Rompendo as barreiras, quebrando o silêncio : ancestralidade e reexistência em Águas da cabaça, de Elizandra Souza

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Damasceno, Francine Vargas dos Santos
Orientador(a): Leite, Carlos Augusto Bonifácio
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/300912
Resumo: No início do século XXI, as vozes da periferia roubaram a cena e, através da produção literária, reivindicaram o seu espaço no campo cultural, questionando as estruturas de opressão e marginalização que constituem a sociedade. O discurso performático (BHABHA, 1998), presente nas narrativas, desestabiliza a concepção de povo como homogêneo, trazendo à tona questões históricas negadas pelo sistema dominante. Portanto, pelas margens, a literatura marginal-periférica surgiu como uma possibilidade de emancipação das vozes silenciadas, inaugurando novas formas e recursos estéticos para produção literária. Apesar dessas características inovadoras, no recorte temporal de 2000 a 2016, esse movimento apresenta uma tensão em relação ao gênero: as mulheres, mesmo produzindo poemas e/ou contos, tinham uma participação inexpressiva nas publicações periféricas. Essa falta de equidade fez com que as escritoras se rearticulassem para combater o sexismo dentro e fora da periferia. Segundo Lucía Tennina (2017), é a partir de esse ponto de tensão, dessa posição de subalterna do subalterno, que as escritoras, majoritariamente negras, elaboram os seus discursos e estratégias para romper com o silenciamento que lhes é imposto. Nesse contexto, Elizandra Souza se destaca, pois, ao ocupar uma posição de outsider within (COLLINS, 2016), organizou novas formas de sociabilidade e intervenção para que ela e outras mulheres negras pudessem transcender as fronteiras impostas por uma sociedade machista, racista e classista. Entre suas ações, está a criação do coletivo Mjiba que, além de promover eventos, foi responsável pela publicação do seu primeiro livro autoral, o Águas da cabaça (2012). Logo, a partir da leitura dessa obra, a presente dissertação busca demonstrar como a literatura pode se transformar em uma ferramenta de reexistência capaz de fissurar o sistema de colonialidade do ser e do saber. Para tanto, os poemas selecionados serão analisados sobre a perspectiva da ancestralidade, pois essa categoria agencia novas formas de representação e ressignificação da mulher negra.
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Apesar dessas características inovadoras, no recorte temporal de 2000 a 2016, esse movimento apresenta uma tensão em relação ao gênero: as mulheres, mesmo produzindo poemas e/ou contos, tinham uma participação inexpressiva nas publicações periféricas. Essa falta de equidade fez com que as escritoras se rearticulassem para combater o sexismo dentro e fora da periferia. Segundo Lucía Tennina (2017), é a partir de esse ponto de tensão, dessa posição de subalterna do subalterno, que as escritoras, majoritariamente negras, elaboram os seus discursos e estratégias para romper com o silenciamento que lhes é imposto. Nesse contexto, Elizandra Souza se destaca, pois, ao ocupar uma posição de outsider within (COLLINS, 2016), organizou novas formas de sociabilidade e intervenção para que ela e outras mulheres negras pudessem transcender as fronteiras impostas por uma sociedade machista, racista e classista. Entre suas ações, está a criação do coletivo Mjiba que, além de promover eventos, foi responsável pela publicação do seu primeiro livro autoral, o Águas da cabaça (2012). Logo, a partir da leitura dessa obra, a presente dissertação busca demonstrar como a literatura pode se transformar em uma ferramenta de reexistência capaz de fissurar o sistema de colonialidade do ser e do saber. Para tanto, os poemas selecionados serão analisados sobre a perspectiva da ancestralidade, pois essa categoria agencia novas formas de representação e ressignificação da mulher negra.A principios del siglo XXI, las voces de la periferia robaron la escena y, a través de la producción literaria, reclamaron su espacio en el campo cultural, cuestionando las estructuras de opresión y marginación que constituyen la sociedad. El discurso performativo (BHABHA, 1998), presente en las narraciones, desestabiliza la concepción del pueblo como homogéneo, sacando a la luz cuestiones históricas negadas por el sistema dominante. Así, desde los márgenes, la literatura marginal-periférica surgió como una posibilidad de emancipación de las voces silenciadas, inaugurando nuevas formas y recursos estéticos para la producción literaria. A pesar de estos rasgos novedosos, en el lapso de tiempo que va de 2000 a 2016, este movimiento presenta una tensión en relación con el género: las mujeres, aun produciendo poemas y/o cuentos, tuvieron una participación inexpresiva en las publicaciones periféricas. Esta falta de equidad hizo que las escritoras se rearticularan para combatir el sexismo dentro y fuera de la periferia. Según Lucía Tennina (2017), es desde este punto de tensión, desde esta posición de subalternidad de lo subalterno, que las escritoras mayoritariamente negras elaboran sus discursos y estrategias para romper con el silenciamiento que se les impone. En este contexto, Elizandra Souza se destaca porque, al ocupar una posición de outsider within (COLLINS, 2016), organizó nuevas formas de sociabilidad e intervención para que ella y otras mujeres negras pudieran trascender los límites impuestos por una sociedad sexista, racista y clasista. Entre sus acciones está la creación del colectivo Mjiba que, además de promover eventos, fue responsable de la publicación de su primer libro de autor, Águas da cabaça (2012). Por lo tanto, a partir de la lectura de esta obra, esta disertación busca demostrar cómo la literatura puede transformarse en una herramienta de reexistencia capaz de resquebrajar el sistema de colonialidad del ser y del saber. Asín, los poemas seleccionados serán analizados desde la perspectiva de la ascendência ya que esta categoría agita nuevas formas de representación y resignificación de la mujer negra.application/pdfporLiteratura marginalAutoriaLiteratura femininaAncestralidadeLa autoría femeninaAncestralidadReexistenciaRompendo as barreiras, quebrando o silêncio : ancestralidade e reexistência em Águas da cabaça, de Elizandra Souzainfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulInstituto de LetrasPrograma de Pós-Graduação em LetrasPorto Alegre, BR-RS2021mestradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001300852.pdf.txt001300852.pdf.txtExtracted Texttext/plain267203http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/300912/2/001300852.pdf.txtf7fd8784c40feeb663d5ee5a0a36d8f0MD52ORIGINAL001300852.pdfTexto completoapplication/pdf2799362http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/300912/1/001300852.pdff92f76bc1702a1237884b00687fc9d59MD5110183/3009122026-01-31 07:56:29.774669oai:www.lume.ufrgs.br:10183/300912Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532026-01-31T09:56:29Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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