre en la lengua, lo que implica considerar al homo loquens (Flores, 2019). Para ello, en un primer momento, recurrimos a la “etnografía textual” propuesta por Rocha (2021) para mapear y describir cómo y en qué textos del filósofo aparecen referencias al lingüista, tomando como recorte los escritos de Agamben sobre lenguaje, filosofía y lingüística (2005, 2007, 2011, 2015, 2017, 2018, 2022). Exploramos la faceta de Agamben como lector de Benveniste basándonos en el estudio de D’Alonzo (2018). Identificamos dos movimientos argumentativos diametralmente opuestos pero complementarios en los recursos de Agamben respecto a Benveniste: por un lado, las categorías y nociones benvenistianas generan problemas filosóficos, como se expone en el estudio de caso sobre O que resta de Auschwitz (Agamben, [1998] 2008); por otro, los problemas filosóficos conducen a los postulados de Benveniste como herramienta para sofisticar la argumentación, tal como se ilustra en el estudio de caso sobre el ensayo “Sobre o dizível e a ideia”, incluido en la colección O que é a filosofia? (Agamben, [2016] 2022). En un segundo momento, retomamos los presupuestos benvenistianos sobre las categorías de persona y no persona, la (inter)subjetividad en el lenguaje, la enunciación y el par semiótico/semántico, así como en el hiato que los separa, basándonos en Problemas de linguística geral I e II (Benveniste, [1966] 2020; [1974] 2023) y O vocabulário das instituições indo-europeias (Benveniste, [1969] 1995), con el propósito de revisar las fuentes que inspiraron los desplazamientos promovidos por el filósofo en el campo de investigación de la filosofía. En un tercer momento, sistematizamos tres lecturas que Agamben hace a partir de la noción de enunciación de Benveniste: (i) la enunciación como el puro tener lugar del lenguaje; (ii) el problema de la Voz en la enunciación como el querer-decir de ese puro tener lugar; y (iii) la reconstrucción de la enunciación del indoeuropeo y el testimonio que ella brinda.application/pdfporBenveniste, Emile, 1902-1976Agamben, Giorgio, 1942-LinguísticaTeoria da linguagemEtnografiaEnunciaçãoFilosofiaTeoría del linguaje de Émile BenvenisteFilosofía de Giorgio AgambenEtnografía textualEnunciaciónLingüística filosóficaBenveniste sob o olhar de Agamben : entre uma filosofia linguística e uma linguística filosóficainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de LetrasPrograma de Pós-Graduação em LetrasPorto Alegre, BR-RS2025mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001257068.pdf.txt001257068.pdf.txtExtracted Texttext/plain260385http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/291716/2/001257068.pdf.txtbc5b26e67758d2cfb5a2c7b3414e911bMD52ORIGINAL001257068.pdfTexto completoapplication/pdf727132http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/291716/1/001257068.pdf0a6e5048a3406d4d5235d05ff6439f7dMD5110183/2917162025-05-31 06:38:22.341817oai:www.lume.ufrgs.br:10183/291716Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-05-31T09:38:22Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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