Toxicidade do mancozebe utilizado em viticulturas da Região Sul do Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Toniasso, Sheila de Castro Cardoso
Orientador(a): Joveleviths, Dvora
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Palavras-chave em Inglês:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/10183/296807
Resumo: Introdução: A viticultura, no sul do Brasil, envolve o uso intensivo de agrotóxicos como o Mancozebe para o controle de doenças fúngicas nas videiras. Evidências crescentes têm levantado preocupações quanto aos possíveis efeitos adversos à saúde associados à exposição crônica a ditiocarbamato entre trabalhadores rurais. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a toxicidade ocupacional Do Mancozebe em trabalhadores de vinhedos dessa região, com foco em biomarcadores de exposição, além de parâmetros de genotoxicidade e estresse oxidativo.Métodos: Um estudo transversal foi realizado entre julho e novembro de 2022/2023, envolvendo 94 participantes: 50 trabalhadores de vinhedos expostos ocupacionalmente a um ditiocarbamato e 44 agricultores orgânicos sem histórico de exposição a agrotóxicos, que compuseram o grupo não exposto. Os critérios de inclusão foram idade mínima de 18 anos e, para o grupo exposto, pelo menos cinco anos de uso ocupacional do ditiocarbamato. Dados sociodemográficos, estado de saúde, uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e histórico ocupacional foram obtidos por meio de entrevistas estruturadas. Amostras de sangue, urina e mucosa oral foram analisadas para avaliar parâmetros hematológicos e bioquímicos, marcadores de estresse oxidativo, genotoxicidade (por meio do ensaio cometa e do teste de micronúcleo) e concentrações urinárias de etilenotiouréia (ETU), principal metabólito Do Mancozebe. Resultados: Trabalhadores expostos apresentaram aumento significativo nos marcadores de estresse oxidativo em comparação aos não expostos (p < 0,001). Tanto o ensaio cometa quanto o teste de micronúcleo revelaram níveis significativamente mais elevados de dano ao DNA no grupo exposto (p < 0,001), indicando efeitos genotóxicos relacionados à exposição ao ditiocarbamato. As concentrações urinárias de ETU também foram significativamente mais altas entre os expostos. A análise da curva ROC (Receiver Operating Characteristic) identificou um valor de corte de 69,3 ng/mL de ETU urinária para discriminar entre indivíduos expostos e não expostos. Discussão: Os achados deste estudo estão em consonância com estudos anteriores que demonstram uma associação entre exposição crônica ao Mancozebe e toxicidade. Os resultados ressaltam a importância crítica do uso consistente de EPIs e da implementação de estratégias de vigilância em saúde ocupacional nos vinhedos. Além disso, destaca-se a necessidade urgente de estabelecer limites biológicos de exposição para os metabólitos do Mancozebe, como a ETU. Conclusão: A exposição ocupacional a ditiocarbamato está associada ao aumento do estresse oxidativo e da genotoxicidade em trabalhadores de vinhedos. Esses achados reforçam a necessidade de medidas regulatórias para estabelecer limites biológicos de exposição e promover estratégias eficazes para reduzir a exposição ocupacional a esse pesticida.
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Os critérios de inclusão foram idade mínima de 18 anos e, para o grupo exposto, pelo menos cinco anos de uso ocupacional do ditiocarbamato. Dados sociodemográficos, estado de saúde, uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e histórico ocupacional foram obtidos por meio de entrevistas estruturadas. Amostras de sangue, urina e mucosa oral foram analisadas para avaliar parâmetros hematológicos e bioquímicos, marcadores de estresse oxidativo, genotoxicidade (por meio do ensaio cometa e do teste de micronúcleo) e concentrações urinárias de etilenotiouréia (ETU), principal metabólito Do Mancozebe. Resultados: Trabalhadores expostos apresentaram aumento significativo nos marcadores de estresse oxidativo em comparação aos não expostos (p < 0,001). Tanto o ensaio cometa quanto o teste de micronúcleo revelaram níveis significativamente mais elevados de dano ao DNA no grupo exposto (p < 0,001), indicando efeitos genotóxicos relacionados à exposição ao ditiocarbamato. As concentrações urinárias de ETU também foram significativamente mais altas entre os expostos. A análise da curva ROC (Receiver Operating Characteristic) identificou um valor de corte de 69,3 ng/mL de ETU urinária para discriminar entre indivíduos expostos e não expostos. Discussão: Os achados deste estudo estão em consonância com estudos anteriores que demonstram uma associação entre exposição crônica ao Mancozebe e toxicidade. Os resultados ressaltam a importância crítica do uso consistente de EPIs e da implementação de estratégias de vigilância em saúde ocupacional nos vinhedos. Além disso, destaca-se a necessidade urgente de estabelecer limites biológicos de exposição para os metabólitos do Mancozebe, como a ETU. Conclusão: A exposição ocupacional a ditiocarbamato está associada ao aumento do estresse oxidativo e da genotoxicidade em trabalhadores de vinhedos. Esses achados reforçam a necessidade de medidas regulatórias para estabelecer limites biológicos de exposição e promover estratégias eficazes para reduzir a exposição ocupacional a esse pesticida.Introduction: Viticulture, in southern Brazil, involves intensive pesticide use, including Mancozeb, to control fungal diseases in grapevines. Growing evidence has raised concerns regarding the potential adverse health effects associated with chronic Mancozeb exposure among agricultural workers. Objective: This study aimed to evaluate the occupational toxicity of Mancozeb in vineyard workers from this region, with a specific focus on biomarkers of exposure, as well as genotoxic and oxidative stress parameters. Methods: A cross-sectional study was conducted between July and November 2022/2023, involving 94 participants: 50 vineyard workers occupationally exposed to Mancozeb and 44 organic farmers with no history of pesticide exposure, serving as the unexposed group. Inclusion criteria were a minimum age of 18 years and, for the exposed group, at least five years of occupational use of Mancozeb. Data on sociodemographic characteristics, health status, personal protective equipment (PPE) use, and occupational history were collected through structured interviews. Blood, urine, and oral mucosa samples were analyzed to assess hematological and biochemical parameters, oxidative stress markers, genotoxicity (via comet assay and micronucleus test), and urinary ethylene thiourea (ETU) concentrations, the main metabolite of Mancozeb. Results: Exposed workers showed a significant increase in oxidative stress markers compared to unexposeds (p < 0.001). Both the comet assay and micronucleus test revealed significantly higher levels of DNA damage in the exposed group (p < 0.001), indicating genotoxic effects related to Mancozeb exposure. Urinary ETU concentrations were also significantly elevated in exposed workers. Receiver Operating Characteristic (ROC) curve analysis identified a urinary ETU cut-off value of 69.3 ng/mL for discriminating between exposed and non-exposed individuals. DiscussionOur findings are consistent with previous studies demonstrating a link between chronic Mancozeb exposure and toxicity. The results underscore the critical need for consistent use of PPE and the implementation of occupational health surveillance strategies in vineyards. The establishment of biological exposure limits for Mancozeb metabolites, such as ETU, is also warranted. Conclusion: Occupational and environmental exposure to Mancozeb is associated with increased oxidative stress and genotoxicity among vineyard workers. These findings reinforce the need for regulatory measures to establish biological exposure limits and to promote effective strategies to minimize occupational exposure to this pesticide.application/pdfporToxicidadeMonitoramento biológicoExposição a praguicidasGenotoxicidadeBrasil, Região SulToxicityBiomonitoringPesticide exposureGenotoxicityToxicidade do mancozebe utilizado em viticulturas da Região Sul do Brasilinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisUniversidade Federal do Rio Grande do SulFaculdade de MedicinaPrograma de Pós-Graduação em Ciências em Gastroenterologia e HepatologiaPorto Alegre, BR-RS2025doutoradoinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGSinstname:Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)instacron:UFRGSTEXT001293173.pdf.txt001293173.pdf.txtExtracted Texttext/plain69908http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/296807/2/001293173.pdf.txtf37bb07ff660b1c2d80f6ca5a7d87788MD52ORIGINAL001293173.pdfTexto parcialapplication/pdf838751http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/10183/296807/1/001293173.pdfe3bf5a3a79c9a70604503eb0900a5b38MD5110183/2968072025-09-21 07:59:05.774644oai:www.lume.ufrgs.br:10183/296807Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttps://lume.ufrgs.br/handle/10183/2PUBhttps://lume.ufrgs.br/oai/requestlume@ufrgs.br || lume@ufrgs.bropendoar:18532025-09-21T10:59:05Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)false
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